15 de jul. de 2022

Vamos e venhamos: pra onde vamos?

Congresso derruba veto à compensação federal sobre perda arrecadatória do ICMS. Presidente Jair Bolsonaro (PL) sancionou o projeto de lei que estabelecia um limite para a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, mas rejeitou o ressarcimento da União aos Estados.

Senado deve barrar cobrança às rádios por direitos de transmissão, diz Abert. Projeto de Lei deve ser apreciado pelos senadores no retorno do recesso parlamentar.

Governo Bolsonaro abre processos para rever atos de anistia do Governo Lula. Leia aqui https://gazetabrasil.com.br/governo/2022/07/12/governo-bolsonaro-abre-processos-para-rever-atos-de-anistia-do-governo-lula/

Urgente! Bolsonaro segue desmoralizando o Datafolha pelo nordeste
https://youtu.be/muhFvaGtJ78

Presidente da Shell diz que Europa será forçada a racionar energia no inverno. Baixa oferta de gás russo tem mexido com as negociações da UE; reservatório está em 62,6% da capacidade.

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Entenda por que a Psiquiatria precisa da Filosofia

Um dos motivos é que ainda há uma crescente pressão da indústria para a medicalização de indivíduos que buscam atingir seu melhor desempenho e estarem alinhados a uma cultura da performance e do mérito

Psicóloga e paciente durante sessão de terapia

Questão sobre a relação entre Psicologia e Filosofia foi levantada em encontro na Dinamarca

Os professores Kendler e Parnas fizeram um encontro na Dinamarca para discutirmos “Por que a Psiquiatria precisa da Filosofia?”. Dentre as respostas para esta difícil pergunta, estiveram: porque o adoecimento mental é presente e crescente na sociedade contemporânea; porque apesar da Psiquiatria ser fundamental na compreensão e cuidado de pessoas em sofrimento emocional, temos enfrentado um enorme reducionismo causal para a manifestação dos transtornos; porque há uma crescente pressão da indústria para a medicalização de indivíduos que buscam atingir seu melhor desempenho e estarem alinhados a uma cultura da performance e do mérito. Ainda há muito o que evoluirmos na compreensão etiológica, ou seja, no estudo das causas de determinados transtornos mentais como, por exemplo, da depressão maior, abuso de substâncias, esquizofrenia e transtornos de personalidade.

As publicações científicas em revistas de renome somente aumentam as áreas de estudo e compreensão dos fenômenos mentais, passando pela perspectiva biológica (molecular, celular, neuronal, inflamatória), comportamental e psicológica, com uma série de construtos envolvidos no funcionamento do humor, cognição, afeto e memória, sem contar a influência de importantes aspectos sociais na saúde mental do indivíduo como a família, relacionamentos, violência, adversidades vividas na infância, cultura, etnia e processos socioeconômicos. A Psiquiatria precisa da Filosofia também porque embora nossos tratamentos sejam melhor compreendidos e mais eficazes do que há duas ou três décadas, eles estão longe de ser curativos, nem mesmo temos a total compreensão de como eles funcionam; porque dificilmente há um campo prático e teórico da Medicina mais amplo que a Psiquiatria; e, por fim, porque a percepção do mundo é influenciada por nossas concepções teóricas sobre ele.

Além de médicos bem formados, temos de nos preocupar em discutir e questionar o impacto emocional de se viver em tempos de predominância do eu, hiperconectividade, guerra, pandemia, pobreza e do preconceito. Diante dessa complexidade, tem sido crescente o ganho da indústria do bem-estar e do número de oportunistas de todas as áreas se apropriando do tema da saúde mental para dar dicas de sucesso e enfrentamento breve. Vale dizer que o campo da saúde mental é complexo e não representa apenas a ausência de doença mental, mas sim, um estado de bem-estar em que as pessoas realizam suas atividades, conseguem enfrentar o estresse da vida diária, trabalhar adequadamente, render frutos do seu trabalho e ser capaz de contribuir para a sua comunidade. (Camila Magalhães, médica psiquiatra, com doutorado pelo departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP )

A “primavera cubana” acabou em porrete e cadeia.

         Há um ano, em 11 de julho, quando explodiu em Cuba um movimento de viés libertador levando o povo às ruas, fui muito indagado sobre a sequência e as consequências daquilo. As observações e experiências pessoais colhidas durante várias viagens relatadas por mim em “A tragédia da Utopia” e as informações que regularmente recebo explicam esse interesse por minha opinião. Não sou cubanólogo, mas sim, conheço a dura realidade daquela ilha.

Lembro-me que meus interlocutores se decepcionavam com o que lhes dizia sobre a viabilidade de uma “primavera” cubana. Era como se preferissem informação ilusória e essa reação me fazia pensar sobre o quanto as fantasias são sedutoras e fáceis de vender. Há quem creia, por exemplo, em Lula de outra pipa...

No entanto, era perfeitamente previsível que aquele regime se recusaria a qualquer entendimento com a população desarmada (desarmada, note-se bem) e iria endurecer contra os manifestantes. Foi exatamente o que ocorreu. O Estado reagiu com inusitada violência – porrete e cadeia – contra todos em quem conseguiu deitar a mão. O evento subsequente simplesmente não aconteceu.

Agora, acabo de ler um rescaldo daqueles dias em matéria publicada na Gazeta do Povo. Trata-se de um relatório divulgado por Cubalex (consultoria jurídica) e pelo Movimento 11J (referido à data dos eventos de 2021): 1484 prisões e 505 pessoas já condenadas ao cárcere ou a “trabalhos correcionais” com internamento. Outras 196 estão em prisão provisória (decorrido ano inteiro de uma simples mobilização popular). Há 703 não encarcerados, dos quais alguns pagaram multas e outros cumprem “trabalhos correcionais” sem internação. Sobre 80 não há informações. Maus tratos e tortura são frequentes e a legislação contra esse tipo de evento tornou-se mais rigorosa.

Triste, não? No entanto, esse regime tem apoiadores internos na população cubana (gente de cabeça feita pelo sistema ou beneficiada por ele de algum modo) e tem à disposição para acionar, uma poderosa máquina repressiva policial, judicial e militar (com ganhos privilegiados). Tem, também, apoiadores externos, entre os quais um candidato à presidência do Brasil. Esse cidadão apoia, igualmente, os regimes da Venezuela, da Nicarágua e, para favorecer a expansão dessas aberrações, criou o Foro de São Paulo. (Percival Puggina, membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor)

“Coloco amor em tudo para que só tenha motivos para sorrir.”

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