Congresso derruba veto à
compensação federal sobre perda arrecadatória do ICMS. Presidente Jair
Bolsonaro (PL) sancionou o projeto de lei que estabelecia um limite para a
cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, mas rejeitou o
ressarcimento da União aos Estados.
Senado deve barrar cobrança às
rádios por direitos de transmissão, diz Abert. Projeto de Lei deve ser
apreciado pelos senadores no retorno do recesso parlamentar.
Governo Bolsonaro abre processos
para rever atos de anistia do Governo Lula. Leia aqui https://gazetabrasil.com.br/governo/2022/07/12/governo-bolsonaro-abre-processos-para-rever-atos-de-anistia-do-governo-lula/
Urgente! Bolsonaro segue
desmoralizando o Datafolha pelo nordeste
https://youtu.be/muhFvaGtJ78
Presidente da Shell diz que
Europa será forçada a racionar energia no inverno. Baixa oferta de gás russo
tem mexido com as negociações da UE; reservatório está em 62,6% da capacidade.
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Entenda por que a
Psiquiatria precisa da Filosofia
Um dos motivos é que ainda há uma
crescente pressão da indústria para a medicalização de indivíduos que buscam
atingir seu melhor desempenho e estarem alinhados a uma cultura da performance
e do mérito
Psicóloga e paciente
durante sessão de terapia
Questão sobre a relação entre
Psicologia e Filosofia foi levantada em encontro na Dinamarca
Os professores Kendler e Parnas
fizeram um encontro na Dinamarca para discutirmos “Por que a Psiquiatria
precisa da Filosofia?”. Dentre as respostas para esta difícil pergunta,
estiveram: porque o adoecimento mental é presente e crescente na sociedade
contemporânea; porque apesar da Psiquiatria ser fundamental na compreensão e
cuidado de pessoas em sofrimento emocional, temos enfrentado um enorme
reducionismo causal para a manifestação dos transtornos; porque há uma
crescente pressão da indústria para a medicalização de indivíduos que buscam
atingir seu melhor desempenho e estarem alinhados a uma cultura da performance
e do mérito. Ainda há muito o que evoluirmos na compreensão etiológica, ou
seja, no estudo das causas de determinados transtornos mentais como, por
exemplo, da depressão maior, abuso de substâncias, esquizofrenia e transtornos
de personalidade.
As publicações científicas em
revistas de renome somente aumentam as áreas de estudo e compreensão dos
fenômenos mentais, passando pela perspectiva biológica (molecular, celular,
neuronal, inflamatória), comportamental e psicológica, com uma série de
construtos envolvidos no funcionamento do humor, cognição, afeto e memória, sem
contar a influência de importantes aspectos sociais na saúde mental do
indivíduo como a família, relacionamentos, violência, adversidades vividas na
infância, cultura, etnia e processos socioeconômicos. A Psiquiatria precisa da
Filosofia também porque embora nossos tratamentos sejam melhor compreendidos e
mais eficazes do que há duas ou três décadas, eles estão longe de ser curativos,
nem mesmo temos a total compreensão de como eles funcionam; porque dificilmente
há um campo prático e teórico da Medicina mais amplo que a Psiquiatria; e, por
fim, porque a percepção do mundo é influenciada por nossas concepções teóricas
sobre ele.
Além de médicos bem formados,
temos de nos preocupar em discutir e questionar o impacto emocional de se viver
em tempos de predominância do eu, hiperconectividade, guerra, pandemia, pobreza
e do preconceito. Diante dessa complexidade, tem sido crescente o ganho da
indústria do bem-estar e do número de oportunistas de todas as áreas se
apropriando do tema da saúde mental para dar dicas de sucesso e enfrentamento
breve. Vale dizer que o campo da saúde mental é complexo e não representa
apenas a ausência de doença mental, mas sim, um estado de bem-estar em que as
pessoas realizam suas atividades, conseguem enfrentar o estresse da vida
diária, trabalhar adequadamente, render frutos do seu trabalho e ser capaz de
contribuir para a sua comunidade. (Camila Magalhães,
médica psiquiatra, com doutorado pelo departamento
de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP )
A “primavera cubana” acabou em porrete e cadeia.
Há um ano, em 11 de julho, quando
explodiu em Cuba um movimento de viés libertador levando o povo às ruas, fui
muito indagado sobre a sequência e as consequências daquilo. As observações e
experiências pessoais colhidas durante várias viagens relatadas por mim em “A
tragédia da Utopia” e as informações que regularmente recebo explicam esse
interesse por minha opinião. Não sou cubanólogo, mas sim, conheço a dura
realidade daquela ilha.
Lembro-me que meus interlocutores
se decepcionavam com o que lhes dizia sobre a viabilidade de uma “primavera”
cubana. Era como se preferissem informação ilusória e essa reação me fazia
pensar sobre o quanto as fantasias são sedutoras e fáceis de vender. Há quem
creia, por exemplo, em Lula de outra pipa...
No entanto, era perfeitamente
previsível que aquele regime se recusaria a qualquer entendimento com a
população desarmada (desarmada, note-se bem) e iria endurecer contra os
manifestantes. Foi exatamente o que ocorreu. O Estado reagiu com inusitada
violência – porrete e cadeia – contra todos em quem conseguiu deitar a mão. O
evento subsequente simplesmente não aconteceu.
Agora, acabo de ler um rescaldo
daqueles dias em matéria publicada na Gazeta do Povo. Trata-se de um relatório
divulgado por Cubalex (consultoria jurídica) e pelo Movimento 11J (referido à
data dos eventos de 2021): 1484 prisões e 505 pessoas já condenadas ao cárcere
ou a “trabalhos correcionais” com internamento. Outras 196 estão em prisão
provisória (decorrido ano inteiro de uma simples mobilização popular). Há 703
não encarcerados, dos quais alguns pagaram multas e outros cumprem “trabalhos
correcionais” sem internação. Sobre 80 não há informações. Maus tratos e
tortura são frequentes e a legislação contra esse tipo de evento tornou-se mais
rigorosa.
Triste, não? No entanto, esse
regime tem apoiadores internos na população cubana (gente de cabeça feita pelo
sistema ou beneficiada por ele de algum modo) e tem à disposição para acionar,
uma poderosa máquina repressiva policial, judicial e militar (com ganhos
privilegiados). Tem, também, apoiadores externos, entre os quais um candidato à
presidência do Brasil. Esse cidadão apoia, igualmente, os regimes da Venezuela,
da Nicarágua e, para favorecer a expansão dessas aberrações, criou o Foro de
São Paulo. (Percival Puggina, membro da Academia
Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor)
“Coloco amor em tudo para que só tenha motivos para
sorrir.”


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