21 de jun. de 2022

Viroses e pandemias políticas...

 

Petrobras: Partido do presidente vai elaborar requerimento de CPI. Lucros rendem até R$31 milhões a diretores. O preço na bomba não importa para quem recebe R$3 milhões a cada mês. Já o caminhoneiro paga R$4 mil para encher o tanque.

Cientistas criam exame inédito que identifica com alta precisão Alzheimer em estágio inicial. Atualmente, diagnosticar a doença depende de vários testes; é comum que ela seja percebida somente em graus mais avançado. https://noticias.r7.com/saude/cientistas-criam-exame-inedito-que-identifica-com-alta-precisao-alzheimer-em-estagio-inicial-21062022

Colômbia: Com vitória de Petro, esquerda volta a ser dominante na América do Sul. Mais pragmáticos, líderes enfrentam cenário de escassez de recursos econômicos e trazem intensa agenda social e cultural.

Agora, acabou!...

É claro que não foi o sr. BoLSonaro quem mandou matar o indigenista Bruno Pereira, nem o  repórter Dom Phillips! Diretamente, ele não tem nada a ver com essa dupla tragédia!

Mas as recorrentes atitudes desse senhor, incentivando os mineradores e aventureiros a tomarem conta da Amazônia, ilegalmente, sua leniência para com o desmatamento ilegal  que  atingiu recordes em seu governo, sua aversão a qualquer direito dos indígenas, sua total falta de sensibilidade e de humanidade ao se manifestar sobre essa tragédia, o colocam  implacavelmente no centro do episódio, especialmente perante a  comunidade internacional!

Agora, acabou-se definitivamente para o sr. BoLSonaro! Se ainda existia algum sonho seu de se postar como estadista, perante o mundo, sua insensibilidade e seu permanente descontrole e desespero se encarregaram de enterrá-lo!

Deus é brasileiro e escreve certo por linhas tortas! O holocausto de Bruno e de Philips, pelo menos, deixou um legado positivo para o País: o enterro definitivo desse desqualificado! (Márcio Dayrell Batitucci)

Assassinatos 'sepultam' planos de Bolsonaro no exterior e aprofundam crise

Do UOL

O assassinato de um indigenista e um jornalista escancaram uma crise de imagem "sem precedentes" para o Brasil, que já era alvo de questionamentos, críticas e preocupações internacionais. Para experientes diplomatas ouvidos pela coluna, a confirmação das mortes de Bruno Pereira e de de Dom Phillips aprofundam um mal-estar e podem "sepultar" qualquer tentativa de inserção do governo de Jair Bolsonaro no exterior....

A coluna apurou que haverá, a partir de agora, uma pressão intensa sobre as autoridades brasileiras para que realizem uma investigação imparcial e independente sobre as mortes, com o governo britânico, a ONU e entidades internacionais cobrando tais atos...

Dentro do Itamaraty, a ordem nos últimos dias foi a de passar a informação para agências internacionais e governos estrangeiros de que o governo estava comprometido na busca pelos dois homens. Mas, sem credibilidade por anos de um discurso negacionista, a palavra do Brasil foi recebida com desdém.

Segundo antigos embaixadores, o caso neste momento pode ter um impacto maior que o de Chico Mendes ou de Dorothy Stang, ambos assassinatos por seu trabalho na floresta. Hoje, dizem eles, a Amazônia está no centro do debate internacional e nunca, no período de democracia, o governo brasileiro foi tão criticado no exterior como agora...

O caso também pode ter impactos econômicos e comerciais. No último ano, o maior fundo soberano do mundo - na Noruega - reduziu investimentos no Brasil sob a alegação de que o país vivia uma crise tanto no que se refere aos direitos humanos como em questões ambientais.

Cenários feitos por diplomatas apontam que essa tendência, agora, pode aumentar. Não há confiança na palavra do Brasil de que age para defender a Amazônia, indígenas ou ativistas...

Acordos comerciais já com sérias dificuldades para serem aprovados agora seriam congelados. Um deles envolve o Mercosul e a União Europeia. A coluna apurou que, nesta quinta-feira, indígenas brasileiros planejam um ato diante do Parlamento Europeu em homenagem aos dois mortos.

Mas o evento amplia a pressão para que os europeus não ratifiquem nenhum tipo de aproximação comercial com o Brasil. Membros de governos estrangeiros indicam que haverá uma reação internacional muito dura e que o dedo vai estar apontado ao desmonte promovido por Bolsonaro em toda a política ambiental e de direitos humanos no país...

Na ONU, funcionários do mais alto escalão da entidade destacam para a incoerência de uma situação de violência só agora ganhar o noticiário internacional, por conta da existência de uma vítima estrangeira. Mas a agência admite que a pressão de governos estrangeiros para que haja uma cobrança maior sobre o Brasil vai aumentar.

Já na semana passada, a ONU criticou a reação "extremamente lenta" do governo na busca pelos dois homens, além de atacar os comentários feitos pelo presidente Jair Bolsonaro difamando o trabalho do indigenista e do jornalista...

Um dia depois, coube ao embaixador do Brasil na ONU, Tovar Nunes, desmentir Bachelet e dizer que o governo atua contra atividades ilegais em reservas indígenas.

Ele também destacou programas de proteção a ambientalistas e jornalistas. Nos corredores da ONU, um só comentário: quem é que vai acreditar na palavra do Brasil?

A pressão também virá de entidades da sociedade civil. Laura Canineu, diretora do Brasil da Human Rights Watch, deixou claro que as cobranças continuarão. Ela pede que o processo de investigação seja realizado "de forma minuciosa, independente e imparcial, em estrito cumprimento da lei".

"É essencial que a investigação esclareça as circunstâncias e a motivação do crime, e leve à responsabilização de todos os envolvidos", afirmou. "Esta é uma grande tragédia para as famílias de Bruno e Dom, assim como para todos que defendem a Amazônia e os direitos dos povos indígenas, e todos que reportam e dão visibilidade a esses temas", disse...

"É urgente que medidas imediatas e contundentes sejam adotadas pelo governo federal, governadores estaduais e ministérios públicos federal e estaduais para combater a ilegalidade e as redes criminosas na Amazônia", completou....

Caminhoneiros ameaçam paralisação se não forem aprovadas queda do diesel e contagem pública de votos

Mobilização da categoria vai além da reivindicação econômica para reduzir preços do diesel, gasolina, álcool e gás; campanha inclui pressionar deputados e senadores a aumentarem segurança eleitoral        

Caminhoneiros, organizados e politizados, dão ultimatos. Reivindicam que a Petrobras cancele os reajustes dos combustíveis praticados nas refinarias — e que acabam refletindo, imediatamente, nas bombas dos postos. Exigem que o Congresso Nacional aprove duas Propostas de Emenda Constitucionais: a que compensa Estados que zerarem o ICMS sobre o gás de cozinha, gás natural e diesel e a que garante benefício tributário a produtores (e comercializadores) de biocombustíveis como o etanol. Também pressionam o Parlamento para que aprove, com urgência, o Projeto de Lei 943/2022, de autoria do deputado federal Celso Russomano (Republicanos-SP). A regra “institui o escrutínio público de votos e veda o exercício na modalidade exclusivamente eletrônica”. A ideia é que isso já valha na eleição 2022 — o que vai contra a vontade da Justiça Eleitoral. Caso não sejam atendidos, os motoristas prometem parar o país nos próximos 20 dias.

Excetuando uma “greve” — cujos impactos políticos e econômicos podem fugir ao controle —, a movimentação dos caminhoneiros interessa a Jair Messias Bolsonaro. Definitivamente, o presidente declarou guerra à estatal de economia mista, da qual a União é a acionista majoritária. Bolsonaro tuitou: “A Petrobras pode mergulhar o Brasil num caos. Seu presidente, diretores e conselheiros bem sabem do que aconteceu com a greve dos caminhoneiros em 2018, e as consequências nefastas para a economia do Brasil e a vida do nosso povo. O governo federal, como acionista, é contra qualquer reajuste dos combustíveis, não só pelo exagerado lucro da Petrobras em plena crise mundial, bem como pelo interesse público previsto na Lei das Estatais”. É baseado em tais argumentos que Bolsonaro apoia uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a petrolífera. Mas uma CPI tem tudo para não sair, por dois motivos. Primeiro, a prioridade máxima dos parlamentares é eleição/reeleição. Além disso, bilionários e milionários (financiadores indiretos de campanha) já fazem pressão, nos bastidores, para que qualquer investigação não aconteça.

Perguntar não ofende: é moral, ética, econômica e politicamente correto que, em meio a uma crise inflacionária (nacional e mundial), a Petrobras aprove, em seu balanço, uma reserva de R$ 200 bilhões para pagar dividendos a seus acionistas, mas também a diretores e conselheiros? Por que a empresa não provisiona R$ 60 bilhões para indenizar investidores (minoritários) na B3 (Bolsa de Valores) lesados pela corrupção do Petrolão? As respostas são tão óbvias e ululantes que a pressão subiu e pode aumentar mais que combustível na bomba dos postos de serviços. Encurralado, o presidente da Petrobrás, José Mauro Coelho, pediu para sair. A companhia tem de convocar uma Assembleia Extraordinária para eleger o substituto e homologar os nomes dos novos componentes dos Conselhos de Administração e Fiscal. O presidente Bolsonaro também deseja uma mudança mais ampla na diretoria da empresa, sobretudo no setor jurídico, no qual nenhuma figura se alterou desde a Era PT — o que sugere um certo “aparelhamento” do comando da “estatal”.

Está em xeque (mate) o modelo de “empresa de economia mista”. Afinal, na hora que as crises econômicas apertam, sempre fica no ar o dilema: qual interesse deve ser atendido, prioritariamente: a remuneração e lucratividade dos “investidores” (mi ou bilionários acionistas “minoritários” e a majoritária União Federal)? Ou o mais sensato é beneficiar a economia popular de quem compra combustível, cujo encarecimento provoca aumento direto e indireto da “inflação” (perda do poder de compra + reajuste — muitas vezes especulativo — dos preços de todos os produtos e serviços)? A questão é muito mais complexa do que abrir uma CPI para investigar a “política de preços da Petrobras”. O bom senso exige um debate sério sobre a estrutura estatal brasileira e o modelo econômico que privilegia “cartórios e cartéis”, geralmente com corrupção no meio.

O modelo é catastrófico! O problema da Petrobras está na formatação da sua planilha de custo do seu CPV (Custo do Produto Vendido). A “estatal” compra, mas também exporta petróleo (em dólar). Ao contabilizar os barris necessários para apurar o custeio como se todos fossem comprados externamente a preços que os cartéis petrolíferos impõem, e sem considerar o preço real da produção interna — ou ainda, sem considerar as exportações —, o custo fica altamente elevado. Seria relevante investigar se a empresa usa no “custeio” o petróleo nacional produzido — como se fosse internacional. Além disso, vale lembrar que o Brasil é obrigado a importar combustível refinado porque não tem refinarias em quantidade, qualidade e capacidade suficientes para produzir o que o mercado interno precisa.

Para completar a confusão, a Petrobras não pode ser responsabilizada (sozinha) pela importação (cada vez mais cara) de combustível, principalmente o diesel. No Brasil, ganharam protagonismo as empresas filiadas à Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis. Apesar do reajuste decidido pela Petrobras nas refinarias, a Abicom calcula que a defasagem é de 9% no diesel e 5% na gasolina, em relação aos preços internacionais. A entidade estima que a estatal precisa aumentar em média o diesel em mais R$ 0,52 por litro e a gasolina em R$ 0,22 para atingir o preço de paridade de importação.

Por fim, há outro problema objetivo na extração, compra e venda do “nosso” (?) petróleo, extraído, em média, a US$ 4 o barril. A famosa regra de paridade, estabelecida por Pedro Parente no governo Michel Temer, não é com a cotação do dólar, mas, sim, com o valor no mercado SPOT, no qual o petróleo chega a custar US$ 100 o barril. Simplificando o raciocínio, nós pagamos 2000% a mais pelo “nosso” petróleo, que jorra a US$ 4 nos campos brasileiros de exploração. Na prática, o Brasil está importando (e o povo pagando o preço da guerra da Rússia contra a Ucrânia), com a carestia do gás e do petróleo no mercado internacional. É por isso, faturando também em dólar, nas exportações, que a Petrobras lucrou tanto para seus acionistas (gerando dividendos polpudos para diretores e conselheiros).

Resumindo: O povo arca com os aumentos de todos os preços. Para piorar, a sociedade brasileira não consegue promover um debate racional sobre o problema, que tem a ver com uma mistura explosiva de monopólio estatal, confisco tributário e inflação permanente. Ainda bem que o complexo assunto se torna pauta diária das transmissões dos “Tios e Tias do Zap” nas redes sociais da internet. O conhecimento dessa realidade mobiliza os caminhoneiros que, a partir de iniciativas individuais, se organizam e partem para ousadas pressões sobre o governo, os políticos e a Petrobras. Isso é TDB (Tudo de Bom!) para a construção da democracia! Trata-se da Evolução Brasileira em andamento! (Jorge Serrão)

“Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe.”

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