20 de jun. de 2022

O pior, nada muda no país...

O presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, renunciou ao cargo nesta 2ª feira (20.jun.2022). O anúncio vem depois da estatal reajustar os preços do diesel e da gasolina. A saída de José Mauro Coelho foi informada durante uma reunião da diretoria. Na 6ª feira (17.jun), a estatal aumentou em 5,18% o preço da gasolina vendida às distribuidoras. O diesel teve alta de 14,26%. Ações da estatal caem 2% após mudança no comando.

'Se há mandante é comerciante da área', diz Mourão sobre mortes no AM. PF afirmou que suspeitos agiram sozinhos, 'sem mandante ou organização criminosa'.

Procurador-geral da república, Augusto Aras diz que volta para Brasília com 'disposição de defender Amazônia'.

Financiamento público e fraude à democracia

          Na noite da última quarta-feira, quando o TSE anunciou o resultado da partilha dos R$ 4,96 bilhões destinados ao financiamento das campanhas eleitorais por ato legislativo que derrubou veto presidencial, me sobreveio justa indignação. Aquela dinheirama cortava pernas e asas da democracia.

É sabido que, com raras e louváveis exceções, detentores de mandato não votam contra o próprio interesse. É para redução de riscos pessoais que não votam o fim do foro privilegiado nem a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância.

Normal é a ampliação dos próprios benefícios. Mantêm o milionário privilégio das emendas parlamentares para jogar o dinheiro vivo – e sofrido – de nossos impostos nos seus nichos eleitorais. A título de apoio à sua atividade pública, povoam os gabinetes com cabos eleitorais em permanente campanha pela reeleição. Não implementam o voto distrital nem adotam qualquer melhoria que possa colocar em risco a estabilidade de um sistema tão conveniente.

A esse abastecido e sempre atualizado cardápio, acresceu-se, a partir de 2015, a comodidade do financiamento público das campanhas eleitorais cujo fundão rapidamente evoluiu para a bolada acima referida. Quem vai mudar isso, por mais que a sociedade o deseje?

Ademais, surge a pergunta que poucos fazem: como é distribuído esse dinheiro dentro dos partidos? Imagine o poder que vai para as mãos do colegiado ao qual a tarefa esteja atribuída! É certo, e a experiência já comprovou, que há elevada discricionariedade nessa distribuição, constituindo-se tal poder em uma espécie de canga aplicada sobre as bancadas.

O produto final de toda essa artimanha é um ataque frontal ao natural desejo de renovação nos parlamentos, algo tão especialmente importante nas eleições de outubro. Se a democracia serve para expressar a vontade social, a nossa está desenhada para frustrar, para fraudar esse desejo. As ações e omissões de nossos congressistas, bem como sua surdez à voz das ruas, derivam das fornidas bases sobre as quais, ao longo de um inteiro quadriênio, operam em favor de suas reeleições.

É claro que pelo sistema anterior, com financiamento privado e teto de gastos, jamais o setor privado iria colocar quase R$ 5 bilhões nas mãos de candidatos e partidos. O resultado viria com campanhas mais modestas, que exigiriam mais trabalho prévio, maior sintonia com a opinião pública e com a voz das ruas. Esse sistema que escandalizou a nação na noite da última quarta-feira foi concebido e imposto pelos 11 gênios, os sábios da pátria, os tutores da sociedade, os devotos de uma democracia irreconhecível e de um Estado de Direito que se empenham em desestabilizar.

Sim, leitor, você tem razão. O que descrevi acima aumenta nossa responsabilidade, convoca nosso melhor discernimento, recruta nossa cidadania, suplica por nosso trabalho para eleger ou reeleger os melhores parlamentares. Sem estes, em número suficiente, não ocorrerão reformas que façam viger a vontade social que os atuais Congresso e STF, conjugando fantasmas fictícios e interesses reais, e agindo contra a democracia, trataram de obstar no quadriênio que se encaminha para o final. (Percival Puggina, membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor)

Os discursos de Lula são promessas ou ameaças?

Será que agindo assim ele conquistará os votos de que precisa, ou já acreditou no resultado das pesquisas e se sente tão à vontade que ousa dizer o que lhe vem à cabeça?

Você tem acompanhado os discursos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva? Assim como a maioria das pessoas, têm se surpreendido com o radicalismo de suas mensagens? Será que agindo assim ele conquistará os votos de que precisa, ou já acreditou no resultado das pesquisas e se sente tão à vontade que ousa dizer o que lhe vem à cabeça? Vamos rever um pouco da nossa história recente. O ano de 2019 ficará para sempre como um período especial. A população foi às ruas pedindo a aprovação da reforma da Previdência. Houve manifestação contrária, sim, mas nada quando comparada aos movimentos favoráveis. Talvez essa tenha sido uma das maiores provas de amadurecimento da sociedade. Como estava não poderia continuar.

Um fato tão ou mais inusitado foi a aprovação da reforma trabalhista em 2017. O presidente Michel Temer ostentava baixíssima popularidade. Ainda assim, com sua experiência de longos anos presidindo a Câmara dos Deputados, soube como conquistar o apoio do Congresso para aprovar uma reforma importante para maior liberdade de ações entre patrões e empregados. Outra Emenda Constitucional relevante foi promulgada pelo Congresso em 2016, que limita por 20 anos os gastos públicos. O objetivo é impedir que as despesas de determinado ano não sejam superadas pela inflação do ano anterior.

Cumprindo promessa de campanha, o presidente Jair Bolsonaro praticamente eliminou as invasões do movimento dos trabalhadores sem-terra (MST). Contribuiu para esse resultado a posse estendida de arma, que permite aos proprietários rurais andar armados até os limites de suas terras. Também a concessão de títulos de propriedade, pois sendo donos do local esses pequenos agricultores não teriam mais motivo para participar de invasões. Essas foram algumas vitórias que permitiram maior governabilidade do país e condições para o livre funcionamento do mercado. Como as mudanças mexeram com a vida dos brasileiros, em certos momentos parecia impossível que fossem concretizadas. Passados alguns anos essas reformas e diretrizes se mostraram acertadas.

Lula dá a impressão de ter sido tomado por uma crise de sincericídio. Depois que saiu da cadeia, seus pronunciamentos têm assustado até os próprios correligionários. Alguns petistas e membros de outros partidos de oposição ao governo estranharam as atitudes do ex-presidente. O líder esquerdista fala abertamente em seus discursos que vai revogar as reformas Trabalhista e da Previdência. Deixa claro que acabará com o teto de gastos. Abrirá as portas para o MST. Eliminará as escolas cívico-militares. Continuará emprestando dinheiro para os países governados pela esquerda, e que não pagaram os empréstimos recebidos durante os mandatos petistas. Criticou os religiosos, os militares, os policiais, a classe média e os agricultores. Não sobra pedra sobre pedra!

Se, por um lado, esses discursos agradam os seguidores situados na fronteira extrema da esquerda, por outro, assustam os eleitores que ainda estão indecisos, ou que já optaram pela candidatura de Bolsonaro. Na verdade, mais que promessas de campanha, a impressão é a de que ele faz ameaças. Lula é um político experiente. Apesar de muitos não acreditarem nos resultados das pesquisas que são divulgadas pelos mais diferentes institutos, o certo é que a “jararaca” está mais viva que nunca. Provavelmente ele tem algum objetivo com esse tipo de mensagem. Além de suas aparições no mínimo estranhas, a ex-presidente Dilma também deu sinal de vida afirmando que a meta é a de introduzir o socialismo no Brasil. Houve ainda uma declaração de Leonardo Boff, conhecido teólogo e filósofo de longa data, que sempre defendeu o socialismo, dizendo que “se voltar à presidência, Lula fará um governo radical”. Afirmou ainda que o ex-presidente teria um discurso político conciliatório durante a campanha, mas fará uma revolução se eleito.

O que se nota é a falta de sutileza da esquerda em pregar o que deseja verdadeiramente se tomar o poder. Em campanhas passadas nós nos lembramos bem do “Lulinha paz e amor”. Essas ideias radicais socialistas eram camufladas com eufemismos, que, de certa forma, envolveram aqueles que se opunham ao radicalismo do líder sindicalista. Na minha atuação como professor de oratória dos mais importantes líderes políticos brasileiros jamais vi esse tipo de comportamento.  As exceções ficam por conta dos pequenos partidos de extrema esquerda que não têm chances de vencer eleições. Vamos aguardar o resultado. Se Lula conseguir sucesso com esse tipo de discurso, será uma grande surpresa. Dizem certos analistas que, se o petista continuar falando desse jeito, acabará por se transformar no maior cabo eleitoral de Bolsonaro. (Reinaldo Polito)

“Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.”

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