O presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, renunciou ao cargo nesta 2ª feira (20.jun.2022). O anúncio vem depois da estatal reajustar os preços do diesel e da gasolina. A saída de José Mauro Coelho foi informada durante uma reunião da diretoria. Na 6ª feira (17.jun), a estatal aumentou em 5,18% o preço da gasolina vendida às distribuidoras. O diesel teve alta de 14,26%. Ações da estatal caem 2% após mudança no comando.
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Financiamento público e
fraude à democracia
Na noite da última quarta-feira,
quando o TSE anunciou o resultado da partilha dos R$ 4,96 bilhões destinados ao
financiamento das campanhas eleitorais por ato legislativo que derrubou veto
presidencial, me sobreveio justa indignação. Aquela dinheirama cortava pernas e
asas da democracia.
É sabido que, com raras e
louváveis exceções, detentores de mandato não votam contra o próprio interesse.
É para redução de riscos pessoais que não votam o fim do foro privilegiado nem
a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância.
Normal é a ampliação dos próprios
benefícios. Mantêm o milionário privilégio das emendas parlamentares para jogar
o dinheiro vivo – e sofrido – de nossos impostos nos seus nichos eleitorais. A
título de apoio à sua atividade pública, povoam os gabinetes com cabos
eleitorais em permanente campanha pela reeleição. Não implementam o voto
distrital nem adotam qualquer melhoria que possa colocar em risco a
estabilidade de um sistema tão conveniente.
A esse abastecido e sempre
atualizado cardápio, acresceu-se, a partir de 2015, a comodidade do
financiamento público das campanhas eleitorais cujo fundão rapidamente evoluiu
para a bolada acima referida. Quem vai mudar isso, por mais que a sociedade o
deseje?
Ademais, surge a pergunta que
poucos fazem: como é distribuído esse dinheiro dentro dos partidos? Imagine o
poder que vai para as mãos do colegiado ao qual a tarefa esteja atribuída! É
certo, e a experiência já comprovou, que há elevada discricionariedade nessa
distribuição, constituindo-se tal poder em uma espécie de canga aplicada sobre
as bancadas.
O produto final de toda essa
artimanha é um ataque frontal ao natural desejo de renovação nos parlamentos,
algo tão especialmente importante nas eleições de outubro. Se a democracia
serve para expressar a vontade social, a nossa está desenhada para frustrar,
para fraudar esse desejo. As ações e omissões de nossos congressistas, bem como
sua surdez à voz das ruas, derivam das fornidas bases sobre as quais, ao longo
de um inteiro quadriênio, operam em favor de suas reeleições.
É claro que pelo sistema
anterior, com financiamento privado e teto de gastos, jamais o setor privado
iria colocar quase R$ 5 bilhões nas mãos de candidatos e partidos. O resultado
viria com campanhas mais modestas, que exigiriam mais trabalho prévio, maior
sintonia com a opinião pública e com a voz das ruas. Esse sistema que
escandalizou a nação na noite da última quarta-feira foi concebido e imposto
pelos 11 gênios, os sábios da pátria, os tutores da sociedade, os devotos de
uma democracia irreconhecível e de um Estado de Direito que se empenham em
desestabilizar.
Sim, leitor, você tem razão. O
que descrevi acima aumenta nossa responsabilidade, convoca nosso melhor
discernimento, recruta nossa cidadania, suplica por nosso trabalho para eleger
ou reeleger os melhores parlamentares. Sem estes, em número suficiente, não
ocorrerão reformas que façam viger a vontade social que os atuais Congresso e
STF, conjugando fantasmas fictícios e interesses reais, e agindo contra a
democracia, trataram de obstar no quadriênio que se encaminha para o final. (Percival Puggina, membro da Academia Rio-Grandense de
Letras, é arquiteto, empresário e escritor)
Os discursos de Lula
são promessas ou ameaças?
Será que agindo assim ele
conquistará os votos de que precisa, ou já acreditou no resultado das pesquisas
e se sente tão à vontade que ousa dizer o que lhe vem à cabeça?
Você tem acompanhado os discursos
do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva? Assim como a maioria das pessoas,
têm se surpreendido com o radicalismo de suas mensagens? Será que agindo assim
ele conquistará os votos de que precisa, ou já acreditou no resultado das
pesquisas e se sente tão à vontade que ousa dizer o que lhe vem à cabeça? Vamos
rever um pouco da nossa história recente. O ano de 2019 ficará para sempre como
um período especial. A população foi às ruas pedindo a aprovação da reforma da
Previdência. Houve manifestação contrária, sim, mas nada quando comparada aos
movimentos favoráveis. Talvez essa tenha sido uma das maiores provas de
amadurecimento da sociedade. Como estava não poderia continuar.
Um fato tão ou mais inusitado foi
a aprovação da reforma trabalhista em 2017. O presidente Michel Temer ostentava
baixíssima popularidade. Ainda assim, com sua experiência de longos anos
presidindo a Câmara dos Deputados, soube como conquistar o apoio do Congresso
para aprovar uma reforma importante para maior liberdade de ações entre patrões
e empregados. Outra Emenda Constitucional relevante foi promulgada pelo
Congresso em 2016, que limita por 20 anos os gastos públicos. O objetivo é
impedir que as despesas de determinado ano não sejam superadas pela inflação do
ano anterior.
Cumprindo promessa de campanha, o
presidente Jair Bolsonaro praticamente eliminou as invasões do movimento dos
trabalhadores sem-terra (MST). Contribuiu para esse resultado a posse estendida
de arma, que permite aos proprietários rurais andar armados até os limites de
suas terras. Também a concessão de títulos de propriedade, pois sendo donos do
local esses pequenos agricultores não teriam mais motivo para participar de
invasões. Essas foram algumas vitórias que permitiram maior governabilidade do
país e condições para o livre funcionamento do mercado. Como as mudanças
mexeram com a vida dos brasileiros, em certos momentos parecia impossível que
fossem concretizadas. Passados alguns anos essas reformas e diretrizes se
mostraram acertadas.
Lula dá a impressão de ter sido
tomado por uma crise de sincericídio. Depois que saiu da cadeia, seus
pronunciamentos têm assustado até os próprios correligionários. Alguns petistas
e membros de outros partidos de oposição ao governo estranharam as atitudes do
ex-presidente. O líder esquerdista fala abertamente em seus discursos que vai
revogar as reformas Trabalhista e da Previdência. Deixa claro que acabará com o
teto de gastos. Abrirá as portas para o MST. Eliminará as escolas cívico-militares.
Continuará emprestando dinheiro para os países governados pela esquerda, e que
não pagaram os empréstimos recebidos durante os mandatos petistas. Criticou os
religiosos, os militares, os policiais, a classe média e os agricultores. Não
sobra pedra sobre pedra!
Se, por um lado, esses discursos
agradam os seguidores situados na fronteira extrema da esquerda, por outro,
assustam os eleitores que ainda estão indecisos, ou que já optaram pela
candidatura de Bolsonaro. Na verdade, mais que promessas de campanha, a impressão
é a de que ele faz ameaças. Lula é um político experiente. Apesar de muitos não
acreditarem nos resultados das pesquisas que são divulgadas pelos mais
diferentes institutos, o certo é que a “jararaca” está mais viva que nunca.
Provavelmente ele tem algum objetivo com esse tipo de mensagem. Além de suas
aparições no mínimo estranhas, a ex-presidente Dilma também deu sinal de vida
afirmando que a meta é a de introduzir o socialismo no Brasil. Houve ainda uma
declaração de Leonardo Boff, conhecido teólogo e filósofo de longa data, que
sempre defendeu o socialismo, dizendo que “se voltar à presidência, Lula fará
um governo radical”. Afirmou ainda que o ex-presidente teria um discurso
político conciliatório durante a campanha, mas fará uma revolução se eleito.
O que se nota é a falta de
sutileza da esquerda em pregar o que deseja verdadeiramente se tomar o poder.
Em campanhas passadas nós nos lembramos bem do “Lulinha paz e amor”. Essas
ideias radicais socialistas eram camufladas com eufemismos, que, de certa
forma, envolveram aqueles que se opunham ao radicalismo do líder sindicalista.
Na minha atuação como professor de oratória dos mais importantes líderes
políticos brasileiros jamais vi esse tipo de comportamento. As exceções ficam por conta dos pequenos
partidos de extrema esquerda que não têm chances de vencer eleições. Vamos
aguardar o resultado. Se Lula conseguir sucesso com esse tipo de discurso, será
uma grande surpresa. Dizem certos analistas que, se o petista continuar falando
desse jeito, acabará por se transformar no maior cabo eleitoral de Bolsonaro. (Reinaldo
Polito)
“Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.”

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