Cláudio Castro tenta evitar
candidatura de Crivella ao governo do RJ. Governador do Rio de Janeiro também não
deve apoiar o ex-prefeito em uma eventual candidatura ao Senado Federal.
Presidente Bolsonaro confirma o
nome de Braga Netto como candidato a vice.
Caio Paes de Andrade será
anunciado nesta segunda como novo presidente da Petrobras. Petroleiros são
contra a indicação e organizam um protesto em frente à sede da estatal.
‘Objetivo da prisão de Milton
Ribeiro é constranger o governo e igualá-lo ao de Lula’, diz Bolsonaro. Presidente
diz que Ministério Público foi contra ação da Operação Acesso Pago e que não há
‘indícios mínimos’ de corrupção por parte do ex-ministro.
Ministro da Justiça nega ter
falado de operações da PF a Bolsonaro.
Pastor lobista e advogado
'infiltrado' no MEC se hospedaram 10 vezes em hotel. A análise nos arquivos do
hotel mostrou um total de 63 hospedagens no nome de Arilton Moura e 29 no nome
dele Luciano Musse desde 2020. Os investigadores também encontraram um check-in
do pastor Gilmar Santos.
Prazo até o fim do ano, Zelenski
pede ao G7 que pressione para acabar com a guerra.
Putin anuncia primeira viagem
internacional após início da guerra. Destinos do presidente serão o
Tadjiquistão, na terça, e o Turcomenistão, na quarta.
Vaidade, a sorrateira
inimiga da autoridade
Poucas coisas tão postiças quanto a
sabedoria dos intelectos vaidosos. E poucos tão infelizes quanto os que
pretendem fruir o poder com esse canudinho, no próprio copo, como refresco.
A vaidade corriqueira das
celebridades fugazes que causa frenesis em auditórios de pouco juízo e a
decorrente dos atributos físicos são menos maléficas que a dos enfatuados pelo
próprio intelecto. Para estes, todo espelho é mágico e lhes atira beijos. Lambem
seus títulos. Devoram as próprias palavras após pronunciá-las para que nada se
perca de seu sabor. E vão engordando de lipídios um orgulho autógeno, encorpado
pelas lisonjas alheias e pelas que generosamente dedicam a si mesmos.
De quem falo? Bem, pessoas assim
estão por toda parte. Não posso dizer que formam um exército numeroso porque
não há exército composto apenas por generais de quatro estrelas. Andam
dispersos, portanto. Mas se há um lugar onde, por dever de ofício, se reúnem
expoentes de tal conduta, esse lugar é o STF. Chega a ser divertido assisti-los
desde a perspectiva pela qual eles mesmos se veem. Aferi-los pela infinita
régua com que se medem. Apreciar o esforço que fazem para ostentar sabedoria.
As frases lhes saem lustradas, polidas como corneta de desfile. Não que isso
seja mau em si, mas chama atenção como parte da grande encenação das vaidades
presentes. Imagino que por vezes se saúdem assim: "E sua vaidade como vai,
excelência?". Ao que o outro retruca, cortesmente: "Bem, bem, recuperando-se
do que li ontem no Twitter, mas as perspectivas são boas, obrigado
ministro".
Nada mais próprio do que a
palavra "corte" para designar aquele colegiado (cuja
institucionalizada importância – esclareço porque não quero ser mal entendido –
ergue-se a despeito dessas fragilidades humanas). É uma corte. É uma corte onde
todos exercem, sobre o Direito a que estamos submetidos, uma soberania
irrestrita, que flutua em rapapés e infla os egos à beira do ponto de ruptura.
Ali, cada um que fala se percebe
como o Verbo. As palavras saem numa espécie de sopro divino, criador, forma
verbal das cintilações de astro rei. Ante tal brilho só se chega usando óculos
escuros e protetor solar.
Os membros de nossa Suprema Corte
talvez se bastem com a própria vaidade. Mas a vaidade ou a fruição do poder
como refresco sorvido nesse canudinho não são suficientes para os fins que
pretendem. Há uma distinção que já era bem conhecida dos romanos. O poder
(“potestas”) não se confunde com autoridade (“auctoritas”) aquele se pode dizer
inerente ao cargo, esta porém depende de atributos com reconhecimento social,
entre os quais não se inclui a vaidade.
Foi-lhes dado, senhores, o poder
para decidir o que bem entendam, mas há uma Constituição. Decidam, mas
instituir uma “religião” e verdades estatizadas como ferramenta do poder não
gera autoridade reconhecida entre cidadãos livres. (Percival
Puggina, membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e
escritor)
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
Cecília Meireles
“Nada como um dia depois do outro.”



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