27 de jun. de 2022

Em eleições, sobram acusações...

Cláudio Castro tenta evitar candidatura de Crivella ao governo do RJ. Governador do Rio de Janeiro também não deve apoiar o ex-prefeito em uma eventual candidatura ao Senado Federal.

Presidente Bolsonaro confirma o nome de Braga Netto como candidato a vice.

Caio Paes de Andrade será anunciado nesta segunda como novo presidente da Petrobras. Petroleiros são contra a indicação e organizam um protesto em frente à sede da estatal.

‘Objetivo da prisão de Milton Ribeiro é constranger o governo e igualá-lo ao de Lula’, diz Bolsonaro. Presidente diz que Ministério Público foi contra ação da Operação Acesso Pago e que não há ‘indícios mínimos’ de corrupção por parte do ex-ministro.

Ministro da Justiça nega ter falado de operações da PF a Bolsonaro.

Pastor lobista e advogado 'infiltrado' no MEC se hospedaram 10 vezes em hotel. A análise nos arquivos do hotel mostrou um total de 63 hospedagens no nome de Arilton Moura e 29 no nome dele Luciano Musse desde 2020. Os investigadores também encontraram um check-in do pastor Gilmar Santos.

Prazo até o fim do ano, Zelenski pede ao G7 que pressione para acabar com a guerra.

Putin anuncia primeira viagem internacional após início da guerra. Destinos do presidente serão o Tadjiquistão, na terça, e o Turcomenistão, na quarta.

Vaidade, a sorrateira inimiga da autoridade

         Poucas coisas tão postiças quanto a sabedoria dos intelectos vaidosos. E poucos tão infelizes quanto os que pretendem fruir o poder com esse canudinho, no próprio copo, como refresco.

A vaidade corriqueira das celebridades fugazes que causa frenesis em auditórios de pouco juízo e a decorrente dos atributos físicos são menos maléficas que a dos enfatuados pelo próprio intelecto. Para estes, todo espelho é mágico e lhes atira beijos. Lambem seus títulos. Devoram as próprias palavras após pronunciá-las para que nada se perca de seu sabor. E vão engordando de lipídios um orgulho autógeno, encorpado pelas lisonjas alheias e pelas que generosamente dedicam a si mesmos.

De quem falo? Bem, pessoas assim estão por toda parte. Não posso dizer que formam um exército numeroso porque não há exército composto apenas por generais de quatro estrelas. Andam dispersos, portanto. Mas se há um lugar onde, por dever de ofício, se reúnem expoentes de tal conduta, esse lugar é o STF. Chega a ser divertido assisti-los desde a perspectiva pela qual eles mesmos se veem. Aferi-los pela infinita régua com que se medem. Apreciar o esforço que fazem para ostentar sabedoria. As frases lhes saem lustradas, polidas como corneta de desfile. Não que isso seja mau em si, mas chama atenção como parte da grande encenação das vaidades presentes. Imagino que por vezes se saúdem assim: "E sua vaidade como vai, excelência?". Ao que o outro retruca, cortesmente: "Bem, bem, recuperando-se do que li ontem no Twitter, mas as perspectivas são boas, obrigado ministro". 

Nada mais próprio do que a palavra "corte" para designar aquele colegiado (cuja institucionalizada importância – esclareço porque não quero ser mal entendido – ergue-se a despeito dessas fragilidades humanas). É uma corte. É uma corte onde todos exercem, sobre o Direito a que estamos submetidos, uma soberania irrestrita, que flutua em rapapés e infla os egos à beira do ponto de ruptura.

Ali, cada um que fala se percebe como o Verbo. As palavras saem numa espécie de sopro divino, criador, forma verbal das cintilações de astro rei. Ante tal brilho só se chega usando óculos escuros e protetor solar.  

Os membros de nossa Suprema Corte talvez se bastem com a própria vaidade. Mas a vaidade ou a fruição do poder como refresco sorvido nesse canudinho não são suficientes para os fins que pretendem. Há uma distinção que já era bem conhecida dos romanos. O poder (“potestas”) não se confunde com autoridade (“auctoritas”) aquele se pode dizer inerente ao cargo, esta porém depende de atributos com reconhecimento social, entre os quais não se inclui a vaidade.

Foi-lhes dado, senhores, o poder para decidir o que bem entendam, mas há uma Constituição. Decidam, mas instituir uma “religião” e verdades estatizadas como ferramenta do poder não gera autoridade reconhecida entre cidadãos livres. (Percival Puggina, membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor)


Motivo

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

— não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

— mais nada.

Cecília Meireles

“Nada como um dia depois do outro.”

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