23 de abr de 2017

Saudosa memória, “Muda Brasil!”.

 photo corrupobrasil_zpsdaluni4m.jpg • Prática comum. Mais de 70% dos inquéritos abertos por Fachin envolvem caixa 2. Prática de partidos e políticos representa 71% das investigações. 
• Desencanto com a política, crise e insegurança levam brasileiros abastados a buscar visto e fixar residência em Portugal. 
• Temer quer aliado de Janot na Procuradoria-Geral da República. Presidente avalia nome alternativo para ocupar o cargo a partir de setembro. 
• Terrorismo vira morte e greve de fome em prisão. Detidos em Operação Hashtag aguardam julgamento há nove meses na Penitenciária de Campo Grande (MS). 
• Conflito entre órgãos põe em risco leniência, diz advogado. Defensor de empresas e delatores critica resistência da AGU e TCU a acordos. 
• Governo avalia aumentar multa de US$ 2,4 bi à Odebrecht. Empresa já pagou o equivalente a R$7,6 bi para ressarcir parte dos danos. 
• Contribuição para a Previdência resiste ao desemprego. Metade da população ocupada não tem CLT; crise não afeta pagamento. 
Brasil ganha se for possível manter governo até 2018. Cofundador da Natura acredita que é preciso preservar o governo Temer. 
• Instituto Lula fez opção preferencial por receber dinheiro no Caixa 2. Odebrecht até faria doação legal, mas Instituto Lula não quis. 
• Delação de executivo da Odebrecht confirma lobby de Lula pela Odebrecht. Lula tentou vender a Cuba novo projeto da Odebrecht no porto; O executivo da Odebrecht João Carlos Mariz Nogueira relatou em delação premiada ter presenciado, em 2014, em Cuba, conversa entre Lula e o representante do Itamaraty Marcelo Câmara, que pode confirmar a acusação de lobby e tráfico internacional de influência contra o ex-presidente, alvo da Operação Janus, da Polícia Federal. Nessa conversa, Lula contou ter levado ao presidente cubano, Raúl Castro, uma proposta da empreiteira que ajudaria a viabilizar uma linha de crédito para a construção de uma zona franca industrial. A obra seria um anexo do Porto de Mariel, que também foi construído pela Odebrecht. O negócio, porém, não foi levado adiante. O ex-presidente estava no país a pretexto de fazer palestras pagas pela da Odebrecht. 

Temer acha corrupção triste, mas não faz nada.
Carlos Drummond de Andrade escolheu como epígrafe do livro Claro Enigma um verso de Paul Valéry: Les événements m’ennuient. Significa: os acontecimentos me entediam. Ou me chateiam, numa tradução livre. Michel Temer poderia adotar o mesmo verso como lema de sua gestão. Mais do que revolta, o comportamento do presidente diante da crise moral começa a provocar uma onda de tédio.
Em entrevista à espanhola TVE, Temer concordou com o entrevistador quando ele disse que é triste ter dezenas de políticos acusados de corrupção no Brasil. Sim, me parece triste, não posso falar outra coisa, aquiesceu o entrevistado, antes de deixar claro que sua tristeza não tem a menor serventia: Em relação a essas investigações, temos que esperar que o Poder Judiciário condene ou absolva as pessoas.
Dois espetáculos não cabem no mesmo palco. Ou no mesmo governo. Dividido entre uma encenação e outra, a plateia não dá atenção a nenhuma das duas. Temer anuncia que está em cartaz a novela das reformas. Mas a hecatombe da Odebrecht faz piscar outra palavra no letreiro: c-o-r-r-u-p-ç-ã-o. A estratégia de Temer é clara: simular desgosto com a podridão e tentar arranca as reformas do Congresso apodrecido.
Noutra entrevista, dessa vez à agência de notícias Efe, Temer reiterou que deseja descer ao verbete da enciclopédia como o presidente que 'reformulou o país'. Vaticinou: 'A melhor marca do meu governo, será colocar o país nos trilhos. Bocejos! O presidente parece dar de barato que, na disputa por um lugar no cartaz, o vocábulo reformas prevalecerá sobre corrupção. Será?
Fernando Henrique Cardoso gosta de dizer que, sob atmosfera caótica como a atual, o Brasil costuma avançar. De fato, a crise atenuou as resistências ideológicas às reformas. As corporações ainda brigam pela preservação de privilégios. Mas estão meio zonzas. Amedrontado, o Congresso talvez se mexa.
Supondo-se que Temer consiga aprovar algum tipo de reforma trabalhista e previdenciária, os efeitos das mudanças serão avaliados mais adiante. A imagem do seu governo, porém, é um problema urgente. Com a popularidade roçando o chão, Temer associa sua agonizante figura a uma tríade de símbolos tóxicos: cumplicidade, suspeição e acobertamento.
Acomodado por delatores no centro de cenas nas quais foram negociadas verbas eleitorais espúrias e propinas milionárias, Temer só não é investigado porque a Procuradoria-Geral acha que ele dispõe de imunidade temporária enquanto estiver na cadeira de presidente. Contra esse pano de fundo enodoado, o presidente passa a sensação de que não dispõe de moral para agir. Daí, por exemplo, a presença de ministros suspeitos no governo.
Quando escuta Temer dizer que fica triste com a suspeita de roubalheira que recai sobre tantos políticos, a plateia boceja de tédio. As manifestações do presidente dão sono antes de irritar. Confrontadas com os avanços da Lava Jato, suas palavras mostram que, no Brasil da Lava jato, o pesadelo tornou-se menos penoso do que o despertar.
Em meio aos dois espetáculos que estão em cartaz, Temer se divide. Do ponto de vista econômico, a aura do presidente pertence à modernização. Do ponto de vista político, Temer se esforça para simbolizar o que há de mais anacrônico. Acossado pela hecatombe moral, Temer reage à moda do avestruz: enfia a cabeça na sua pseudo-tristeza. De duas, uma: ou Temer morrerá de tédio ou acabará gritando diante do espelho: Fora, Temer. (Josias de Souza) 

E lula acordou num sítio que não era dele.
Para contar desde o começo essa história do sítio de onde Lula se autodespejou, eu preciso começar por seu personagem mais estranho - Fernando Bittar. Ele é dono de um local aprazível onde não chegava telefonia celular. A propriedade precisava de cuidados e reformas para cuja execução não dispunha de renda suficiente. Mas não se deixou abater por isso.
Disposto a transformar o Santa Bárbara num pequeno paraíso serrano, para onde nunca ia nem iria, o remediado Bittar, em vez de pedir orçamento para três empreiteiros e escolher o de menor preço, como faríamos nós, perguntou a seus universitários botões: qual é a maior empreiteira do país, universitários? E os botões, em coro lhe responderam: a Odebrecht. Não havendo discordância entre os informantes, Fernando decide. Que seja a Odebrecht.
A poderosa construtora de hidroelétricas, portos e rodovias, despacha engenheiros para Atibaia. E a obra foi feita, ficando pronta bem antes da Linha 6 do metrô de São Paulo. Mas faltavam detalhes. Se alguma vez na vida você tentou falar com empresa de telefonia celular por telefone, deve saber o quanto isso é difícil. Imagine, então, conseguir dela a instalação de uma torre, só para você, em meio aos matagais e matacões de despovoada serra. Impossível? Não ao Fernando. Ele ligou para a OI e conseguiu sua torre. Também a velha cozinha não estava legal. Era preciso melhorar aquela parte da casa. Para a impressionante e complexa tarefa, nosso herói chamou outra grande empreiteira, a OAS, terceira no ranking das maiores do país.
Agora, pasmem. Quando tudo ficou pronto, num lance de fazer inveja a João Pedro Stédile, o ex-presidente Lula irrompe no Santa Bárbara, sem foices nem bandeiras vermelhas, com aquela entourage que a nação lhe disponibiliza vitaliciamente para que nunca mais na vida necessite ir até a adega buscar uma garrafa. E de tudo, a partir daí, usou e abusou em 111 visitas até seu autodespejo.
Gostaria de haver assistido aquela alvorada de uma nova consciência na alma de Lula. Só pode ter sido algo assim. Veja se não. Ele acordou, esfregou os olhos, contemplou assustado seu entorno, sacudiu a galega até despertá-la e disparou: O que estamos fazendo aqui, mulher? Não me chamo Fernando e não moro em Atibaia! Vamos embora deste lugar!. E se foram para nunca mais voltar.
Nem Luiz Inácio, nem Fernando. Só alguns milhares de garrafas de vinhos finos, se não resgatadas, dormem serenas na fria encosta da Serra do Itapetinga. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor)

O passado do fracasso ou o futuro da frustração? 
Destinam-se ao fracasso a greve geral marcada pelas centrais sindicais no próximo dia 28 e a manifestação em favor do Lula, que o PT pretende realizar em Curitiba a 3 de maio. Não que os trabalhadores estejam satisfeitos com o governo Michel Temer, muito pelo contrário. Da mesma forma, os companheiros sabem que seu partido anda na baixa e dificilmente sensibilizarão a capital do Paraná numa quarta-feira.
Pode até ser que os fatos desmintam as previsões, mas a verdade é que o Brasil de verdade faz tempo desligou-se do Brasil de mentirinha. Os 13 milhões de desempregados não podem fazer greve, enquanto ao PT, posto em frangalhos, falta motivação para antecipar a sucessão presidencial de 2018.
Mais do que indignar-se diante das delações que se sucedem todos os dias, o povão dedica profundo desprezo às informações sobre a corrupção que nos assola. Não parece disposto a se deixar influenciar pelos que sustentam a volta ao passado ou os que programam um futuro ainda pior.
Numa palavra, a nação rejeita as reformas fajutas do governo Michel Temer tanto quanto dá as costas aos que falharam na tentativa de mudá-la. O povão não irá às ruas, nem para exaltar o modelo que não deu certo, nem para apoiar as elites que pretendem aumentar seus privilégios e suas benesses.
Vale repetir, a vida é sempre mais fascinante do que a ficção: quem garante que não prevalecerá o passado do fracasso ou o futuro da frustração? Ou, numa terceira hipótese, que continuará tudo como está? (Carlos Chagas) 
Aqueles que nos magoaram fizeram apenas o que sabiam fazer, em função das condições de suas vidas. Se não perdoarmos, permitiremos que essas mágoas antigas continuem a nos dominar. (Wayne W. Dyer)

22 de abr de 2017

Corruptos, corruptores e TRE´s, dúvidas...

 photo newutopia_zpsl61lsn0r.jpg • Contribuinte tem mais uma semana para entregar declaração do Imposto de Renda. 
• Estado do Rio diz não ter como pagar todos os salários sem aprovar pacote. Secretário alega que se medidas de enxugamento de custos não passarem na Alerj não haverá dinheiro para as 13 folhas de pagamento. 
• Receita autuou políticos em R$ 145 milhões na Lava Jato. Segundo o Fisco, valores tendem a aumentar com as novas delações. 
• Odebrecht mostra pagamento ligado a reunião com Temer. Propina é ligada, segundo Odebrecht, a contrato internacional da Petrobras. 
• Odebrecht repassou R$ 37 milhões em caixa 2 às campanhas do PT, PSDB e PSC. Segundo os delatores da empreiteira, repasses ilícitos foram realizados em 2014 aos partidos; PT foi o que teve maior valor recebido de caixa 2. 
• Governo já admite adiar votação da reforma da Previdência. Líderes da base de Temer dizem que precisarão de mais tempo para obter apoio. 
• Lula tem dito que quem pediu dinheiro em meu nome deveria ser preso, mas a Lava Jato suspeita que ele pode ter combinado até com sua mulher pedidos em seu nome. Emílio Odebrecht contou à Lava Jato que, por solicitação de Marisa, pagou a reforma de R$ 700 mil do sítio em Atibaia (SP), mas ela pediu segredo, porque seria surpresa para Lula. Mas Emílio deixaria escapar o segredo, em conversa com o ex-presidente, e não houve surpresa. Porque Lula já sabia de tudo. (Cláudio Humberto) 
• Senador Randolfe bate boca sobre abuso de autoridade e diz que Requião tem capangas. Discussão entre senadores aconteceu pela rede social twitter. 
• Crime de responsabilidade. Câmara retoma projeto para dar fim ao ativismo do STF. 
• O advogado José Roberto Batochio deve abandonar a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ex-ministros Antonio Palocci e Guid Mantega. Ele defende os três no âmbito da Operação Lava Jato. As informações são da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo. Segundo o jornal, Batochio está diante de um dilema ético porque se opõe ao uso de delações premiadas. Como Palocci negocia colaboração com o Ministério Público Federal, o advogado deve abandonar o caso. 
• Antecessor de Marcelo Odebrecht confirma caixa 2 a Lula em 2002 e 2006. Segundo ex-diretor-presidente do grupo, Palocci acertou detalhes que incluíram repasses no exterior; Universalização da Lava Jato não melhorou a situação de Lula. A partir da delação da Odebrecht, políticos de outros partidos também serão investigados. 
• PT encolhe 27% e perde 1.120 diretórios municipais. Em crise, partido não conseguiu nem sequer montar nessas cidades uma chapa para eleger direção.
• O tempo contra a Lava Jato. Seria frustrante para a consciência cívica nacional a confirmação da possibilidade de que a proverbial morosidade da Justiça acabe resultando na prescrição de ações penais. 
• Dívidas de empresas com INSS superam R$ 400 bi. 3 empresas falidas estão entre maiores devedoras; parlamentares querem ações para ampliar arrecadação. 
• Meirelles faz um alerta contra política de Trump. Declaração do ministro no FMI condena protecionismo; crescimento deve ganhar impulso no fim do ano. 
• Procuradoria ameaça anular delação de Delcídio. Revés para parlamentar cassado é consequência das revelações de novos fatos pela Odebrecht. 
• Gilmar Mendes quer barrar reajuste de servidores. Ministro do Supremo apresenta proposta e faz alerta sobre o estado das contas públicas no País. Preocupado com o estado das contas públicas, o ministro apresentou uma proposta para barrar uma nova onda de reajustes a servidores públicos federais fundamentados no princípio de isonomia a partir de uma legislação de 2003. 
• Centrais sindicais preparam greve geral para o próximo dia 28. Centrais sindicais que organizam a greve geral (ou paralisação nacional) para a próxima sexta-feira, dia 28, acreditam que poderá ser a maior mobilização de trabalhadores e de diversos setores da sociedade dos últimos 30 anos no Brasil. O protesto contra as reformas da Previdência e trabalhista e a Lei da Terceirização está sendo convocado por oito centrais sindicais que, juntas, representam mais de 10 milhões de trabalhadores. 
• Em Foz do Iguaçu, ao defender a reforma trabalhista para a elite empresarial do País, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez fortes críticas aos sindicatos, que resistem às mudanças nas leis trabalhistas. Segundo ele, a resistência dos sindicatos acontece porque eles não querem perder a boquinha, aquilo que ganham sem nenhum esforço, então, é legítimo que se mobilizem. 
• STJ nega liminar que suspenderia processo contra mulher de Cabral. 

 photo doc identidade_zpsnoanug2h.jpg• Clique para ampliar. Documento único tende a facilitar a vida do cidadão. O indivíduo não ficará submetido a um conjunto diversificado de documentos, diz o professor Floriano Peixoto. O Senado aprovou, no dia 11 de abril, a criação de um documento único que integrará RG, CPF e título de eleitor. A proposta, que depende agora de sanção presidencial, prevê que a primeira via do novo registro não custará nada ao cidadão e que será emitida pela Casa da Moeda. Prevê ainda a criação de um banco de dados que unificará a identificação de todos os brasileiros.

Sozinho e abandonado.
Chega a dar pena o abandono em que se encontra o ex-presidente Lula. No caso, abandonado por antigos amigos e líderes políticos de diversos matizes. Quanto a seus eleitores e admiradores, será melhor aguardar as manifestações programadas para a greve geral, dia 28, e demais protestos contra as iniciativas do governo Michel Temer e o próprio presidente.
O que salta aos olhos é o comportamento da mídia, das elites e dos partidos até pouco formando ao lado do primeiro companheiro. Teriam um apartamento de luxo no Guarujá e um sítio em Atibaia bastado para transformar um ex-operário em réu sem sentença e sem perdão?
É certo que os salários de torneiro-mecânico e depois, de presidente da República por oito anos, além de uma aposentadoria, não bastariam para justificar um patrimônio do valor apresentado pelo Lula. Só que não constituem motivo para a transformação do Lula em réprobo ou inimigo público número um. Por trás dessa carga de cavalaria desenvolvida contra ele não estão erros e exageros praticados no passado. Abre-se o medo do futuro. Há meses que ele lidera as pesquisas presidenciais para 2018. Diante da possibilidade de voltar ao palácio do Planalto, levantam-se as elites temerosas de que, eleito, ele desmanchará diretrizes e realizações de Michel Temer favoráveis à manutenção das massas assalariadas no patamar da pobreza e da indigência. É o medo dos poderosos de perder os privilégios que agora vem sendo restabelecidos pelas reformas neoliberais daqueles que tomaram o poder.
Campanha - Por isso desencadeia-se a campanha que é menos contra o ex-presidente e mais em favor do que representaria sua volta ao poder, ou seja, o fim das mudanças previdenciárias, trabalhistas e fiscais favoráveis às elites.
Ignora-se em que vão dar os choques e as tertúlias entre as duas forças secularmente empenhadas na luta pelo poder. O Lula é apenas um símbolo. Se quiserem, um detalhe: a retomada de medidas que poderiam melhorar a vida dos menos favorecidos. A interrupção da escalada que manterá os benefícios das elites. Assim, tornou-se um perigo para os mesmos de sempre. Mesmo que para afastá-lo o argumento se concentre num apartamento de luxo e num sítio paradisíaco em meio à Serra do Mar… (Carlos Chagas) 

Para o melhor amigo!
Serapião era um velho mendigo que perambulava pelas ruas da cidade. Ao seu lado, o fiel escudeiro, um vira lata branco e preto que atendia pelo nome de malhado. Serapião não pedia dinheiro. Aceitava sempre um pão, uma banana, um pedaço de bolo ou um almoço feito com sobras de comida dos mais abastados.
Quando suas roupas estavam imprestáveis, logo era socorrido por alguma alma caridosa. Mudava a apresentação e era alvo de brincadeiras. Serapião era conhecido como um homem bom, que perdera a razão, a família, os amigos e até a identidade. Não bebia bebida alcoólica, estava sempre tranquilo, mesmo quando não havia recebido nem um pouco de comida. Dizia sempre que deus lhe daria um pouco na hora certa e, sempre na hora que deus determinava, alguém lhe estendia uma porção de alimentos. Serapião agradecia e rogava a deus pela pessoa que o ajudava. Tudo que ganhava, dava primeiro para o malhado, que, paciente, comia e ficava a esperar por mais um pouco. Não tinha onde dormir, onde anoiteciam, lá dormiam. Quando chovia, procuravam abrigo embaixo da ponte do ribeirão bonito e, ali o mendigo ficava a meditar, com um olhar perdido no horizonte. Aquela figura me deixava sempre pensativo, pois eu não entendia aquela vida vegetativa, sem progresso, sem esperança e sem um futuro promissor que Serapião levava. Certo dia, com a desculpa de lhe oferecer umas bananas fui bater um papo com o velho Serapião.
Iniciei a conversa falando do malhado, perguntei pela idade dele, o que Serapião, não sabia. Dizia não ter ideia, pois se encontraram um certo dia quando ambos andavam à toa pelas ruas.
- Nossa amizade começou com um pedaço de pão - disse o mendigo. Ele parecia estar faminto e eu lhe ofereci um pouco do meu almoço e ele agradeceu abanando o rabo, e daí, não me largou mais. Ele me ajuda muito e eu retribuo essa ajuda sempre que posso.
- Como vocês se ajudam? - perguntei.
- Ele me vigia quando estou dormindo; ninguém pode chegar perto que ele late e ataca. Também quando ele dorme, eu fico vigiando para que outro cachorro não o incomode.
Continuando a conversa, perguntei:
- Serapião, você tem algum desejo de vida?
- Sim, respondeu ele - tenho vontade de comer um cachorro quente, daqueles que a Zezé vende ali na esquina.
- Só isso? - indaguei.
- É, no momento é só isso que eu desejo.
- Pois bem, vou satisfazer agora esse grande desejo.
Saí e comprei um cachorro quente para o mendigo.
Voltei e lhe entreguei.
Ele arregalou os olhos, deu um sorriso, agradeceu a dádiva e em seguida tirou a salsicha, deu para o malhado, e comeu o pão com os temperos.
Não entendi aquele gesto do mendigo, pois imaginava ser a salsicha o melhor pedaço.
- Por que você deu para o malhado logo a salsicha? - perguntei intrigado.
Ele, com a boca cheia, respondeu: - Para o melhor amigo, o melhor pedaço.
E continuou comendo, alegre e satisfeito.
Despedi-me do Serapião, passei a mão na cabeça do malhado e saí pensando com meus botões: Aprendi alguma coisa hoje. Como é bom ter amigos. Pessoas em que possamos confiar e saber reconhecer neles o seu real valor, agindo em consonância. Por outro lado, é bom ser amigo de alguém e ter a satisfação de ser reconhecido como tal. Jamais esquecerei a sabedoria daquele eremita. Para o melhor amigo o melhor pedaço. O verdadeiro campo de batalha é dentro de nós. (AD) 
A capacidade pouco vale sem a oportunidade. (Napoleão Bonaparte)

21 de abr de 2017

Brasil dos asilados...

 photo adescoberta_zpsezlaihtj.jpg • Ibope mostra Lula com maior potencial de votos para 2018. Já o índice dos três principais tucanos teve queda; levantamento foi feito antes de vir a público a lista de Fachin. 
• A falta de ética continua! Crivella enviou à Câmara, terça, projeto que prevê desconto a quem pagar impostos atrasados no Rio, como o IPTU. Quem deve ter ficado feliz com a proposta é o... secretário de Transportes, Fernando Mac Dowell, que, como saiu em O Globo, deve uns R$ 215 mil de IPTU à prefeitura. 
• Para Temer, reforma da Previdência vale a pena mesmo com mudanças. Modificações já reduziram em mais de R$ 200 bi a estimativa inicial de economia do governo. 
• Demanda por voos nacionais cresce 5,9% após 19 meses de queda. Tarifa aérea média doméstica real entre janeiro e dezembro de 2016 foi de R$ 349,14. 
• Alckmin diz não temer ficar inelegível para 2018. Governador de SP disse, ainda, que a realização de prévias está no estatuto do PSDB. 
• Delações agravam situação de Lula em relação a sítio. Segundo depoimentos da Odebrecht, imóvel foi reformado para uso do ex-presidente; engenheiro diz ter comprado cofre para guardar dinheiro destinado à obra. 
• Brasil volta a perder postos de emprego com carteira assinada em março. 
• STF julgará ações de impacto na Lava Jato. Corte analisa em maio extensão do foro, constitucionalidade da condução coercitiva e autorização prévia de Assembleias para processar governador. 
• Temer enquadra siglas infiéis para aprovar reformas. Sob pena de ficarem insustentáveis no cargo, ministros são cobrados para garantir votos nas mudanças na aposentadoria e trabalhistas. 
• Senador Roberto Requião critica obstrução e marca votação sobre abuso de autoridade. Após leitura de texto, parlamentares pedem vista em sessão sob alegação de que precisam mais tempo para analisar proposta. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Edison Lobão (PMDB-MA), marcou a votação do projeto que atualiza a lei do abuso de autoridade para próxima quarta-feira, 26. Ele disse que não vai mais admitir obstrução, nem nenhum outro tipo de chicana regimental para protelar a apreciação do texto. 
• Dinheiro nosso! A pedido do PT, Odebrecht bancou esquerda latina. Doações a candidatos no Peru e El Salvador foram a mando de Lula. 
• Lula pediu destruição de provas de propina, diz sócio da OAS. Empresário presta depoimento a Moro; ex-presidente afirma que é mentira; Ex-presidente da OAS, o empreiteiro José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, afirma que Brahma é o codinome de Lula. Empreiteiro da OAS não deixa dúvidas: tríplex é mesmo de Lula e diz que Lula o mandou destruir provas. 
# Para ganhar fôlego, segundo o Valor, a Odebrecht venderá a Odebrecht Ambiental para a canadense Brookfield por 2,8 bilhões de reais. A empresa também espera vender ativos no Peru. De acordo com o jornal, além de todas as dificuldades, a Odebrecht vai incorporar o caixa 2 aos seus balanços. Com isso, terá de pagar impostos e multas que totalizam 4 bilhões de reais. É o preço da desonestidade.
# O PT pretende manter a tática do enfrentamento contra a Lava Jato, segundo O Globo. A reportagem diz que o partido chegou até a marcar uma reunião de sua Executiva em Curitiba, no dia 3 de maio, dia do depoimento de Lula ao juiz Sergio Moro no processo sobre o triplex do Guarujá

Destruir provas dá cadeia. Moro prenderá Lula?
Em depoimento devastador, Léo Pinheiro confirmou velhas suspeitas e atravessou no caminho de Lula uma acusação nova. O ex-presidente da OAS disse a Sergio Moro que Lula lhe pediu para destruir provas das propinas que pagou ao PT por intermédio do então tesoureiro João Vaccari. Pela lei, isso dá cadeia. Que o diga Marcelo Odebrecht. A pergunta do momento é: o juiz da Lava Jato terá disposição para colocar Lula preventivamente atrás das grades antes de uma condenação confirmada na segunda instância do Judiciário?
De toda a turma do canteiro de obras, lugar de movimentos pesados e muita lama, Léo Pinheiro era o que tinha mais intimidade com Lula. Gostavam de jogar conversa fora juntos. Num dos encontros, contou o empreiteiro a Moro, Lula textualmente me fez a seguinte pergunta: Léo, o senhor fez algum pagamento a João Vaccari no exterior?. Eu disse: Não, presidente, nunca fiz pagamento a essas contas que nós temos com Vaccari no exterior.
Segundo Léo, Lula engatou outra pergunta: Como você está procedendo os pagamentos para o PT?. E ele: Através do João Vaccari. Estou fazendo os pagamentos através de orientações do Vaccari, de caixa dois, de doações diversas que nós fizemos a diretórios e tal. Sobreveio, então, a ordem do morubixaba do PT: Você tem algum registro de algum encontro de contas feitas com João Vaccari…? Se tiver, destrua.
Prevista no terceiro capítulo do Código de Processo Penal, a prisão preventiva pode ser decretada em qualquer fase do processo -durante o inquérito policial ou no curso da ação penal. Diz o artigo 312: A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria.
No caso específico, a prisão de Lula se justificaria, em tese, por conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei. Um réu que encomenda a destruição de provas não está senão criando obstáculos para impedir que a lei se cumpra. Se quisesse, Moro poderia invocar o artigo 312 do Código de Processo Penal contra Lula, aprisionando-o por tempo indeterminado.
Entretanto, se estiver com os miolos no lugar, Moro perceberá que há um limite depois do qual o rigor deixa de ser uma virtude na rotina de um magistrado. No momento, é desnecessária e arriscada a detenção de Lula. É desnecessária porque, se há um esforço para atrapalhar a produção de provas, não está funcionando. É arriscada porque a ordem pode ser revogada por um tribunal superior mediante recurso. Melhor reunir as evidências e produzir uma sentença sólida. (Josias de Souza)

O País passado a limpo?
A ebulição permanente das delações dos funcionários da Odebrecht vem ofuscando a decisão a ser adotada pelo Tribunal Superior Eleitoral diante da possibilidade de cassação da chapa Dilma-Temer, em 2014. Porque está de pé a hipótese da cassação dos vitoriosos daquele ano nas eleições presidenciais. Seria uma desarrumação completa do cenário político nacional. Dilma Rousseff já foi alvejada com o impeachment, mas Michel Temer ocupa a presidência da República. Se vier a ser cassado, não terá outra alternativa senão deixar o palácio do Planalto, ainda que possa recorrer da sentença ao Supremo Tribunal Federal. Discute-se se esse recurso terá ou não efeito suspensivo, quer dizer, o atual presidente recorrerá no exercício de suas prerrogativas ou manterá o cargo até a decisão da mais alta corte nacional de justiça. De qualquer forma, seu equilíbrio ficará instável.
No atual período de crise política, será péssimo para as instituições já combalidas.
Diante de sua cassação, Michel Temer já declarou que disposições de Judiciário não se discutem. Cumprem-se. Nesse caso, quem ocuparia seu lugar, na ausência de um vice-presidente?
Assumiria o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Até quando? Pela lógica, até que o Congresso elegesse um sucessor para terminar o atual mandato, até 31 de dezembro de 2018. Seria o quarto personagem a ocupar a chefia do governo, imaginando-se vantagem para Rodrigo Maia, mas certeza, ninguém tem. Deputados e senadores disporiam da prerrogativa de indicar quem quisessem.
Por tudo isso, admite-se que o bom senso venha a prevalecer, ou seja, que o Tribunal Superior Eleitoral não sacrifique uma chapa já desgastada, preservando Michel Temer. Só que garantir, ninguém pode.
Registra-se uma outra opção: que diante do sacrifício de Temer, o Congresso aprove emenda constitucional estabelecendo eleições gerais no país, logo depois da cassação da dupla Dilma-Temer. Até mesmo com mandatos de quatro ou cinco anos para o novo presidente, deputados, senadores e, de tabela, porque não governadores e parlamentares estaduais. Uma limpeza geral, forma de o país as instituições serem passados a limpo. A rodada encontra-se em aberto. Quem quiser que arrisque um palpite. (Carlos Chagas)

20 de abr de 2017

Precisamos de mais testemunhas...

 photo Papa_zpsg8xch9hf.jpg • Adeus, pardais. Alerj aprova fim dos radares de velocidade em áreas de risco do Rio. 
• Palocci será ouvido hoje sobre suspeita de propina da Odebrecht. Preso em setembro de 2016, ex-ministro é suspeito de receber dinheiro para favorecer a empreiteira. 
• Proposta prevê proibição de novos radares e retirada gradual dos que já estão em funcionamento. Pezão tem 15 dias para sancionar nova lei 
• Supremo abre sindicância para apurar suposto vazamento da Lista de Fachin. 
• Câmara aprova urgência na tramitação da reforma trabalhista. Manobra reverte derrota da véspera; voto pode ocorrer na próxima semana; Governo celebra vitória na Câmara e ressalta ampla maioria. Em vitória de Temer, urgência para o projeto de reforma trabalhista foi aprovada com 287 votos pelos deputados. 
• 45% dos votos contrários à reforma da Previdência são de deputados que compõem a base aliada. Mesmo com mudanças, Placar da Previdência mostra que governo terá desafio em aprovar proposta; Arthur Maia: servidoras só terão direito à integralidade aos 62 anos. 
• Base atrasa discussão da recuperação fiscal dos Estados na Câmara. Texto-base da proposta foi aprovado na véspera, mas ainda restam 10 destaques a serem votados. 
• Fraudes no Maracanã e em favelas tornam Cabral réu pela sétima vez; Justiça aceita nova denúncia contra Cabral e mais 19 por cartel e fraudes. 
• Juiz ouve as ruas e manda soltar PMs acusados de execução. 
• Conclave e Greenfield: Fundos de pensão estão na mira de negociata envolvendo a Caixa. Compra do Panamericano salvou dirigentes petistas dos fundos. 
• Lula e filho arrolam 52 testemunhas em processo da Zelotes. 
• Operação Acrônimo: STF marca para o dia 3 julgamento que pode afastar Fernando Pimentel. Ministros do STF decidem se governador de Minas será afastado. 
• Odebrecht tinha R$ 700 mil em cofre para reformar sítio de Lula; Sítio em Atibaia: Engenheiro ajudou advogado de Lula a ocultar que Odebrecht executou reforma. 
Compra de MPs continuou após Lava Jato, diz Odebrecht. Empresa buscou influenciar 20 atos do governo e do Congresso de 2005 a 2015. 
• Odebrecht vai pagar US$ 184 mi à República Dominicana. Empresa fez acordo com Justiça do país onde pagou US$ 92 mi em propina. 
• Venda da Odebrecht Ambiental ganha holofotes com novas revelações. Venda para a Brookfield chama atenção após companhia ser citada em esquema de propina. 
• Governo aposta em aval rápido para nova Previdência. Texto tem mudanças como redução da idade mínima para trabalhadora rural. 
• PF investiga compra do Pan pela Caixa e pelo BTG Pactual. Polícia cita uma possível associação criminosa entre diretores de empresas. 
• Votação de amanhã no STF pode liberar mudança de nome de transexuais. 
• Justiça absolve Vaccari, Léo Pinheiro e mais dez no caso Bancoop. 
• Senado cria CPI para investigar a Previdência. (Josias de Souza)
Vantagens devidas e indevidas?
Virou moda para esse monte de políticos de alto coturno, flagrados pelas delações da Odebrecht, defenderem-se jurando não ter recebido “vantagens indevidas” da empreiteira. Quer dizer que também há vantagens devidas?
Está classificada a roubalheira, verdadeira confissão de culpa de ministros, governadores, deputados e senadores. Uma evidência irrefutável do envolvimento de tantos ladrões.
Indaga-se o que acontecerá com eles, se reconhecem haver recebido propinas oriundas de superfaturamento de obras, desvio de verbas e similares. Com ou sem foro especial, estão arcabuzados. Se alguns foram considerados candidatos presidenciais, hoje não são mais. Mesmo demorando, seu julgamento será irreversível.
Não é preciso expô-los a citações nominais. A maioria dos delatores tem apresentado provas até documentais da corrupção. Provavelmente venham a tornar-se inelegíveis por decisão dos tribunais, mas o principal é que lhes faltarão votos. Talvez até coragem para mostrar-se. Vestais de ontem, transformam-se em ratos de hoje e, certamente, condenados de amanhã.
Réus confessos cuja defesa torna-se impossível diante do próprio reconhecimento da prática deletéria da corrupção por anos a fio.
Pertencem a todos os partidos e roubaram em todos os Estados. Estarão em todos os ministérios, também. São aqueles considerados desconfortáveis pelo próprio presidente da República. Aliás, a propósito, estaria Michel Temer confortável em companhia de … (Cala-te boca!) 
Condenação
Da tribuna do Senado, Gleise Hoffman confessou estar inapelavelmente condenada. Poucas vezes se tem visto coragem tamanha. Pior do que tudo, a senadora está certa... (Carlos Chagas) 

Marcelo Odebrecht, o inconfundível.
Jamais imaginei ou acreditei que pudesse existir um personagem como esse. O avô, fundador da empresa, demonstrou enorme competência irresponsável, ao preterir o filho Emílio, e escolhendo como sucessor o neto Marcelo.
Desde o início dos negócios sabia que não era para qualquer um. Um setor que vivia de contratos, avaliações, aditivos, verbas regulares e suplementares, precisava de alguém inteiramente fora de série.
E desde o início, vendo o jovem Marcelo crescendo e se desenvolvendo ao seu lado, não teve a menor hesitação: Esse será o meu sucessor não como herdeiro e sim como alguém que está conquistando o cargo e comandará a empresa de forma insubstituível.
O produto da observação e da consagração do avô, o país está assistindo estarrecido, diariamente nas televisões de todo Brasil, entra dia, atravessa a noite, assombrando toda a comunidade.
Ele não tem caráter, escrúpulo, constrangimento. Nem respeito por ninguém. Montou uma empresa à sua imagem e semelhança .Na qual tudo gira em torno do dinheiro. Como conquista e consolidação do poder.
Dinheiro que vai se multiplicando de forma espantosa, na medida em que ele mesmo determina e traça o principal roteiro: comprar, corromper, desmoralizar, colocar todos na dependência da humilhação a que são submetidos.
Só ele manda e desmanda
Seus relatos são impressionantes. Faz questão de mostrar e demonstrar que nada escapa do seu comando. É uma organização montada e movimentada unicamente por ele. Todos vivem, crescem, se desenvolvem na base do dinheiro corrompido.
E para que todos se atrelem a esse sistema que implantou na empresa, estabeleceu a hierarquia da corrupção, que ele e seus sequazes propalam e respeitam como verdade absoluta.
É o Bônus da corrupção, do superfaturamento, a velocidade com que diretores de empresas estatais, mais rapidamente incorrem nos crimes humilhantes e enxovalhantes, para poderem logo receberem a sua propina, e seus corruptores garantirem seus bônus hierárquicos.
Marcelo Odebrecht é um criminoso consciente, que demonstra enorme satisfação em transformar sua vida, numa novela na qual é o autor, diretor e personagem principal. Como ficará dezenas de anos presos, deveria doar seu cérebro, para Institutos psiquiátricos. pelo menos isso. (Helio Fernandes)

19 de abr de 2017

Não bastasse, agora a Baleia Azul.

 photo EmFrente_zpsfoouui54.jpg • Desafogo econômico. O índice do Banco Central finalmente deu sinal mais claro de que a brutal recessão do país ficou para trás. 
• Fundo de pensão da Petrobras tem rombo de R$ 27,3 bi. Balanço da Petros é rejeitado pela 14ª vez consecutiva por conselho fiscal. 
• Cármen Lúcia e Fachin decidem reforçar equipe que vai cuidar da Lava Jato no STF. Grupo será criado para Corte obter celeridade na análise dos casos que se multiplicaram com a instauração de 74 inquéritos; Parte sigilosa de lista de Fachin inclui Lula e Cunha. Janot pediu ao Supremo investigações sobre casos em Cuba e Angola, além de irregularidades em campanhas. 
• Todos os candidatos sabiam de acertos financeiros, diz ex-marqueteira do PT. Monica Moura apontou pagamentos por fora nas campanhas petistas de Marta, Haddad, Gleisi e Patrus; João Santana admite a Moro que mentiu para proteger Dilma. Marqueteiro do PT, que havia dito que dinheiro no exterior era de eleições em outros países, reconheceu a Moro que recebeu caixa 2 na campanha da ex-presidente. 
• Câmara aprova texto-base do projeto de ajuda aos estados endividados. Crescimento exige reformas. A recuperação da economia brasileira está condicionada a fatores políticos, sobretudo o andamento de reformas como a da Previdência; Nova proposta reduz idade mínima para mulheres para 62 anos; Entre outros pontos flexibilizados pela equipe econômica está a inclusão de políticos na regra de transição; Governo propõe idade mínima de 60 anos para aposentadoria de professores e policiais. 
• Planalto falha em tentativa de acelerar reforma trabalhista. Até deputados do PMDB foram contra acelerar tramitação do projeto na Câmara. 
• Leis sob suspeita: Delatores da Lava Jato falam em propina para aprovação de medidas provisórias; caso escancara vício grave do processo legislativo do país. 
• Marcelo admite destruição de provas. Delator disse que mensagem MF/RA higienizar apetrechos era recado para executivos apagarem dados que comprometessem empresa sobre esquema corrupção; Emílio e Marcelo Odebrecht teriam detalhes picantes sobre o Judiciário. Diante do bombardeio desferido por delatores em políticos, resta a pergunta óbvia: e o Judiciário? 
• Mesmo com mudanças, governo ainda não tem votos para aprovar reforma da Previdência, indica pesquisa. Levantamento da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco) mostra que o governo ainda está longe dos 308 votos necessários para aprovar a reforma previdenciária. Maioria dos deputados entrevistados ainda faz segredo sobre o voto. 
• Diretoria da Odebrecht pede desculpas aos funcionários. Em carta, empreiteira diz que exposição negativa é dolorida, mas necessária. Empreiteira também teria pago propina a setor privado. Delatores da Odebrecht citam repasses irregulares a Light e Santa Casa do RJ. 
• Reforma tributária deve ser apresentada no 2º semestre, diz Meirelles. Objetivo do Planalto é aprovar as reformas da Previdência, trabalhista e tributária neste ano. 
• Justiça do DF condena Liliane Roriz a 4 anos e 8 meses de prisão. Os desembargadores entenderam que a parlamentar ofereceu vantagens indevidas a eleitores e não declarou despesas com apoiadores que trabalharam para ela. A decisão do TRE-DF ainda cabe recurso. 
• CVM absolve Eike Batista de acusação de falha em divulgação de informações. Empresário era acusado de não ter agido para anunciar compra do controle da Prumo pelo EIG. 
• PF mira em aquisição de ações do Panamericano pela CaixaPar. Justiça determinou bloqueio de valores em contas de alvos da operação, que somam R$ 1,5 bilhão: Silvio Santos, André Esteves, Guido Mantega e Lula. 
• Fachin manda vasculhar emendas parlamentares de Bruno Araújo. 
• Pronto, falei! Não podemos nos acoelhar, achar que nós estamos, enfim, em uma posição delicada, disse o presidente Michel Temer pedindo para aliados resistência aos ataques feitos à classe política. 
• Lava Jato e Mariana chamam atenção para gestão de crise. Especialistas alertam que recuperar a reputação da empresa após escândalo nacional é mais difícil. 
• É um velho amigo de Lula o almirante Braga, apontado por delatores como intermediário de propinas da Odebrecht pelo contrato no Prosub, bilionário programa de construção de submarinos. Trata-se na verdade do Comandante Braga, capitão de corveta aposentado Carlos Henrique Ferreira Braga, tão ligado a Lula que até emprestou-lhe um avião para a campanha presidencial de 1989. No governo do amigo petista, Braga vendia remédios cubanos, mesmo aqueles que já eram produzidos no Brasil, como aspirina. 
• A Justiça Federal no Rio condenou o empresário Marcos Valério, emblemático personagem do mensalão, a 18 anos e nove meses de prisão por crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. A sentença é do juiz Vitor Barbosa Valpuesta, da 3.ª Vara Federal do Rio. Já condenado a 37 anos no mensalão, o office boy do mensalão do governo Lula, que cumpria o papel de distribuir o produto do dinheiro público roubado, está condenado a mais de 55 anos de reclusão - quase seis vezes mais que a pena do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, apontado no processo como o chefe da quadrilha e condenado a menos de dez anos de prisão. 
• Sindicatos de policiais invadem a Câmara e relator indica recuo; Representantes de sindicatos do setor de segurança pública quebraram vidros no Congresso contra reforma da Previdência; relator Arthur Maia cedeu e reduziu idade mínima de 60 a 55; Um grupo de cerca de 300 policiais civis faz uma manifestação, na tarde desta terça-feira (18), para protestar contra a reforma da Previdência em análise na Câmara. Com caminhão de som e alegorias como cruzes, faixas e até uma espécie de lápide, eles foram ao Parlamento para participar de audiência pública no Senado e, do lado de fora, na área gramada ao lado dos espelhos d’água, manifestavam-se pacificamente em frente ao prédio. Até que um grupo mais exaltado tentou entrar pela entrada conhecida como chapelaria e foi contido pelos policiais legislativos e tropas de choque da Polícia Militar. Com a confusão, vidraças foram quebradas e bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral foram lançadas para dispersar os manifestantes.
OAS negocia incluir ministro do STJ em delação.
O Poder Judiciário está prestes a ser lançado no caldeirão da Lava Jato. A construtora OAS planeja entregar pelo menos um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na colaboração judicial que negocia com a Procuradoria-Geral da República, informa o jornal Valor, em notícia veiculada nesta quarta-feira. Lula também será alvejado.
Farão parte do rol de delatores da empreiteira mais de 20 executivos. A lista inclui o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro; o dono da empresa, Cesar Mata Pires; e dois filhos do empresário. Há oito meses, o procurador-geral da República Rodrigo Janot suspendera a negociação de acordo com a OAS.
Janot irritara-se com o vazamento de dados relacionados ao ministro Dias Toffoli, do STF. Avaliou-se à época, na Procuradoria, que as informações não teriam potencial para encrencar Toffoli. O procurador-geral pisou no freio por avaliar que a própria OAS levara o nome do ministro às manchetes, para pressionar a Procuradoria a fechar o acordo. Por isso, levou o pé à porta. (Josias de Souza) 

A farsa da Previdência.
No próximo dia 9 de maio, Temer e Meirelles completam 1 ano da posse. O presidente, de forma indireta, de um mandato que não disputou, e lógico, não conquistou. Foi a conclusão da conspiração parlamentar, imaginada por Temer e executada pelo parceiro Eduardo Cunha. Este já está com uma condenação de 15 anos de prisão.
Temer citado irrefutavelmente na Lava-Jato. E há 26 meses respondendo perante o TSE, a uma ação para ter o mandato cassado. O que só não aconteceu até agora por causa da vergonhosa proteção de 2 Ministros do Supremo e do TSE. Toffoli gradeando Temer durante 14 meses. E Gilmar Mendes por outros 12 meses.
Assim que recebeu o mandato como provisório, nomeou Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Banqueiro que fez fortuna na Europa. E presidente fracassado e demitido do Banco Central, no primeiro mandato de Lula, a quem não conhecia. Lula e Meirelles se encontraram no aeroporto de Brasília, o ex-banqueiro foi convidado, aceitou na hora.
Com Temer e Meirelles aconteceu praticamente a mesma coisa. Jamais se encontraram. Ainda vice, Temer foi à sede da empresa dos corruptos irmãos donos da JBF. Eles doaram 50 milhões para o PMDB, deputados e senadores brigavam pela partilha.
Resolveu o problema e abriu caminho para doações, mais volumosos e suntuosos, para ele e sua campanha à reeleição de vice. Conheceu então Henrique Meirelles, importante Diretor Executivo do Conselho da JBS.
Promovido tortuosamente de vice a presidente, não hesitou. Nomeou Meirelles Ministro da Fazenda. A partir daí, estão inapelavelmente juntos, com duas obsessões. 1 - A reforma da Previdência. 2 - A vergonhosa reforma trabalhista, na tentativa de roubar os direitos de milhões de trabalhadores, sendo que 13 milhões deles, desempregados.
Temer e Meirelles e a imprevidência.
Impossível acreditar no que dizem mentirosamente o presidente indireto e o Ministro da Fazenda incompetente e falastrão: O déficit da Previdência é de 179 bilhões.
Para que fosse verdade, teriam que ter roubado muito, nada surpreendente. Ou deixado de recolher o que é devido à Previdência, também bastante aceitável.
Havendo acerto entre despesa e receita, jamais pode haver déficit: mensal, anual ou acumulado. A receita da Previdência vem de 3 fontes. Trabalhador, empregador, União.
A participação de cada um é rigorosamente igual: 8 por cento. Para que não haja dúvida, vou sumarizar e detalhar. 8 por cento do trabalhador,8 por cento do empregador, 8 por cento da União.
Por piores que sejam os administradores, impossível acumular déficit, qualquer que seja ele. Principalmente de 179 bilhões. A não ser com as duas exceções que coloquei. 1 - Falta de recolhimento das 3 fontes pagadoras. 2 - Roubalheira.
O trabalhador não pode deixar de recolher a sua parte, mesmo que queira, é descontado na fonte. Os empresários devem fabulas de dinheiro à Previdência, não é de hoje, é de sempre.
Já fizeram planos e mais planos para pagamento que chamam de parcelado, mas que na verdade é roubado. Por que não investigam? A terceira parte, da União, não é recolhida há anos. Quanto o desgoverno Temer recolheu à Previdência nesse ano que se completará no dia 9 de maio? Provavelmente nada, para poder aumentar esse déficit gigantesco. Se recolhe mensalmente a sua parte, a União deve mostrar com total transparência, o que recolheu.
Com uma receita de três vezes todos os salários pagos e depositados na conta da Previdência, não pode haver déficit e sim superávit gigantesco. Essa reforma criminosa não pode ser votada.
Roberto Campos - John Kennedy.
Como escrevi sobre os 100 anos do ex-embaixador (ante ontem) me perguntam muito sobre ele. Ontem queriam saber se o Presidente Kennedy chamou o então embaixador do Brasil nos EUA, de americanófilo. Não sei realmente. Mas todo mundo conhecia essa realidade, tanto lá quanto aqui, não seria nada surpreendente.
Além do mais, Kennedy era capaz de qualquer leviandade, apenas um personagem rico, bonito, mulherengo. Foi eleito em 1960, ganhando de Nixon por menos de 60 mil votos num total de 60 milhões. Nessa eleição houve o primeiro debate, ele ganhou na TV, perdeu no rádio. Venceu com o dinheiro do pai, que fez fortuna fabulosa como traficante de bebida.
Kennedy está inteiramente fora da História. Terá uma citação de pé de página, pelo fato de ter sido assassinado. E hoje, depois 54 anos, não se sabe o motivo.
PS - A viúva, lindíssima, interessante, inteligente, casou logo depois por vingança. Escolheu um homem gordíssimo, careca. Dinheiro ela também tinha. (Helio Fernandes) 

Substituíram o Congresso.
Nesse festival de horrores que a televisão apresenta todos os dias, por conta das atividades da Odebrecht, o primeiro prêmio vai para os parlamentares aquinhoados com propina por terem aprovado medidas provisórias favorecendo a empreiteira. Vale o mesmo para a votação de projetos de lei.
Quer dizer, na Câmara e no Senado existem ratos que votaram legislação beneficiando negócios escusos, recebendo milhões pelos serviços prestados. Valeria à pena o governo identificar que medidas provisórias e que leis foram editados dentro desse modelo. Não só para revogá-los, mas, em especial, para obter o ressarcimento do roubo.
Seria bom, também, identificar os líderes dos partidos comprometidos com a tramitação dos projetos fajutos.
O grave nessa substituição das obrigações parlamentares por dirigentes empresariais é que muitos deputados e senadores aprovaram sem saber a origem e os interesses daquilo que votaram. Alguns imaginaram estar prestando favores ao governo. Outros sequer cogitaram saber porque. Os bandidos, porém, não se esqueceram de cobrar pelos votos.
As investigações começaram a chegar aos governos estaduais. São de estarrecer. Também não escapam as prefeituras. Ninguém se espante se alguém gritar teje todo mundo preso! (Carlos Chagas) 
Votar é um direito. Tirar dinheiro do povo como caixas, fundo partidário e assemelhados indecentes e depois dizer que são inocentes, verão nos autos, é caluniosa as delações, é sintoma que continuarão a agnóstica de enganar e se locupletar. Povo exerça seu direito e diga não. (AA)

18 de abr de 2017

Áudios de 271hs e povo na espera.

 photo odebrech18_zps0jasjjxh.jpg • Supremo cria força-tarefa para acelerar processos da Lava Jato. Objetivo é priorizar os processos da operação e garantir celeridade na análise dos casos. 
• O juiz federal Sérgio Moro reagiu à altura a uma manobra protelatória dos advogados de Lula, que apresentou pedido para ouvir 87 testemunhas de defesa. O magistrado deferiu o pedido, até para que o ex-presidente não alegue cerceamento de defesa, mas determinou que ele esteja fisicamente presente em todos os depoimentos. A decisão está publicada no sistema da Justiça Federal do Paraná. 
• Supremo cria grupo de trabalho para acelerar processos da Lava Jato. Supremo deve julgar extensão do foro privilegiado em maio. Lista de Fachin deve ter desmembramentos dentro do STF. 
• Governo se agarra às reformas para sobreviver após delação da Odebrecht. Na prática, esse pacto é para dividir a pauta do Brasil em dois: a da Lava Jato e a do mundo real
• Sob críticas, relator da reforma da Previdência deve incluir políticos na regra de transição. Ideia é adotar mesmos moldes da transição para servidores públicos; relator lê parecer na Câmara nesta 3ª feira. Idade mínima para mulheres pode ser reduzida. Para compensar recuo, que pode ficar entre 62 e 63 anos, é possível que a transição fique menor. 
• Até que enfim! Contribuição sindical é herança fascista, diz relator da reforma. Marinho afirmou ainda que o Brasil tem sindicatos em excesso, somando 17 mil entidades. 
• Temer refuta acordão com FHC e Lula contra a Lava Jato. 
• 80% dos deputados a favor de punir abuso estão na lista de Fachin. Dos 34 investigados que votaram na sessão, 27 apoiaram emenda que prevê punição a juízes e procuradores. 
• Contrato até novembro. Estado antecipa leilão para escolher banco que vai pagar servidores. Governo busca implementar cinco medidas para arrecadar R$ 1,5 bilhão, como venda de dívida ativa e antecipação pagamento de ICMS. 
• Creches apoiadas pela Prefeitura do Rio têm dificuldades. Cantem com o Crivella. 
• Sinais particulares: Mãe de Cabral manteve cargo no Museu da República após prisão do filho. 
• Da cadeia, Cunha diz que Temer agendou reunião com empresa. Ex-deputado contesta versão do presidente sobre encontro no qual, segundo delatores, discutiu-se propina de US$ 40 milhões a membros do PMDB. 
• Índice do BC supera expectativas e indica retomada. Projeção aponta aumento de 1,31% na atividade econômica em fevereiro. 
• Governo destrava cargos por votos para Previdência. Presidente quer fazer nomeações para 40 membros da base aliada. 
• Padilha pediu propina sob FHC, Lula e Dilma, diz delator. Ministro arrecadou R$ 11,4 milhões, de acordo com executivos da Odebrecht. 
• Serra recebeu propina via operador, segundo delação. Valor de R$ 4 mi foi depositado no exterior, afirma Luiz Eduardo Soares. 
• Bancos suspendem conta digital sem tarifa. Itaú, Banco do Brasil e Bradesco deixam de aceitar novas adesões a serviço. 
• O STJ analisa, quinta agora, recurso da Universal contra a condenação que obrigou a Igreja a indenizar uma idosa em R$ 8 mil. A senhorinha diz ter sofrido lesões físicas e psicológicas em uma sessão de descarrego. Numa delas, ela disse ter sido atirada no chão com toda força pelo pastor. 
• Fachin envia inquéritos contra Renan, Jucá e Aécio para Polícia Federal. STF manda inquéritos para a PF, que poderá quebrar sigilos. Advogados de parlamentares querem tirá-los das mãos de Fachin
• Propineiro educado. Delator conta que Genoino voltou a Odebrecht para agradecer doações. Mensaleiro procurou a Odebrecht para agradecer o pixuleco.
• Os R$ 200 milhões pagos ao PT.
• O Antagonista 
. # PGR recebeu do MP suíço o backup do Sistema Drousys, armazenado naquele país e usado para organizar o pagamento de propina da Odebrecht...
. # Com backup da propina, Lava Jato vai rastrear todas as contas. Os investigadores da Lava Jato terão todas as contas, offshores e registros de transferências de recursos. 
. # Com Dilma, estaríamos próximos da Venezuela. Miguel Reale Jr, um dos advogados do impeachment, também escreveu ao O Antagonista sobre este primeiro ano sem Dilma Rousseff: Ficou comprovado que a parte principal do pedido de impeachment estava certa..
. # O impeachment foi a melhor coisa que poderia ter ocorrido para o nosso país. Janaína Paschoal escreveu ao O Antagonista sobre este um ano do impeachment de Dilma Rousseff: Após um ano do afastamento de Dilma Rousseff, vieram a público fatos ainda mais graves do que aqueles debatidos durante o processo de impeachment

• Premiê britânica propõe eleições antecipadas para 8 de junho. May afirmou que país precisa de estabilidade para negociar afastamento da União Europeia. Ela precisa de aprovação do parlamento para antecipar a eleição. 
• Odebrecht é condenada nos EUA e pagará mais R$ 8 bi por corrupção. 
• Depois de ação militar, aprovação de Trump sobe a 50%. 
• Vitória de Erdogan na Turquia preocupa Europa. Protesto na Turquia um dia após plebiscito aumentar poderes do presidente Recep Tayyip Erdogan; para observadores internacionais, pleito não atingiu padrões democráticos. Plebiscito fortalece escalada autoritária na Turquia, o que dificulta estratégia para a crise no Oriente Médio. 
• Paciência com Coreia do Norte acabou, diz vice dos EUA. Mike Pence afirma que novos testes de mísseis não serão mais tolerados. 
• Trump e Temer se encontrarão em 2017, diz embaixador. Governos do Brasil e dos EUA trabalham para definir data ainda neste ano. 
• UE quer transparência no Mercosul para chegar a um acordo. Europeus pedem previsibilidade das leis para fechar acordo de livre comércio. 

Escapamos da vergonha nacional!...
Por uma graça de Deus, Minas Gerais ficou livre de passar por mais uma vergonha nacional pela 3ª vez!
O criminoso mor do País, sr. Lulla, convidado por outro seu parceiro também criminoso, o governador Pimentel, desistiu de comparecer à solenidade da entrega da Medalha da Inconfidência, no dia 21, em Ouro Preto! Ainda bem... Deve ter ficado com medo das vaias que iria receber!...
O Estado já tinha passado por dois vexames anteriores ligados a esses bandidos, quando, em 2003, o então governador Aécio Neves, concedeu a esse desqualificado e seu atual companheiro de crimes no episódio Odebrecht, o Grande Colar da Inconfidência!!!!!
Do mesmo modo, em 2011, no governo de outro companheiro da Odebrecht, o então governador Anastasia, a igualmente criminosa Dilma Roussef, foi também agraciada com a mesma Medalha! 
Este ano, sob o manto do já indiciado Pimentel, Lulla seria o homenageado de honra, da solenidade!
Embora esteja amargando outros vexames, com vários de seus políticos também surfando nas ondas dos crimes da Odebrecht, pelo menos, este ano, ficamos livres do pai de todos os vexames!... (Márcio Dayrell Batitucci) 
ooo0ooo
Naquele ano, Lula obteve a homenagem do então governador de Minas, Aécio Neves (PSDB). A ex-presidente Dilma Rouseff também recebeu o Grande Colar em 2011, no governo de Antônio Anastasia (PSDB). Ano passado, o ex-presidente do Uruguai José Pepe Mujica foi o principal nome da cerimônia.
Lula desiste de receber homenagem da Inconfidência em Minas. Assessoria do ex-presidente Lula diz que desistência não tem relação com delações da Odebrecht.
O ex-presidente Lula não irá à cerimônia da Inconfidência, em Ouro Preto (MG), no próximo dia 21, segundo a assessoria do Instituto Lula. O petista seria, a convite do governador Fernando Pimentel (PT), homenageado na solenidade de entrega da Medalha da Inconfidência.
De acordo com o Instituto Lula, a desistência não tem ligação com as delações da Odebrecht tornadas públicas na semana passada e foi decidida antes disso. Uma das razões seria o fato de o ex-presidente já ter recebido o Grande Colar, grau máximo da Medalha da Inconfidência, em 2003. 
Naquele ano, Lula obteve a homenagem do então governador de Minas, Aécio Neves (PSDB). A ex-presidente Dilma Rouseff também recebeu o Grande Colar em 2011, no governo de Antônio Anastasia (PSDB). Ano passado, o ex-presidente do Uruguai José Pepe Mujica foi o principal nome da cerimônia. 
Com Lula costurando sua candidatura para 2018, a homenagem poderia ganhar ares de ato político, como a reinauguração das obras de transposição do rio São Francisco em Monteiro (PB). A opção do ex-presidente, no entanto, foi não subir no palanque desta vez. 
O governo de Minas ainda não publicou a lista de homenageados deste ano. Criada em 1952 por Juscelino Kubitschek, a Medalha da Inconfidência tem quatro graus de designações -Grande Colar, Grande Medalha, Medalha de Honra e Medalha da Inconfidência. A maior honraria concedida pelo Estado de Minas Gerais costuma homenagear políticos, juristas, advogados, militares e outras autoridades. 
Os nomes dos homenageados são escolhidos pelo Conselho da Medalha, formado por representantes dos Três Poderes e por entidades civis. (Carolina Linhares, BH) 

Se Lula for candidato em 2018, a única saída será o aeroporto.
Quando petistas disseram que, sem Lula na disputa, a eleição presidencial de 2018 será ilegítima, ficou claro para mim que eles projetam três lances à frente no jogo político-policial. O primeiro lance está desenhado: o comandante máximo será condenado na primeira instância, por Sérgio Moro, até o final deste semestre, no processo do triplex do Guarujá. Léo Pinheiro, da OAS, contribuirá para tanto. O segundo lance será, naturalmente, recorrer ao tribunal revisor das decisões de Curitiba, o TRF4, em Porto Alegre. Como é altamente improvável que Lula seja absolvido nessa segunda instância, dada a abundância de provas contra ele e o rigor exemplar dos seus desembargadores, a confirmação da condenação ocorrerá até dezembro ou, no máximo, o início do ano que vem. Restará o terceiro lance no STF.
Quando falam em ilegitimidade de uma eleição presidencial sem Lula, os petistas já apelam ao Supremo, um tribunal que costuma ser, digamos, sensível a argumentos aparentemente políticos. Mas a verdade é que ficou difícil para os ministros do STF aceitarem essa falácia petista, mesmo que desse para desprezar tudo de concreto que atesta a culpa do comandante máximo. Até o momento, se não perdi a conta, Lula é réu em outros quatro processos - e pode ser condenado em primeira instância num deles mais cedo do que se imagina. Além disso, com as delações da Odebrecht, ele passará a ser investigado diretamente em mais seis inquéritos, para não falar dos demais nos quais o seu nome surge com força. É impossível Lula não virar réu em pelo menos um dos processos a serem abertos.
Há uma decisão recente do Supremo que torna absurdo colocar Lula na disputa pelo Planalto. Em dezembro último, o tribunal manteve Renan Calheiros na presidência do Senado, mas, por ser réu, o tirou da linha sucessória da Presidência da República. Ou seja, ainda que adie para depois da eleição presidencial o julgamento de recurso em ação penal que tenha condenado Lula, seria no mínimo ilógico permitir que um réu entrasse na corrida eleitoral para a mesma função.
Os mais céticos dirão que nada do que escrevi acima importa. O STF vai ignorar sua jurisprudência e também absolver rapidamente Lula em todos os processos que porventura chegarem ao tribunal, a fim de que ele possa concorrer ao Planalto -- e, se for vitorioso, ganhar foro privilegiado e suspender o jogo. Bem, diante dessa esculhambação, com o perdão do clichê, só restaria a saída do aeroporto aos cidadãos que ainda puderem pagar uma passagem para o exterior. (Mario Sabino) 

Petista enxerga fraudes em Congresso do PT.
O PT já não consegue manter entre quatro paredes as brigas que trava consigo mesmo. Engalfinham-se em público dois dirigentes da legenda: o presidente do diretório paulista, Emídio de Souza, e o secretário Nacional de Formação, Carlos Henrique Árabe. O ringue é o site do PT.
Criticado por Emídio num artigo, Árabe revidou com um texto ácido. A certa altura, anotou: Há indícios de fraudes, que serão averiguados. Referia-se a irregularidades farejadas na etapa municipal do 6º Congresso do PT, que elegerá os dirigentes novos e seminovos da legenda. O autor do texto não dá nome às fraudes nem aos fraudadores. Quer dizer: o arranca-rabo terá novos round. (Josias de Souza) 

Aguardando a recompensa.
Uma pergunta permanece sem resposta: o que acontecerá com os 74 delatores funcionários e ex-funcionários da Odebrecht? Pelos depoimentos que deram, reconheceram seus crimes, iguais aos praticados por deputados, senadores, governadores e ministros. Estão todos no mesmo balaio. Com as delações, pretendem senão escapar, ao menos receber penas atenuadas, de preferência prisões domiciliares.
Uns bem-humorados, outros apresentando-se como vítimas, os delatores acreditam poder livrar-se do pior. Até o patriarca da roubalheira e seu príncipe herdeiro, por sinal ainda preso mas esperando logo abrir a porta de uma de suas mansões.
A quadrilha desincumbiu-se da missão dada por seus chefes e agora aguarda a recompensa.
No Congresso o clima é mais carregado. Mesmo sabendo que os processos levarão muito tempo para completar-se, a maioria dos implicados está de olho nas próximas delações, das outras empreiteiras. Tem gente que foi aquinhoada por todas. Apesar do foro especial, alguns receberão condenações à altura de seus crimes. O mesmo destino terá os que forem julgados sem a prerrogativa de mandatos.
Em suma, a tempestade continua armada, preocupando boa parte dos que temem ficar inelegíveis, tanto pela lei quanto pela falta de votos.
Solidariedade
O PT prepara volumosa manifestação de solidariedade ao Lula, em Curitiba, quando o ex-presidente estiver frente a frente com o juiz Sérgio Moro. Os contrários também se mobilizarão, prevendo-se conflitos e confrontos. (Carlos Chagas)

17 de abr de 2017

Todos usam caixa 2, escabroso...

 photo oaposentar_zpszs0nd0zw.jpg • Vacinação contra gripe começa nesta segunda-feira. A campanha deste ano inclui, pela primeira vez, os profissionais de educação no grupo prioritário. 
• PF indicia alvos da Carne Fraca, entre eles nomes da BRF e JBS. Relatório parcial entregue à Justiça Federal aponta organização criminosa infiltrada no Ministério da Agricultura do Paraná e Goiás. 
• Lá é mais rápido. Como saiu aqui, deve ficar pronto, esta semana, o acordo de leniência da Odebrecht... nos EUA. 
• Maioria dos inquéritos no STF vai apurar achaque. Em 40 das 76 investigações abertas a suspeita é de que políticos exigiram propina para beneficiar a empresa. 
• Repasse ilícito se manteve mesmo com Lava Jato. Emílio Odebrecht diz que pagamentos só pararam um ano e três meses depois. 
• PGR e PF discordam em acordos feitos com delatores. Delação premiada de Duda Mendonça é o grande exemplo do cabo de guerra. 
• Reforma da Previdência não põe fim a privilégios de algumas categorias. Uma série de categorias continuará a ser privilegiada com regras mais brandas, como políticos e servidores. Idade mínima de 65 anos para mulher não é alterada. Relator da reforma da Previdência afirmou que essa questão é o ponto mais alto da PEC. Mudanças na reforma devem reduzir economia em R$ 200 bi. Temer afirmou que é melhor ter acordos a não ter nenhuma redução no déficit da Previdência. 
• Defesa de Dilma usará entrevista de Temer como prova no STF.
• O administrador e as ingerências já! Marcelo Crivella pagou R$ 3.010.000 para a Fundação Getúlio Vargas (FGV) fazer aquele relatório que veio a público no evento que marcou os cem dias da atual administração carioca. O documento diz que Paes entregou a Crivella uma prefeitura quebrada. Com este dinheiro, dava para... deixa para lá. (AGoes) 
• Deputados vão apoiar fim do imposto sindical. Presidente Temer entendeu a posição dos deputados e decidiu se alinhar a essa mobilização. 
• Banqueiro Daniel Dantas quer reabrir briga da Brasil Telecom. Banqueiro diz que esquema do governo petista provocou sua retirada da empresa. 
• Os ganhos com o saneamento. Benefícios só serão alcançados se os administradores públicos tiverem consciência da urgência de estender a rede de saneamento básico. 
• Odebrecht descontava propina de bônus de executivos. Funcionários que não negociavam pagamentos irregulares eram mais premiados por resultados, afirma ex-executivo da empreiteira. 
Generalização é a salvação dos canalhas. Ex-ministro do STF, Célio Borja alerta para o fato de as delações da Odebrecht serem tomadas como verdade absoluta
• A conta da Odebrecht em Santa Gertrudes. Para manter contratos de saneamento, empresa deu R$ 180 mil à eleição municipal, segundo delator. 
• Lava Jato mira obras na gestão Kassab em SP. Levantamento foi solicitado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e autorizado pelo ministro Edson Fachin, do STF. 
• Delator ligou 32 vezes para Padilha em datas próximas a pagamentos de propina. José Carvalho apresentou registro da planilha do Drousys - software que era utilizado para organizar e gerenciar o pagamento de propina. 
• Depois das delações, parlamentares veem cenário para 2018 como ‘uma incógnita. Antes de tratarem das reformas na reunião, parlamentares discutiram o impacto político das delações da Odebrecht. Acham que o cenário de 2018 se transformou numa completa incógnita. (Estadão)
• O Antagonista.
. # A semana dos réus. Nesta segunda-feira, o juiz Sergio Moro vai interrogar João Vaccari Neto e Renato Duque. Os depoimentos que realmente importam, porém, serão prestados amanhã (João Santana e sua mulher) e na quinta-feira (Léo Pinheiro). É uma semana decisiva para a Lava Jato e para o comandante máximo da ORCRIM. 
. # Guerrilheiro petista nos aeroportos. As empreiteiras formaram um cartel para ganhar os aeroportos. Benedicto Junior, em depoimento reproduzido pelo G1, disse que o cartel foi organizado pelo presidente da Infraero Carlos Wilson. Como contrapartida, Wilson exigiu o pagamento pelas empresas de 3% do valor dos contratos para o PT e o PTB. A propina destinada ao PT foi paga a Delúbio Soares, que tinha o codinome Guerrilheiro, segundo o empreiteiro. Isso confirma mais uma nota publicada por O Antagonista. Veja aqui: Delúbio Soares foi denunciado ontem pela Lava Jato. Ele será denunciado novamente quando os delatores da Odebrecht explicarem que seu codinome - Guerrilheiro - aparece nas planilhas clandestinas da empreiteira por causa de contratos da Infraero.
. # O PT sabe que Lula se danou. Um dirigente do partido disse a Gerson Camarotti: Muito mais do que a questão jurídica, o que preocupa é o impacto dessas delações no capital político de Lula. Isso pode criar uma sangria na própria militância petista
. # O Valor procurou petistas históricos dispostos a condenar Lula. Só encontrou um: Paulo Delgado. Ele disse: A relação de Lula com Emílio Odebrecht é de bajulador. Ele disse também: Lula demanda uma atenção exagerada para si, um comportamento típico de líderes tradicionais da esquerda, como Stálin e Mao Tsé-Tung. Líderes que fracassaram. Lula é lulista, não é petista. Mas o PT é maior que Lula. E em seguida: Lula deve ao Brasil um período de silêncio, para que a sociedade possa refletir sobre o que aconteceu
. # O valor do pragmatismo. Tarso Genro é pragmático ao responder se acredita que Lula tem condições de ser candidato em 2018, diz o Valor. E qual é sua resposta pragmática, de acordo com o jornal? Se Lula não puder ser candidato, as eleições presidenciais de 2018 carecerão de legitimidade.
. # A propaganda é a alma do negócio. A propina de 3 milhões de reais que Aldemir Bendine recebeu após achacar a Odebrecht foi entregue num flat em São Paulo, diz Lauro Jardim, em O Globo. O dono do flat é Antonio Carlos Vieira da Silva, dono da Arcos Propaganda, conduzido coercitivamente há um ano pela Lava Jato, na operação Xepa. Releia o que publicamos sobre o assunto: 
. A Xepa e a propina na propaganda. Os portadores da Odebrecht levaram 3 milhões de reais ao apartamento de um dos diretores da Arcos Propaganda. A Arcos Propaganda atende às contas do Ministério da Cultura, de Furnas e da Hemobrás. Fatura mais de 40 milhões de reais ao ano com o governo de Dilma Rousseff. 
. A agência de propaganda do BNDES na Xepa. Demos a ficha da Arcos Propaganda, que foi citada na Xepa. Dissemos que ela tem as contas do Ministério da Cultura, de Furnas e da Hemobrás. Mas não é só isso. Ela tem também as contas do SENAI, da prefeitura petista de Garulhos e da Invepar. Ela já atendeu o BNDES, o banco preferido da Odebrecht. 

• Plebiscito dá superpoder ao presidente da Turquia. Erdogan poderá, entre outras medidas, nomear juízes e aprovar o orçamento. Oposição turca denuncia fraude e pedirá recontagem dos votos. Opositor, Partido Republicano do Povo (CHP) afirma que o governo manipulou a votação que deu superpoderes a Erdogan. Partidários de Erdogan exibiram foto do presidente durante manifestação em Istambul. 
• Vice dos EUA diz que acabou a paciência com a Coreia do Norte. Provocação nuclear. Paciência estratégica com Pyongyang acabou, diz vice-presidente dos EUA. Mike Pence afirmou que Washington derrotará qualquer tipo de ataque
• Plano de fuga é mantido por embaixada brasileira em Seul. Sigiloso, documento organiza saída de 1.200 cidadãos do Brasil cadastrados. 
• Embaixadora se torna rosto da política externa de Trump . Nikki Haley, representante na ONU, tem sido porta-voz frequente do governo. 

Ritmo do caso Odebrecht depende da Procuradoria, dizem ministros do STF.
Antevendo a pressão que o Supremo Tribunal Federal deve sofrer para apressar o julgamento dos 76 inquéritos decorrentes da megadelação da Odebrecht, magistrados que integram a Corte alertam: na fase atual, o ritmo depende essencialmente da Procuradoria-Geral da República. O blog ouviu dois dos 11 ministros do Supremo. Ambos potencializaram o papel do procurador-geral Rodrigo Janot e dos procuradores que compõem a força-tarefa da Lava Jato em Brasília.
Um dos ministros explicou: As pessoas têm a impressão de que a demora se deve ao Supremo. Não é bem assim. Na fase atual, o trabalho envolve a produção de provas. E isso está por conta da Procuradoria que, por sua vez, depende muito da eficiência da Polícia Federal. O outro magistrado ecoou: Nesta etapa dos inquéritos, o papel do Supremo se restringe a autorizar procedimentos e diligências requeridas pelo procurador-geral. Algo que o ministro-relator costuma fazer rapidamente.
O relator da Lava Jato no Supremo é o ministro Edson Fachin. Ele herdou a função de Teori Zavascki, morto num acidente aéreo. Os colegas enxergam em Fachin um perfil semelhante ao de Teori. A exemplo do antecessor, Fachin tende a autorizar a grossa maioria das requisições feitas pelo procurador-geral. Nos próximos dias, choverão sobre sua mesa pedidos de diligências, de oitiva de autoridades de quebras de sigilos bancário e fiscal…
Os ministros realçaram as diferenças entre o mensalão e o petrolão. No escândalo anterior, 40 pessoas foram investigadas, denunciadas e julgadas num mesmo processo. Que consumiu cerca de oito anos entre a abertura do inquérito e a condenação dos culpados pelo plenário do Supremo. No escândalo atual, pelo menos três vezes maior que o anterior, a colaboração da Odebrecht elevou o número de inquéritos para 113. Sem mencionar as cinco denúncias que o Supremo já converteu em ações penais.
A atomização dos processos fará com que alguns caminhem mais rapidamente. Outros talvez flertem com a prescrição dos crimes. Daí a relevância do trabalho da Procuradoria e da Polícia Federal. Os dois órgãos correm contra o relógio para vencer o desafio de produzir em tempo aceitável provas que corroborem as palavras dos delatores.
Outra diferença entre os dois escândalos é que os acusados do petrolão serão processados na Segunda Turma do Supremo, não no plenário. Têm assento nesse colegiado apenas cinco dos 11 ministros da Corte. Além de Fachin, Celso de Mello, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Apenas nos casos que envolvem chefes de Poder -Eunício Oliveira, presidente do Senado, e Rodrigo Maia, presidente da Câmara- a encrenca será transferida para o plenário do Supremo.
Em tese, a concentração na Segunda Turma joga água no moinho da celeridade. Entretanto, o blog apurou que falta unidade ao colegiado. O que pode arrastar certos julgamentos. Mas esse problema só deve se materializar nas fases posteriores do processo. Vencida a etapa dos inquéritos, o procurador-geral decidirá se denuncia os acusados ou arquiva os processos. Se denunciar, caberá ao Supremo deliberar se as provas justificam a abertura de ações penais. (Josias de Souza) 

Odebrecht, Banco do Brasil, Lula, BNDES, estádio do Corinthians.
Vou contar pela primeira vez, a história escabrosa da construção do estádio do Corinthians. No vandalismo financeiro do levantamento dos elefantes brancos para a Copa de 2014, dominados pelas empreiteiras roubalheiras, como sempre a Odebrecht era absoluta.
Tanto as obras das Copas como das Olimpíadas, começavam 6 anos antes. (Com exceção do Maracanã, o maior crime e o maior faturamento, pois era necessário destruir um símbolo e levantar um chiqueiro. O orçamento era de 600 milhões, custou 1 bilhão e 300 milhões. Mais outros 300 milhões para o estádio ser utilizado na Olimpíada. Tudo vorazmente recebido pela Odebrecht).
Surge o Corinthians
O clube sempre quis ter o seu estádio. Depois de muitas peripécias, conseguiu o orçamento, 400 milhões. Se fixou no subúrbio distante e tranquilo de Itaquera. Teve que enfrentar a revolta e o protesto dos moradores. Conseguiu o sinal verde. Faltava o dinheiro, resolveu tratar profissionalmente, acreditaram que era assim que se resolvia.
Encurtando. Conseguiram contato com o presidente do Banco do Brasil, que se interessou, um financiamento de 400 milhões, era um bom negócio. Dependia das garantias. Levaram 1 mês. Foram consideradas insuficientes, pediram reforço, não serviu, acabou o negócio.
O BNDES substitui o Banco do Brasil
Só que aí desapareceu o profissionalismo, surgiu o interesse rasteiro. Corintiano de coração, Luiz Inácio Lula da Silva deu um toque no Marcelo, que quando soube que o estádio custaria 400 milhões e o financiamento do mesmo valor, não se interessou. Mas colocou no circuito, Benedito (Junior, executivo para essas situações).
Conversaram, Lula telefonou para Luciano Coutinho, textual: Você sabe como sou Corintiano. Vou mandar um amigo conversar com você, atende que é boa gente. Benedito foi já levou as garantias recusadas pelo BB, e aceitas tranquilamente pelo BNDES. E uma vantagem excepcional: juros de 4 por cento, quando no mercado já valiam 8 ou 9. Luciano Coutinho não era apenas prestativo, mas o máximo como servo, submisso e subserviente.
Consequência: uma parte dos 400 milhões foi reempreestrada a 8 por cento pelo executivo da Odebrecht. Foi só atravessar a Avenida Chile, o BNDES fica num lado, a Petrobrás no outro. Agora o Corinthians não paga, o BNDES não recebe maior o saque e recebe. Uma compensação: com Eike Batista foi 10 vezes maior o prejuízo. E não haverá recuperação. Devolução do dinheiro roubado.
Quem rouba da Saúde, deve ser condenado duplamente. Uma pela corrupção propriamente dita. E outra por assaltar os que mais precisam de recursos, em situação de dificuldade extrema. Comecei a escrever sobre o assunto quando roubaram em SP, o dinheiro da merenda escolar. Lembrei sempre do genial informante dos repórteres do Washington, que desvendaram o escândalo de Watergate, que derrubou o presidente Nixon: Sigam o dinheiro.
No mensalão, na Tribuna, e no petrolão aqui neste blog, passei a defender a devolução do dinheiro acumulado ilegitimamente, como forma de punição exemplar. Agora que jornais e televisões fazem levantamento a respeito de fortunas acumuladas por políticos, é bom lembrar. Nunca tiveram emprego particular, sempre fizeram e fazem política. Portanto, tudo que receberam e recebem, vem do contribuinte, está sujeito a devassa e devolução.
A enorme fortuna do médico Sergio Cortes
Estranhíssima. Surpreendente. Inesperada. Médico do serviço público, era elogiadíssimo pelos luminares da medicina. Dedicadíssimo, chegava a trabalhar 12 e até 15 horas por dia, sem reclamação. Morava num casebre caindo aos pedaços. Convidado para secretário de Saúde de Cabral, foi saudado na posse, como intolerante com a corrupção. Mudou inteiramente de vida, mudou para um triplex, carros importados, mansões de veraneio.
A grande preocupação de Temer
É a mesma dos deputados, senadores, ministros. Sabem que este 2017 se esgotará sem cassação ou prisão, todo o ano se esgotará em investigação e indicação, nada definitivo. Mas chegará a fase em que se transformarão em réus, Antevéspera da cassação. O indireto que entrou de forma ilegal e ilegítima, não quer sair de maneira legal e direta.
Pretende vender a ideia de que não pode ser atingido por atos praticados antes de ser presidente. Nem os advogados acreditam nisso. Responde perante a Lava-Jato, por utilizar dinheiro de propina. Os maiores apanhadores do PMDB eram ele e o senador Jucá. E os dois são fartamente citados por Marcelo Odebrecht e ex-executivos.
No crime de recebimento de propina para a campanha presidencial, começaram a ser processados, logo depois da eleição, estão mantendo o maior escândalo que já houve no TSE. Já se passaram 26 meses, já devia estar cassado, antes mesmo de imaginar a conspiração com o parceiro corruptissimo, Eduardo Cunha. Temer poderá escapar em 2017, mas não poderá ver 2018 nascer. Ou morrerá politicamente com ele. Ministros imexíveis.
Miro Teixeira, deputado Federal desde 1970, condenou os 9 ministros, citados na lista do Ministro Fachin, e nem se abalaram. Querem ficar o mais tempo possível. Miro disse publicamente que devem pedir demissão. Nem pensam nisso. Consideram que serão beneficiados pela palavra que coloquei no título, entre aspas. E que foi usada no passado por Rogerio Magri, quando era Ministro do Trabalho e queriam demiti-lo.
Os 7 ministros que não têm nem prestigio nem patrocínio, tentam se garantir numa expectativa: Temer não demitirá Eliseu Padilha e Moreira Franco. Não demitindo esses 2 também não demitirá os outros. Essa é, aliás a crença geral. Mesmo porque, se optar pelas demissões, terá que escolher os substitutos na mesma base desaliada e desalinhada. (Helio Fernandes) 

Falta a revogação da Lei Áurea.
Está por dias a aprovação da chamada reforma trabalhista na Câmara dos Deputados. Reforma para tirar os últimos direitos do trabalhador, como a substituição do legislado pelo negociado. Patrões e empregados vão negociar acima e além da lei. Será a negociação da guilhotina com o pescoço. A imposição do interesse do mais forte sobre o mais fraco. Em especial quando 13 milhões de desempregados clamam pela oportunidade de trabalhar.
Trata-se de uma das mais abjetas alterações no que restou nas relações entre capital e trabalho. Ou o trabalhador aceita a redução de suas derradeiras prerrogativas ou será mandado embora. A garantia do direito ao trabalho virou fumaça. Até 1964 prevalecia a determinação de que depois de trabalhar por dez anos na mesma empresa, o cidadão adquiria a estabilidade, ou seja, apenas por falta grave poderia ser dispensado. Os governos militares também acabaram com o salário-família e a indenização por tempo de serviço.
Agora, vão-se as obrigações do empresariado, como a jornada de oito horas, as férias remuneradas e o décimo-terceiro salário. Vale mais o negociado do que o legislado, porque se o trabalhador não aceitar a proposta do patrão, nenhuma garantia terá de preservação do emprego.
Indaga-se porque a Câmara se encontra prestes a aprovar essa que parece a supressão final dos direitos trabalhistas, e a resposta surge simples: porque os deputados, salvo honrosas exceções, nada tem a ver com a classe trabalhadora. Cada um cuida de si, seus vencimentos estão garantidos conforme legislação especial. A bancada do PT lava as mãos, os demais partidos também. Até os sindicatos se omitem. Não demora muito para alguém sustentar a revogação da Lei Áurea. (Carlos Chagas)