25 de jun de 2017

O crer em milagre brasileiro...

 photo festival_zpsdjfijxxn.jpg • Aprovação da gestão Temer cai a 7%, a menor em 28 anos. Índice de ótimo ou bom só não é pior do que o de Sarney em crise inflacionária. 69% da população considera governo ruim ou péssimo, marca pior que a de Dilma. Brasileiro acredita que taxa desemprego vai subir ainda mais. 
• Para 81%, Joesley Batista deveria ter sido preso, diz Datafolha. 64% dos entrevistados acham que MP agiu mal ao fazer acordo com JBS. Rejeição implacável. Segundo Datafolha, 76% dos brasileiros querem renúncia de Temer; descompasso entre eleitorado e políticos aumenta. 
• Janot deve apresentar denúncia contra Temer até terça. Se for apresentada, denúncia terá que ser autorizada pela Câmara. 
• Serra defende reforma política: País está pior que em 1964. 
• Por que a J&F comprou uma usina mico e, segundo delação, ofereceu propina por contrato da Petrobras?. De acordo com relatos de executivos da JBS, foi por causa desse negócio que Rocha Loures, ex-assessor de Temer, recebeu uma mala com R$ 500 mil. 
• Brasileiro segue pessimista em relação à economia. Nem crise política nem expansão do PIB afetam expectativas, indica Datafolha. 
• Ministério da Justiça desmente substituição no comando da Polícia Federal. 
• Sarney Filho nega ter havido retaliação por parte do governo da Noruega. Durante a semana, país europeu anunciou redução em repasses para o Fundo da Amazônia; ministro diz que desmatamento é fruto do governo Dilma; Noruegueses acusam desmatamento, mas matam baleias e poluem com petróleo. Noruega não é nenhuma brastemp sobre temas de meio ambiente. 
• Para compensar queda de arrecadação Governo quer acelerar projeto para recuperar R$ 8 bi em precatórios.
• PSDB vai votar a favor da reforma trabalhista. Votação da CCJ do Senado deve acontecer na próxima quarta. 
• Medo da violência impulsiona nomes como Bolsonaro. Pesquisa indica que o Brasil é terreno fértil para líderes autoritários. 
• Valor de obras do DF citadas em delações da Odebrecht somam R$ 9 bilhões. Mané Garrincha está entre as obras suerfaturadas da Odebrecht.
• A inflação bem-comportada. Os preços vêm tendo um comportamento surpreendente; o BC considera a inflação domada, mas há aspectos não tão animadores. 
• Espinha dorsal da reforma da Previdência pode estar se desmanchando. O mais certo é que, se o Congresso conseguir tocá-la, novas concessões terão de ser feitas. 
• Políticos admitem caixa 3 da Odebrecht em campanhas. Repasses foram feitos por empresas laranjas para esconder real financiador. 
• Juízes linha dura revisam Moro em 2ª instância. Maioria das penas de Curitiba foram elevadas ou mantidas em Porto Alegre. 
• Novas regras do fundo parlamentar de 2018 são alvos de críticas. Base aliada teria 60% de fundo eleitoral. 
• Caixa libera mais de R$ 37 bilhões de contas inativas. 
• Calote de Moçambique no BNDES expõe risco para o Brasil. Tesouro já gastou US$ 15 mi para ressarcir banco após decisão do país africano. 
 • De cada 10 cigarros vendidos no Brasil, 4,5 são ilegais. 
• Promotor quer levar Roger Abdelmassih de volta para a cadeia. 
• Após abscessos em carne, governo vai rastrear vacinas; Governo teme que barreira americana à carne seja adotada por outros países. Ministro tenta se encontrar na próxima semana com autoridades dos EUA para reversão de medida. 
Absurdo, diz mãe de Isabella Nardoni sobre semiaberto a madrasta. Depoimento de Ana Carolina Oliveira sobre provável concessão de benefício a Anna Carolina Jatobá, condenada a 26 anos de prisão pela morte de sua filha. 

• Israel responde ataque e atinge posições na Síria. 
• Serviço secreto da Venezuela detém opositores. Antichavistas alegam que governo prendeu ao menos 2 membros da MUD. 
 • Dúvidas sobre a sustentabilidade da União Europeia começam a dar lugar a prognósticos mais positivos. 
• Xinhua: Após tombar em rodovia, explosão de caminhão-tanque mata ao menos 148 no Paquistão. 
• Explosão em mina de carvão na Colômbia deixa ao menos oito mortos. Além dos mortos, uma pessoa ficou ferida e outras cinco estão desaparecidas até o momento; acidente aconteceu por conta de uma explosão de metano. 
• Deslizamento de terra deixa ao menos 120 desaparecidos na China. Tragédia foi na província de Sichuan, 4ª mais povoada do país; 60 casas estão soterradas. 

Cuba, uma revolução decrépita e rabugenta.
Em 1959, meus pais vieram morar em Porto Alegre. Aqui estavam as universidades e os melhores colégios públicos que para elas preparavam seus alunos. No topo da lista, o Colégio Estadual Júlio de Castilhos e seus excelentes professores. Por ali passaríamos os sete irmãos, cada um ao seu tempo. Era impossível, na efervescência intelecto-hormonal e no dinamismo da política estudantil dos anos 60, ficar imune aos debates e às disputas entre as distintas e sólidas convicções dos adolescentes às voltas com suas espinhas. Foi nesse ambiente que ouvi, pela primeira vez, afirmações que repercutiriam através de sucessivas gerações de brasileiros: nosso país, a exemplo de outros, era subdesenvolvido por causa do imperialismo norte-americano, do capitalismo, da ganância empresarial e da remessa de lucros para o estrangeiro. Desapropriação e nacionalização compunham palavras de ordem e o fogoso Leonel Brizola se encarregava de agitar a moçada com inflamados discursos a respeito.
Para proporcionar ainda mais calor àquela lareira ideológica, Fidel Castro, montado num tanque, passara por cima dos supostos males causados pela burguesia e - dizia-se - colocava Cuba no limiar do paraíso terrestre. Derrubara uma ditadura e implantava o comunismo na ilha. Cá em Porto Alegre, nos corredores do Julinho, os mais eufóricos desfilavam entoando Sabãozinho, sabãozinho, de burguês gordinho! Toda vil reação vai virar sabão!. A efervescência tinha, mesmo, incontidas causas hormonais.
Em meados de 2015, o New York Times publicou matéria repercutida pelo O Globo sobre as expropriações e nacionalizações promovidas pela revolução cubana em seus primeiros três anos. Menciona vários contenciosos que se prolongam desde então, envolvendo, entre outros, o governo espanhol, uma entidade representativa dos interesses dos cidadãos espanhóis, os Estados Unidos, bem como empresas e cidadãos norte-americanos e cubanos. Todos tiveram seus haveres confiscados, expropriados e, em muitos casos, surrupiados por agentes públicos. Ao todo, dois milhões de pessoas abandonaram a ilha, deixando para trás seus bens. Muitos, como a nonagenária Carmen Gómez Álvarez-Varcácel, que falou ao NYT por ocasião dessa reportagem, tiveram tomadas as joias de família que levavam no momento em que abandonavam o país. Segundo a justiça revolucionária, tudo era produto de lucro privado e merecia ser expropriado. Quem, sendo contra, escapasse ao paredón, já estava no lucro. Um estudo da Universidade de Creighton fala em perdas de US$ 6 bilhões por parte de cidadãos norte-americanos. As pretensões espanholas chegariam a US$ 20 bilhões.
No discurso da esquerda daqueles anos, e que se reproduz através das gerações, Cuba, tinha, então, o paraíso ao seu dispor. Sem necessidade de despender um centavo sequer, o Estado herdou todo o patrimônio produtivo, tecnológico e não produtivo de empresas privadas e de milhões de cidadãos. Libertou-se a ilha da dita exploração capitalista. O grande vilão ianque foi banido de seu território. Extinguira-se, de uma só vez e por completo, a remessa de lucros. A maldosa burguesia trocara os anéis pelos dedos. Tudo que o discurso exigia estava servido de modo expresso, simultâneo, no mesmo carrinho de chá.
Cuba, no entanto, mergulhou na miséria, no racionamento, na opressão da mais longa ditadura da América, na perseguição a homossexuais, na discriminação racial e na concessão a estrangeiros de direitos que, desde então, recusa ao seu povo. Por outro lado, enquanto, em nome da autonomia dos povos, brigava como Davi com bodoque soviético contra os Estados Unidos, treinava e subsidiava movimentos guerrilheiros centro e sul-americanos, e intervinha militarmente em países africanos a serviço da URSS.
O recente recuo político promovido por Trump nos entendimentos com a alta direção de Castro&Castro Cia. Ltda. leva em conta aspectos que foram desconsiderados por Obama e pelo Papa Francisco, tanto na política interna da ilha quanto nos contenciosos nascidos naqueles primeiros atos da revolução. Não posso ter certeza sobre quanto há de proteínas democráticas na corrente sanguínea de Trump animando essa decisão. Mas não tenho dúvida, porque recebo informações a respeito, que os milhões de cubanos na Flórida conhecem como ninguém a opressão política, a coletiva indigência, a generalizada escassez e a falta de alternativas que sombreia sucessivas gerações de seus parentes sob o jugo de uma revolução velha e velhaca, decrépita e rabugenta. E essa pressão política pesa muito por lá. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor) 

A pão e água.
Desde 2013 defendo que as campanhas eleitorais passem a pão e água. Meu argumento era tipicamente racionalista. Como, em eleições, o nível de gastos não afeta a qualidade do produto -uma campanha mais cara não gera políticos melhores-, não haveria mal nenhum em limitar severamente o teto de despesas em que cada candidato pode incorrer. Ao contrário, haveria vantagens em fazê-lo, já que isso permitiria proibir as doações empresariais com o objetivo de reduzir a promiscuidade entre políticos e financiadores de campanha. Foi o que o STF fez em 2015.
O bonito na ciência é que, por meio da empiria, ela consegue ir além de nossos argumentos racionalistas, que são, por definição, limitados. Foi com satisfação, portanto, que li na Folha de 19/6 reportagem que mostra que um grupo de pesquisadores foi a campo e descobriu que impor limites mais estritos às campanhas faz bem para a democracia. A menor oferta de dinheiro não só não produziu alguns dos efeitos deletérios que os críticos da proibição imaginavam como atraiu mais postulantes para os postos em disputa e reduziu a chance de candidatos que estavam no poder se reelegerem –ou seja, aumentou o nível de competição.
Mais interessante, os economistas Eric Avis, Claudio Ferraz, Frederico Finan e Carlos Varjão, do National Bureau of Economic Research, dos EUA, chegaram a essas conclusões tomando por base um experimento natural ocorrido no pleito brasileiro de 2016, que, devido a nossas excentricidades regulatórias, apresentou um grupo de cidades em que o teto de gastos ficou limitado a algo em torno dos R$ 100 mil e outro em que os candidatos tiveram limites mais folgados. A descontinuidade permitiu aos pesquisadores analisar o efeito do dinheiro extra em disputas entre cidades de resto semelhantes e num mesmo momento político. (Hélio Schwartsman) 
Peça o que deseja, mas esteja disposto a receber o que deus lhe dá. Poderá ser melhor do que aquilo que você pediu. (Normam V. Peale)

24 de jun de 2017

Futuro que copia passados...

 photo DukeRecepcao_zpsrjqosmjd.jpg • Meirelles: reformas continuam sendo discutidas e avançando no Congresso. Continuamos totalmente focados em prosseguir diz Meirelles. • Temer enfrentou protestos em reunião com governo da Noruega. 
• Aliados de Temer na Câmara avisam que reforma da Previdência só avança no próximo governo. 
• PF recupera mensagens deletadas que Rocha Loures enviou para Temer por celular. PF conclui que não houve edição em áudio de conversa entre Michel Temer e Joesley Batista. 
• Anvisa vê perigo. Presidente em exercício, Maia sanciona lei que libera inibidores de apetite. 
• Corregedoria do MP vai investigar palestras de Deltan Dallagnol. 
• Conselho de Ética do Senado arquiva pedido de cassação contra Aécio por falta de provas. Marco Aurélio, do STF, autoriza novo inquérito contra Aécio por lavagem de dinheiro. Um dos inquéritos instaurados no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o senador afastado Aécio Neves com base na delação da Odebrecht foi redistribuído nesta sexta-feira, 23, e ficará sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes após sorteio eletrônico. 
• Maia recebe envelope com fezes; Polícia Legislativa investiga remetente. 
• Governo estuda reter FGTS de demitidos sem justa causa. 
• Candidatos à PGR defendem Lava Jato, mas divergem sobre prioridades.
• Petrobras vai retomar obras na Refinaria Abreu e Lima. 
• Ministro Admar Gonzaga, do TSE, é acusado de agredir a esposa. 
• Romário propõe audiência pública com Anitta e funkeiros para debater proposta que criminaliza o funk.
• A aprovação de empréstimos milionários, mesmo com pareceres contrários ou falta de documentos e garantidas, pela Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina S.A. (Badesc) resultaram em prejuízos de R$ 340 milhões classificados como de risco acentuado por auditores do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE). Os problemas narrados na auditoria são semelhantes aos relatos, conforme revelou o site, de funcionários submetidos ao assédio moral no banco e sob investigação do Ministério Público do Trabalho. 
• O avanço dos direitos LGBT no Brasil tem na atuação de lideranças religiosas no Poder Legislativo um entrave poderoso. A relação entre Estado e religião no país sempre foi próxima, mas passa por transformações importantes nos últimos anos. A entrada de parlamentares ligados a grandes grupos religiosos, como da Assembleia de Deus, da Igreja Universal do Reino de Deus, por exemplo, no caso dos neopentecostais, e da Renovação Carismática, da Igreja Católica, se apresentou como uma bancada articulada em defesa de questões morais que vão de encontro aos direitos das minorias. 

O Antagonista: 
1. General Sérgio Etchegoyen quer nomear Rogério Galloro como novo diretor-geral da Polícia Federal no lugar de Leandro Daiello. Galloro é hoje o número dois da PF considerado por colegas um perfil político. Ele se tornou um dos pilares do governo Michel Temer, já controla a Abin e estaria por trás da indicação de Torquato Jardim para o Ministério da Justiça. 
2. Etchegoyen assume segurança pública. Lauro Jardim informa que o generalíssimo Sérgio Etchegoyen abriu evento para secretários de Segurança de todo o país em Porto Alegre, atropelando o ministro da Justiça Torquato Jardim. Diz o colunista: Causou estranheza Etchegoyen estar tomando as rédeas da área de segurança, inclusive com a manutenção de um general ligado a ele na Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça.
3. O jogo imundo contra Deltan Dallagnol vai piorar depois que Lula for condenado. 
4. Luiz Fux, em palestra em São Paulo, sobre o papel do STF no cenário político: Não existe um governo de juízes. Esse protagonismo do Supremo Tribunal Federal. 
5. Michel Temer está cada vez mais parecido com Dilma Rousseff - já dissemos isso ontem. Hoje, ele chamou o rei da Noruega de rei da Suécia. 

• Homem-bomba que planejava atacar Grande Mesquita de Meca se explode, diz ministério. 
• Rússia lança mísseis contra Estado Islâmico na Síria. Ataque destruiu centros de comando e depósito de armas do grupo terrorista na Síria. Vídeo que mostra o ataque foi divulgado pelos russos. 
• Ex-cartola viajará para NY. Ricardo Teixeira aceita colaborar com o FBI. Advogados americanos do ex-presidente da CBF informaram autoridades. 
• Incêndio que matou 79 em Londres foi provocado por geladeira com defeito. Após tragédia, Londres ordena evacuação de cinco edifícios.
• EUA apontam EUA apontam possíveis problemas sistemáticos na inspeção de carne pelo governo brasileiro. O bloqueio dos Estados Unidos à carne fresca pode impactar o mercado brasileiro. 
• Crise na Venezuela. Pai de manifestante morto diz que foi chefe de Maduro e pede justiça. Morte provoca bloqueios em ruas. 
• John Sonny Franzese, um importante líder da família Colombo, foi liberado de um hospital penitenciário em Massachusetts na sexta-feira (23) com a idade de 100 anos, encerrando sua sentença como o preso mais velho em uma prisão federal. 

PF e STF derrubam pilares da defesa de Temer.
A conclusão da Polícia Federal de que não houve edição no áudio da conversa do delator Joesley Batista com Michel Temer foi o segundo revés sofrido pelo presidente em menos de 24 horas. O primeiro revertério ocorrera na véspera, quando se formou no plenário do Supremo Tribunal Federal maioria a favor da preservação do acordo de delação dos executivos da JBS. O questionamento do áudio e dos termos da colaboração judicial são dois pilares da defesa de Temer, comandada pelo criminalista Antonio Mariz de Oliveira.
Contratado pelo escritório de Mariz, o perito Ricardo Molina dissera no mês passado que o áudio estava contaminado por inúmeras descontinuidades, com diversos pontos 'inaudíveis'. Apontara possível edição da conversa, o que seria suficiente para jogar a gravação no lixo. O laudo da PF, que servirá de matéria-prima para a Procuradoria-Geral da República incriminar Temer, concluiu o oposto: não há edição.
As descontinuidades verificadas na gravação são atribuídas pela Polícia Federal ao tipo de equipamento utilizado por Joesley para gravar o presidente da República. O microfone funciona automaticamente. A emissão de som o aciona. O silêncio o desativa. Daí as interrupções.
A situação da defesa já era complicada, pois o próprio Temer confirmara em entrevistas e manifestações públicas o teor de trechos relevantes do áudio. Suas palavras roçaram a autoincriminação. Resta agora aos advogados do presidente, além de questionar a perícia da PF, acionar o Plano B. Consiste em requerer a anulação da prova. Planeja-se alegar que:
1) Joesley teria protagonizado um ato ilegal -uma emboscada contra Temer, urdida e orientada pelos investigadores do Ministério Público Federal.
2) A prova seria ilegal porque gravações captadas à revelia do interlocutor só poderiam ser usadas em defesa própria, não para incriminar terceiros.
É improvável que a alegação de ilegalidade do áudio prospere. Costuma prevalecer no Supremo o entendimento segundo o qual uma pessoa que revela conversa da qual participou não comete crime. Está apenas utilizando algo que lhe pertence. Por esse raciocínio, a gravação feita por Joesley seria lícita.
Noutra frente, a defesa de Temer não desistiu de questionar no Supremo a validade do delação dos executivos do Grupo JBS. Embora já exista no plenário da Suprema Corte uma maioria favorável à preservação do acordo de colaboração judicial, os advogados sustentam que a imunidade penal concedida pela Procuradoria aos delatores corresponderia, na prática, à impunidade de criminosos confessos.
De novo, embora o acordo seja muito criticado, a tese dificilmente emplacará. Está entendido que a lei permite à Procuradoria conceder a imunidade penal desde que o delator não seja chefe de quadrilha. Considera-se que a simples presença dos três últimos presidentes da República no escândalo da JBS faz de Joesley Batista e dos outros colaboradores personagens coadjuvantes do enredo criminoso. Além de Temer, foram delatados como beneficiários de verbas sujas Lula e Dilma Rousseff.
Não é à toa que Temer se equipa para derrubar no plenário da Câmara as denúncias que o procurador-geral da República Rodrigo Janot fará contra ele. Até aqui, foi infrutífero o esforço da equipe de advogados de Temer para afastar evidências por meio de tecnicalidades. Se os deputados autorizassem a abertura de ação penal contra o presidente, seus defensores provavelmente teriam de enfrentar o mérito das acusações. (Josias de Souza) 

Mino Carta: O golpe levou ao poder quadrilhas que agora se digladiam entre si.
O fundador da Carta Capital criticou ainda a falta de políticas para a democratização da mídia durante os governos petistas.
No mês passado, o fundador da revista CartaCapital, Mino Carta, escreveu seu último editorial para a publicação. O diretor de redação da revista semanal, criada em 1994, afirma que o periódico passa por uma grave crise econômica. Estamos vivendo dias muito difíceis, estamos à beira do desastre final, declarou em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato. 
Para contornar o desafio, porém, a revista apostou no modelo de crowdfunding, o financiamento coletivo. Em janeiro deste ano, a CartaCapital criou uma campanha para que os leitores se tornem sócio-assinantes da publicação. Os parceiros da revista têm possibilidade de publicar artigos, acesso exclusivo às áreas de comentários e participação em reuniões de pauta.
O modelo, segundo ele, tem tido bons resultados no exterior nos últimos anos: a revista brasileira se inspirou no diário britânico The Independent e na revista estadunidense Newsweek. Aqui estamos em um bom começo, um começo animador porque os primeiros resultados são muito bons. Mas o caminho é longo e não se resolve da noite pelo dia, disse o jornalista. 
Além das dificuldades que o fazer jornalístico já enfrenta de maneira geral - crise de credibilidade, de financiamento e disputa com as redes sociais na Internet - a concentração da verba governamental da publicidade é mais uma barreira à existência de veículos da imprensa alternativa. Durante o governo golpista de Michel Temer (PMDB), o gasto federal com publicidade cresceu 65% no primeiro semestre de 2016 em comparação com o mesmo período de 2015. E a maior parte do recurso foi destinada aos veículos da já tradicional grande imprensa do país.
Para ele, o aumento da verba é o pagamento ao apoio que estes veículos deram e continuando dando ao golpe. Quem tentou resistir, de alguma maneira, evidentemente é ignorado, esquecido, escanteado, afirmou o diretor de redação da CartaCapital. Para mino, o processo de impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) levou ao poder quadrilhas que agora se digladiam entre si.
Ainda assim, ele criticou a falta de políticas públicas para democratização comunicação nos 13 anos dos governos petistas com Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma (2003-2016). Na conversa concedida por telefone, o fundador da CartaCapital afirmou que o partido não soube executar certas tarefas que lhe cabiam na qualidade de partido de esquerda. O PT no poder portou-se como todos os demais partidos e favoreceu brutalmente a Globo, que é o seu principal inimigo, avaliou.
Veja abaixo os principais trechos da entrevista.
Brasil de Fato: Em seu último editorial na CartaCapital, você afirma que estamos asfixiados financeiramente por um governo ilegítimo e pelo abandono de setores do empresariado que tinham compromisso com a diversidade e a pluralidade. Quais foram as implicações do processo de golpe para a comunicação alternativa?
Mino Carta: O golpe levou ao poder algumas quadrilhas que agora estão se digladiando entre si. É uma guerra de máfias e um dos resultados é que eles racionam com seu palanque a publicidade. Eu não considero a CartaCapital uma mídia alternativa, porque diria que é uma revista muito bem feita, bem impressa e em condições de competir com a chamada grande mídia brasileira - que é hedionda. Os alternativos devem estar pior do que nós, suponho, porque seus meios são pequenos e, ao mesmo tempo, tem o uso do papel, isso na mídia impressa… Então eles devem estar em grandes dificuldades, imagino. 
O governo de Michel Temer aumentou a publicidade em grandes jornais…
Aumentou de uma forma brutal. De um modo geral, toda a chamada grande mídia foi beneficiada extraordinariamente por esse governo totalmente ilegítimo, enquanto o resto é perseguido, tanto os alternativos quanto a revista CartaCapital.
São perseguidos de que maneira?
Perseguidos no sentido de que não existem simplesmente. Eu te confesso uma certa irritação, também em relação ao PT [Partido dos Trabalhadores] porque o partido esteve no poder por 13 anos e foi incapaz de democratizar a mídia brasileira. Até mesmo aplicando a Constituição e todas as leis que se manifestam com extrema clareza contra o monopólio.
Essa nossa mídia está na mão de poucas famílias, todas elas são porta-vozes da Casa Grande pelo simples fato de que todas elas fazem parte do inquilinato da Casa Grande, a começar pelos senhores Marinho [proprietários da Rede Globo de Televisão]. É essa a situação do momento e o golpe simplesmente aprofundou isso.
O PT no poder não soube executar certas tarefas que lhe cabiam na qualidade de partido de esquerda. Se tivéssemos tido uma esquerda verdadeira e um grande partido de esquerda, o povo brasileiro não estaria no estado de aturdimento que ele está fadado a permanecer por muito tempo. O PT no poder portou-se como todos os demais partidos e favoreceu brutalmente a Globo, que é o seu principal inimigo.
E como este aumento de publicidade reverberou, na prática, na cobertura e na atuação da imprensa neste último ano?
É um jogo entre amigos e entre bons companheiros. Eles estão recebendo em troca ao apoio que deram ao golpe e que continuam dando a um governo totalmente ilegítimo, então recebem o prêmio. Quem tentou resistir, de alguma maneira, evidentemente é ignorado, esquecido, escanteado. Nós estamos vivendo dias muito difíceis, estamos à beira do desastre final. Não temos publicidade, como disse naquele meu último editorial, e não temos ajuda de quem poderia nos ajudar.
O Página12, na Argentina, é amparado pelos sindicatos, que cuidam de manter vivo o veículo, que tem um desempenho igual da CartaCapital. Eles sustentam o jornal e aqui, não.
A revista CartaCapital foi acusada de ser beneficiária do esquema Lava Jato, de ter recebido R$ 3 milhões… Você acredita que este episódio, de alguma forma, contribuiu para esta situação ou impactou de alguma forma o veículo?
E calaram sobre este episódio porque é ridículo. Realmente, tivemos publicidade da Odebrecht. Isso significa o quê? Que a Odebrecht nos comprou? Quanto a empresa deu para a Globo e para os demais jornais? Garanto que muito mais do que deu para a revista CartaCapital. A preocupação com a CartaCapital é porque, realmente, ela faz oposição.
É como dizer que Lula tem um tríplex em Guarujá ou sítio em Atibaia. São coisas ridículas, mas e se tivesse? Qual seria o pecado? O sr. [Sérgio] Moro conduz uma operação absolutamente irregular. Um dos grandes juízes italianos que trabalharam na [operação] Mãos Limpas, à qual Moro se diz inspirar, veio ao Brasil no ano passado… Um juiz importantíssimo. Encontrei com ele, inclusive. Era um dos líderes da força-tarefa da Mãos Limpas. Quando voltou para a Itália, ele disse textualmente: Se nós tivéssemos feito o que o Moro faz no Brasil, nós é que acabaríamos em cana. É isso, porque quem manda é a prepotência absoluta e tudo bem. 
Isso deveria indignar o povo, mas o povo não tem capacidade de se indignar, é resignado. Tirando certos movimentos, como o movimento dos sem-terra e dos sem-teto [MST e MTST]. Ali tem lideranças que passam aos seus filiados e seguidores o verbo correto, a ideia certa. O PT foi um desastre, não soube fazer isso. Essa que é a verdade.
A CartaCapital está apostando agora em sócios-assinantes. Financeiramente, como você enxerga o caminho para a mídia alternativa?
É um caminho comprido, eu acho. Não é algo que se resolve de um dia para outro. É um caminho correto e que está dando muito certo fora do Brasil, em vários lugares. É inegável isso. E aqui estamos em um bom começo, um começo animador porque os primeiros resultados são muito bons. Mas o caminho é longo e não se resolve da noite pelo dia; pelo contrário. Mas os balanços poderão ser feitos dentro de seis meses a um ano. Neste modelo que na linguagem em inglês é o chamado de crowdfunding. É o modelo que está dando muito certo em outros lugares e nós achamos que acabará dando certo também aqui. Se tivermos tempo.
Você falou um pouco de medidas estruturais no campo da comunicação que estiveram aquém nos governos Lula e Dilma. Quais você acredita que são imediatas no caso, por exemplo, de um novo governo progressista?
Em primeiríssimo lugar, é preciso aplicar a Constituição. É simples. Depois, devemos estudar à luz de outras medidas que podem ser suplementares e, eventualmente, serão muito importantes. Mas o começo da história se dá pela Constituição, pela carta que foi rasgada pelos golpistas. Esse é o começo da história. Apliquem a Constituição.
E também não chamem para dirigir as comunicações pessoas da Globo. Colocaram a senhora [Helena] Chagas para dirigir a Secom [Secretaria Especial de Comunicação Social], como fez a Dilma. Isso é um acinte. Ou ela está mal informada ou ela caiu, realmente, no logro monumental. Como é possível terem chamado esta senhora? Ou o Paulo Bernardo, para cuidar da comunicação? É chamar a raposa para cuidar do galinheiro. É uma piada. Mostra, inclusive, a incompetência dos nossos governantes em um tempo em que eles tinham a faca e o queijo na mão, mas não souberam nem usar a faca, nem comer o queijo.
E como está seu otimismo em relação a possibilidade de eleições diretas ou o pleito de 2018?
Ah, isso é evidente. A única solução, neste momento, seria chamar eleições. Diretas eu não diria porque quando houve aquela campanha para as diretas já, que foi derrotada pelo [José] Sarney que depois se tornou presidente da República. Esses são os engodos do destino brasileiro. Mas, hoje, deveríamos falar em eleições antecipadas realizadas em outubro próximo. É a única saída inteligente e pacífica para esse angu de caroço que está aí.
Os resultados serão, de qualquer maneira, animadores se houver estas eleições porque certamente o golpe será desfeito. É inegável. Se vão chegar ao poder homens competentes ou não, há de se verificar. Mas o golpe será desfeito. Esse governo que está aí é ilegal porque lhe falta apoio do voto popular. É totalmente ilegítimo. Se houvesse eleições antecipadas, o golpe seria desfeito e voltaríamos a uma situação de legalidade. (Rute Pina, Brasil da Fato_Edição: Luiz Felipe Albuquerque) 
O rio atinge os objetivos porque aprendeu a contornar os obstáculos. (André Luiz)

23 de jun de 2017

Esperando melhoras...

 photo ficando a par_zpsamnwnqnl.gif • Michel Temer cumpre nesta sexta-feira seu último dia de agenda internacional. Ele deve se encontrar com o rei da Noruega antes de viajar de volta ao Brasil. O presidente desembarcará em Brasília em meio à expectativa de que a Procuradoria-Geral apresente denúncia contra ele - o prazo de cinco dias deve terminar na próxima terça-feira. 
• BC sinaliza que pode manter ritmo de queda dos juros. Banco mantém previsão para alta do PIB, mas é pessimista sobre consumo.
• Temer: Brasil está deixando crise para trás. O presidente Michel Temer chegou nessa quinta-feira em Oslo, na Noruega, como parte de uma viagem à Europa com o objetivo de atrair investimentos. Temer afirmou que o Brasil está deixando para trás uma severa crise de sua historia
• Prometido por Paes, legado nos transportes ficou pelo caminho. 
• PMs do caso Amarildo são condenados por corromper testemunhas. 
• Decisão do STF sobre delação da JBS abre caminho para denúncia contra Temer. 
• Câmara aprova fim de multa a quem não portar CNH e licenciamento. 
• Governo aceita 60 anos para mulher na Previdência. Planalto avalia novas concessões para viabilizar a aprovação da reforma. 
• Luiz Fernando Pezão admitiu que pode não terminar seu mandato. Nem eu sei se fico no cargo até 2018, disse o governador do Rio em reunião com servidores sobre atraso em salários. Mais cedo, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio disse ver chance de impeachment do governador. Terei de analisar eventuais pedidos, disse Jorge Picciani. Alvo de investigações por suspeita de corrupção, Pezão pode ter rejeitadas suas contas de 2016, como recomenda o Tribunal de Contas do Estado. 
• O criminalista Antonio Mariz, responsável pela defesa do peemedebista, disse que está aguardando a denúncia para saber quais crimes foram cometidos pelo presidente. O advogado também afirmou que, se Câmara autorizar processo contra o presidente, fará uma defesa preliminar. Mariz questionou a validade da delação de executivos da J&F - apoiada pela maioria do Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira. Nessa delação, o benefício dado foi a impunidade, criticou. O MP quer colocar lenha na fogueira de todos os acusados. Temer está sendo investigado por três crimes - obstrução de Justiça, corrupção passiva e organização criminosa. 
• A despeito das críticas de Mariz, uma denúncia de Rodrigo Janot contra Temer poderia ampliar o desgaste do governo, que sofreu dois reveses com a base nesta semana (a rejeição da reforma trabalhista em comissão do Senado e o alongamento da tramitação da proposta). Vem do Senado mais um sinal de alerta para o presidente: pelo menos 10 senadores se declararam independentes e querem uma pauta própria no Congresso. 
• Presidente da Eletrobrás diz que grupo tem 40% de chefes vagabundos. Em conversa gravada por sindicalistas, executivo, que tem planos de cortar pela metade o quadro da estatal, afirma que há um grupo de funcionários inúteis e safados; posteriormente, em vídeo, pediu desculpas pela veemência das declarações. 
• Fachin dá 5 dias à PGR para denúncia contra Temer. Processo investiga corrupção, obstrução de Justiça e formação de organização criminosa. 
• STF abre novo inquérito contra Aécio, por lavagem de dinheiro. 
• STF forma maioria para manter Fachin como relator da delação da JBS. Por 7 votos a 0, o entendimento que prevaleceu é que acordo não poderá ser anulado; julgamento será retomado na próxima quarta-feira, para os quatro ministros restantes votarem. 
• Novo PGR apoia investigar presidente. Os 8 candidatos dizem ao Estado defender inquérito quando houver indícios de crimes praticados durante o mandato. 
• Em meio ao cenário de crise política, surge um primeiro movimento claro de reaglutinação de forças, à esquerda. A articulação projeta um novo personagem no cenário atual vazio: Guilherme Boulos, do MTST. 
• Após tentar diversificar negócios, Twitter volta às origens para crescer. Depois de comprar startups que vão de marketing digital a inteligência artificial, empresa decidiu focar no produto e agradar o público que já usa a plataforma; companhia, que agora se define como empresa de mídia, viu total de usuários crescer 6% no primeiro trimestre.

• O Antagonista: 
1. Provas documentais e testemunhais condenam Lula. A Folha de S. Paulo, inspirada pelo advogado de Lula, está hipotecando a verdade. Os procuradores da Lava Jato reuniram centenas de provas indiciárias sobre os crimes cometidos no triplex. Eles reuniram também centenas de provas diretas – documentais e testemunhais. A reportagem diz: Pela doutrina, o indício é definido como um fato acessório que tem conexão com o crime. Se alguém, por exemplo, viu um suposto assassino sair correndo do local da morte com uma arma na mão, seu testemunho é um indício. No caso do triplex, ocorreu o contrário: foram os próprios criminosos que confessaram seus crimes. Os réus da OAS, de fato, admitiram o pagamento de propinas na Petrobras e o repasse do apartamento para Lula. Mais do que isso: eles anexaram ao processo as provas materiais desses delitos, demonstrando - por meio de contratos, fotografias, mensagens de e-mail e planilhas - que Lula participou de cada etapa do crime. As provas indiciárias são usadas em todos os lugares do mundo para combater a lavagem de dinheiro. Não se trata de uma bizarrice da Lava Jato. No processo do triplex, porém, há muito mais do que isso. Os advogados de Lula sabem que seu cliente não tem defesa. Tanto que inventaram provas - indiciárias - no último dia do processo. Só a Folha de S. Paulo tem alguma dúvida. 
2. A defesa plantada. Lula ainda pode contar com a Folha de S. Paulo. Uma reportagem publicada nesta sexta-feira diz que a Lava Jato só tem provas indiciárias sobre o triplex do Guarujá. E pergunta: Às vésperas da primeira sentença do ex-presidente Lula na Lava Jato, acusação e defesas vêm travando um debate: indícios são suficientes para condenar? 
3. Lula, entrevistado pela Rede Brasil Atual, disse: Eu já provei a minha inocência. Quero que provem a minha culpa. Eles mexeram com a pessoa errada. Não vou permitir que os meninos da Lava Jato tentem criar uma imagem negativa de uma pessoa que construiu a duras penas, trabalhando durante 50 anos. 
4. A propina que quebrou o Brasil. Os depoimentos de Joesley Batista foram publicados em 19 de maio. No dia seguinte, O Antagonista revelou, a partir de seus relatos, que a JBS repassou 5 milhões de dólares em propinas para a empresa do filho de Guido Mantega. O Globo, nesta sexta-feira, disse que Joesley Batista, interrogado pela Bullish, confirmou esse fato: Joesley também disse que fez um empréstimo de US$ 5 milhões para um filho do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. A empresa do filho do ministro quebrou e o empréstimo não teria sido pago. O empresário disse ainda que, quando Mantega assumiu o BNDES, em 2005, passou a fazer pagamentos mensais a outro empresário, Victor Sandri, amigo do ex-ministro. A imprensa pode acusar Joesley Batista de ter protegido Lula. Mas é fundamental também investigar as provas que a JBS entregou à PGR, seguindo o rastro dos pagamentos de propina para o PT. É o que este site está fazendo. 
5. Exclusivo: A outra pedalada de Mantega. Joesley Batista disse que Guido Mantega, o ministro das pedaladas, mandou-o repassar 5 milhões de dólares em propinas para a empresa Pedala Equipamentos Esportivos, de venda online. Na verdade, deve se tratar da pedala.com.br, registrada em nome de Dannyel Filgueiras, sócio de Leonardo Vilardo Mantega na Epicom. Leonardo Vilardo Mantega é filho de Guido Mantega. A PGR tem de descobrir se Lula autorizou o saque em sua conta corrente da propina ou se Guido Mantega simplesmente roubou os 5 milhões de dólares do comandante máximo da ORCRIM. 
6. O rastro da propina do PT. Joesley Batista, na quarta-feira, confirmou à Bullish que a JBS depositou nos Estados Unidos 150 milhões de dólares em propinas em nome de Lula e Dilma Rousseff. Ele confirmou também que o dinheiro foi inteiramente pago no Brasil, durante a campanha de Dilma Rousseff. Agora é preciso detalhar esses pagamentos. A JBS transferiu apenas dinheiro em espécie (150 milhões de dólares?) ou pagou fornecedores e empresas de fachada indicadas pelo PT? Alguns trechos do depoimento de Joesley Batista, reproduzidos pelo Jornal Nacional: a conta aberta no exterior, mencionada em sua delação, teve depósitos, e periodicamente, os extratos eram apresentados a Guido Mantega, apenas para controle; que quando os valores precisaram ser utilizados, na campanha de 2014, as transferências foram realizadas todas no Brasil
7. Guido Mantega ainda está solto. A TV Globo teve acesso ao depoimento que Joesley Batista prestou à PF, dois dias atrás, na Bullish, que investiga o pagamento de propinas no BNDES. Ele disse que o esquema iniciou em 2005, quando Guido Mantega era presidente do banco. Ele disse também que sem a pressão e o acompanhamento de Guido Mantega, a JBS não teria conseguido o empréstimo necessário para a compra da Swift. 
8. PF no rastro das joias de Lourdinha. A Calicute está nas ruas. Os agentes da PF tentam encontrar as joias desaparecidas de Adriana Ancelmo. Diz o G1: Desde o início da manhã, os agentes estão nas ruas para cumprir mandados de busca e apreensão em endereços que seriam de ex-funcionário de Sérgio Cabral e Adriana, e da irmã da ex-primeira dama.
• EUA suspendem compra de carne in natura do Brasil, Departamento de Agricultura americano citou preocupações sanitárias com a carne fresca vinda do país e cobrou medidas corretivas do governo brasileiro; O secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, anunciou a suspensão de todas importações de carne fresca do Brasil, devido a recorrentes preocupações sobre a segurança dos produtos destinados ao mercado americano, informa O Globo. A suspensão dos embarques valerá até que o Ministério da Agricultura brasileiro tome medidas corretivas que o USDA considere satisfatórias. 
• No dia da visita de Temer, Noruega corta R$ 167 mi de verba para a Amazônia. País escandinavo vai reduzir doação após alta no desmatamento. 
• Plano antiterrorismo de Macron limita direito de culto e amplia poder policiar. Sob críticas de defensores de liberdades individuais, governo propõe expansão definitiva dos poderes das autoridades para combater radicalismo; entre as medidas está a possibilidade de fechar templos que promovam o extremismo. 
• Brasil se deteriora rapidamente. O Valor informa que a Fundação Konrad Adenauer, ligada à União Democrata-Cristã, divulgou relatório em que alerta sobre a deterioração das instituições brasileiras. O documento diz que não há solução à vista para a profunda crise política, que Michel Temer sobrevive com manobras questionáveis e que o país perde importância no cenário internacional. A fundação chama de farsa o julgamento do TSE que absolveu a chapa Dilma-Temer, o que mostra que a Justiça vem sendo mais e mais politizada. O Executivo e o Congresso estão menos voltados ao ato de governar do que à contenção dos danos, enquanto a Justiça se politiza, causando prejuízos duradouros à democracia brasileira. Por enquanto, não há saída à vista.
• UE abre porta para reversão do brexit. Medida careceria de aval de países membros e de Londres. 
• Projeto do Trumpcare no Senado já enfrenta oposição. Quatro republicanos fazem objeções ao texto, o que pode impedir aprovação. 

Novos partidos.
A esquerda articula um partido contra o PT, mas o fundamental é a reforma política./ Enquanto políticos, analistas e meros mortais não temos ideia para onde - e para quem - a monumental crise está nos levando, surge o primeiro movimento claro de reaglutinação de forças, e é à esquerda. As articulações projetam, inclusive, um novo personagem nesse atual cenário vazio, desolador: Guilherme Boulos.
Lula é réu cinco vezes e está às vésperas da primeira sentença do juiz Sérgio Moro, por causa do triplex. O PT vem de duras derrotas e seus principais líderes caíram, um a um, como castelo de cartas. Dilma Rousseff, abraçada à ruralista Kátia Abreu, abafou o MST. Quem entrou no vácuo foi o MTST. A esquerda rural anda em baixa, a esquerda urbana está em alta.
Alguém tem ouvido falar de João Pedro Stédile? Ele mobilizou a militância do MST e, por motivos diferentes, conquistou vitórias e amplos espaços na mídia nos anos FHC e Lula, mas a reforma agrária andou para trás com Dilma e, sabe-se lá por quantos outros motivos, ele foi sumindo, sumindo...
Enquanto isso, Boulos foi ganhando musculatura. É interlocutor assíduo de Lula, tem tropa leal e enche as ruas para endeusar ou infernizar quem e quando quer. Como Stedile, é inteligente e tem liderança. A diferença é que Stedile parece paralisado num passado que desmoronou e Boulos acena com o futuro. Não necessariamente como candidato, mas certamente como ator político.
Segundo a repórter Cátia Seabra, Boulos participou de reunião, nesta semana, com representantes da esquerda do PT, do PSOL e de movimentos alinhados, para discutir a criação de um partido, capaz de virar a página do PT, que virou caso de polícia, recuperar o ideário e a credibilidade da esquerda.
Participaram Tarso Genro, ex-ministro da Justiça de Lula, ex-governador do Rio Grande do Sul e um dos ideólogos do PT, e o senador Lindbergh Farias, ex-presidente da UNE nos bons tempos e agora preterido para a presidência do PT pela senadora Gleisi Hoffmann, apoiada por Lula.
E quem não participou? Lula, com um detalhe dado pela repórter: a reunião foi na segunda e Lindbergh se encontrou com Lula na terça, mas não falou nada sobre ela. Consta que Lulinha Paz e Amor ficou uma fera.
Com a Lava Jato fazendo a maior faxina política da história, com a casa e os partidos de pernas para o ar e os políticos feito baratas tontas, o momento é ideal para identificar sobreviventes e novas lideranças e reaglutinar as forças de esquerda, centro esquerda, centro, centro direita e direita. 
Surgirá daí o equilíbrio político do País, com um aceno importante, e equilibrado, do procurador-geral da República, Rodrigo Janot: pau puro para quem roubou, corrompeu e foi corrompido na lista Janot-Fachin, mas punição calibrada para os que aderiram à cultura das campanhas e doações, mas não enriqueceram com ela.
Com isso, dá para passar a peneira e abrir novas perspectivas para o País, lembrando sempre que a democracia é intocável e que todos os políticos têm direito de atuar, mas dentro das suas regras. Assim como a esquerda se rearticula, as demais forças também. Entretanto, a extrema direita defender a volta da ditadura militar não é articulação, é ameaça.
Reaglutinação implica novas lideranças, debates sobre o País e reunião de pessoas que veem o mundo, o Brasil, a política, a economia, o papel do Estado e a força do setor privado sob a mesma ótica. É fundamental nesse processo excluir os condenados pela Justiça e os que criaram falsos partidos só para levar vantagem. Logo, reaglutinação partidária sem reforma política é chover no molhado.
Trio improvável. Gilmar, Lewandowski e Marco Aurélio votam juntos. Quem diria? (Eliane Cantanhêde) 

A guerra fria da corrupção.
É devastadora para a comunidade nacional e internacional. Têm ramificação nos mais diversos países. Há alguns anos, se localizava prioritariamente em países da África. Subitamente apareceu a Odebrecht, contaminando e apodrecendo o mundo, fazendo a África desaparecer do mapa do enriquecimento ilícito.
Surgiram os jornalistas investigativos, que conseguiram uma façanha: obrigaram a Suíça a abandonar as famosas contas numeradas, não receber mais clientes, que notoriamente depositam fortunas roubadas do dinheiro público.
Aí surgiram os Batistas da JBS, que rapidamente se tornaram os mais ricos empresários do país. Apadrinhados e protegidos por presidentes da República. Miraram no BNDES, com dinheiro à vontade, jorrando ininterruptamente, com juros muito abaixo do mercado. E dívidas que não era para serem pagas.
O primeiro benfeitor do grupo JBS, foi o presidente Lula. Deu caminho livre para que o dinheiro do cidadão (BNDES), fosse imediatamente para a JBS. De açougueiros que se tornaram notórios pela propaganda espetacular do FRIBOI, se transformaram em grandes empresários. Jogaram no lixo o avental branco, passaram a usar ternos caros. Denunciados, os Batista reclamaram de Lula, que sem demora demitiu a direção do banco, colocou como presidente o dócil Luciano Coutinho.
Temer imita Lula.
Como presidente do PMDB, depois vice que se dizia decorativo, acompanhou toda a trajetória do grupo JBS X BNDES, manteve o relacionamento blandicioso, pecaminoso, vergonhoso, que sofreu o primeiro choque, quando se transformou em presidente indireto.
Precisava de uma mulher para um cargo importante, encontrou uma, colocou no BNDES, sem examinar seu currículo. O BNDES degradado foi submetido a um processo de lavagem, acabou a roubalheira.
Atingido e apavorado, Joesley telefonou para Temer pelo celular particular que recebera no primeiro encontro. Protestou, contou que estava sendo prejudicado, ameaçou tomar providencias, Temer pediu tempo.
Foi rápido, chamou ao Planalto o presidente do BNDES, exigiu sua demissão. Surpreendida, hesitou: Temer interpretou como resistência, colocou à sua frente o já preparado pedido de demissão por motivos pessoais, ela assinou e foi embora decepcionada e com um elogio falso.
Demissão em vez de Impeachment.
Câmara e senado, estão dominados pelos subterfúgios. Os que controlam as duas casas, acusados e apavorados, tentam projetos estranhos e até disparatados. Ontem, a CCJ do Senado (Comissão de Constituição e Justiça) aprovou o que a indústria automobilística chama de recall. Ou seja, a troca de peças que não funcionam.
Do ponto de vista político, o que aprovaram: a substituição do presidente da República. Só que em vez do impeachment, que foi apresentado em diversos momentos, e só aprovado em dois, seria o que chamam de revogação. Mas não sabem quando começaria a ser utilizado. Parece apenas uma ameaça contra Temer ou a favor de Temer. Depende das circunstâncias.
Ou a prova de que esse legislativo é uma vergonha.
Picciani x Pezão.
Estamos vivendo em plena Era da imoralidade, indignidade, falta de credibilidade. O presidente da ALERJ, é o apogeu dessas três palavras. Pois ontem à tarde, na televisão. Fez a seguinte declaração: O Estado do Rio só tem salvação, com intervenção ou impeachment do Pezão.
Não quero defender o governador, mas o último a poder acusá-lo é o presidente da Alerj. Pelo passado e o presente. E principalmente depois das reportagens revelações do jornalista Chico Otavio. Especialista em jornalismo investigativo.
Maia, a fala do trono.
Assim que a CCJ do senado, aprovou uma suposta substituição circunstancial do presidente da República, resolveu se manifestar. Deve ter imaginado, também sou presidente não posso ficar calado, e tenho que me expressar logo, Temer poderá estar chegando.
Imediatamente, decretou: Isso trará intranquilidade, não passa na Câmara. E foi descansar, a presidência da República é cansativa.
A manutenção de Fachin.
Ontem, quando a sessão foi suspensa, escrevi: Fachim será mantido como relator, e validada a delação da JBD. Isso alcançou a maioria, a maioria, eram 16,20. Apesar disso, O ministro Toffoli continuou falando inutilmente por mais 1 hora.
Toffoli e Gilmar Mendes, são os cosmopolistas do exibicionismo. O ministro sem toga, tentou acusar ministros de contradição, levou resposta dura e veemente de Roberto Cardoso, saiu. Mas infeliz volto Toffoli continuava ostentando o que não interessava.
Supremo: mais prorrogação.
A sessão de hoje, vinha de ontem, garantiam o final para esta quinta. Com 7 a 0.faltando apenas o voto de 4 ministros, decidiram: levantaram os trabalhos, que continuarão na quarta próxima. 17,45, muito tarde. Os ministros moram longe, têm dificuldades conhecidas de transporte.
PS1 - Os ministros fazem todos os sacrifícios, incompreendidos.
PS2 - A Suprema Corte dos EUA, julga no máximo 100 processos por ano. Comparem com os números da Corte brasileira. (Helio Fernandes) 
Senhor Deus dos desgraçados! / Dizei-me vós, Senhor Deus! / Se é loucura… se é verdade/ Tanto horror perante os céus?! (Castro Alves)

22 de jun de 2017

Povo sem direitos e a política a desabar. Justiça...

 photo anistia_zpsrkrxxjfg.jpg • Déficit de R$ 129 bi será mantido na meta fiscal de 2018, diz relator. Governo projetou no orçamento do ano que vem avanços de 0,5% do PIB em 2017, e 2,5% em 2018; Fiasco tributário: Arrecadação recupera-se em ritmo lento; leitura alarmante cogita que distribuição da carga estaria obsoleta. 
Isso não é uma questão política, é uma questão jurídica. E eu não faço juízo jurídico. Presidente Michel Temer, sobre conclusão parcial do inquérito da PF enviada ao STF envolvendo o peemedebista; 
• O presidente Michel Temer se reuniu por mais de duas horas com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, no Kremlin, em Moscou. Na oportunidade, o brasileiro afirmou que os juros no Brasil, definidos pelo Banco Central, vão em brevíssimo tempo cair à casa de um dígito. Atualmente, a Selic está em 10,25% ao ano. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que define a taxa, começa em 25 de julho.
• Com a crise, número de brasileiros que deixam o País quase dobra. Segundo a Receita, declarações de saída definitiva saltaram 81% nos últimos três anos. 
• Governo tem novo revés na votação da reforma trabalhista no Senado. Tramitação de texto com mudanças na CLT sofre atraso e só deve ser votada na véspera do recesso. 
• Impasse sobre teto de gastos emperra recuperação fiscal do Rio. Estado precisa de lei sobre despesas para obter socorro; Pezão alega que já cumpriu o necessário. 
• FHC vê sistema político podre e defende mais privatizações contra corrupção. 
• A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC) que cria a possibilidade de revogação, por parte dos próprios eleitores, do mandato de presidente da República. A proposta ficou conhecida como recall. O projeto segue agora para o plenário do Senado, onde terá de ser analisado em dois turnos. 
• Eletrobras: trabalhadores paralisarão suas atividades hoje (22/6). Os funcionários protestam contra a falta de diálogo e negociação por parte da empresa. 
• O Supremo Tribunal Federal retomará hoje o julgamento sobre os limites da atuação do juiz na homologação dos acordos de colaboração premiada. Até agora, já votaram os ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes em defesa da competência do relator para homologar o acordo de colaboração premiada. Eles também convergiram no entendimento de que a delação da JBS deveria ter sido distribuída a Fachin. Mello, Fux e Marco Aurélio devem votar por manter acordo da JBS. 
• Ministros indicaram que seguirão votos de Fachin e Moraes pela manutenção dos termos da delação. Não podemos desconfiar do Ministério Público, disse decano.
• Planalto atua para impedir que JBS vaze do País. Governo decide agir para que JBS não deixe o Brasil no prejuízo. 
• A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com uma manifestação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para solicitar o imediato bloqueio de bens da JBS e de seus responsáveis. A medida tem como objetivo garantir um futuro ressarcimento de prejuízos estimados em cerca de R$ 850 milhões causados aos cofres do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), alvo de apuração do próprio tribunal. JBS anuncia programa de venda de ativos para levantar R$ 6 bilhões. Com o objetivo de diminuir o endividamento do grupo, plano inclui a venda de participação acionária na Vigor, de laticínios, de fatia da unidade de frango e processador na Irlanda, a Moy Park, e também fazendas nos EUA e no Canadá. 
• Decisão judicial bloqueia venda de ativos de R$ 1 bilhão da JBS para o frigorífico Minerva. AGU também pediu o bloqueio de bens da empresa para ressarcir eventuais perdas causadas ao BNDES; Bloqueio de venda de ativos da JBS preocupa mercado. Endividada e com restrição de crédito, empresa busca vender R$ 6 bi em ativos. 
• PF denuncia Cunha e Alves por corrupção e lavagem de dinheiro. Ex-presidentes da Câmara dos Deputados são acusados de receber pelo menos R$ 11,5 milhões em propinas de empreiteiras; ambos estão presos. 
• O relatório parcial enviado pela Polícia Federal ao Supremo afirma que, pelos elementos reunidos no inquérito que tem como alvo o presidente Michel Temer, são incólumes as evidências da prática de corrupção passiva por parte do peemedebista e de seu ex-assessor especial Rodrigo da Rocha Loures. A PF afirma que houve pagamento de vantagem indevida de maneira remota. 
• Janot aceita suspensão da venda da Cedae e caso vai ao STF. Pedido feito por PSOL e Rede Sustentabilidade à Procuradoria-Geral da República quer suspender a venda da estatal de Água e Esgoto do estado do Rio de Janeiro; partidos alegam que a venda é inconstitucional e caso será julgado pelo Supremo Tribunal Federal. 
• Funaro confirma três encontros com Temer em depoimento à PF. Doleiro diz ter arrecadado 100 milhões de reais para o PMDB, em três campanhas políticas; O doleiro acusou o presidente Michel Temer de intermediar pagamento de R$ 20 milhões à campanha do ex-deputado federal Gabriel Chalita (PMDB-SP) e à campanha presidencial de 2014. O dinheiro seria oriundo de operações do FI-FGTS para as empresas LLX, na gestão de Fábio Cleto, à frente dos Fundos de Governo e Loterias do banco. Funaro diz ter pago propina a Moreira Franco e Geddel e afirma que Temer intermediou repasses; Funaro entrega à Polícia Federal registros de ligações de Geddel. 
• A Bullish investiga irregularidades em empréstimos de R$ 8,1 bilhões do BNDES para a JBS. A Greenfield mira aportes dos fundos de pensão em grandes empresas, entre elas, a Eldorado Celulose, do grupo J&F. O empresário Joesley Batista presta depoimento na manhã desta quarta-feira, 21, no âmbito da operação Bullish e com a presença de investigadores de outra operação. 
• Após reação à vacina contra febre aftosa, cinco frigoríficos têm exportação para os EUA suspensa. Bloqueio imposto pelo Ministério da Agricultura atinge unidades da Marfrig, Minerva e JBS. 
Esse governo corrupto tinha que ter vergonha na cara e renunciar disse o senador Hélio José (PMDB-DF), que acusa Temer de chantagem após votar contra reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais. 
• Ex-médico Roger Abdelmassih, 73, cumprirá pena em prisão domiciliar. O ex-médico de 73 anos, condenado a 181 anos de prisão por abusar sexualmente de pacientes em sua clínica de reprodução, conquistou o direito de cumprir prisão domiciliar. A decisão é da juíza Sueli Zeraik Armani, da 1ª Vara das Execuções Criminais de Taubaté, no interior de SP. O médico cumpria pena em presídio em Tremembé desde o fim de 2014. Há mais de um mês ele está internado no Hospital São Lucas, em Taubaté, para tratar de uma pneumonia. O médico foi internado diversas vezes desde que foi preso por causa de problemas no coração. 
• Vergonha das vergonhas! Plano Nacional de Educação cumpre só 20% das metas em 3 anos. 
• Anvisa pede veto a projeto que libera venda de medicamentos emagrecedores. Volta de emagrecedores gera briga entre Anvisa e médicos. Em 2011, agência vetou 3 drogas que o Congresso quer liberar por meio de lei. 
• Afastado do Ministério Público desde 2012, Demóstenes recebeu R$ 2,6 milhões sem trabalhar. Após derrubar ações do caso Cachoeira, Demóstenes vai pedir ao Senado que anule cassação. 
• Antes de anunciar novo rombo presidente do Postalis André Luís Carvalho da Motta e Silva renuncia. Correios deve indicar novo presidente do Postalis nos próximos meses.

• O príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, foi hospitalizado na noite de terça-feira, como medida de precaução por causa de uma infecção já existente, segundo confirmou nessa quarta-feira (21) o Palácio de Buckingham. Aos 96 anos, o monarca está com uma infecção e deu entrada no hospital; família real afirma que ele está de bom humor e que passa bem. 
• Cristina Kirchner anuncia volta à política na Argentina e lança partido e nome ao Senado. Ex-presidente deixa o Partido Justicialista e cria a Unidade Cidadã. 
• Contra drogas, cidade dos EUA distribui seringas. Vizinha de Washington diz ter evitado 800 mortes por overdose desde 2015. 
• Para sempre: Papa Francisco critica casamento eterno enquanto dure
• Em 2 dias, Macron perde 4 ministros acusados de desvios. Partido é acusado de fazer pagamentos com fundos do Parlamento Europeu. 
• Bombeiro português afirma que incêndio foi criminoso. Fogo teria começado horas antes de fenômeno ao qual foi atribuída tragédia.

• O Antagonista: 
1 - Gleisi acusa Moro e Dallagnol de ganharem dinheiro com a Lava Jato. Gleisi Hoffman, codinome Amante, acusou o juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol de estarem ganhando dinheiro com a Lava Jato. Ela discursou no plenário. 
2 - Um país de malucos. Enquanto o STF julga se Edson Fachin pode manter a relatoria da delação da JBS, a CCJ do Senado aprovou a PEC do recall -- a possibilidade de o mandato do presidente da República ser revogado. 
3 - A AGU pediu ao TCU o bloqueio de bens da JBS, para garantir o ressarcimento de prejuízos de 850 milhões de reais causados pela empresa ao BNDES. 
4 - A Polícia Federal descobriu indícios de pagamento de propina a Luiz Fernando Pezão, no âmbito das investigações da Lava Jato. 

Partidos se unem por fundo público de financiamento de campanha: R$ 3,5 bi.
O Congresso deve aprovar antes do final de julho um pacote eleitoral que inclui a criação de um fundo de financiamento de campanhas com verbas do Tesouro Nacional. Coisa de R$ 3,5 bilhões para as eleições de 2018. Reunidos nesta quarta-feira, dirigentes de sete partidos políticos concordaram com a providência. São eles: PMDB, PSDB, DEM, PSB, PP, PR e PSD. Juntas, as siglas reúnem infantaria suficiente para aprovar a novidade.
Decidiu-se incluir no embrulho eleitoral uma proposta de emenda à Constituição que já foi aprovada no Senado e aguarda votação na Câmara. Prevê o fim das coligações nas eleições proporcionais. E institui a chamada cláusula de barreira, que condiciona o acesso ao tempo de tevê e à verba do Fundo Partidário ao desempenho dos partidos nas urnas. (Josias de Souza) 

Bandido contra bandido.
Joesley Batista contou em entrevista à Época como comprou o silêncio de Lúcio Funaro e Eduardo Cunha, que reagiu, em texto escrito na cadeia, acusando Joesley de omitir que se encontrou com Lula e o próprio ex-presidente da Câmara durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff. 
Dá gosto de ver a riqueza de detalhes de ambos os relatos: 
Joesley: O Eduardo me pediu R$ 5 milhões. Disse que eu devia a ele. Não devia, mas como ia brigar com ele? Dez dias depois ele foi preso. Eu tinha perguntado para ele: Se você for preso, quem é a pessoa que posso considerar seu mensageiro?. Ele disse: O Altair procura vocês. Qualquer outra pessoa não atenda. Passou um mês, veio o Altair. Meu deus, como vou dar esse dinheiro para o cara que está preso? Aí o Altair disse que a família do Eduardo precisava e que ele estaria solto logo, logo. E que o dinheiro duraria até março deste ano. Fui pagando, em dinheiro vivo, ao longo de 2016. E eu sabia que, quando ele não saísse da cadeia, ia mandar recados.
Cunha: Ele [Joesley] fala que só encontrou o ex-presidente Lula por duas vezes, em 2006 e 2013. Mentira. Ele apenas se esqueceu que promoveu (sic) um encontro que durou horas, no dia 26 de março de 2016, Sábado de Aleluia, na sua residência na rua França, 553, em São Paulo, entre eu, ele e Lula, a pedido do Lula, a fim de discutir o processo de impeachment, ocorrido em 17 de abril, onde pude constatar a relação entre eles e os constantes encontros que eles mantinham.
Joesley não negou a reunião: explicou que destacou dois encontros com Lula, mas esteve em outras ocasiões com o ex-presidente
Uma pena não ter gravado pelo menos esta. 
Na data citada por Cunha, Dilma tentava segurar em seu governo o PMDB. 
No dia seguinte, Lula se encontrou em São Paulo com o então vice Michel Temer, também presidente nacional do PMDB na ocasião. 
Temer disse a Lula que o rompimento com o governo Dilma era inevitável.
A tentativa de acordão de Lula não deu certo. O comandante máximo perdera força de articulação e acesso ao foro privilegiado no dia 18 de março, quando Gilmar Mendes suspendeu sua nomeação como ministro, ocorrida no dia 16, o mesmo em que o juiz Sérgio Moro divulgou a conversa entre Lula e Dilma sobre o envio e o uso do termo de posse em caso de necessidade.
A delação de Joesley, no entanto - que ainda coloca Temer como avalista da compra de silêncio de Cunha -, levou o atual presidente e principal alvo de denúncias e gravação do empresário a embarcar junto com Aécio Neves no mesmo navio de guerra de Lula contra a Lava Jato, não sem a ajuda conjunta dos ministros timoneiros do TSE e do STF ligados aos três. 
Como comentamos em Reunião de Pauta, Temer (com Joesley) e Lula (com Léo Pinheiro e Renato Duque) deixaram os operadores de lado na hora do aperto e apareceram em episódios de aparente obstrução de Justiça; bem como deixaram indícios de uso de dinheiro sujo em reformas de imóveis familiares.
Guardadas as devidas proporções dos crimes supostamente cometidos e as acusações do presidente de que Joesley protege o PT, hoje Temer e Lula estão juntinhos - até que um bandido os separe. (Felipe Moura Brasil) 

A paixão política costuma cobrar caro.
A sociedade brasileira está em estado de choque. Apoiou fortemente o afastamento de Dilma, pelo péssimo estado geral da sua obra, reconhecido, aliás, por ela mesma quando, depois de sua reeleição, adotou o programa econômico do candidato vencido! O seu impedimento está longe de ter sido um golpe. Fez-se dentro da Constituição (que acabou violada em seu benefício) e sob o controle do STF.
A posse de Temer, em maio de 2016, mudou a perspectiva. Ele conseguiu aprovar no Congresso em um ano o que não se fez nos cinco do governo anterior. O problema é que os efeitos levam tempo para se materializar e não apagam o desastre fiscal em que fomos metidos no processo eleitoral. Em maio de 2017, a situação era ainda muito complicada, mas já apareciam tênues sinais de uma recuperação modesta do crescimento econômico, único remédio para nossas angústias.
Tragicamente, uma delação premiada, derivada de uma armadilha bem urdida somada à falta de desconfiômetro de Temer, produziu o tumulto que o país vive. Tal confusão é hoje o mais poderoso instrumento da oposição às reformas, que se localiza na alta burocracia federal, uma elite extrativista que se apropriou do poder em Brasília graças à covardia dos governos e ao descuidado conformismo escandaloso dos trabalhadores e dos sindicatos que a sustentam!
Na semana passada, tivemos outro show midiático, do mesmo capoclasse da organização criminosa que -com a conivência dos últimos poderes incumbentes- assaltou o patrimônio nacional e escafedeu-se brilhantemente. Aumentou a tensão, mas restaram terríveis contradições entre as suas narrativas, que certamente vão dar trabalho à Justiça.
Estamos numa crise real enorme, apimentada por notícias transmitidas por imaginários informantes em off, que alimentam, em tempo contínuo, a intriga criadora. Parte da imprensa autopromoveu-se: de técnicos de futebol que sempre foram a competentes jurisconsultos que -sem dúvida nenhuma- julgam e escracham votos de ministros do TSE, STJ e STF, sem o menor respeito pelos seus conhecimentos e pela naturalidade do contraditório...
Como nos ensinou Max Weber (e lembrou o ilustre professor Kujawski), estamos diante do dilema: usar a ética da convicção (faça-se justiça e pereça a sociedade) ou a ética da responsabilidade (avaliar cuidadosamente as prováveis consequências de cada solução e escolher a "menos pior" para a sociedade a curto e longo prazo).
É essa escolha que está sob os ombros do STF, sacralizado como Poder moderador na Constituição de 1988. Que a razão e a precaução o iluminem. A paixão política costuma cobrar caro a sua imprevidência. (Antonio Delfim Netto) 
A justiça, cega para um dos dois lados, já não é justiça. Cumpre que enxergue por igual à direita e à esquerda. (Rui Barbosa)

21 de jun de 2017

Pernas pra que te quero...

 photo malasprontas_zpsnsccgvp6.jpg • Brasil pode registrar no mês de junho a primeira deflação em 11 anos. Analistas ouvidos pelo BC veem queda de 0,07% para o IPCA; último registro negativo foi em 2006. 
• O inverno no Hemisfério Sul começa nesta quarta-feira (21) à 1h24. A estação, que segue até o dia 22 de setembro às 17h02, é marcada por um período menos chuvoso nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e na maior parte do Norte do país. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), neste ano as chances de ocorrência do fenômeno El Niño diminuíram no último mês. Mesmo que haja confirmação do fenômeno, ele será de baixa intensidade. 
• Chuva forte alaga ruas de diversos bairros do Rio e cidade segue em alerta. 
• Câmara aprova uso de armas não-letais pela Guarda Municipal. Uso de armas de fogo pelos agentes continua proibido. Não é necessária a sanção do prefeito Marcelo Crivella para medida entrar em vigor. 
• Preparativos para o carnaval de 2018 estão paralisados na Cidade do Samba. Monarco manda recado para Crivella: Quem não gosta de samba, bom sujeito não é
• Temer chega a Moscou, um dia após PF apontar indício de corrupção cometida por ele. Buscando passar mensagem de normalidade, presidente manteve viagem para Rússia e Noruega. 
• Reforma política: Eunício e Maia negociam aprovação do voto distrital misto. 
• Foram devolvidos ao governo do Rio, R$ 109 milhões que a União havia bloqueado das contas do Estado em 6 de junho. 
• Romero Jucá vai pedir urgência para reforma Trabalhista na CCJ. Renan agiu por derrota do governo em votação da reforma trabalhista. 
• STF adia julgamento de pedido de prisão de Aécio Neves. Foi decidido a prisão domiciliar da irmã de Aécio, Andrea Neves, e o primo do tucano Frederico Pacheco, flagrado recebendo dinheiro em ação controlada feita pela Polícia Federal.  Para tucanos, renúncia seria gesto de grandeza. 
• O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) discute nesta quarta-feira, 21, a validade da delação dos executivos do Grupo J&F. 
• Em meio a crise, vestibular da Uerj tem menor número de inscritos da história. 35,6 mil se inscreveram para o exame deste ano. Número é menos da metade dos que se candidataram a uma vaga no ano passado: 80 mil. 
• Funaro diz à PF que Temer sabia de propinas na Petrobras. Doleiro também acusa presidente de ter ordenado a distribuição de dinheiro desviado da Caixa Econômica Federal para uso em campanhas do PMDB e indicou doações de R$ 20 mi com dinheiro do FI-FGTS. 
• Joesley diz à PF que Temer pressionou BNDES para favorecer JBS 
• Justiça rejeita queixa-crime de Temer contra Joesley Batista por calúnia. 
Expandiu-se demais a investigação, além dos limites, diz Gilmar. Ministro do STF fez duras críticas a juízes e promotores e defendeu que se faça política nos partidos, não na promotoria e tribunais
• No relatório parcial do inquérito contra o presidente Michel Temer (PMDB) e o ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures, aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) a partir das delações premiadas da JBS, a Polícia Federal desvenda a identidade de Edgar, uma das pessoas indicadas por Rocha Loures ao diretor de relações institucionais da empresa, Ricardo Saud, como possíveis operadores dos pagamentos da empresa. No documento, a PF afirma que as evidências colhidas na investigação apontam com vigor a prática de corrupção passiva pelo presidente e o deputado da mala. Segundo o relatório da PF, trata-se de Edgar Rafael Safdié, definido no documento como empresário atuante no setor imobiliário, financeiro e de participações”. Filho do banqueiro Edmundo Safdié, falecido no ano passado, Edgar foi executivo do Banco Cidade, fundado por seu pai e vendido ao Bradesco em 2002, passou quatro anos na vice-presidência do Banque Safdié, vendido ao banco israelense Leumi em 2011, e é sócio da Latour Capital do Brasil, aberta em 2006. 
• Tony Ramos rompeu o contrato de R$ 5 mi que tinha com a Friboi. 
• Léo Pinheiro reafirma à Justiça que tríplex era do ex-presidente Lula. A defesa afirma que as provas apresentadas por Pinheiro, como agendas de encontros e registros telefônicos, demonstram um perfeito encadeamento lógico e fático; A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta terça-feira que os direitos financeiros e econômicos do tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo, pertenciam a um fundo gerido pela Caixa Econômica Federal, a quem foi cedido em 2009 pela construtora da OAS, apontada pelos advogados como a verdadeira dona do imóvel. Com isso, diz a defesa, a empreiteira não teria o poder de dar ou prometer o tríplex a Lula sem o aval da Caixa; Advogado de Lula alegam que tríplex era da Caixa, mas o banco nega. Caixa nega ser dona do apartamento no Guarujá, como diz Lula. 
• Enquanto os olhares estão voltados para Aécio, Michel Temer se encontra com autoridades e empresários russos e encerra o dia em um Concurso Internacional de Balé do tradicional Teatro Bolshoi, em Moscou. A expectativa é se o presidente comentará o parecer preliminar da PF que viu indícios de corrupção passiva dele e do ex-assessor Rocha Loures no caso da mala de R$ 500 mil. O peemedebista ainda deve continuar sendo investigado por acusações de participar de organização criminosa e de tentar obstruir a Justiça. 
• O governo quer limitar o repasse de recursos de estatais para o Tesouro Nacional. A ideia é proteger o caixa das empresas e enviar problemas no futuro com falta de investimentos. 
• Moro impediu o golpe do trio barra-pesada. A data do encontro clandestino entre Lula, Eduardo Cunha e Joesley Batista é fundamental para se compreender o que eles discutiram. Eles se reuniram em 26 de março de 2016. 
• O elo da ORCRIM. Joesley Batista admitiu que intermediava encontros entre dirigentes do PT e Eduardo Cunha.

• Polícia procura dois foragidos após explosão em estação central de Bruxelas. 
• França confirma condenação de Maluf por lavagem de dinheiro. 
• Pedidos de refúgio de venezuelanos cresceram 307%. 
• Noruega critica política ambiental de Temer. Doador de projetos na Amazônia, país questiona política brasileira no setor. 
• 3 Alemanha confisca 35 toneladas de spinners, o brinquedo da moda. 

STF dirá ao país de que lado está na Lava Jato.
O plenário do Supremo Tribunal Federal marcou para esta quarta-feira o julgamento de um recurso vital para o futuro da Lava Jato e de outras operações anticorrupção em curso no país. Os ministros da Corte decidirão se a delação premiada dos executivos do grupo JBS pode ou não ser revista. Dirão também se Edson Fachin, relator da Lava Jato, agiu corretamente ao homologar um acordo de colaboração judicial que os delatados sustentam não ter vinculação com o petrolão.
No fundo, o Supremo informará ao Brasil de que lado está no combate à roubalheira. Deve-se o sucesso do esforço que amedronta a oligarquia político-empresarial a três fatores: 1) o assalto aos cofres públicos passou a dar cadeia; 2) o pavor de ir em cana potencializou as delações; 3) as colaborações judiciais vitaminaram as investigações. Dependendo das decisões que tomar, o Supremo pode fortalecer o círculo virtuoso ou ressuscitar a roda da impunidade.
Na pior das hipóteses, o plenário do Supremo endossa a tese de que os crimes da JBS não têm nada a ver com a Petrobras e retiram o processo das mãos de Fachin, anulando os atos praticados por ele. Iriam para o beleléu as delações e todas as suas consequências. Michel Temer e Aécio Neves levantariam um brinde e a investigação recuaria à estaca zero.
Numa hipótese intermediária, a conexão com a Lava Jato é reconhecida e Fachin permanece na relatoria. Entretanto, a maioria dos seus colegas consagra o entendimento segundo o qual o plenário do Supremo pode, sim, rever acordos de delação. Sobretudo num caso como o da JBS, em que a Procuradoria-Geral da República concedeu a Joesley Batista e Cia. o prêmio máximo: a imunidade penal.
Se isso acontecer, delações que esperam na fila para acontecer, como a do ex-ministro petista Antonio Palocci e a do ex-presidente da OAS Leo Pinheiro, podem subir no telhado. Novos delatores talvez concluam que os negociadores da Procuradoria, enfraquecidos, não terão mais como assegurar o cumprimento dos termos dos acordos.
Numa terceira hipótese, aparentemente improvável, o Supremo dá uma banana para os investigados e prestigia a relatoria de Fachin. De quebra, avaliza as delações superpremiadas no pressuposto de que a emenda pioraria o soneto. Melhor apanhar os delatores na próxima esquina, quando vierem à luz os resultados da investigação sobre o uso da informação privilegiada da delação para lucrar nos mercados de câmbio e de ações.
Em maio de 2015, quando a Lava Jato tinha pouco mais de um ano, Emílio Odebrecht espetou no noticiário uma nora com o seguinte teor: A corrupção é problema grave e deve ser tratado com respeito à lei e aos princípios do Estado democrático de Direito, mas é fundamental que a energia da nação, particularmente das lideranças, das autoridades e dos meios de comunicação, seja canalizada para o debate do que precisamos fazer para mudar o país. Quem aqui vive quer olhar com otimismo para o futuro -que não podemos esquecer-, sem ficar digerindo o passado e o presente.
Meses depois, a Odebrecht oferecia à força-tarefa da Lava Jato aquela que entraria para a história como delação do fim do mundo. O Apocalipse remexeu o passado e convulsionou o presente. Se transformar a delação da JBS em algo parecido com aquele que Romero Jucá chamava de estancar a sangria, o Supremo consolidará a vocação do Brasil para o papel de mais antigo país do futuro do mundo. (Josias de Souza) 

Jumentice 3: o ministro Fachin não está ajudando Lula; Moro não é mesmo juiz dos casos.
Ministro tirou de Moro três investigações que dizem respeito ao petista e uma sobre a atuação de Cunha. É o certo! Nada têm a ver com o petrolão. O ministro erra é quando não aplica o critério para si mesmo.
A terceira jumentice - leiam a respeito das outras duas - está procurando chifre em cabeça de cavalo. Vamos ver. Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, retirou da 13ª Vara Federal de Curitiba, a de Sérgio Moro, quatro investigações e as redistribuiu: três delas dizem respeito ao ex-presidente Lula, e uma, a Eduardo Cunha. E o que alegaram as respectivas defesas? Que os casos nada têm a ver com a Petrobras - o popular petrolão.
Bem, e não têm mesmo. Nesse caso, Fachin está certíssimo. Supor que atuou desse modo apenas para beneficiar o petista é uma tolice.
No que diz respeito ao petista, são três apurações: se ele favoreceu a Odebrecht em Angola com recursos públicos, se a construtora pagou mesada a um de seus irmãos e se facilitou irregularidades praticadas pela empresa nas construção das hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau, no rio Madeira. No caso de Cunha, o que se apura é se ele contratou a empresa Kroll para tentar obstruir investigações.
O caso do irmão de Lula foi enviado para a Justiça Federal de São Paulo, e os demais, para a de Brasília.
Não há conspiração nenhuma de Fachin em favor de Lula. Aliás, nesse caso, ele está certo. Seu erro consiste em continuar relator na investigação que apura as acusações que Joesley Batista faz a temer. Também ele nada tem a ver com a Petrobras. Vale dizer: FachIn deveria aplicar a si mesmo o critério que aplica aos outros. (Reinaldo Azevedo) 

Sob os olhos da lógica.
Recentemente, o secretário municipal de Educação de uma importante cidade falou que se sentia como encarregado da segurança escolar, dedicando parte de seu tempo para assegurar o funcionamento de suas escolas, ameaçadas pela violência. No momento em que dizia isso, ele estava para decidir o fechamento de uma de suas melhores creches por causa da ameaça de balas perdidas, tráfico de drogas e assaltos. Sua cidade não é a única. Oitenta e três por cento dos alunos do ensino médio consideram que a segurança é o maior problema de suas escolas.
Um país que não consegue assegurar o funcionamento de suas escolas é um país em decadência: não conseguirá formar a inteligência que o mundo necessita para enfrentar os desafios do século XXI.
A decadência se mostra também dentro da escola, mesmo quando ela consegue funcionar, apesar da violência em seu exterior. Na atual civilização baseada no conhecimento, não será possível um país evoluir se cerca de 13 milhões de pessoas (8% da população adulta) são analfabetas, incapazes de ler até mesmo o lema Ordem e Progresso escrito em sua bandeira; se mais de 26 milhões (18%) de adultos são analfabetos funcionais; se o acesso à educação de qualidade é mantido como um privilégio para aqueles poucos cujas famílias podem pagar uma boa escola. O desprezo aos cérebros da nossa população é um claro indicador de que marchamos para uma decadência civilizatória.
A decadência está também sob os olhos do observador que percebe a falta de sentimento coletivo de nação, transformando o país numa soma de grupos corporativos que disputam entre si, da maneira mais egoísta possível, os recursos e os produtos nacionais.
Ainda mais visível está a degradação pela corrupção, tanto no roubo do dinheiro público por políticos em benefício pessoal quanto no desvio pela corrupção de dinheiro das prioridades para beneficiar apenas pequenas parcelas da população. A irracionalidade política é outra manifestação e causa de decadência: políticos, artistas, estudantes, filósofos e profissionais agem e reagem baseados em posições políticas passionais, sem compromissos com a lógica, como aconteceu em países cuja decadência decorre de disputas sectárias, cujo melhor exemplo hoje é a Síria. Fecham os olhos para a lógica da mesma maneira que fecham os olhos para não ver a decadência que suas ações provocam. E não percebem que a decadência surge com a falta de coesão social no presente e de rumo histórico para o futuro.
Não é preciso muita perspicácia nem análises sociológicas para perceber que estamos em um processo de decadência histórica, que pode nos levar à desagregação social e à condenação ao atraso em relação ao resto do mundo, talvez por décadas, no futuro. (Cristovam Buarque, senador)  
Não existe prazer comparável ao de ficar firme sobre o vantajoso terreno da verdade. (Francis Bacon)