11 de jul. de 2022

Polarização: povo versus políticos...

Governo prorroga por 60 dias ICMS único sobre combustíveis. Em junho, o ministro do STF André Mendonça suspendeu medida que permitia a cada estado cobrar um valor diferente do imposto.

O apresentador José Luiz Datena, 65, utilizou as redes sociais para informar que foi internado no sábado, 9, no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, e recebeu neste domingo o diagnóstico de Covid-19.

Médico é preso por estuprar paciente que passava por cesárea no RJ. Funcionários do Hospital da Mulher, de São João de Meriti, denunciaram Giovanni Quintella Bezerra, que foi preso pela Delegacia da Mulher.

Nova jornada de trabalho de 4 dias na semana começa a ser testada. Modelo que reduz a carga horária de 40 horas para 32 horas semanais sem alteração de salário exige planejamento prévio.

“Não entendo por que o TSE não aceita sugestões das Forças Armadas sobre a segurança das urnas eletrônicas. Se as eleições não forem limpas, não participarei do pleito”, de Jair Bolsonaro, em tom exasperado, em reunião ministerial. (GibaUm)

Políticos repercutem morte de apoiador de Lula, assassinado por bolsonarista no Paraná. Diversos políticos utilizaram as redes sociais neste domingo (10) para repercutirem a morte do guarda municipal Marcelo Arruda, que foi assassinado pelo bolsonarista e agente penitenciário federal Jorge José da Rocha Guaranho nesta madrugada, enquanto comemorava seu aniversário de 50 anos com familiares e amigos. A festa tinha como temática o ex-presidente Lula.

'Quero que apurem', diz Bolsonaro sobre assassinato de petista. Presidente respondeu a uma publicação de humorista sobre morte de militante do PT em Foz do Iguaçu.

Míssil russo atinge edifício residencial e deixa 15 mortos no leste da Ucrânia. Ataque aconteceu em Chasiv Yar em um momento em que a Rússia intensifica os bombardeios em Donetsk para tentar conquistar a região.

 A pec da compra de votos
https://youtu.be/xN8ZzZ-54po

Cuidado com o ‘Rei do Pix’: golpistas prometem multiplicar dinheiro de vítimas

Nova modalidade de fraude acontece por meio das redes sociais e surgem como ‘oportunidade de investimento’.

Certamente muitos já ouviram relatos de pessoas que tenham sido vítimas dos golpes envolvendo o uso do Pix. Com pouco mais de 1 ano de lançamento, o Pix desde o início se mostrou um sucesso como alternativa de meio de pagamentos, permitindo ao consumidor efetuar rápidas transferências de dinheiro entre contas. Por outro lado, toda nova tecnologia que envolve transferências em dinheiro acaba atraindo o interesse dos fraudadores. Com o Pix foi igual. Os golpes surgiram, fizeram centenas de vítimas, foram amplamente divulgados pela mídia e agora foram aprimorados, ganhando novas formas. Estamos diante de uma nova modalidade, conhecida por “Rei do Pix”. Veja como funciona: fraudadores fazem uso das redes sociais, em especial Instagram, TikTok e Twitter, oferecendo altos valores em troca de um depósito inicial. Os golpistas simulam uma “oportunidade de investimento”, com a promessa de elevados ganhos aos participantes.

Por meio de postagens nas redes sociais, a fraude sugere uma “multiplicação de valores”, onde a vítima deposita uma determinada quantia com a expectativa de receber um valor superior em conta. Os criminosos são tão audaciosos que chegam a divulgar tabelas demonstrando como funciona a devolução dos valores. Quem depositar R$ 200,00, recebe R$ 1.000,00. Quem depositar R$ 1.000,00, recebe R$ 8.000,00 e assim por diante. Após envio do legítimo Pix, os criminosos providenciam o imediato saque do valor, evitando que a quantia seja bloqueada pelo banco. No entanto, em alguns casos a oferta chega ser cumprida, servindo como uma espécie de “comprovação do negócio” para que outras vítimas sejam enganadas.

Nesses casos, os golpistas realizam transferências por meio de contas comprometidas ou a partir de meios de pagamento, com o uso de cartões clonados, até que os limites sejam esgotados. Algumas vítimas recebem em conta os valores prometidos, inclusive com o demonstrativo através de comprovantes pelo WhatsApp. Isso traz a satisfação para poucas pessoas, que depois divulgam depoimentos nas redes sociais confirmando a seriedade do negócio. O golpe fica com a aparência de ser um ótimo negócio, fazendo com que outras dezenas de vítimas sejam enganadas na sequência. Enquanto 2 ou 3 são recompensados, outros 50 ficam apenas com o prejuízo. Conhecendo agora mais sobre esta nova modalidade de fraude bancária, é fundamental recordar alguns importantes pontos:

. O Pix é seguro. Trata-se de uma excelente ferramenta, prática e rápida.

. O consumidor tem o dever de zelar pelo melhor uso da sua conta corrente, cabendo a ele a responsabilidade de adotar os cuidados necessários com suas transações bancárias;

. O uso indevido da conta corrente pode caracterizar culpa exclusiva da vítima, afastando a responsabilidade das instituições financeiras. Depois não adianta querer culpar os bancos que, aliás, investem milhões para a segurança e proteção do cliente.

. Além do prejuízo, o consumidor também pode se complicar criminalmente, caso provado o seu conhecimento do esquema criminoso antes de participar da fraude.

É fundamental que o consumidor tenha cautela com as suas transações bancárias, mantendo uma postura de desconfiança diante de situações que pareçam promissoras. Não existe “almoço de graça”. No caso do Rei do Pix, esse almoço pode custar caro, ser indigesto e gerar uma grande dor de cabeça. Tenham cuidado. (Ricardo Motta).

Fé e política: o legado do Cardeal Hummes

Ele chamou minha atenção pela primeira vez quando, bispo de São Bernardo, foi visto em companhia dos metalúrgicos em greve no ABC paulista, em 1975. O país em ditadura militar e o bispo ao lado dos grevistas, sentado à mesa com Lula e os sindicalistas para negociar com os empresários. Fez-me lembrar Jesus de Nazaré, de quem perguntaram: Quem é esse que come com publicanos e prostitutas?

Gaúcho de nascença e franciscano por vocação e consagração, Cláudio Hummes foi sagrado bispo em 1975 e assumiu a diocese de Santo André, na região metropolitana de São Paulo. Em 1979, durante a ditadura militar, ocorreu a greve geral dos metalúrgicos do ABC por melhores condições de trabalho. Lula era o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. O movimento durou 41 dias e mobilizou mais de 200 mil trabalhadores.

Os metalúrgicos do ABC paulista haviam começado a greve geral em 13 de março de 1979, às vésperas da posse do general João Figueiredo na Presidência da República. No dia seguinte, enquanto a Justiça do Trabalho declarava a paralisação ilegal, dando respaldo jurídico ao Estado para reprimir a mobilização, Dom Cláudio Hummes chegava na sede do Sindicato dos Metalúrgicos para dar apoio aos grevistas.

Sendo diretor da Pastoral Operária, o bispo explicava com clareza e simplicidade: "A Igreja está prestando solidariedade ao movimento, que deve ser igual ao do ano passado: uma vitória da classe operária". Referia-se aos idos de 1978, quando milhares de metalúrgicos do ABC haviam feito ações pontuais contra o arrocho salarial e reivindicavam recuperação da autonomia sindical. O movimento ganhara força e a greve de 1979 mobilizara um número muito maior de trabalhadores.

O sindicato estava sob intervenção federal. Dom Cláudio se posicionou contra a demissão dos grevistas e ofereceu a igreja para abrigar as assembleias dos trabalhadores. Em reunião com outros irmãos seus no episcopado, ele explicou sua atitude: “Oferecia-se num primeiro momento as dependências das paróquias, exceto templos. Só quando essas dependências não serviam, como último recurso ofereciam-se também os templos. Esse último recurso foi usado sobretudo em São Bernardo do Campo, onde os trabalhadores respeitaram com muita dignidade o interior do templo, sem qualquer abuso. Quem não respeitou foi a repressão, que invadiu a nave da igreja e acabou prendendo um sindicalista dentro da sacristia...”

Assim deixava clara sua posição. A Igreja não incitava a greve nem promovia agitação. Sua presença nas assembleias, ao lado dos operários, era parte de sua obrigação religiosa. Estava ali como pastor, pois o pastor deve estar presente onde está seu povo, sobretudo nos momentos de conflitos e tensões. Representava ali a própria Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Após uma assembleia decidir suspender a greve por 45 dias, diante de um acordo provisório com o patronato, Dom Cláudio declarou: "O fato de o governo ter aceitado a mediação de um bispo significa que ele empenha a sua palavra ante a própria CNBB e deverá cumprir suas promessas".

Dom Cláudio não via sua atuação nos problemas sociais dissociada de sua ação pastoral e evangelizadora. A síntese fé e política configurava sua missão e atuação como pastor, primeiro no ABC e posteriormente à frente da arquidiocese de São Paulo. A preocupação com os mais pobres e excluídos, constitutiva do carisma de Francisco de Assis, o acompanhou ao longo de toda a sua vida.

Já sagrado cardeal pelo Papa João Paulo II e participando como eleitor do conclave que devia eleger o sucessor do Papa Bento XVI, acompanhou e apoiou o argentino Jorge Mario Bergoglio, que aparecia como favorito na eleição. Quando a votação se revelou clara abraçou e beijou o novo papa e sussurrou-lhe algo que marcaria todo o seu pontificado: “Não se esqueça dos pobres”. E esse sussurro profético veio acompanhado do nome que passaria a ser o do novo pontífice: Francisco, o pobrezinho de Deus, que brilhou como um sol sobre o mundo e a humanidade.

Francisco lhe pediu que cuidasse de sua querida Amazônia, o que fez com entusiasmo e entrega. Foi relator do Sínodo da Amazônia, realizado em 2019, e em meio às dificuldades e incompreensões que cercaram aquele momento, foi uma presença de luminosidade e discernimento que deixou claro que a Igreja estava com o papa apesar de todas as posições em contrário. Com a saúde debilitada já há um bom tempo, Dom Cláudio Hummes faleceu no último dia 4 de julho.

Testemunhou com sua vida e missão aquilo que Francisco afirma e solicita em sua última encíclica, “Fratelli Tutti”, de 2020: a política é a forma mais alta da caridade. A vida do cardeal foi uma síntese feliz desse binômio que o papa deseja que configure a vida de cada fiel cristão: fé e política. Descanse em paz, Dom Cláudio Hummes. A Igreja do Brasil procurará ser fiel a seu legado. (Maria Clara Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio)

“Na vida, nem tudo são flores, tal como nem todos os dias são cinzentos.” 

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