Dados da Fiocruz: Novas linhagens
da Ômicron avançam e favorecem reinfecções da Covid-19.
Desmatamento na Amazônia bate
recorde no primeiro semestre de 2022.
Em Caxias (RJ), polícia encontra
paraguaios que trabalhavam em regime análogo ao da escravidão.
Caso Henry Borel: STJ mantém
prisão de Monique Medeiros. Professora é ré em um processo com o ex-namorado, o
médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Junior, o Jairinho, pela morte do filho
dela.
Governo vê ‘demora
injustificável’ em análise de indicados ao Conselho da Petrobras. Oito nomes
foram indicados há mais de um mês, mas o Comitê de Elegibilidade ainda não deu
parecer oficial sobre Caso Milton Ribeiro
Caso Milton Ribeiro: PGR rejeita
pedido de nova apuração contra Bolsonaro.
PF prende suspeito de mandar
assassinar Dom Phillips e Bruno Pereira. Suposto mandante, Colômbia seguirá
preso até o julgamento. Rubens Villar Coelho é suspeito de mandar matar
indigenista.
Reunião do G20: EUA e China
chegam a consenso, mas guerra da Ucrânia e situação de Taiwan preocupam.
Polícia do Japão admite
'inegáveis' falhas de segurança na morte do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe. Rodeado
de apoiadores, que queriam prestar última homenagem, o corpo do político chegou
neste sábado (9) à capital Tóquio.
Justiça da Inglaterra aceita
julgar ação do desastre em Mariana . A ação, apresentada em 2018, busca indenização
da BHP.
Elon Musk recua em acordo
bilionário e desiste de comprar o Twitter. Segundo o empresário, a rede social
violou parte das cláusulas previamente estabelecidas; acordo de aquisição havia
sido assinado em abril e estipulava uma transação de US$ 44 bilhões. Ações do
Twitter caem 4,81% após Musk desistir de compra por 'violação de acordo'.
Fronteira entre
Polónia e Lituânia: populações preparam-se para o pior
Todo dia 14 de julho, muitos
franceses tiram sua bandeira tricolor do armário e saem às ruas para comemorar
aquele que consideram ser o dia mais importante do ano.
Pela manhã, um pomposo desfile
militar é organizado na famosa avenida Champs-Elysées e depois, ao pôr do sol,
a Torre Eiffel oferece um show de fogos de artifício sincronizado com uma mistura
de música clássica e sucessos do momento, a que os parisienses assistem com
garrafas de champanhe de todos os cantos da cidade.
No entanto, o dia 14 de julho tem
a sua origem num acontecimento um pouco menos festivo: a tomada inesperada e
violenta de uma fortaleza medieval conhecida como Bastilha há mais de dois
séculos, em 1789.
Foi um momento decisivo na
história mundial, marcando o início da Revolução Francesa e com ela o início do
fim de uma das monarquias mais poderosas da época.
O evento também gerou mudanças
nas sociedades europeias e em todo o mundo, servindo de inspiração para muitas
outras iniciativas revolucionárias, como a onda de independência que começaria
algumas décadas depois na América Latina. (Norberto
Paredes. BBC News Mundo)
O ano em que todos riam com a política
Os mais jovens não vão lembrar,
mas depois da abertura democrática já fomos engraçados na política. Na eleição
de 2010, Dilma Rousseff e José Serra protagonizavam o embate político. Como
toda eleição, tivemos momentos tensos, mas a grande novidade da época era um
perfil nas redes sociais chamado Dilma Bolada, inspirado, obviamente, em Dilma
Rousseff. Um fenômeno das redes.
Na época, a sensação no
mainstream era a série Game of Thrones, onde uma personagem se autodenominava
“a mãe dos dragões” (você precisa de referência para entender esse texto). O
perfil de Dilma Bolada não deixou passar: Dilma era a dilmãe. Mas também era a
“soberana das Américas”, era “linda”, “competente” e “rainha da nação”. O
perfil ironizava seus adversários e exaltava qualidades a Dilma. Não importava
de que partido você era: era impossível não rir com as sacadas de Dilma Bolada.
Obviamente o perfil foi um puxador de votos, mas esse é outro assunto.
Vale lembrar que quando Dilma foi
a escolhida de Lula para lhe suceder, ela era a ministra da Casa Civil. Uma
mulher dura, autoritária e de poucos amigos. O perfil lhe trouxe uma suavidade
que caiu muito bem na campanha. Linguagens como “dilmais” e “rousselfie” foram
incorporadas na política. A ironia, aquela ironia que faz você nem que seja
sorrir, também.
José Serra era o vampiro, assim
mesmo, descarado, Aécio Neves era Aécio Never, numa referência a qual Aécio
nunca seria eleito, e Marina Silva era Marinárvore. Hastaghs como
“êtapresidentamaravilhosa” eram utilizadas na internet sem economia. Os
internautas entravam na brincadeira.
Eu escrevi um longo artigo
explicando esse fenômeno e ele foi, inclusive, publicado na Espanha. Se chama
“Dilma Bolada ou Dilma Rousseff, quem é a diva da nação?”. Até hoje nos meus
cursos quando vou falar de ressignificar a imagem na política e apresento essa
análise, todos riem. Em 2010, até quando Dilma Rousseff era questionada por
atos de seu antecessor, Lula, nós ríamos. Outros perfis nas redes surgiram na
esteira do Dilma Bolada. A política fazia rir, meus amigos.
Mas hoje todo esse cenário foi
dominado pelo ódio. A internet nunca foi o problema. A tecnologia nunca foi o
problema. O problema é o que fazemos com ela.
EM 2022, se você não pensa como
eu você é meu inimigo. E eu preciso aniquilar você. Eu vou encontrar suas
redes, vou xingar, vou cancelar e você não terá paz. Travestido de opinião, o
ódio dominou a sociedade. Argumentos de que é “liberdade de expressão” incitam
violência, discriminação e estigmas. Mas democracia é dissenso. Há equilíbrio
no conflito. Pelo menos deveria.
Muitos autores da Ciência
Política se debruçaram sobre o fato de como seria a vida se o homem não vivesse
em sociedade. Viveríamos sob constante estado caótico, argumentam. Viveríamos?
Fico imaginando se Thomas Hobbes, aquele que escreveu O Leviatã, em 1651,
estivesse vivo hoje. O que pensaria do estado em que chegamos? Facadas em
campanhas, escândalos sexuais, morais, financeiros... A sociedade corrompida
quase em sua completude. Falar se tornou perigoso porque não existe mais uma
base de fatos, mas uma verdade que cada um cria.
A dignidade do outro é atacada
constantemente e isso parece tornar-se cada vez mais normal, cada vez mais
justificável. Não existe liberdade de expressão. Existe liberdade de agressão.
Nossa sociedade parece que estabeleceu um pacto de agressão onde o que importa
somente é a dominação do outro. O outro tornou-se uma ameaça constante. Saudade
de quando Dilma bolada mandava Marina plantar uma árvore e estava tudo bem.Democracia
é um regime político em que todos os cidadãos elegíveis participam igualmente —
diretamente ou através de representantes eleitos — na proposta, no
desenvolvimento e na criação de leis, exercendo o poder da governação através
do sufrágio universal. (Deysi Cioccari)
Bolsonaro deixou brechas para explicar atos de corrupção no
governo?
Presidente não enfia a mão em
cumbuca e sempre encerra seus discursos com uma ressalva: ‘Não posso dar conta
de mais de 20 mil servidores comissionados e ministérios com 300 mil
funcionários’
O presidente Jair Bolsonaro
costuma reforçar que nunca age fora das quatro linhas da Constituição
Certa noite, recebi uma aula
inesquecível. Eu tinha apenas 23 anos de idade e conversava com um dos
comentaristas políticos mais renomados daquela época, Ferreira Netto. Ele
conseguiu tanta projeção com seus programas nas emissoras de rádio e televisão
que, em 1989, como candidato ao Senado, obteve mais de 3,8 milhões de votos.
Ficou à frente de nomes poderosos como Franco Montoro e Guilherme Afif
Domingos. Perdeu para o petista Eduardo Suplicy. Durante a nossa conversa eu
disse que nenhum político prestava. Ele me interrompeu e ponderou que eu
deveria tomar cuidado com a maneira de usar as palavras: “Garoto, você pode
dizer a mesma coisa sem se comprometer. Em vez de afirmar apenas que nenhum
político presta, acrescente no final um salvo exceções, ou diga que a maioria,
ou muitos deles não prestam. Assim, se alguém quiser processá-lo por se sentir
agredido, basta ressalvar que ele faz parte dessas exceções”.
Talvez ele tenha exagerado. Nunca
mais na vida, entretanto, me esqueci dessa lição. E, de lá para cá, passei a
dar essa sugestão também aos meus alunos políticos e empresários. Todas as
vezes que tiverem de emitir uma opinião polêmica, que tomem o cuidado de deixar
uma saída para futuras possibilidades de defesa. Não podem dar a cara para
bater.
Bolsonaro esbraveja, ataca,
xinga, vocifera, mas, como ele mesmo diz, jamais sai das quatro linhas da
Constituição. É a sua garantia para não ser apeado do poder por deslizes de
conduta. E alardeia esse procedimento a quem desejar ouvir. A todo momento,
desafia a apontarem um único exemplo em que tenha afrontado a Constituição. O
presidente bate no peito, desde o primeiro dia do seu governo, se vangloriando
de não ter enfrentado nenhum caso de corrupção. Como macaco velho, não enfia a
mão em cumbuca e todas as vezes encerra com uma ressalva: “Não significa que
não possa vir a ocorrer. Eu não posso dar conta de mais de 20 mil servidores
comissionados, ministérios com 300 mil funcionários. Se existir algum problema,
vamos investigar imediatamente”.
Quase ninguém prestava atenção
nessas palavras adicionais. O que marcava era a essência do discurso: “Não
temos um caso de corrupção no governo”. Como político de mais de 30 anos de
experiência, e tendo visto toda sorte de roubalheira grassando ao seu redor,
sabia que dia mais cedo, dia mais tarde, alguém poderia aprontar uma falcatrua
e abrir o flanco para a oposição partir para cima com a faca nos dentes. Não
houve ainda nenhum caso concreto de corrupção em seu governo. A acusação mais
grave até aqui foi contra o ex-ministro Milton Ribeiro, que ainda está sob
investigação. A bem da verdade, aberta pelo próprio ex-ministro. Ainda assim,
as ressalvas do presidente servem de escudo para blindá-lo de possíveis ataques
oposicionistas. Em sua defesa poderá repetir o que sempre disse: “Não que não
possa surgir algum caso. E se acontecer, vamos investigar a fundo”. Na pior das
hipóteses, ninguém será capaz de acusá-lo de ser contraditório.
A situação do ex-presidente da
Caixa, Pedro Guimarães, acusado de assédio sexual e moral, não tem a ver com
corrupção. Surgiu posteriormente uma denúncia de que sua casa foi reformada com
recursos da própria Caixa, o que precisa ser investigado. Para o chefe do
Executivo se resguardar dos respingos políticos que afetariam sua campanha, as
mesmas palavras de ressalva cairiam como uma luva também nesse episódio. Essas
portas abertas para eventuais defesas nunca podem ser tomadas como garantia
total de proteção, mas serão os primeiros passos para neutralizar parte das
avalanches que surgem nesses momentos.
Portanto, tomar cuidado com
afirmações generalizadas, prevendo o que precisaria ser dito nas situações em
que “aquelas certezas” comecem a desmoronar, é conhecimento que se soma a cada
momento de nossa existência. O melhor da história é que não precisamos cometer
esses erros para aprender. Basta observar o comportamento dos mais experientes
e entender o motivo de suas atitudes. Como disse Marquês de Maricá: “Os erros
de uns são lições para outros; estes acertam porque aqueles erraram”. (Reinaldo
Polito)
“Aqueles que se recusam a encarar a mudança como parte da vida estão na realidade recusando a própria vida.”





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