9 de jul. de 2022

O certo e incerto no futuro Brasil.

Dados da Fiocruz: Novas linhagens da Ômicron avançam e favorecem reinfecções da Covid-19.

Desmatamento na Amazônia bate recorde no primeiro semestre de 2022.

Em Caxias (RJ), polícia encontra paraguaios que trabalhavam em regime análogo ao da escravidão.

Caso Henry Borel: STJ mantém prisão de Monique Medeiros. Professora é ré em um processo com o ex-namorado, o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Junior, o Jairinho, pela morte do filho dela.

Governo vê ‘demora injustificável’ em análise de indicados ao Conselho da Petrobras. Oito nomes foram indicados há mais de um mês, mas o Comitê de Elegibilidade ainda não deu parecer oficial sobre Caso Milton Ribeiro

Caso Milton Ribeiro: PGR rejeita pedido de nova apuração contra Bolsonaro.

PF prende suspeito de mandar assassinar Dom Phillips e Bruno Pereira. Suposto mandante, Colômbia seguirá preso até o julgamento. Rubens Villar Coelho é suspeito de mandar matar indigenista.

Reunião do G20: EUA e China chegam a consenso, mas guerra da Ucrânia e situação de Taiwan preocupam.

Polícia do Japão admite 'inegáveis' falhas de segurança na morte do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe. Rodeado de apoiadores, que queriam prestar última homenagem, o corpo do político chegou neste sábado (9) à capital Tóquio.

Justiça da Inglaterra aceita julgar ação do desastre em Mariana . A ação, apresentada em 2018, busca indenização da BHP.

Elon Musk recua em acordo bilionário e desiste de comprar o Twitter. Segundo o empresário, a rede social violou parte das cláusulas previamente estabelecidas; acordo de aquisição havia sido assinado em abril e estipulava uma transação de US$ 44 bilhões. Ações do Twitter caem 4,81% após Musk desistir de compra por 'violação de acordo'.

Fronteira entre Polónia e Lituânia: populações preparam-se para o pior

https://youtu.be/782Z4WgfSwM

A Tomada da Bastilha, também conhecida como Queda da Bastilha, foi um evento central da Revolução Francesa, ocorrido em 14 de julho de 1789.

Todo dia 14 de julho, muitos franceses tiram sua bandeira tricolor do armário e saem às ruas para comemorar aquele que consideram ser o dia mais importante do ano.

Pela manhã, um pomposo desfile militar é organizado na famosa avenida Champs-Elysées e depois, ao pôr do sol, a Torre Eiffel oferece um show de fogos de artifício sincronizado com uma mistura de música clássica e sucessos do momento, a que os parisienses assistem com garrafas de champanhe de todos os cantos da cidade.

No entanto, o dia 14 de julho tem a sua origem num acontecimento um pouco menos festivo: a tomada inesperada e violenta de uma fortaleza medieval conhecida como Bastilha há mais de dois séculos, em 1789.

Foi um momento decisivo na história mundial, marcando o início da Revolução Francesa e com ela o início do fim de uma das monarquias mais poderosas da época.

O evento também gerou mudanças nas sociedades europeias e em todo o mundo, servindo de inspiração para muitas outras iniciativas revolucionárias, como a onda de independência que começaria algumas décadas depois na América Latina. (Norberto Paredes. BBC News Mundo)

O ano em que todos riam com a política

Os mais jovens não vão lembrar, mas depois da abertura democrática já fomos engraçados na política. Na eleição de 2010, Dilma Rousseff e José Serra protagonizavam o embate político. Como toda eleição, tivemos momentos tensos, mas a grande novidade da época era um perfil nas redes sociais chamado Dilma Bolada, inspirado, obviamente, em Dilma Rousseff. Um fenômeno das redes.

Na época, a sensação no mainstream era a série Game of Thrones, onde uma personagem se autodenominava “a mãe dos dragões” (você precisa de referência para entender esse texto). O perfil de Dilma Bolada não deixou passar: Dilma era a dilmãe. Mas também era a “soberana das Américas”, era “linda”, “competente” e “rainha da nação”. O perfil ironizava seus adversários e exaltava qualidades a Dilma. Não importava de que partido você era: era impossível não rir com as sacadas de Dilma Bolada. Obviamente o perfil foi um puxador de votos, mas esse é outro assunto.

Vale lembrar que quando Dilma foi a escolhida de Lula para lhe suceder, ela era a ministra da Casa Civil. Uma mulher dura, autoritária e de poucos amigos. O perfil lhe trouxe uma suavidade que caiu muito bem na campanha. Linguagens como “dilmais” e “rousselfie” foram incorporadas na política. A ironia, aquela ironia que faz você nem que seja sorrir, também.

José Serra era o vampiro, assim mesmo, descarado, Aécio Neves era Aécio Never, numa referência a qual Aécio nunca seria eleito, e Marina Silva era Marinárvore. Hastaghs como “êtapresidentamaravilhosa” eram utilizadas na internet sem economia. Os internautas entravam na brincadeira.

Eu escrevi um longo artigo explicando esse fenômeno e ele foi, inclusive, publicado na Espanha. Se chama “Dilma Bolada ou Dilma Rousseff, quem é a diva da nação?”. Até hoje nos meus cursos quando vou falar de ressignificar a imagem na política e apresento essa análise, todos riem. Em 2010, até quando Dilma Rousseff era questionada por atos de seu antecessor, Lula, nós ríamos. Outros perfis nas redes surgiram na esteira do Dilma Bolada. A política fazia rir, meus amigos.

Mas hoje todo esse cenário foi dominado pelo ódio. A internet nunca foi o problema. A tecnologia nunca foi o problema. O problema é o que fazemos com ela.

EM 2022, se você não pensa como eu você é meu inimigo. E eu preciso aniquilar você. Eu vou encontrar suas redes, vou xingar, vou cancelar e você não terá paz. Travestido de opinião, o ódio dominou a sociedade. Argumentos de que é “liberdade de expressão” incitam violência, discriminação e estigmas. Mas democracia é dissenso. Há equilíbrio no conflito. Pelo menos deveria.

Muitos autores da Ciência Política se debruçaram sobre o fato de como seria a vida se o homem não vivesse em sociedade. Viveríamos sob constante estado caótico, argumentam. Viveríamos? Fico imaginando se Thomas Hobbes, aquele que escreveu O Leviatã, em 1651, estivesse vivo hoje. O que pensaria do estado em que chegamos? Facadas em campanhas, escândalos sexuais, morais, financeiros... A sociedade corrompida quase em sua completude. Falar se tornou perigoso porque não existe mais uma base de fatos, mas uma verdade que cada um cria.

A dignidade do outro é atacada constantemente e isso parece tornar-se cada vez mais normal, cada vez mais justificável. Não existe liberdade de expressão. Existe liberdade de agressão. Nossa sociedade parece que estabeleceu um pacto de agressão onde o que importa somente é a dominação do outro. O outro tornou-se uma ameaça constante. Saudade de quando Dilma bolada mandava Marina plantar uma árvore e estava tudo bem.Democracia é um regime político em que todos os cidadãos elegíveis participam igualmente — diretamente ou através de representantes eleitos — na proposta, no desenvolvimento e na criação de leis, exercendo o poder da governação através do sufrágio universal. (Deysi Cioccari)

Bolsonaro deixou brechas para explicar atos de corrupção no governo?

Presidente não enfia a mão em cumbuca e sempre encerra seus discursos com uma ressalva: ‘Não posso dar conta de mais de 20 mil servidores comissionados e ministérios com 300 mil funcionários’

O presidente Jair Bolsonaro costuma reforçar que nunca age fora das quatro linhas da Constituição

Certa noite, recebi uma aula inesquecível. Eu tinha apenas 23 anos de idade e conversava com um dos comentaristas políticos mais renomados daquela época, Ferreira Netto. Ele conseguiu tanta projeção com seus programas nas emissoras de rádio e televisão que, em 1989, como candidato ao Senado, obteve mais de 3,8 milhões de votos. Ficou à frente de nomes poderosos como Franco Montoro e Guilherme Afif Domingos. Perdeu para o petista Eduardo Suplicy. Durante a nossa conversa eu disse que nenhum político prestava. Ele me interrompeu e ponderou que eu deveria tomar cuidado com a maneira de usar as palavras: “Garoto, você pode dizer a mesma coisa sem se comprometer. Em vez de afirmar apenas que nenhum político presta, acrescente no final um salvo exceções, ou diga que a maioria, ou muitos deles não prestam. Assim, se alguém quiser processá-lo por se sentir agredido, basta ressalvar que ele faz parte dessas exceções”.

Talvez ele tenha exagerado. Nunca mais na vida, entretanto, me esqueci dessa lição. E, de lá para cá, passei a dar essa sugestão também aos meus alunos políticos e empresários. Todas as vezes que tiverem de emitir uma opinião polêmica, que tomem o cuidado de deixar uma saída para futuras possibilidades de defesa. Não podem dar a cara para bater.

Bolsonaro esbraveja, ataca, xinga, vocifera, mas, como ele mesmo diz, jamais sai das quatro linhas da Constituição. É a sua garantia para não ser apeado do poder por deslizes de conduta. E alardeia esse procedimento a quem desejar ouvir. A todo momento, desafia a apontarem um único exemplo em que tenha afrontado a Constituição. O presidente bate no peito, desde o primeiro dia do seu governo, se vangloriando de não ter enfrentado nenhum caso de corrupção. Como macaco velho, não enfia a mão em cumbuca e todas as vezes encerra com uma ressalva: “Não significa que não possa vir a ocorrer. Eu não posso dar conta de mais de 20 mil servidores comissionados, ministérios com 300 mil funcionários. Se existir algum problema, vamos investigar imediatamente”.

Quase ninguém prestava atenção nessas palavras adicionais. O que marcava era a essência do discurso: “Não temos um caso de corrupção no governo”. Como político de mais de 30 anos de experiência, e tendo visto toda sorte de roubalheira grassando ao seu redor, sabia que dia mais cedo, dia mais tarde, alguém poderia aprontar uma falcatrua e abrir o flanco para a oposição partir para cima com a faca nos dentes. Não houve ainda nenhum caso concreto de corrupção em seu governo. A acusação mais grave até aqui foi contra o ex-ministro Milton Ribeiro, que ainda está sob investigação. A bem da verdade, aberta pelo próprio ex-ministro. Ainda assim, as ressalvas do presidente servem de escudo para blindá-lo de possíveis ataques oposicionistas. Em sua defesa poderá repetir o que sempre disse: “Não que não possa surgir algum caso. E se acontecer, vamos investigar a fundo”. Na pior das hipóteses, ninguém será capaz de acusá-lo de ser contraditório.

A situação do ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães, acusado de assédio sexual e moral, não tem a ver com corrupção. Surgiu posteriormente uma denúncia de que sua casa foi reformada com recursos da própria Caixa, o que precisa ser investigado. Para o chefe do Executivo se resguardar dos respingos políticos que afetariam sua campanha, as mesmas palavras de ressalva cairiam como uma luva também nesse episódio. Essas portas abertas para eventuais defesas nunca podem ser tomadas como garantia total de proteção, mas serão os primeiros passos para neutralizar parte das avalanches que surgem nesses momentos.

Portanto, tomar cuidado com afirmações generalizadas, prevendo o que precisaria ser dito nas situações em que “aquelas certezas” comecem a desmoronar, é conhecimento que se soma a cada momento de nossa existência. O melhor da história é que não precisamos cometer esses erros para aprender. Basta observar o comportamento dos mais experientes e entender o motivo de suas atitudes. Como disse Marquês de Maricá: “Os erros de uns são lições para outros; estes acertam porque aqueles erraram”. (Reinaldo Polito)

“Aqueles que se recusam a encarar a mudança como parte da vida estão na realidade recusando a própria vida.”

Nenhum comentário:

- - - - - - - - Postagens Mais Visitadas - - - - - - - -