19 de jul. de 2022

No fundo, quem perde é o país.

Em conversa por telefone, Bolsonaro e Zelensky discutem exportação de grãos para evitar crise alimentar global.

Fachin reage à reunião de Bolsonaro com embaixadores: ‘Negacionismo eleitoral’.

Repercussão de encontro: Barroso rebate Bolsonaro e nega palestra nos EUA sobre ‘como derrubar um presidente’.

Ordem de Moraes: Bolsonaristas devem apagar conteúdos que atrelem PT ao PCC.

Americanos recriam queda de bicicleta do presidente Joe Biden em desafio na internet.

França e Reino Unido têm disparada de calor e estão 'mais quentes que o Saara'.

Walter Casagrande...

               Casagrande é um dos grandes ídolos do futebol brasileiro. Além de atleta  excepcional, sempre exerceu sua Cidadania e foi um dos líderes da conhecida “Democracia Corintiana”,  quando os atletas do clube revolucionaram a gestão do clube e seu relacionamento recíproco...

               Com muito esforço, persistência e força de vontade, conseguiu superar seus  problemas relacionados  ao  consumo  de  drogas.

               Leia abaixo o texto publicado hoje (10/07/22) por ele.

               Lição de Cidadania, de não omissão e de posicionamento correto em relação à degradação política que hoje impera  no País... (Márcio Dayrell Batitucci)

Existem três coisas que eu não negocio de forma alguma: a minha sobriedade, a nossa democracia e a minha liberdade. Fiz um tratamento longo, difícil, para alcançar o meu equilíbrio emocional e a minha sobriedade, e já estou totalmente limpo há muitos anos. Não fumo, não bebo e, obviamente, estou muito distante das drogas. Não pretendo passar nem perto delas, o que foi - e ainda é - uma grande luta e uma grande vitória pessoal. É por causa dessa luta que estou aqui, e sou convidado para fazer muitas coisas no esporte, na cultura e pela sociedade. São coisas que me dão confiança para encarar qualquer desafio.

Como, por exemplo, a luta pela nossa democracia, que está sendo atacada há quatro anos sob a liderança da família Bolsonaro, que espalhou o ódio na nossa sociedade, facilitou a compra de armas e incentiva os seus seguidores mais radicais a usá-las contra quem pensa diferente. Desmatamento e garimpo ilegal, assassinatos de indígenas, violência brutal na floresta e no país todo, as pessoas passando fome, corrupção no MEC... são algumas das perversidades que o governo do presidente Jair Bolsonaro faz questão de mostrar. Por tudo isso, a luta pela democracia será intensa, difícil, mas faço parte de uma resistência, junto com a maioria dos brasileiros, que irão defendê-la até o fim. Mas sem guerra, sem armas. No voto!

Chegamos ao terceiro item e, talvez, o mais importante da minha personalidade: a liberdade. Preciso me sentir livre para viver, para criar, para produzir, respirar.

Por muitos anos não soube lidar com o enorme instinto de liberdade que tenho dentro de mim. Eu me confundia, e achava que ter liberdade era poder fazer tudo. Foram muitos anos para aprender que até a liberdade tem um limite quando se quer ter uma vida saudável, profissional e social...

Fiquei 25 anos na TV Globo e nunca sofri censura, nunca falaram para mim o que eu poderia ou não dizer, e isso fez com que eu trabalhasse me sentindo livre. Aprendi o limite profissional da minha liberdade e a usava muito bem. Nunca passei do ponto e o parâmetro que tenho é exatamente não ter sido censurado. Mas esse limite foi diminuindo de uns anos para cá, e o incômodo da minha parte - e, acredito que também da parte deles - começou a aparecer. É desagradável trabalhar incomodado com alguma coisa e a decisão de cada um seguir a própria estrada foi a mais acertada.

Talvez alguns tenham pensado que eu não teria mercado, que a minha saída não causaria impacto e que o mundo não seria tão grande fora da bolha. Mas todos mostraram um carinho enorme por mim. De todos os lados recebi mensagens carinhosas de companheiros de anos de Globo (mesmo daqueles que já tinham saído do jornalismo), da GloboNews, dos meus amigos da dramaturgia, do mundo da música (onde tenho diversos amigos e amigas), e isso me fez muito bem.

Comecei a receber propostas de trabalho no mesmo dia da minha saída da TV Globo, e a primeira veio exatamente daqui, do UOL....

Já acompanhava todos os colunistas há muito tempo, como os meus dois mestres, Juca Kfouri e José Trajano, com quem terei a honra de dividir um programa, o Cartão Vermelho. A Milly Lacombe, que leio todos os dias, amo, e agora sou companheiro. O Jamil Chade, um dos jornalistas que mais respeito. E todos os outros, porque sempre fui leitor do esporte, da política e de tudo o que está acontecendo no mundo. Estou supermotivado e tenho costume de fazer gols em estreias. Na maioria das vezes foi assim, no futebol e na vida...

É ter prazer e motivação para trabalhar num novo lugar. É estar aberto para conhecer novos companheiros, falar, e, o mais importante, saber ouvir. É querer se entrosar o mais rápido possível, se esforçar para arrumar um lugar no campo e fazer algo importante em um grande time como esse em que estou. Estou muito feliz e orgulhoso por trabalhar com um monte de gente que respeito muito e me interesso pelas suas opiniões...

Se eu fosse um jogador, falaria coisas "novas" na minha chegada num novo time, do tipo: "Cheguei para somar, é um grupo de qualidade, jogo na posição que o professor me colocar, essa camisa é a minha segunda pele...". (Tenho certeza de que nunca ninguém ouviu alguém falar assim...) Mas sou assim: jogo o jogo e, como um digno camisa 9, vou para cima! Ataco e penso sempre em fazer gols. E deixo claro que sou totalmente independente nas minhas opiniões, não passo pano para ninguém, seja quem for...

Quero agradecer muito a todos do UOL por terem pensado em mim assim que saí da TV Globo. E tenho certeza de que ninguém irá se arrepender. (A trilha sonora da minha vida - e também dessa coluna - foi muito rock and roll, com uma das minhas bandas favoritas, The Who.

https://youtu.be/UDfAdHBtK_Q

Bom demais para acreditar

UMA NOVA PROPOSTA DE REFORMA TRIBUTÁRIA

Na semana passada, a Gazeta do Povo publicou uma ótima notícia, assinada pelo jornalista Celio Yano, dando conta da existência de uma nova proposta de REFORMA TRIBUTÁRIA, a qual prevê a EXTINÇÃO DE 15 IMPOSTOS, dando lugar a EXISTÊNCIA de apenas TRÊS. Que tal? Ora, só o fato de haver um PROJETO que propõe a EXTINÇÃO DE IMPOSTOS já me deixa extremamente satisfeito e feliz. Mais ainda, por mais que possa estar sendo enganado, quando vejo um PROJETO que prevê tamanha ELIMINAÇÃO DE TRIBUTOS. De novo: isto é bom demais para acreditar!

RENDA, CONSUMO E PROPRIEDADE

Mais do que sabido e lamentado, os nossos deputados e senadores não gostam de REFORMAS que tenham como propósito melhorar a vida do povo, dos consumidores, dos produtores e dos prestadores de serviços. Daí a razão para que a tramitação das REFORMAS -TRIBUTÁRIA E ADMINISTRATIVA - não avancem minimamente nas duas Casas. Pois em meio a tanta desfaçatez, no final de maio foi instalada, na Câmara Federal, uma COMISSÃO ESPECIAL para analisar a PEC 7/2020 (como se vê é do ano de 2020), que visa limitar a arrecadação do Estado a apenas TRÊS TRIBUTOS (RENDA, CONSUMO E PROPRIEDADE).

ANO DE ELEIÇÃO

A referida PEC, vale registrar, foi apresentada pelo deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP), e teve admissibilidade aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara ainda em novembro de 2021, sob orientação favorável da bancada governista. Contudo, antes que a euforia ganhe proporções indevidas é importante reconhecer que é praticamente nula a possibilidade de haver a votação da PEC ainda em 2022, a considerar que estamos em ANO DE ELEIÇÃO. Mesmo assim, boa parte dos parlamentares admite - categoricamente - que essa é a REFORMA que melhor traduz os anseios da população, da sociedade, como bem disse, em fevereiro deste ano, a deputada-relatora Bia Kicis.

OS 15 IMPOSTOS A SEREM EXTINTOS

Pelo que propõe a PEC, trata-se da proposta mais radical na comparação com as alternativas que estão na mesa e, segundo Orleans e Bragança, é inspirada no modelo norte-americano. Sobre cada uma das três principais bases tributáveis –renda, consumo e propriedade– seria aplicado um ÚNICO IMPOSTO, que poderia ter alíquotas definidas nos níveis -federal, estadual e municipal-. Para tanto seriam extintos os seguintes 15 impostos e contribuições, que incidem hoje sobre propriedade e consumo nos três níveis de governo:

Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS);
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);
Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS);
Contribuição ao Programa de Formação de Patrimônio do Servidor Público (Pasep);
Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins);
Imposto Sobre Serviços (ISS);
Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA);
Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doações (ITDMC)
Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR);
Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU);
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);
Imposto de Exportação (IE);
Contribuições previdenciárias sobre folha de pagamento;
Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (Cide); e
Salário-Educação.

COMPETÊNCIA

Mediante convênios, a competência para arrecadação, fiscalização e cobrança seria: da União, para o Imposto de Renda (IR); dos estados, para o imposto sobre consumo de bens e serviços; e dos municípios, para o imposto sobre patrimônio.

Com a extinção das contribuições sociais, a seguridade social seria financiada por uma parcela da arrecadação dos impostos sobre consumo e sobre renda, além de recursos orçamentários. O porcentual mínimo dos tributos a ser destinado à área será definido em lei complementar, conforme o texto. Ainda segundo a proposta, seriam destinados à educação uma fatia mínima de 18% da receita da União e de 25% da receita dos estados e municípios. Já programas suplementares de alimentação e assistência à saúde seriam financiados com recursos provenientes de impostos sobre a renda e sobre consumo dos respectivos entes federativos.

SIMPLIFICAÇÃO

“Com somente duas medidas principais, faríamos uma reforma que atenderia o apelo pela simplificação tributária, eliminaria as resistências sobre as propostas em debate no Congresso Nacional, aumentaria a competitividade do sistema tributário, reduziria dependência sobre impostos regressivos de consumo e combateria a centralização excessiva no sistema tributário”, afirma Orleans e Bragança na justificativa do projeto. A primeira medida seria permitir que estados e municípios tributem as três bases de incidência de forma a equalizar suas contas da maneira que entenderem. “Alguns municípios sofrem de inadimplência recorde de pagamento de IPTU e passam a depender de taxas de serviço diretos pra manter serviços públicos”, explica. “Tendo mais instrumentos para alcançar o equilíbrio fiscal, a tarefa das prefeituras seria facilitada.”

MODELO AMERICANO

“No modelo norte americano, à exceção dos impostos federais, que são impositivos e irrevogáveis, estados e municípios definem quais tributos e com que alíquotas seus cidadãos serão taxados. Alguns estados dependem mais de tributos sobre a renda, outros dependem de tributos sobre a propriedade e outros de tributos sobre consumo e outros arrecadam sobre os três itens. Cada estado equilibra suas contas como bem entender”, afirma o parlamentar. A segunda mudança seria acabar com o chamado “efeito cascata”, ao se limitar a cobrança dos impostos sobre consumo somente à etapa de venda ao consumidor final, no estado de destino, desonerando a cadeia produtiva. O modelo é semelhante à ideia de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), já adotado em diversos outros países e que consta de propostas como a PEC 110.

“Com essa medida atenderíamos o principal benefício do IVA para o produtor, a não cumulatividade, desobrigando-o de manter notas fiscais e contas de conciliação para comprovar os créditos dos insumos”, diz Orleans e Bragança. Ficariam vedadas a cobrança do imposto sobre consumo nas operações entre empresas e a utilização da substituição tributária, o que eliminaria a necessidade de rastreamento de débitos e créditos fiscais.

O texto original previa ainda que passassem a ser voluntárias as contribuições ao Sistema “S”, que hoje variam de 0,2% a 2,5% em função do tipo de contribuinte, definido pelo enquadramento no código Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS). O dispositivo foi retirado no relatório apresentado na CCJC por Jordy, que alegou que a mudança “tende a abolir direitos e garantias individuais”. “Isso se dá porque o Sistema ‘S’ tem como principal objetivo beneficiar e ajudar os trabalhadores de diversas áreas do mercado”, explicou o deputado.

O Sistema S é composto hoje de sete instituições: Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai); Serviço Social do Comércio (Sesc), Serviço Social da Indústria (Sesi), Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) e Serviço Social de Transporte (Sest).

Diferentemente de outras propostas já apresentadas, a PEC 7 não prevê um mecanismo de transição entre o atual modelo e a nova ordem sugerida. A PEC 110, por exemplo, estabelece um prazo de 40 anos para a conclusão das mudanças.

Na comissão especial, não foram protocoladas emendas até o encerramento do prazo inicial de dez sessões, mas já há até agora 19 requerimentos de audiências públicas com representantes de diversos segmentos. Novas contribuições podem ser aceitas no caso da apresentação de um substitutivo pela relatora.

Caso a PEC não seja apreciada pela comissão até o fim da atual legislatura, que se encerra neste ano, a proposição será arquivada, podendo ser desarquivada por Orleans e Bragança caso seja reeleito, ou outro parlamentar que conquiste novo mandato e tenha o nome acrescido ao texto como autor. (Gilberto Simões Pires)

“Triste, sim. Sem esperanças, nunca!”

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