Caminhoneiros dizem que situação é ‘pior do que em 2018’ e reforçam que greve ‘não está descartada’. Categoria pressiona o governo por medidas efetivas para redução do diesel, recusa auxílio de R$ 400 a R$ 1 mil e pede ‘dignidade’.
Comitê aprova Caio Paes de
Andrade para presidir a Petrobras.
Após repasse às bombas, preço do
diesel supera o da gasolina pela primeira vez.
Relator estima que pacote para
programas sociais em PEC deve custar R$ 34,8 bilhões.
Conselheira da Petrobras diz que
indicado a CEO não cumpre requisitos mínimos.
STF marca conciliação entre União
e Estados, que contestam novas regras do ICMS.
Operação Acesso Pago: Pastor
preso pela PF ameaçou 'destruir todo mundo' em conversa com advogada. Líder
religioso foi preso em uma ação que investiga um esquema de corrupção no Ministério
da Educação.
Mulher de Ribeiro disse que ele
'estava sabendo' de operação no dia da prisão.
Vai ser difícil para
Bolsonaro se livrar dos estragos de Milton Ribeiro
Prisão do ex-ministro por
suspeita de corrupção caiu como uma bomba na campanha eleitoral do presidente
Não poderia acontecer coisa pior
para o presidente Bolsonaro. Sua campanha pela Presidência da República nem
começou oficialmente, mas já foi atingida por uma explosão. Vai ser muito
difícil se livrar dos estragos. Nesse clima de vale-tudo, os adversários do
presidente estão exultantes. Bolsonaro não põe mais a cara no fogo pelo seu
ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro. Foi o que disse em março, quando
surgiram as primeiras denúncias de corrupção no MEC. Hoje, Bolsonaro pensa de
outra maneira, conforme disse em entrevista nesta quarta-feira, 22, à rádio
Itatiaia. Afirmou que o ex-ministro, que era um santo, tem que responder pelos
seus atos. Nessa entrevista, o presidente se fez de esquecido ao dizer que o
caso de Milton Ribeiro devia ser aquele em que ele se envolveu com algumas
pessoas de confiança dele. Alguns pastores que passavam verba do Ministério da
Educação para prefeituras identificadas com o governo.
É esse caso, sim, presidente. Exatamente
esse. Os pastores amigos do seu então ministro frequentavam o Palácio do
Planalto. Gente chegada a Milton Ribeiro, bem chegada. Tanto que tinham o aval
do ministro para assaltar as prefeituras, especialmente aquelas na periferia do
Brasil, as mais pobres, esquecidas sempre pelas grandes autoridades do país.
Bolsonaro afirma que o ex-ministro está preso, significa que a Polícia Federal
está agindo. No dia que Milton Ribeiro foi exonerado do governo, porque não
havia mais condições de continuar, a primeira-dama Michelle Bolsonaro caiu em
lágrimas e foi contra o marido presidente da República, dizendo que Deus iria
provar que o ex-ministro é uma pessoa inocente. Michele disse também: “Amo a
vida dele, eu confio muito nele!”.
O que Bolsonaro não deseja, não
deseja mesmo, é ser envolvido nessa história. O presidente garante que a prisão
prova que ele não interfere no trabalho da Polícia Federal. Explica que tem 23
ministros, mais de uma centena de secretários e mais de 20 mil cargos
comissionados: “Se alguém faz algo errado, pô, vai botar a culpa em mim?”,
perguntou Bolsonaro, sabendo que essa história é uma explosão na sua campanha
eleitoral. Onde está o governo sem corrupção? O presidente observou que o
governo não vai compactuar com os atos do ex-ministro. Se errou, vai ter de
pagar. E o governo vai auxiliar a Polícia Federal nas investigações. Os
pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, que liberavam os recursos do MEC para
cobrar a propina, também já estão enjaulados. Esse é o ministro que queria separar
as crianças deficientes nas salas de aula, dizendo que elas atrapalhavam o
ensino. Que se omitiu na pandemia. Que se meteu nas provas no Enem para evitar
questões que contrariassem o governo. Em abril, o ex-ministro disparou sua arma
de fogo acidentalmente no aeroporto de Brasília. Andava com a arma carregada,
como se fosse um brinquedo. E colocou a arma no balcão da companhia aérea.
Disparou e feriu uma funcionária com estilhaços da bala.
Não poderia acontecer coisa pior
para a campanha eleitoral do presidente. Os pastores ladrões estiveram no
Palácio do Planalto 35 vezes. Os adversários do presidente ganharam munição
para a campanha. Nesta quarta-feira, 22, Ciro Gomes e Simone Tebet criticaram
duramente Bolsonaro e o ex-ministro. Para Ciro Gomes, o “falso pastor” atuava
junto com Bolsonaro. Simone Tebet fez acusações várias, mas observou a que
ponto chegou a Educação neste país. Já Luiz Inácio da Silva, gato escaldado,
preferiu não dizer nada. Ficou em silêncio. A equipe da campanha está tentando
de todas as maneiras blindar o presidente, cortando qualquer tipo de relação
com o ex-ministro. O senador Flávio Bolsonaro (PL) admite que a prisão do
ex-ministro traz um grande impacto negativo à campanha do seu pai. O estrago
está feito. Milton Ribeiro chegou ao governo como um forasteiro. Unicamente por
ser evangélico, mais nada. Parecia um santo. Só não fez milagre nenhum.
Bolsonaro está ainda pensando no que deve fazer diante desse desastre.
Certamente vai reclamar com o bispo. (Álvaro Alves
de Faria)
Mais uma civilizada
demonstração de rejeição social.
Eis que outro evento jurídico
programado para a encantadora cidade de Gramado/RS recebeu o testemunho da
rejeição social à atual composição do STF brasileiro. Três patrocinadores
retiraram apoio ao evento, embora a participação da ministra Cármen Lúcia vá
ocorrer de modo virtual.
Aquela mídia que o ministro
Alexandre de Moraes considera impecável, confiável e democrática, atribuindo-lhe
o nome de “mídia tradicional” critica duramente o que denomina ação de “grupos
de direita”, como se isso fosse pejorativo, e como se a ampla maioria do STF
não fosse um grupo de esquerda, aprovado nos rigorosos filtros de Lula, Dilma e
José Dirceu.
Esse ativismo afeta a democracia
porque envolve explícita rejeição às posições conservadoras e liberais
consagradas nas urnas de 2018 e inclui evidente perseguição a muitos de seus
apoiadores. Graças a essa composição do STF, que se vê como poder moderador, mas
é fake, o Brasil passou a ter presos políticos, exilados, censura, inquéritos
do fim do mundo e tropelias processuais que afrontam a melhor ciência e
escandalizam as melhores consciências jurídicas do país.
Reações como as ocorridas em
Gramado e Bento Gonçalves nunca ocorreram antes porque nunca antes a sociedade
se viu constrangida a ir às ruas pedir justiça ao topo do sistema judiciário
nacional, sempre em vão, e nunca antes o senso comum de justiça inerente às
consciências bem formadas foi tão afrontado e se fez tão ausente na suprema
corte brasileira.
Um jornalismo que recria os
fatos, que fecha os olhos e tapa os ouvidos ao que não quer ver nem ouvir, que
silencia ante a injustiça e os abusos de poder jamais entenderá que pessoas de
bem (expressão usada com desprezo por uma colunista de ZH) não queiram pôr
dinheiro em eventos a que esses ministros compareçam. Contudo, trata-se de
conduta civilizada, democrática, própria de indivíduos livres que têm olhos para
ver e ouvidos para ouvir, fora do circuito laudatório e orquestrado da “mídia
tradicional”. (Percival Puggina, membro da Academia
Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor)
“Não se faz uma omelete sem quebrar os ovos.”




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