15 de jun. de 2022

As teclas e o futuro...

Aproxima-se a hora, pegue sua vassoura.

           Enquanto os dias escoam para o mês de outubro, olho para o Senado e percebo que o Senado não olha para mim. Nem para você, leitor. O Senado olha para os senadores e estes só atentam para si mesmos. Com a mais generosa boa vontade, entre os 81, as exceções a esse quadro egocêntrico não chegam a vinte.

Eis uma das grandes missões da ação política em favor do Brasil ao longo deste ano eleitoral. Vinte e sete senadores serão escolhidos pelos eleitores no primeiro domingo de outubro. Cada estado deve passar um pente fino na atuação dos que se apresentarem buscando renovar os mandatos. É preciso conhecer e tornar conhecidas, entre outras, as respectivas posições em relação ao pacote anticrime, à CPI da Lava Toga, à CPI da Covid, à prisão após condenação em segunda instância e à governabilidade do país.

A rigor, toda a insegurança jurídica causada por excessos monocráticos e colegiados do STF, apontados por Marco Aurélio Mello quando ministro, podem ser atribuídos ao desequilíbrio causado pelas décadas em que coube à esquerda política (mais precisamente a José Dirceu) apontar ao Senado os ocupantes dessas cadeiras. Agora, é o que temos, um poder de estado fazendo política sem voto.

Para o Senado porém, diferentemente do Supremo, a vida segue outro curso. Nossa Câmara Alta é um poder cujos membros se submetem à manifestação periódica de seus eleitores. Então, em outubro, sela-se o destino de 27 senadores. Salvem-se os raros bons e renovação já! Os restantes 54 entram na contagem regressiva para 2026. Também a estes deve ir o recado dos cidadãos de seus Estados. É a hora da cobrança, da revisão de vida, do respeito ao eleitor, da transparência das condutas. Hora de compreender que dirigir é servir.

Vale o mesmo para a Câmara dos Deputados. Antes de reeleger alguém, informe-se sobre como esse seu representante votou na autorização para o processo contra o deputado Daniel Silveira, como se posicionou (ou não!) sobre o voto impresso, o fim do foro privilegiado (que o Senado aprovou por unanimidade na legislatura anterior, ciente de que a Câmara jamais aprovaria aquela PEC). Maliciosamente, os senadores de então sabiam que o interesse próprio dos deputados prevaleceria e a matéria jamais iria à votação. Assim, salvaram-se todos, senadores e deputados, para os arquivos mortos da impunidade e da prescrição. Procure saber o que pensa seu candidato sobre reformas institucionais que limitem os ensaios tirânicos e o uso do poder de Estado como arma de guerra cultural e política.

Durante décadas, os construtores de narrativas foram muito bem sucedidos. Especialmente no tempo das velhas “cartilhas”. Os ativistas de esquerda eram nacional e uniformemente abastecidos de construções retóricas, esfarrapadas desculpas e grotescas acusações que, reiteradas além dos limites da náusea, tinham, pela repetição, aquele indigesto e conhecido poder de convencimento estudado por Goebbels. Pois esse tempo acabou, rápido e a muito baixo custo com as antagonizadas redes sociais. Os dias escoam em direção ao mês de outubro. (Percival Puggina, membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário)

Programa do PT gera críticas até de partidos aliados à candidatura de Lula

Siglas reclamam que todas as propostas encaminhadas foram ignoradas pela legenda do ex-presidente, que demonstra mandar em tudo

A única coisa certa no programa de governo de Luiz Inácio da Silva é a regulação da imprensa, que significa censura. O desejo de censurar a imprensa é imenso. Mas o PT ainda não está satisfeito com o programa. Muita gente discutindo nos bastidores. Os aliados reclamam e não escondem de ninguém que são ignorados. A impressão que dá é que Lula já está eleito, só espera a faixa da Presidência da República. Muita soberba. O que não é novidade nenhuma. Soberba e arrogância. O PT não aprende. Será sempre esse partido que causa mal-estar, especialmente por sua conduta no governo, quando mostrou seu lado aberto à corrupção. Promoveu o maior assalto ao dinheiro público, como nunca se viu no mundo. E o país mergulhou nessa sombra de hoje, numa paisagem cada vez mais angustiante. Pois o partido está aí de novo, na figura de seu chefe supremo, que saiu da prisão por um golpe do Supremo Tribunal Federal, revelando que este país é mesmo um parque de diversões. 

O programa do partido corrupto tem causado muitas críticas dos partidos que se aliaram à candidatura petista, a começar pelo PSB, do ex-governador Geraldo Alckmin, hoje vice na chapa de Lula. Reclamam que todas as propostas encaminhadas para o programa foram ignoradas pelo PT, que demonstra mandar em tudo. Queixam-se, ainda, do vazamento de informações promovidas pelo partido que traiu seus eleitores quando chegou ao poder. Já o PT explica que muitas propostas foram deixadas de lado porque também são defendidas pelo candidato do PDT, Ciro Gomes. Integrantes da equipe de coordenação do programa de governo reclamam que não foram consultados sobre a redação do documento antes de encaminhá-lo para os partidos aliados. O presidente nacional do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva – o Paulinho da Força – afirma que o programa tem que ser debatido. Cita, como exemplo, que a ideia de revogar a reforma trabalhista, implementada pelo ex-presidente Michel Temer, já tinha sido acertada, mas acabou incorporada ao texto. Paulinho afirma que os presidentes dos partidos têm que bater o martelo. Se não for assim, nada feito. O PSOL, por seu lado, afirma que o programa elaborado pelo PT em nenhum momento se refere aos problemas ambientais e à reforma tributária.

O programa já divulgado aos poucos tem 90 parágrafos. O texto define os governos petistas como inovadores no combate à corrupção, reforça o papel do Estado na economia, enaltece o Bolsa Família e discorre sobre a necessidade de revogar o teto de gastos, além da revisão do regime fiscal. Fora isso, o programa que está sendo discutido prevê o fortalecimento dos sindicatos, sem a volta do imposto sindical. Prevê, ainda, um novo sistema de negociação coletiva e uma atenção especial aos trabalhadores informais e de aplicativos. O coordenador do programa é o ex-ministro Aloizio Mercadante, para quem o texto traduz uma preocupação legítima dos aliados, que desejam ampliar o debate. (Aloízio Mercadante, olha ele aí de novo!) Os aliados afirmam ser necessário resgatar o pacto que foi feito entre os partidos que apoiam a candidatura Lula. No final, o que está ocorrendo são aquelas manobras de sempre do PT, um partido acostumado a agir assim, passando por cima de todo mundo. Se de fato esse mal-estar valer de verdade, o PT terá de se curvar e alterar o seu plano de governo. Mas antes, é preciso pedir autorização para Lula. (Álvaro Alves de Faria)

Documentário Chaves 50 anos

https://youtu.be/DDg0TtEZtMQ

Um gesto vale mais que mil palavras.

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