Receita vai iniciar negociação de
dívidas com até 70% de desconto em 1º de setembro. Transações poderão ser
realizadas para quitação em até 120 meses; hoje, os débitos com a União chegam
a R$ 1,4 trilhão.
Ex-deputado Roberto Jefferson
registra candidatura à Presidência no TSE. Chapa do PTB tem Padre Kelmon como
vice e defende o direito à legítima defesa, ao porte de arma de fogo, a
criminalização da ‘cristofobia’, o agravamento da pedofilia como crime hediondo
e a proibição da maconha.
Ministro André Mendonça pede
vista de 20 recursos de Moraes que miram Bolsonaro e apoiadores. Entre os
processos estão os casos das fake news e dos atos de 7 de setembro; julgamentos
ficam paralisados para que o magistrado possa estudar sobre o que será
analisado pela Corte.
Jurado de morte pelo Irã: Escritor
Salman Rushdie pode perder olho após esfaqueamento em Nova York. Indiano foi
atacado antes de palestra; ele levou cerca de 15 facadas e está em um
ventilador sem poder falar.
Jornalismo tóxico
Quando o jornalismo assume as condutas
a seguir descritas, acolhe, também, responsabilidade pelas consequências.
Refiro-me às seguintes ações e omissões:
- silenciar, durante 43 meses
sobre todas as ações abusivas, truculentas e inconstitucionais do STF e só
prestar atenção aos malfeitos daquele poder quando os ministros encomendam
lagostas ou aumentam os próprios vencimentos;
- isentar STF e TSE de sua total
responsabilidade na atual crise política ao impor suas vontades, durante três
anos, contra manifestações de rua por urnas com impressoras e auditoria nas
apurações;
- desconhecer, ou quando conhece,
desprezar, ridicularizar e adulterar os legítimos conteúdos das manifestações
populares;
- nada dizer sobre o sinistro
processo de dominação e imposição do pensamento único na Educação brasileira,
nem sobre o amplo uso das universidades públicas para fins rigorosamente
políticos e partidários;
- fazer de conta que não vê o
imenso rol de privilégios financeiros e normativos autoconcedidos pelos
congressistas na presente eleição em detrimento do desejo de renovação
manifestado pela sociedade;
- perseguir de modo sistemático o
presidente da República, que dispõe apenas de um ou outro programa de tevê e
redes sociais para se fazer ouvir;
- repetir chavões contra o
presidente e contra a maioria conservadora da sociedade como quem copia e cola
de alguma cartilha oposicionista;
- avaliar o desempenho
parlamentar contando projetos de lei e despesas de gabinete, sem se interessar
pelo mais importante, que é clareza ou obscuridade das posições, a coerência ou
incoerência das condutas e a efetiva contribuição para o bem (ou mal) do país;
- acolher centenas de milhares
assinaturas à Carta da USP como sendo a mais legítima representação possível da
sociedade e, por anos a fio, desprezar a voz de dezenas de milhões de cidadãos
que vão às ruas sem serem ouvidos pelo Congresso e pelo STF;
- jamais escrever uma linha
sequer sobre os gravíssimos motivos da poluída interação havida entre o Supremo
e o Senado da República.
Poderia prosseguir, mas basta. A
mais grave consequência da desinformação, da notícia transformada em retórica,
da estratégia editorial persistente, é o agravamento da crise que diz combater;
é fugir da solução e jogar a nação no colo do problema. Nosso país precisa
resolver seus embaraços institucionais e eles não se solucionam com sofismas,
cartilhas ideológicas, etiquetas e ocultações.
Não é dever da mídia tornar a
nação mais sábia. É seu dever, porém, não intoxicar a democracia. (Percival Puggina, membro da Academia Rio-Grandense de
Letras, é arquiteto, empresário e escritor)
Bomba de Hiroshima: como foi o primeiro bombardeio nuclear da história
Há exatos 75 anos, uma bomba atômica foi utilizada pela
primeira vez como arma de guerra, selando o fim da Segunda Guerra Mundial.
Reportagem consultou fontes e conversou com especialista para reconstituir os
acontecimentos. Em 6 de agosto de 1945, a cidade de Hiroshima era a única,
entre todas as outras consideradas para o bombardeio, que apresentava um
cenário meteorológico adequado
A bomba atômica de Hiroshima explodiu há 77 anos, em 6 de
agosto de 1945, no Japão. “Um dia ensolarado virou um inferno”, disse o
historiador Mario Marcello Neto, doutor em história pela Universidade Federal
do Rio Grande do Sul e autor da tese O brilho de mil sóis: história, memória e
esquecimento sobre a bomba atômica nos Estados Unidos e no Japão, em entrevista
à National Geographic.
Naquela manhã de verão, sirenes soavam alertando para
ataques aéreos na cidade de Hiroshima, no Japão, enquanto caças B-29
norte-americanos cortavam o espaço aéreo do país. Até então, Hiroshima já tinha
sofrido mais de 30 ataques durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto,
ninguém no país estava preparado para o que viria a seguir.
Às 8h15, com “o brilho de mil sóis”, uma bomba atômica
foi detonada pela primeira vez em ato de guerra, causando um estrago nunca
antes visto. “O projétil explodiu no ar, a aproximadamente 600 metros do solo”,
pontua Marcello Netto. “Era carregado pelo Enola Gay, um bombardeiro B-29
pilotado pelo coronel Paul Tibbets, que sobrevoava Hiroshima a cerca de 9,5 km
de altura quando soltou a bomba."
O acontecimento foi um dos momentos mais marcantes da
Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que dividiu as nações do mundo em dois
grandes grupos. “Havia os Aliados, cujos
principais membros eram os Estados Unidos, Inglaterra, França e,
posteriormente, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Do outro
lado estava o chamado Eixo, composto pela Alemanha de Hitler, a Itália de
Mussolini e o Japão”, explica o historiador.
1. 1. O
que levou ao bombardeio de Hiroshima?
Quando as bombas tocaram o solo japonês, o país se
encontrava em uma grave crise por causa do conflito. “Estava sem o apoio de
seus dois principais aliados, sem dinheiro e enfrentando sozinho a potência que
mais cresceu durante a guerra: os Estados Unidos”, diz Marcello Neto.
Naquela altura, as cidades japonesas sofriam com uma
intensa onda de fome, enquanto ainda recebiam bombardeios esporádicos, mas
recorrentes. “Para contra-atacar, o Japão começou a adotar medidas drásticas de
combate, como o uso de pilotos kamikazes, que faziam missões suicidas e jogavam
os aviões em seus alvos como forma de ataque”, explica Marcello Neto. Mesmo
assim, o país do Eixo estava longe de se render.
Dentro do "fascismo japonês", havia estudos que
reforçavam a superioridade do Japão em relação às nações ocidentais, e seguiam
motivando sua permanência no conflito. No livro Inferno: O mundo em guerra
1939-1945, o historiador britânico Max Hastings afirma que os japoneses
acreditavam que a defesa vigorosa de suas ilhas ainda poderia evitar uma
rendição em uma derrota absoluta.
“Essa crença seguia existindo mesmo depois do desembarque
dos norte-americanos na ilha de Okinawa, em 1944, e das bombas incendiárias
lançadas em Tóquio, no início de março de 1945, que mataram mais de 100 mil
pessoas em menos de seis horas”, diz Marcello Neto.
2. Como se decidiu lanças a bomba
atômica no Japão
A ideia inicial do então presidente dos Estados Unidos,
Franklin D. Roosevelt, era usar a arma atômica como um artefato de barganha em
uma negociação diplomática entre os dois países. Entretanto, depois da morte de
Roosevelt, em abril de 1945, assumiu o vice-presidente Henry Truman, que tinha
uma visão diferente em relação ao uso da arma.
Em seu livro, Hastings escreve que a bomba nuclear passou
a ser vista como uma alternativa aos prejuízos que ocorreriam em invasões
terrestres ao Japão. “Estava claro para os Aliados que a derrota do Japão era
inevitável, por razões tanto militares quanto econômicas, e que, portanto, o
uso de armas atômicas seria desnecessário", diz o livro. "Mas, a
perspectiva de ser obrigado a manter a luta contra bolsões de resistência
fanática em toda a Ásia durante meses, talvez anos, era assustadora."
Foi por isso que, em 16 de julho daquele mesmo ano, a
cidade de Alamogordo, no Novo México, tornou-se palco do primeiro teste com a
bomba atômica criada por cientistas norte-americanos. Entre eles, Robert
Oppenheimer, um dos principais envolvidos em seu desenvolvimento.
O teste ocorreu no meio do deserto e ganhou o nome de
Experiência Trinity. “A potência da explosão foi avaliada em aproximadamente 20
mil toneladas de TNT e coroou o esforço científico e industrial que havia
absorvido dois bilhões de dólares, em cerca de cinco anos”, relata Ronaldo
Rogério de Freitas Mourão, doutor pela Universidade Sorbonne, de Paris, e
membro titular do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em seu artigo
Hiroshima e Nagazaki: Razões Para Experimentar a Nova Arma.
No mesmo dia, explica Marcello Neto, Truman se reunia com
os principais chefes de governo dos países aliados na chamada Conferência de
Potsdam, quando foi informado do sucesso do experimento. “Durante a
conferência, a URSS manifestou seu interesse em invadir o Japão por terra a fim
de pressionar o país por uma rendição”, diz. Nessa ocasião, os Estados Unidos
revelou a existência de sua arma atômica e a possibilidade de uso,
contextualiza o historiador.
Em seguida, o Japão recebe um ultimato, segundo conta
Hastings em seu livro. “A Declaração de Potsdam dos Aliados Ocidentais,
divulgada em 26 de julho, ameaçava o Japão com ‘pronta e total destruição’ se
ele não se rendesse de imediato.” A proposta, no entanto, foi negada.
Para Hastings, um dos motivos da rejeição foi que, para
os japoneses, a declaração apenas “prenunciava mais do mesmo: ataques com
bombas incendiárias e, cedo ou tarde, uma invasão”, enquanto que “para os
líderes dos Aliados, que sabiam que a primeira bomba atômica acabara de ser
testada com êxito a frase era cheia de significado.”
Como resposta para a negativa, o ataque à bomba se tornou
prioridade. “Isto fez com que os Estados Unidos imediatamente iniciassem o
processo de análise de cidades e locais onde a bomba atômica deveria ser
lançada”, relata o artigo científico de Neto.
Uma estátua queimada de Buda testemunha silenciosamente o
calor escaldante da bomba atômica.
3. Por que Hiroshima virou alvo da
bomba atômica?
Hiroshima não foi a única cidade escolhida para ser alvo.
“Os Estados Unidos tinham alguns critérios bastante específicos. O primeiro é
que nenhum dos locais a serem bombardeados poderia ser invadido por terra pelos
soviéticos, até o mês de setembro”, diz Marcello Neto.
O segundo critério era que as cidades tinham que ser
bastante amplas, ou seja, deveriam ter um diâmetro grande para se ver a
dimensão que a radiação poderia chegar. Por fim, também pesou na escolha o fato
de as cidades escolhidas carregarem uma importância significativa para o Japão,
tanto do ponto de vista estratégico militar quanto do cultural, de modo que o
ataque influenciasse a rendição do país.
A tese de Marcello Neto afirma que a lista de
cidades-alvo japonesas tinha, inicialmente, cinco nomes:
Kokura: escolhida “por se tratar do local onde quase toda
a munição japonesa era fabricada”;
Yokohama: “cidade onde se produzia boa parte dos derivados
de aço japoneses, suas aeronaves e, principalmente, onde estavam as refinarias
de petróleo do país”;
Niigata: “cidade portuária e produtora de aço e petróleo
refinado, e local de diversas indústrias”;
Kyoto: “um dos maiores centros comerciais japoneses e uma
das cidades mais populosas”;
Hiroshima: cidade portuária “com importantes instalações
militares”.
Para Richard Rhodes, historiador norte-americano e
ganhador do Prêmio Pulitzer pelo livro The Making of the Atomic Bomb (A Criação
da Bomba Atômica, em tradução livre), cujo trabalho guiou o artigo de Neto,
Kyoto foi desconsiderada por se tratar de uma cidade histórica, tendo sido por
séculos a capital japonesa. Se uma bomba caísse sobre Kyoto, provavelmente a
elite japonesa jamais teria aceitado a derrota. “Veriam a ação como uma
desfeita, e o efeito buscado pelo uso da bomba, que era a rendição, seria
perdido”, diz Marcello Neto.
Nagasaki foi incluída na lista para substituir Kyoto.
Tratava-se de uma cidade portuária e fabril, cercada por montanhas que
permitiriam maior concentração da radiação e melhor avaliação de seus estragos
por parte dos Estados Unidos.
Com os alvos aprovados, as tropas norte-americanas
estavam prontas para a missão de bombardeio a qualquer momento.
Segundo Marcello Neto, neste momento entra em jogo o
fator de decisão mais importante para a escolha de Hiroshima como alvo: o
clima. Era preciso um dia de tempo aberto. “Se houvesse vento, a radiação se
espalharia além do esperado. Se chovesse, a radiação também seguiria outro
fluxo e poderia atrapalhar o lançamento da bomba", explica o historiador.
"O tempo aberto também era importante para a coleta de dados, como fotos
da explosão, importantes para o fim científico que a missão tinha."
Em 6 de agosto de 1945, a cidade de Hiroshima era a
única, entre todas as outras consideradas para o bombardeio, que apresentava um
cenário meteorológico adequado.
4. O que aconteceu com Hiroshima
depois da bomba?
De acordo com o livro A Segunda Guerra Mundial, do
escritor e historiador britânico Antony Beevor, milhares de pessoas morreram em
Hiroshima com a explosão da bomba, chegando a 200 mil nos dias seguintes,
devido às consequências da radiação. “Cerca de 100 mil pessoas morreram
instantaneamente, e milhares de outras perderam a vida mais tarde, de
queimaduras, choque ou envenenadas pela radiação”, escreve Beevor.
“As pessoas ainda estavam tentando entender o que havia
acontecido. Sabiam que não tinha sido um bombardeio normal, mas não tinham
noção da radiação e do real estrago”, diz Marcello Neto sobre o que se seguiu
após a explosão. “Nem as autoridades japonesas estavam inteiradas, tanto que as
ordens para Hiroshima eram para a cidade se reerguer e se preparar para novos
ataques.”
Enquanto isso, os jornais dos Estados Unidos enalteciam a
missão. O The New York Times, por exemplo, trouxe o anúncio da Casa Branca e do
Departamento de Guerra dos Estados Unidos, no dia 6 de agosto, informando que
uma bomba atômica, com poder de milhares de toneladas de TNT, tinha sido
lançada no Japão.
Em 9 de agosto, uma segunda arma nuclear foi lançada
contra o Japão, dessa vez na cidade de Nagasaki.
A ação teve também uma importância política, além de ser
um ato de guerra: “Isso porque, no
intervalo de lançamento entre uma bomba e outra, a URSS tinha invadido o Japão
por terra, o que ligou o alerta para os americanos”, explica Marcello Neto.
“Havia um medo de que os soviéticos conseguissem uma rendição japonesa efetiva
antes e que isso fizesse com que o país virasse uma nação comunista." (National
Geographic Brasil)
“Os humanos inventaram a bomba atômica, mas nenhum rato no mundo inventaria uma ratoeira.” (Albert Einstein)



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