Talvez, pela primeira vez na História da Igreja
Católica, está sendo realizado um “Encontro” de sua
mais alta Cúpula, presidido pelo Papa Francisco, para
tratar formalmente da eterna praga da “pedofilia”
e do “abuso de crianças e adolescentes”,
por membros formais e constituídos dessa
mesma Igreja...
E também, pela primeira vez, essa “nata”
eclesiástica, se põe a ouvir observações,
constatações e realidades expostas por uma
MULHER, à convite do próprio Papa Francisco!
Para quem já mergulhou no Estudo da História da
Igreja e de seus ensinamentos, desde seus primórdios, salta aos
olhos a explícita “rejeição institucional
às mulheres”, praticada e
doutrinada por luminares “doutores-teólogos”
dessa mesma Igreja, como Sto. Agostinho, Sto. Tomaz de Aquino e
Sto. Afonso Maria de Liguori, entre outros! E, pasmem, sem qualquer fundamento concreto e
factual na doutrina de Cristo e nos Livros
do Novo Testamento! Antes pelo contrário!...
( Sobre essas questões, indico a leitura do Livro
“Eunucos pelo Reino de Deus” da teóloga alemã Uta Ranke-Heinemann, que perdeu sua
cátedra na Universidade de Heidelberg quando publicou este livro... ).
A explicitação dessas
práticas criminosas que a cada dia eclodem na Igreja
Católica, como um lamaçal sempre mais denso e volumoso,
provavelmente não existiriam nessa intensidade, se não fosse exigido o Celibato da
hierarquia formal da Igreja. Que, nos primórdios da Igreja, até o ano de 390, não
existia entre religiosos e prelados!...
São Pedro e vários apóstolos eram casados : “E
Jesus, entrando em casa de Pedro, viu a sogra deste acamada, e com febre. E
tocou-lhe na mão, e a febre a deixou; e levantou-se, e serviu-os”. (
Mateus 8:14-15)
O próprio apóstolo São Paulo
colocava como quase uma exigência para se
tornar Prelado, a constituição de uma família : “Esta
é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.
Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante,
sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar. Não dado ao vinho, não
espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento”...
“Que governe bem a
sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia. Porque,
se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de
Deus?” ( Tim, 3:4-5):
O “Celibato”
dos religiosos não é pois um “Príncípio”
básico e estrutural da Igreja Católica mas, simplesmente, uma “Opção
administrativa circunstancial” !
Que, certamente, tem causado mais males que
benefícios, a essa mesma Igreja Católica!
É claro, para eliminar o Celibato na Igreja, precisam
ser bem definidas questões como “Ministro de Deus” X “Esposo e
Pai de família” , “Bens da Igreja” X “Bens do Ministro de Deus”, "Heranças da Igreja X “Heranças devidas aos
descendentes do Ministro”, etc....
Essas questões e esses papéis precisam estar clara, objetiva
e legalmente definidos. Do contrário, teremos confusões indevidas,
como as que ocorrem hoje entre o exercício da “Presidência
do Brasil” X “interferências indevidas de seu núcleo
familiar” !....
Mas esse tipo de questão já
foi adequadamente resolvido em outros credos
religiosos, onde não existe o Celibato!...É só
aprender com eles!....
Como diz o articulista abaixo: “só as mulheres podem salvar
a Igreja Católica”.
E
minimizar seus escândalos.
Ou, como diz o Papa Francisco : introduzir a mulher,
para valer, na Igreja Católica...
“... E
isso eu acho que é o passo que devemos fazer com muita força: a mulher é a
imagem da Igreja, uma esposa, uma mãe. Um estilo. Sem esse estilo, falaríamos
do povo de Deus, mais como uma
organização, talvez um sindicato, mas não como uma família parida pela mãe
Igreja.”.
Esperemos
que a Igreja Católica se remeta aos reais e
efetivos ensinamentos de Cristo, deixando
de lado suas duvidosas opções por tantos valores secundários e
inúteis, que a sufocaram
durante séculos e que só têm acentuado seu
lado humano de fraquezas e de disfunções... (Márcio Dayrell Batitucci)
SEGUE
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