
"O momento de maior perigo para as nações ocorre quando elas se aproximam de sua realização histórica". Enquanto, em conseqüência das imposições da realidade, elas aceitam a liderança das nações regionalmente mais poderosas, conseguem navegar vagarosamente no tempo, sem angústia, porque não oferecem perigo ao império de cada época. "É outra coisa quando elas começam a ameaçar as potências hegemônicas". As relações entre o Brasil e os Estados Unidos têm sido marcadas, desde o século 18, por aproximações e distanciamentos. "A formação política da República do Norte mereceu a admiração dos intelectuais brasileiros - principalmente dos mineiros - e esteve entre os fatores da conspiração de 1789. É surpreendente como os letrados de Vila Rica estavam informados do que se passava no mundo. As idéias circulavam com grande velocidade para a época, em livros que se esquivavam da vigilância reinol. Um desses livros estava em poder de Tiradentes e reunia as constituições dos Estados norte-americanos, redigidas antes da Constituição Federal de 1787". Estamos, neste princípio de século, em momento especialmente delicado. Diante de nós há uma espécie de Rubicão. "Não interessa discutir se há alguma circunstância especial que explique a oportunidade histórica à nossa frente. Da mesma forma que não podemos atribuir a conjuração econômica benfazeja destes anos apenas à performance do governo, seria injusto não lhe dar o crédito de haver pago grande parte da dívida anterior e de ter, mediante a distribuição de renda aos mais pobres, estimulado o consumo e o crescimento econômico". ""As oportunidades históricas não se repetem. Elas são, como na metáfora política mineira, cavalos encilhados que param diante da porteira. Neles montamos, ou os vizinhos deles se apropriam para o galope"". Nesses momentos, nos quais o possível se torna provável, temos que ser particularmente vigilantes. "Sem cair na perversão xenófoba do nacionalismo, cabe-nos zelar intransigentemente pelos nossos bens - e nossos segredos". O roubo de documentos da Petrobras, relativos a pesquisas sísmicas realizadas pela empresa, não é mera operação de espionagem industrial. Trata-se da carta do subsolo marinho em grande parte do litoral, com seus recursos minerais, que não se limitam apenas aos hidrocarbonetos. "Ao irem além da densa camada de sal, os nossos pesquisadores abriram nova fronteira ao conhecimento do planeta". O governo deve empenhar-se a fundo, não só a fim de descobrir quem, e como, se apropriou desses papéis, mas também para "orientar a Petrobras no sentido de guardar apropriadamente os seus segredos - que são nossos. Cabe a embaraçosa pergunta: se é verdade que o correio entre as plataformas submarinas da Petrobras e os seus escritórios centrais é confiado a uma empresa estrangeira, por que isso ocorre"? ""É até possível que a Halliburton esteja isenta do que houve"", "mas se trata de parva ingenuidade confiar em qualquer empresa estrangeira"; ""ainda mais nessa empresa em particular, cuja reputação não é das melhores, para guardiã eventual de papéis de importância estratégica para a nação"". A Petrobras não é uma empresa qualquer. Trata-se de vitoriosa tarefa de que se encarregou o povo, ao conquistá-la nas ruas e implantá-la com a dedicação, a inteligência e o sacrifício de trabalhadores e técnicos brasileiros. E com o sacrifício maior de Getúlio Vargas, cuja obstinação em instituí-la, dentro de seu projeto nacional de grandeza, provocou o assédio reacionário que o levou ao suicídio. ""Embora o governo anterior tenha mutilado a grande empresa, ao dela retirar o monopólio estabelecido em 1953 e abrir ao capital estrangeiro a exploração de nossas reservas, a Petrobras é o símbolo do sentimento de patriotismo e da vontade nacional"'. Temos que protegê-la contra a cobiça e a competição desleal dos outros. Os mais jovens não têm idéia do que era a nossa dependência do petróleo importado, antes que fôssemos adquirindo, ano a ano, a situação em que nos encontramos. Sem a Petrobras teria sido impossível o desenvolvimento nacional dos últimos 50 anos. Mesmo nos anos iniciais, quando a sua produção ainda era pequena, a Petrobras contribuía para o otimismo e a esperança do povo brasileiro, principalmente no qüinqüênio de Juscelino. A Petrobras não é do governo, nem de seus acionistas privados. É de nosso povo. "A tarefa histórica que temos é a de saltar o Rubicão, deixar para trás as inibições do passado e assumir a nossa posição no mundo, sem arrogância e sem medo". ""Nessa caminhada já andamos bom trecho com a Petrobras"".(JB 15/02/2008 Os documentos da Petrobrás (Mauro Santayana))
Nota: Não podemos esquecer dos 17 jovens mortos em Alcantara, no Maranhão, naquela fatidica explosão. Eram jovens cientistas que dariam uma contribuição imensuravel ao Brasil. Até hoje o sr. Lula não mandou investigar nada. As familias dos jovens promissores não contestam nada. Estranho. Será que receberam algum cartão eletronico. Petrobras já vem sendo alvo de espiões há um ano e meio. Engenheiro revela casos anteriores de roubos de laptops da casa de dois colegas e de um geólogo. (ODia)
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