A afirmação do ex-governador de São Paulo (1975-1979) Paulo Egydio Martins, "O Lula era um líder sindical sem filiações ideológicas. Fiquei curioso e comecei a acompanhá-lo". Na abertura lenta, gradual e segura feita pelo General Golbery no Governo Geisel surgiu o PT como o partido do sindicalismo livre nas greves do ABC, tendo como líder o metalúrgico Lula e não o PTB do trabalhismo de Alberto Pasqualini, Getúlio Vargas, João Goulart (Jango) e Brizola?"O Lula era um líder sindical sem filiações ideológicas. Fiquei curioso e comecei a acompanhá-lo" Paulo Egydio Martins Ex-Governador de São Paulo (1975-1979). Paulo Egydio explica que protegeu o movimento sindical porque, como era empresário, viveu o período Vargas e sentiu na pele o que significavam as leis trabalhistas e o peleguismo.
- Eu sou um capitalista. Não acredito que possa existir capistalismo sem sindicalismo forte. O Lula era um líder síndical, e sem filiações ideológicas. Fiquei muito curioso com ele e comecei a acompanhá-lo. O ex-governador participou da solenidade de posse de Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (1975) e seu gesto criou celeuma na época. O próprio Geisel ficou incomodado, segundo afirma: - Brasília não entendeu nada. Foi minha análise e meu julgamento, interesse meu.
Quando eu fui, deu um curto-circuito danado na famosa "Comunidade de Informações" e como o Presidente Geisel se entendia muito bem comigo, me telefonou e perguntou: "Paulo, o que você fez?" Eu respondi: "Sei lá, presidente, eu fui porque achei essencial prestigiar um sindicalismo forte, fora do peleguismo getuliano. Nós não vamos construir uma naçâo moderna com pelegos, com um sindicalismo que, no duro, é corrupto." A posse foi o primeiro encontro de uma série de almoços e jantares do governador com Lula. Depois de passar por Geisel, a aproximação chamou a atençâo do extrategista do regime, General Golbery do Couto e Silva. O ex-governador revela que entre 1977 e 1979, houve uma movimentaçâo no Comando do Governo Militar sobre o operário Lula. Um dos raros civis que tinham acesso a Golbery, Paulo Egydio conta que discutiu com o "Bruxo" o destino de Lula.
- Discuti porque ele achava que o Lula no sindicalismo era um perigo e que era preciso jogá-lo para a política, porque na política ele iria se perder. Para ele, o Lula no sindicalismo se tornaria um homem extremamente perigoso. Eu dizia: "Olha, é o contrário, precisamos do Lula é no sindicalismo. Precisamos modernizar o Brasil. O empresário não pode continuar sendo um capitalista feudal. Ele vai inspirar outros líderes.
Na área política ele pode se perder." Pelo que eu pude perceber, prevaleceu a orientação do Golbery. Paulo Egydio explica que não sabe da continuidade das pressões de Golbery, que teria passado a usar Murilo Macedo, ministro do Trabalho no Governo Figueiredo, como ponte para Lula. Macedo teria feito várias reuniões fechadas com Lula.
- Depois rompi com Figueiredo e com Murilo, mas sei que aí se criou o PT. O PT reuniu todas as siglas de esquerda, representadas exclusivamente por caciques. O único cacique que tinha índio se chamava Lula.
(OGlobo_15/05/2005) (Wellington F.Santos)
Nenhum comentário:
Postar um comentário