9 de fev. de 2007

Olha o Piauí, gentem


Os alunos do Dom Barreto na Sala do Futuro: currículo inclui computadores, filosofia e horário estendido.
Latim, xadrez e bons professores.
A receita da escola do Piauí que tem a melhor nota no Enem.

Dono da média mais alta do país (74,71) no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Instituto Dom Barreto, em Teresina, tem entre seus trunfos uma carga horária mais longa e a alta qualificação dos professores: dos 394 docentes, nove têm doutorado, 54 mestrado e 68, especialização. Para os alunos do ensino médio, o horário escolar começa às 13h15m e termina às 20h50m, o equivalente a mais de sete horas e meia de aula.

- A gente não prepara o aluno apenas para o vestibular; prepara o cidadão. Eles estudam latim (7 !! e 8 série do ensino fundamental), xa­drez (da 5 à!! 8 !!), filosofia e sociologia (da 7 !! série do ensino médio ao 2 2 ano) - diz Maria Stela Rangel da Silva, diretora da escola.

A escola particular foi fundada há 63 anos pela Congregação das Irmãs Missionárias de Jesus Crucific~do. É católica, mas desde 1973 não é mais dirigida pelas freiras. A partir de 1983 passou a ser dirigida pelo pedagogo Mar­cílio Flávio Range!. Morto no ano passado, ele liderou um grupo de professores para educar os filhos da nova elite do Piauí, formada por profissionais liberais, empresários e funcioná­rios públicos que pagam de R$ 414 a R$ 500 pela mensalidade. Hoje são 2,3 mil alunos e são oferecidas ao menos cem bolsas para alunos carentes. Os filhos da elite do Piauí" formada por governantes, políticos e oligarquia, estu­dam, em sua maioria, em colégios religiosos.

Os alunos do ensino médio do Dom Bar­reto ficam nos primeiros lugares da Uni­versidade Federal do Piauí. Pelo menos 35% vão para o Ita (o Instituto Tecnológi­co de Aeronáutica), a Universidade de Brasília (UnB), a Unicamp e a Universida­de Federal de Pernambuco.

Segundo Maria Stela, a escola não tem um método único, mas uma seleção que inclui o método construtivista, desenvolvido por Jean Piaget, baseado na possibilidade de o aluno construir seu conhecimento; e o interacionista, criado por Vygotsky e Bakhtin, que vê o estu­dante como alguém capaz de criar seu apren­dizado eo professor como aquele que o ajuda a questionar a realidade.

Uma das formas encontradas para garantir a presença dos pais foi a criação de um Cen­tro de Línguas que ensina mandarim, japo­nês, inglês, italiano, alemão, francês, latim, espanhol, hebraico e grego. Os pais esperam os filhos assistindo aulas de idiomas.

O professor de latim e literatura Carlos Evandro Martins Eulálio diz que o estudo do latim ajuda o aluno conhecer melhor a lín­gua portuguesa, a ter hábitos de raciocínio, maior facilidade no aprendizado de francês, espanhol e italiano, além de desenvolver o estudo do inglês com maior facilidade. Já o xadrez ajuda na concentração e na integra­ção dos alunos.

Os professores oferecem plantões gratuitos aos alunos para tirar dúvidas fora do horário de aula. Dos laboratórios de informática, física, biologia e matemática saíram muitos vencedo­res de olimpíadas nacionais.

Na Sala do Futuro há 50 computadores e uma mesa digital capaz de projetar em uma te­la o que o professor escreve em um quadro de acrílico. Na biblioteca existem 91.441 livros, re­vistas como "Time" e "Newsweek" e uma bi­blioteca virtual com livros selecionados pelos professores. A escola é um espaço cultural de Teresina, onde acontecem palestras de escrito­res para os alunos. A instituição mantém uma entidade que abriga 160 crianças carentes e uma escola para 280 alunos na periferia. (Efrém Ribeiro)

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