26 de mar. de 2006

A TV e seus por quês....

SE PAGAMOS PARA VER TV, PODEMOS EXIGIR UMA PROGRAMAÇÃO DE QUALIDADE E QUE SEJA ÉTICA E MORALMENTE ACEITÁVEIS

Eis um fato que aos olhos menos perspicazes poderia passar despercebido : todos nós pagamos para ver a televisão que pensamos "gratuita". O Fórum Nacional Para o Desenvolvimento das Comunicações (FNDC) fez um levantamento para determinar o quanto cada um de nós paga para ver o Big Brother, o Ratinho, o Gugu, o Faustão, Hebe, Silvio Santos, etc. Esta é uma realidade para a qual não podemos estar desatentos pois se pagamos, podemos exigir dos concessionários uma programação de qualidade e que seja, sobretuto ética e moralmente aceitáveis.
Didymo Borges

Quanto você paga para ver a TV gratuita?
Desde o início de março, uma campanha publicitária promovida pelas principais redes de TV, cujo mote é "Televisão aberta. 100% Brasil. 100% Grátis", está estampada nos jornais e é exibida na TV com a intenção de fixar a idéia de que o sistema de TV digital a ser adotado no Brasil poderá colocar em jogo o usufruto do maior veículo de comunicação e entretenimento nacional por parte da população. Na defesa de seus interesses comerciais, os radiodifusores apelaram para um discurso enganador. O povo brasileiro paga para ver televisão. O FNDC fez as contas e revela quanto custa a TV brasileira "aberta e gratuita".
Para a maioria dos brasileiros, sentar na frente da televisão para se divertir, passar o tempo ou se informar é um ato quase automático. E parece ser um passatempo que é oferecido gratuitamente. Mas essa sensação não sobrevive a uma estimativa singela que demonstra quanto cada lar brasileiro paga para financiar a televisão. Esteja ela ligada ou desligada, oferecendo uma programação de qualidade ou despejando conteúdo de baixo nível, a televisão "gratuita e aberta" custou a cada lar brasileiro no ano passado mais de R$ 200.
Um dos argumentos mais utilizados pelos radiodifusores para defender a manutenção do atual cenário das emissoras de TV no momento de transição para a tecnologia digital é que elas prestam um serviço gratuito para 91% dos lares brasileiros, ao contrário de outras plataformas como a da telefonia, TV por assinatura ou internet. Essa lógica impulsionou a campanha publicitária "Televisão aberta. 100% Brasil. 100% Grátis" que as principais redes nacionais passaram a veicular nos meios de comunicação que controlam desde o início de março. Mas isso não é verdade. O brasileiro paga bem pela televisão que recebe aparentemente de graça. Com bases nos dados do IBGE e do Projeto Inter-Meios, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação estima em pelo menos R$ 203,44 anuais o valor que cada domicílio pagou no ano passado para sintonizar os canais abertos.
Cálculo simples
Em 2005, a televisão aberta faturou R$ 9,507 bilhões com publicidade, sua principal fonte de receita e que representa 59,5% de todo o bolo publicitário brasileiro. Como existem no País 46.733.120 domicílios com receptores de TV, cada morador desembolsou R$ 203,44 ao longo do ano - ou R$ 16,95 por mês - para ver os programas. Isso porque os valores que as empresas e governos pagam para anunciar seus produtos e serviços na mídia são todos repassados para os preços dos produtos que você compra e para as tarifas dos serviços públicos e dos impostos que lhe são cobrados. A taxa invísivel aumenta se forem computados nesse cálculo o valor gasto pelos anunciantes para produzir os comerciais de TV. De acordo com o projeto Inter-Meios, em 2005 foram R$ 4,16 bilhões investidos na produção comercial de anúncios em todos os meios de comunicação.
No Reino Unido, cada lar também paga uma taxa anual de pouco mais de 120 libras (R$ 447,38) para ter televisão em casa. O valor arrecadado financia o maior modelo de sistema público de comunicação que se tem notícia: a rede BBC. A taxa paga pelos britânicos de forma voluntária (conhecida como BBC licence free) faz com que cada pessoa perceba que não está acessando um serviço gratuito e passe a valorizar e fiscalizar a programação que recebe em casa. Na prestação de contas à população, a BBC informa como foi gasto cada libra da taxa.
No Brasil, entretanto, ao contrário dos demais serviços públicos pelos quais se paga mensalmente, seja o abastecimento de água ou energia elétrica, o telefone ou a limpeza urbana, a radiodifusão não é vista pelo cidadão como uma prestação de serviço passível de reclamação e indenização por quaisquer danos ou prejuízos causados por sua programação. Saber que seu bolso está envolvido no ato de ver TV pode ser uma maneira da população passar a enxergar a televisão menos como um presente colocado em sua sala e mais como um serviço que está sujeito ao código de defesa do consumidor tanto quanto qualquer outro.
Quinhão dos impostos
Como segundo maior anunciante do País, o governo federal ajuda a incrementar o bolo da receita dos radiodifusores a partir dos recursos arrecadados com o pagamento de impostos e contribuições. No ano passado, de acordo com o Palácio do Planalto, foram R$ 888 milhões aplicados em publicidade por todos os órgãos do governo e empresas da administração direta e indireta. Deste total, 61% foram destinados à televisão aberta. Ou seja, dos R$ 203,44 gastos por cada domicílio ter TV no ano passado, R$ 11,60 vieram dos impostos e tributos pagos pelas famílias de cada domicílio à União. Infelizmente, não existem cálculos que mensurem quanto os governos estaduais e municipais investem em mídia todos os anos. Caso isso fosse possível, a participação do cidadão brasileiro no financiamento da televisão por meio dos impostos seria muito maior.
24/03/2006
(FNDC_Ana Rita Marini/James Görgen)

Um comentário:

Anônimo disse...

O jeito entao é cobrar qualidade pelos serviços pagos!
começando a tirar do ar todas essas cenas que levam as crianças ao amadurecimento precoce!
A coisa ta tao feia que ninguem percebe que seus filhos estão se tornando adulto bem antes de entrar na puberdade...isso é um escândalo!

E para o meu amigo Armando?
Beijos e abraços e te cuida direitinho viu!

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