24 de jul. de 2005

Vamos juntar os pecados!

Exmo. Sr. Dr. Márcio Thomaz Bastos, Ministro da Justiça,

Peço desculpas pela insistência em enviar meus textos, mas a Internet tem este condão de criar os “escribochatos”, pessoas com mania de escrever sobre o que lhes causa indignação.

Hoje já lá vão 214 dias, desde que o Delegado Antonio Carlos Rayol foi escorraçado da DELEMAPH, apenas por ter enquadrado o ex-marqueteiro-mor e atual personal stylist do Presidente Lula, Duda Mendonça, na famosa rinha de galos Clube Privê Cinco Estrelas, na Operação Rudis, realizada com o Delegado Lorenzo Pompílio da Hora e dois agentes, honrando o nome da Polícia Federal. Agora que foi chamado a dar satisfações ao MP da Bahia, por ter-se envolvido novamente em brigas de galos em Salvador, o Sr. Duda Mendonça nem compareceu. Sente-se em Passárgada, é amigo do Rei...

Li no O Globo de 17/7/05 que, segundo o advogado do Sr. Delúbio Soares, o marqueteiro-mor Sr. Marcos Valério “fez pagamentos para o publicitário Duda Mendonça, no esquema de caixa dois do partido”...... Foi confirmado o pagamento feito a uma sócia do publicitário. Um marqueteiro pagando ao outro. Será que as viagens aéreas dos galos de briga eram pagas pelo careca mais famoso do Brasil?

E, se o marqueteiro mineiro com carência capilar manipula toda a verba noticiada, será que não sobra nenhum milhãozinho para o poderoso galista baiano com saliência ventral “aquecer”? Acho que a CPI deveria investigar. Por que o galista foi preterido, neste caso? Confesso que fico até com pena dele.

Exa., eu ainda continuo preocupada com a origem dos ternos Giorgio Armani e das gravatas listradas que Duda Mendonça adquiriu para o então candidato e depois presidente Lula. Será que não são provenientes daquele perigoso antro da caixa dois empresarial, a Daslu? E o vinho Romanée Conti oferecido por Duda na confraternização de campanha? Terá sido servido na temperatura adequada? Algum sommelier poderá tê-lo servido “esquentado”. Quantas preocupações metafísicas as últimas notícias nos trazem!

Caixa dois do partido do governo! Meu Deus! Que confusão! O pior é que o presidente Lula afirmou em Paris que esta é a prática de todos os partidos, tudo muito normal. Li na revista Veja que a orientação sobre o que dizer foi dada por Duda Mendonça. Exa., por um preço muito mais baixo eu daria orientação melhor. Aliás desejo alertar V. Exa. sobre um fato: acho que devido às suas escapadelas para participar de crimes ambientais no submundo das rinhas, o personal stylist está se descuidando de seus deveres profissionais, está fazendo bobagens e tem feito o presidente falar bobagens políticas desastrosas. Duda Mendonça tem trabalhado com a cabeça nos galos e o presidente Lula vai acabar com uma profusão de galos na cabeça. O Brasil não merece. Ninguém merece!

Eu até estava admirada com a liberdade dada à Polícia Federal na captura de provas contra o Sr. Marcos Valério, o fatura-quieto. Os bravos policiais tinham afiado suas facas para cortar grandes bifes na carne do governo. Exa., há algo de errado comigo, uma coisa mística. Pensava eu: “Esses policiais estão agindo contra um amigo do próprio governo! Como é que conseguem e o policiais da Operação Rudis não?” Pois bem, Sr. Ministro, já soube por um telejornal que a Polícia Federal foi retirada das investigações contra o marqueteiro alopécico. Justamente quando a PF tinha fechado o cerco, foi retirada do caso. Que decepção!

Fico indignada pelos policiais. Afinal, todo o mundo reclama da insegurança e da corrupção. No entanto, sendo tolhidos pelos poderosos de ocasião, os agentes perdem toda a motivação para trabalhar. Quando se atiram com entusiasmo numa busca, lá vem alguém e corta suas asinhas, como pobres galos de briga, jogados de lá para cá, tendo que fazer investidas seletivas, de acordo com a vontade dos “galistas” da vez.

Bem que já tentaram arrancar as penas dos jornalistas também, com a criação de controles, mas felizmente a sociedade esperneou e a imprensa continuou relativamente livre.

Nós, povo, vamos levando bicadas de todos os lados. Vamos acabar depenados.

“Dormia/a nossa pátria mãe tão distraída/sem perceber que era subtraída/em tenebrosas transações”... (Chico Buarque)

Ana Maria Pinheiro
Militante zoófila

amdvp@uol.com.br

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