Minhas lembranças sempre visíveis são meus lenitivos e motivos de tentar entender o mundo de agora.
Tantos os que me deram a primazia de participar, menino, jovem e adulto, tais foram suas atitudes, a maneira do confraternizar, a casa sempre era dos convidados, não existiam portões ou discriminações.
Formava-se uma grande família.
E eu era tão sensível que me aprestava a limpar seus quintais, usar as varas para pegar as frutas das árvores, lavar suas calçadas em dias de chuva, ajudar no trato dos mais idosos, enfim, eu queria me mostrar grato pelo que eles me davam.
Assim era um tempo e a mentalidade de uma geração.
Lembro vivamente num dia de aniversário, em que tantos foram os convites para almoçar que fiquei apavorado. A minha gula se chocava com bandejas cheias, bolos chegando à minha casa, confeitos, parecia a glória... e lá no fundo, meu irmão guloso só esfregava as mãos.
Sim, era esse o cenário em que vivi. O Grajaú, Vila Izabel, Lins, Andaraí, Tijuca, Méier e outros, eram como prolongamentos do meu quintal. E como gostava de me fazer amigo das pessoas.
Hoje, suas figuras são passados.
Mas os vejo em pensamentos, desde a vizinha Dona Josefa, o dono do Armazém Seu Bernardo e poderia discorrer todos os nomes. Eles fizeram e fazem parte de mim. Para eles, um bom menino. E para mim, meus amigos. Espero que leve isso comigo quando a hora chegar, e junto deles, apenas dizer: "Quantas saudades, obrigado mesmo!"
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