18 de mar. de 2005

Ainda restam saudades

Lembram disso? Pois é, quanta saudade! Me lembro moleque no bom sentido, estudando bem atrás do motorneiro, vizinho algumas casas, um senhor honesto como sobravam nos bons tempos, me levava fio a pavio em seu turno, a fim de que passeasse, livros na mãos, entender a vida nos livros e na visão.
E a todos dizia "meu neto" e nem o fiscal mais anotava.
Viviam-se ares felizes, moças discretas charmosas, madames ou não, todos sabiam a palavra Respeito.
E conheci quase toda minha cidade do Rio de Janeiro, onde quer que existissem bondes ou ônibus GM que cortavam esta Cidade Maravilhosa, hoje algo onde a mixagem transfomou num aquartelamento. Colégio, compras, passeios, tudo, pelo bonde se ia lontano. E como nos sentíamos homens importantes quando na pontas dos pés, esticávamos para aquêle puxador de sinal pro motorneiro à primeira parada. Santa Teresa ainda resiste e assim que puder vou lá, matar a saudade da minha vida. E vcs vão comigo tenho a certeza!
Ia, pequeno, até próximo à Quinta da Boa Vista e até roubava peixinhos do lago pros meus aquários. Fazia compras ali perto da Central e levava nos bondes de carga. Como o meu Rio era diferente, lindo e feliz.
Ele sorria. Hoje, chora pois lhe mudaram quase tudo. Até um pouco de seu sorriso de natureza. Mas não mataram as visões em mim, em você e tantos quanto ainda podem sonhar, por trás das grades nas janelas, das portarias e nas ruas.
Saudades dos idos tempos, bons mesmo que não voltam mais, iguais aos ventos em nossas faces ao blem-blem do aviso do bonde ou o trac-trac no relógio pelo cobrador.
É Seu Antônio, onde quer que esteja, minha saudade pelo Seu Bonde querido.
Armando Andrade

Um comentário:

Anônimo disse...

vim ver o menino do Rio.
auqiainda ha bondinho, aliás, bondao..hauauua, a tecnologia mudou os tipos e modelos mas as ruas, algumas delas de pedras, nao e os trilhos continuam os mesmos de ha 50 anos.

- - - - - - - - Postagens Mais Visitadas - - - - - - - -