13 de jul de 2017

O impensável aconteceu...



• Jogos Pan-Americanos do Rio deixam legado de problemas após 10 anos. Principal obra da competição, Vila dos Atletas até hoje traz dor de cabeça para quem comprou imóvel. 
• MPF vai recorrer por pena maior para Lula. Para força-tarefa da Lava Jato, sentença do juiz Sergio Moro ostenta robusta fundamentação, mas punição deve ser mais dura. 
• Aos 71 anos de idade, Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado por Moro a 9 anos e 6 meses, mas não decreta prisão, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O juiz da Lava Jato Sérgio Moro afirma que o ex-presidente recebeu R$ 2,25 mi da OAS no caso do triplex do Guarujá. 
• É a primeira sentença contra o petista no esquema da Petrobrás. A prisão não foi decretada, mas a determinação é de que o pré-candidato pelo PT à Presidência da República seja interditado para o exercício de cargos ou funções públicas. Esta quinta-feira será marcada pela repercussão da condenação do ex-presidente Lula pelo juiz da Lava Jato Sérgio Moro. A decisão abre uma discussão jurídica (responderá em liberdade enquanto move recurso) e movimenta o mundo político (como ficam os planos eleitorais?). É a 1ª vez que um ex-presidente é condenado por crime comum no Brasil. 
• A decisão proíbe ainda o petista de ocupar cargo público. Se confirmada em 2ª instância, valerá por 19 anos. Ficaria inelegível, segundo a Lei da Ficha Limpa, no pleito à Presidência da República em 2018, disputa para a qual até então liderava intenções de voto nas últimas pesquisas. 
• Capítulo esperado, como ressalta José Roberto de Toledo, que aposta numa polarização maior - ainda mais sendo esta a primeira sentença de 5 ações penais; ainda mais com procuradores pedindo aumento da pena. Mas a questão, levantada por Rubens Glezer, da Supremo GV, é: a corrupção será punida ou relevada quando privilegiar determinada agenda? 
• O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi colocado em prisão domiciliar por ordem do desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Ele deverá usar tornozeleira e está proibido de usar telefone. O peemedebista havia sido preso em 3 de julho, sob acusação de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato e pressionar a mulher do doleiro Lúcio Funaro para que este não fizesse acordo de colaboração premiada. Desembargador alerta: Geddel pode pegar mais de 80 anos de prisão. 
• Aliados do presidente Michel Temer avaliam que a decisão de Moro sobre o petista pode ser positiva, já que tiraria o foco da crise que ameaça o Planalto. Denúncia da PGR contra o peemedebista está sendo discutida na CCJ da Câmara, e o relator recomendou a aceitação da acusação oficial por corrupção passiva. 
• Temer mobiliza a base no plenário para votar contra a denúncia - o que poderia ocorrer na sexta ou segunda-feira. Contudo, o governo se preocupa com a determinação do presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM) em abrir a votação somente com 342 deputados presentes. 
• Segue a incógnita quanto aos próximos passos do natural substituto de Temer em caso de vacância na Presidência: seu próprio partido, o DEM, não vê clima para troca de comando agora, até porque todos estão de olho em 2018. 
• Reforma trabalhista será sancionada sem MP que muda pontos polêmicos. Para conseguir aprovar projeto no Senado sem alterações, governo havia prometido editar imediatamente uma medida provisória modificando pontos como o trabalho insalubre para gestantes e lactantes, mas mudanças ainda estão em negociação. Reforma trabalhista só afetará novos contratos. Segundo o Ministério do Trabalho, quem já tem emprego formal não terá direito automático de negociar temas; Temer fará a sanção da reforma nesta quinta.
• Grupo J&F, dos irmãos Batista, fecha venda da Alpargatas por R$ 3,5 bilhões. Pressionada pela necessidade de caixa, dona da JBS vende negócio ao fundo Cambuhy (da família Moreira Salles) e à Itaúsa (holding de investimentos do Itaú) cerca de um ano e meio depois de ter comprado a empresa da Camargo Corrêa. 
• Presidente Temer sanciona a lei da reforma trabalhista nesta quinta-feira. 
• Comissão Mista aprova Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2018. Relatório prevê que emendas parlamentares não sejam contingenciadas no ano eleitoral. 
• Estados terão 15 anos para pôr fim à 'guerra fiscal'. Projeto aprovado pelo Senado Senado regulariza benefícios fiscais concedidos pelos Estados a empresas. 
• TCU alerta sobre risco do não cumprimento da meta fiscal de 2017. Do total da receita prevista, de R$ 27,9 bilhões, 70% têm risco de serem frustradas. 
• Com condenação de Lula, dólar cai a R$ 3,20. Moeda já operava em baixa por otimismo com aprovação da reforma trabalhista e renovou mínimas.
• Publicada lei que garante prioridade especial a idosos maiores de 80 anos. 
• Justiça não pode ser vista como ato de vingança, diz Marina sobre condenação de Lula. 
• Brasil é o país mais perigoso do mundo para ambientalistas. 
• O ex-presidente pode se tornar inelegível, caso seja condenado em segunda instância.
• O Antagonista: 
1. 2018 sem Lula? O cenário eleitoral ainda é incerto, mas José Roberto de Toledo, no Estadão, aponta as consequências imediatas da sentença de Sérgio Moro: a) reforça a rejeição a Lula; b) energiza a militância petista com o discurso de vitimização; c) destampa o debate sobre uma candidatura alternativa, à esquerda. 
2. Sentença absolutamente adequada. A Folha ouviu juristas sobre a sentença condenatória de Lula. O jornal acrescentou um deslizes... de Moro ao título da reportagem, mas a posição dos especialistas é cristalina: A interpretação do juiz se baseou não apenas em depoimentos, mas também em documentos, afirmou Rafael Mafei, da USP. A sentença, em si, me parece absolutamente adequada, ainda que você possa ter divergência aqui ou ali na interpretação da lei ou dos fatos, afirmou o professor. Para o jurista Ives Gandra da Silva Martins, a peça é muito bem fundamentada e apresenta matéria fática importante, com provas. Martins acrescentou que Moro foi extremamente cauteloso em afastar os argumentos dos advogados do Lula de suspeição de condução.
3. Lula sob o peso da lei. Não se espera outra coisa do Lula condenado que o ataque à Justiça. Por isso, o Estadão, em editorial, exorta o TRF-4, que analisará o recurso de Lula à condenação de Sérgio Moro, a zelar pelo cumprimento da lei: Diante do reiterado mau comportamento que Lula teve ao longo de todo o processo na primeira instância, com tentativas canhestras de politizar a questão penal e intimidar as autoridades, não se deve esperar arrependimentos repentinos. Reforça-se, portanto, a necessidade de que a Justiça, no caso específico o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4.ª Região, quando convocado para rever o processo, mantenha o condenado sob o peso da lei.
4. O déficit da esquerda e o império da lei. O Estadão ouviu o cientista político José Álvaro Moisés acerca da condenação de Lula. Ele diz que a esquerda é mesmo apegada à corrupção: Como crê que a militância reagirá a essa decisão? Já estão reagindo. Consideram injusta a sentença. Isso indica que parte da militância não foi capaz de entender a dinâmica da democracia, na qual qualquer líder político, poderoso, pode ser processado, julgado e condenado. Mostra que não entenderam que, para o País, pode ser um processo mais profundo, que significa enfrentar o problema da corrupção, que vem de décadas, séculos, mas ocupa um lugar muito sério no cenário. A ponto de algumas pessoas pensarem que não é possível fazer política sem corrupção. Há um déficit de perspectiva republicana na esquerda. Por outro lado, essa condenação do Lula mostra que isso respinga também na situação do presidente Temer. Deste ponto de vista, o significado é positivo. Criamos um ambiente para o império da lei no País. Até hoje não tínhamos avançado nisso. 
5. A farsa de Lula. Em um parágrafo, editorial da Folha resume a estratégia de Lula e do PT daqui por diante: Réu em outras quatro ações penais, líder também entre os rejeitados pelos eleitores, o petista se dedica à pregação farsesca de que seria vítima de perseguição política. Por disparatada que seja tal retórica, seu partido ainda dispõe de força para reverberá-la com o objetivo de pressionar os tribunais.
6. O beija-mão do condenado. Os congressistas do PT vão fazer fila hoje para beijar a mão de Lula, informa o Painel. Eles não são nada sem seu condenado favorito. 
7. Lula pode sempre contar com Renan. Renan Calheiros saiu em defesa de Lula, para angariar votos dos lulistas alagoanos. Uma palavrinha sobre a qual eu não posso calar. Nunca é admissível que se condene sem provas. Muito mais quem tirou o Brasil do mapa da fome e foi reconhecido por líderes mundiais (...) Ainda bem que temos certeza que na instância seguinte, vamos reparar, disse Renan, segundo o Estadão. A Justiça precisa reparar a situação de Renan. 

• Imprensa internacional cobre reviravolta na carreira do político que foi considerado o mais popular da Terra por Obama. 
• A condenação do ex-presidente Lula na quarta-feira joga a política brasileira em mais turbulência, diz o jornal americano Wall Street Journal, ressaltando ainda que a decisão do juiz federal Sérgio Moro causa um duro golpe ao PT e a suas chances de voltar ao poder no maior país da América Latina. 
• O jornal americano acrescenta que o petista foi responsável por elevar o perfil do Brasil tanto econômica como politicamente e que seu governo levou as Olimpíadas e a Copa do Mundo ao país, mas que uma angustiante recessão e as denúncias de corrupção contra ele e seu partido estrangularam seu legado
• O Wall Street Journal lembra que o presidente Michel Temer também enfrenta denúncias de corrupção e que a operação Lava Jato colocou vários políticos de peso e capitães da indústria na cadeia, e atrasou a recuperação econômica do Brasil
Arquiteto do Brasil moderno. Para o também americano The Atlantic, a decisão representa uma notável reviravolta para a figura política que há menos de duas décadas era saudada como o arquiteto do Brasil moderno e que transformou o país numa potência econômica regional. O New York Times ressalta o prejuízo ao legado de Lula, um político que presidiu o Brasil num período de forte crescimento econômico e que tem o crédito por liderar a transformação social que tirou milhões da pobreza; Segundo o jornal americano, embora a decisão envolva somas relativamente modestas comparadas a outros escândalos de corrupção, os promotores responsáveis pelo caso o descreveram como um mentor de um enorme esquema de propina
• Delator de investigação do FBI na Fifa, Chuck Blazer morre aos 72 anos de idade. Norte-americano ocupou cargos de destaque na federação dos EUA, na Concacaf e na Fifa. 
• Procuradora liga ex-ministro de Chávez e Maduro a propinas da Odebrecht. Sob ameaça de perder cargo de chefe do Ministério Público, a chavista dissidente Luisa Ortega Díaz indicia a mulher e a sogra de Haiman El Troudi, político que integrou gabinete do atual presidente e de seu antecessor em áreas relacionadas à obra pública. 
• Roubadas por nazistas, obras raras ganham exposição. Passados quase 4 anos após o descobrimento do acervo que impressionou o mundo e provocou indignação diante do fato de autoridades terem ocultado sua existência, o público finalmente poderá ver cerca de 250 obras. 
• Crise no Golfo reduz isolamento do Irã. Líderes do Irã foram notadamente contidos em resposta à crise do Catar - e por bons motivos, segundo analistas. 
• Depois de Mossul. Após derrota do Estado Islâmico e retomada do controle da cidade, urge uma reconstrução que ajude moradores a superar o trauma. 
• Escândalo de Trump Jr. eleva pressão sobre governo. Presidente diz não saber de encontros do filho com gente ligada ao Kremlin.
• Nobel da Paz Liu Xiaobo tem falência múltipla dos órgãos. Família de dissidente chinês com câncer rejeita uso de respiração artificial. 

A imagem do dia.
 photo lula17_zpszf0itv9w.jpg A imagem com a qual sonhava toda a população do País que ainda acredita na Ética e nos valores universais, que devem ser praticados pela humanidade, não podia ser outra.
Esse senhor, jogou fora a oportunidade que lhe foi dada pelos deuses, de se tornar o grande estadista, o grande redentor de nosso pobre País, aquele que poderia ter definitivamente revertido os rumos de nossos desacertos e injustiças! Mas não: ele e seu partido de políticos e sindicalistas oportunistas e incompetentes institucionalizaram a sua nova EPTica relativa, o seu novo dogma de moralidade, o status de colocar o Estado a serviço de interesses pessoais e partidários!
Não sei se viram a sessão do Senado, ontem quase pela madrugada: sem os desclassificados PTistas e parceiros, que foram prestar solidariedade a seu guru criminoso e condenado, parecia que estávamos vendo uma sessão de algum parlamento civilizado de primeiro mundo! Uma sessão light, sem aquela nuvem de ódio e de mágoa, sem aquelas farsantes empoleiradas na mesa do Senado, onde não faltaram embates calorosos, mas feitos em um nível civilizado e produtivo. Onde a visão distorcida de um Senador Serra, que insistia em privilegiar o Estado mais rico do País, foi calorosamente derrotada pela proposta de mais incentivos aos Estados do Norte e do Nordeste, pleito que rolava de cá para lá, há mais de 4 anos!
Onde existiam sorrisos e, até, um entusiasmado menino de 12 anos, levado pela pai Senador a assistir a sessão, foi colocado na mesa Diretora, ao lado do presidente do Senado, como símbolo da renovação e da esperança que todos nós poderemos ter em nosso futuro, com a eliminação definitiva desses Lulla`s, desses PTistas e sindicalistas criminosos e de seus políticos parceiros, da vida pública brasileira!
E que levem juntos seus compadres de crime, os Temer`s, os Renan`s, os Barbalho`s, os Jucá`s, os Aécio`s, os Serra`s, os Alkmin`s, os Maia`s e todos esses desclassificados que fizeram da política sua arma de assalto ao Estado e ao povo brasileiro e seu trunfo de enriquecimento e privilégios pessoais!/ Enfim: esse sistema de crime, institucionalizado por Lulla e seu PT sindical, sofre sua primeira e grande derrota, nos dando uma leve esperança de dias melhores que poderão advir ao nosso País! (Márcio Dayrell Batitucci) 

Comemoremos, sim.
É um dia de festa para o Brasil. O carnaval de inverno chegou.
Nem os receios naturais de que a sentença de condenação de Lula a nove anos e seis meses de prisão por Sérgio Moro no caso do tríplex sofra reveses em instâncias superiores devem impedir os homens de bem de comemorar a vitória parcial da Justiça contra o comandante máximo do petrolão, como o chamou o procurador Deltan Dallagnol, da Lava Jato.
Os fogos de artifício que logo estouraram na região dos Jardins, em São Paulo, serviram de chamada espontânea para o ato de comemoração marcado em seguida nas redes sociais para o fim da tarde desta quarta-feira histórica, 12 julho de 2017, na Avenida Paulista. 
Comemoremos, sim, hoje, amanhã, depois e até quando for necessário, porque a comemoração é não só uma forma de expressar o alívio com a potencial punição de um político corrupto que lavou dinheiro de propina, mas também de pressionar a oitava turma do TRF-4 e, acima dela, o STF a manter a decisão de primeira instância que lavou a alma do país.
Eu, Felipe, comentei dias atrás no vídeo Lula é produto da ocupação de espaços que ele cada vez menos suportava o fato de a imprensa noticiar a sujeira revelada pelos investigadores, em tal volume que não era mais possível varrê-la para baixo do tapete.
Nisto, um trecho da sentença de Moro é cristalino: O sucessivo noticiário negativo em relação a determinados políticos, não somente em relação ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, parece, em regra, ser mais o reflexo do cumprimento pela imprensa do seu dever de noticiar os fatos do que alguma espécie de perseguição política a quem quer que seja. Não há qualquer dúvida de que deve-se tirar a política das páginas policiais, mas isso se resolve tirando o crime da política e não a liberdade da imprensa.
O passo mais importante para tirar o crime da política é tirar políticos criminosos de circulação, e Moro, graças ao trabalho da Lava Jato, fez a sua parte neste sentido, assim como nós em O Antagonista, sem cair na conversa mole de que a culpa da negociação foi da falecida Marisa Letícia.
É evidente que o grupo OAS destinou o imóvel, sem cobrar o preço correspondente, e absorveu os custos da reforma, tendo presente um benefício destinado ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e não a sua esposa exclusivamente.
É evidente que Moro é um herói nacional na luta contra a Orcrim.
Comemore você também a perspectiva de libertar o Brasil. (Felipe Moura Brasil) 

Luz no fim do túnel da política?
O ajuste da economia envolve reavaliar políticas públicas e, assim, contrariar interesses, e isso depende da capacidade de negociação de acordos e resolução de conflitos. Dependeremos, portanto, da política para avançar na agenda econômica.
A sociedade, no entanto, está desencantada com a classe política, e isso vai além da corrupção. Não se pode negar a sua responsabilidade pelo desastre econômico dos últimos anos. Os partidos da base de Dilma foram coniventes e sócios dos erros de política econômica, enquanto os partidos de oposição foram omissos.
Colhiam os frutos do quadro externo excepcional e dos acertos de política econômica da década passada, sem se preocupar com a terrível herança a ser deixada, mesmo com os alertas de muitos de que a guinada da política econômica no fim do governo Lula e aprofundada por Dilma era insustentável. Plantavam também a crise.
Certamente as estruturas políticas frágeis e o excessivo poder do Executivo na intervenção econômica contribuíram para o desastre econômico. As circunstâncias, porém, tiveram papel decisivo.
O quadro econômico excepcionalmente favorável da década passada fez mal ao País, pois gerou acomodação e condescendência na classe política, e também na sociedade.
Houve uma combinação de uma presidente da República ideológica e intervencionista e lideranças regionais e do Congresso que ou procuraram se beneficiar desse quadro, ou não queriam ser mais realistas que o rei. Inebriados, todos negavam a realidade.
Assim, os últimos anos não nos servem de guia para refletirmos sobre nosso futuro. Devem ser tratados mais como acidente ou desvio de percurso, do que reflexo de políticos incorrigíveis que teriam o DNA da irresponsabilidade.
Essa reflexão joga luz sobre a discussão da capacidade do País de avançar na agenda econômica nos próximos anos, para ao menos voltar a crescer em linha com o mundo e melhorar os indicadores sociais.
A classe política é mais pragmática do que ideológica e tem capacidade de reação. Há políticos fazendo bom trabalho.
Vale citar alguns exemplos de destaque. No Espírito Santo, de Paulo Hartung (PMDB), um corajoso ajuste fiscal, parcerias público-privadas em saneamento e agenda de privatizações. Em Alagoas, de Renan Filho (PMDB), a nova lei de Previdência dos funcionários públicos e regras para impor disciplina fiscal aos três Poderes, antes restrita apenas ao Executivo. No Ceará, de Camilo Santana (PT), a regra para teto de gastos e aumento de contribuição previdenciária.
Será essa reação algo provisório por conta da crise ou o início do enfrentamento da difícil agenda econômica? O caminho adiante será de avanço contínuo ou pularemos de crise em crise, com avanços tímidos e emergenciais diante de contingências? A julgar pelos avanços desde a democratização, não há muito o que celebrar, mas há razões para uma visão construtiva.
Do lado melancólico, a produtividade do trabalhador no Brasil está praticamente estagnada desde então, oscilando entre 25-30% da do trabalhador nos EUA, segundo o Conference Board. O crescimento econômico seguiu mais ou menos em linha com o mundo até 2010, mas em boa medida por conta da demografia favorável (que se reverterá em apenas 10 anos), o que significa mais pessoas trabalhando.
De qualquer forma, períodos de acerto na política econômica, como na década passada, foram seguidos de aumento de produtividade e investimentos.
Além disso, não foram apenas as crises que motivaram as reformas econômicas. Havia também a ambição de modernizar a economia, como na abertura comercial feita por Collor, nas privatizações de Collor e FHC, na Lei de Responsabilidade Fiscal de FHC e na importante agenda microeconômica de Lula. Cada um deixou seu legado na economia e o País avançou.
Se a história serve de guia, é provável que o País esteja retomando seu caminho após o desvio dos últimos anos, Ironicamente feito por uma não-política com fama de gerente. Que a eleição de 2018 não represente novo desvio. (Zeina Latif) 
Quem não espera vencer, já está vencido. (José de Alencar)

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