19 de jun de 2017

Sobra Calabar no país...

 photo asmedidas_zps36xexttm.jpg • Em semana decisiva no STF, Temer viaja ao Exterior; No Brasil, o presidente Michel Temer tenta passar uma mensagem de normalidade, em meio ao agravamento da crise política, e embarca para uma viagem à Rússia e à Noruega nesta manhã. O foco é, sobretudo, econômico; Temer grava vídeo para pedir punição a criminosos. Mensagem, sem citar Joesley e articulada com ministros, divulgada nesta segunda antes de presidente viajar para Rússia e Noruega; PF deve encerrar inquérito. 
• Em defesa do Estado laico e apoio às diretas, Parada Gay atraiu multidão em São Paulo.
• A economia tenta se descolar da política. Com uma calmaria inusitada, o que se observa no momento é um esforço para manter a reação da economia; Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, admitiu que a crise política fez as incertezas aumentarem nas últimas semanas. Mesmo assim, ele vê espaço para as reformas avançarem no Congresso e diz acreditar na possibilidade de uma recuperação gradual ao longo do ano. 
• JBS teme ser retaliada pelo governo Temer. 
• Mantega, o novo Dirceu, diz Eliane Cantanhêde. 
• Bancos cortam cartões de crédito de clientes com renda mais baixa. Instituições já retiraram de circulação 1,2 milhão de unidades entre janeiro e abril deste ano. 
• Delações da JBS reforçam crise da pecuária. Região dependente da empresa, Vale do Araguaia vive estagnação e desemprego. 
• Presidentes da Câmara e da OAB discutem sobre impeachment de Temer. 
• Temer pode desprezar listra tríplice para PGR. Oito procuradores da República disputam vaga em lista tríplice. 
• Lava Jato mira advogado amigo do ex-presidente Lula. Delatores voltam a depor para detalhar participação de Roberto Teixeira. 
• Distrito Federal lidera prejuízos com quadrilhas. Operações da PF no Distrito Federal contabilizam prejuízos de R$ 70,9 bilhões entre 2013 e 2017; máfias atuam próximas do poder nacional. 
• Lava Jato pede sequestro de bens de filhas de Palocci. Em manifestação a Moro, procurador afirmou que identificou possíveis atos de lavagem de dinheiro mediante aquisição de bens imóveis; OAB pede urgência à Câmara para análise do pedido de impeachment de Temer; A Operação Lava Jato deixa um rastro de mais de R$ 90 bilhões em obras paradas de Norte a Sul do Brasil, sem previsão de retomada. 

• Groenlândia: Tsunami deixa feridos, destrói casas e provoca evacuação. 
• O movimento do presidente francês Emmanuel Macron conquistou a maioria absoluta no segundo turno das eleições legislativas na França, segundo projeções divulgadas pela imprensa francesa após o fechamento das urnas neste domingo (18/06). 
• Van avança contra pedestres e deixa feridos em Londres. De acordo com a polícia da capital britânica, uma pessoa foi presa. Oficiais continuam no local investigando a ocorrência; A Scotland Yard trata como terrorismo o atropelamento de muçulmanos por um homem em uma van na região do Finsbury Park, no norte de Londres, na madrugada desta segunda-feira, 19. Uma pessoa morreu e ao menos dez ficaram feridas. As vítimas eram fiéis que estavam saindo de uma mesquita após a última oração no mês sagrado do Ramadã. O suspeito, que teria agido por islamofobia, foi preso logo após o ataque. 
• Também em Londres, a polícia elevou nesta manhã o número de mortos no incêndio da Torre Grenfell, na última quarta-feira. De 58, o total agora chega a 79, sendo que parte das vítimas está desaparecida e teve morte presumida. 
• No cenário internacional, também é destaque o grave incêndio florestal em Portugal, que deixou mais de 62 mortos desde a noite de sábado. Ao menos 30 pessoas morreram presas em seus carros, no que tem sido considerada a pior tragédia do país em anos. Já na França, o presidente Emmanuel Macron obteve maioria no Parlamento nas eleições legislativas deste domingo, o que lhe dá força para tocar as reformas econômicas. 

Feitiços de Loures e Aécio viraram urucubacas.
No Supremo Tribunal Federal, pequenas mandracarias advocatícias podem resultar em grandes urucubacas. Voltaram-se contra os defendidos, por exemplo, as últimas petições dos defensores de Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala de Michel Temer, e Aécio Neves, presidente licenciado do PSDB.
Sob o pretexto de que Rocha Loures corria risco de vida na cadeia da Papuda, seus advogados pediram que ele passasse a arrastar uma tornozeleira eletrônica em prisão domiciliar. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, transferiu o preso. Não para casa, como desejavam os doutores, mas para uma sala na Polícia Federal, em Brasília.
Na Papuda, Loures tinha banho de Sol, tevê e companhia. Na PF, foi isolado numa sala sem banheiro e sem tevê. Perdeu também o acesso ao Sol. Em nova petição, os defensores do ex-assessor de Temer pedem sua transferência para um quartel da PM de Brasília. No limite, informam que Loures prefere voltar para a Papuda. De repente, as supostas ameaças e o alegado medo de morrer ficaram em segundo plano.
No caso de Aécio, Fachin aceitou a tese de que a mordida de R$ 2 milhões que o grão-tucano deu em Joesley Batista, da JBS, não tem nada a ver com Lava Jato. Por sorteio, os autos foram parar na mesa de Marco Aurélio Mello. Com a troca, Aécio saiu do purgatório da Segunda Turma do Supremo, generosa na concessão de habeas corpus, para o inferno da Primeira Turma, que administra com parcimônia a chave da cadeia.
Na semana passada, por 3 votos a 2, a Primeira Turma manteve atrás das grades Andrea Neves, a irmã de Aécio. Nesta terça-feira (20), o colegiado apreciará pedido do procurador-geral da República Rodrigo Janot para que o próprio Aécio seja passado na chave. Os doutores que defendem o tucano pediram que o julgamento fosse transferido da turma, com cinco ministros, para o plenário do Supremo, onde se reúnem as 11 togas da Corte. O relator Marco Aurélio disse não.
Considerando-se o resultado dos últimos feitiços, os encrencados do escândalo JBS deveriam recomendar aos respectivos advogados mais parcimônia na administração dos feitiços. (Josias de Souza) 

Temer: corrupção irrefutável e indefensável.
Vivi momentos terríveis, conturbados, tumultuados, mas não acumulados, como agora. Excluídas naturalmente as duas ditaduras abertas, uma de 15 anos, outra de 21. A crise de hoje, é consequente e redundante. (Muitas perguntas sobre o assunto).
É constitucional, econômica, financeira, mas principalmente de moral, falta de ética, de credibilidade. O PSDB que entrou com ação no TSE pedindo a cassação de Temer, é o sustentáculo parlamentar do seu governo. E não se envergonha de continuar, alegando há dias: Deixaremos o governo se acontecer um fato novo.
Já se passaram 24 horas do depoimento do corrupto Batista, desnudando o corrupto Temer, e o PSDB não considera isso suficiente. De uma certa maneira têm razão. Em matéria de corrupção e desprezo total pela moral, Temer é um fato velho.
A denúncia de Joesley Batista, ultrapassa todas as acusações que já foram feitas sobre o ainda presidente. Num depoimento de 4 horas e 40 minutos, que ele resumiu para a revista Época, em 43 minutos. É indescritível. Depoimento suntuoso e minucioso a respeito de um relacionamento que vem de longa data, publicamente e nos porões do palácio, por mais de 20 vezes.
Temer já deveria ter cancelado a viagem à Rússia.
O depoimento do corrupto corruptor Joesley, não tem um ponto mínimo que possa ser contestado, quanto mais desmentido. Nada surpreendente que ele tenha gravado todas as conversas da madrugada, nos porões palacianos. Ele é taxativo, incisivo, definitivo: Temer lidera a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil.
Isso não é uma acusação leviana, e sim um libelo contundente. E ocupa a capa toda da revista Época, do alto a baixo. Pra quê mais? Mas existe muito mais, na revista e no depoimento.
O que atingiu o planalto, ou doeu pessoalmente em Temer.
Além de não ter deixado a televisão desligada nem na hora do almoço ou do jantar, Temer retaliou a Época, marcando os pontos que considerou nojentos (textual), auxiliares iam também lendo e comentando. 10 exemplares da revista foram levados ao Jaburu assim que chegaram ao aeroporto, por volta de 3 da tarde. Abaixo, com exclusividade, conto a razão do atraso).
Duas sugestões Temer repeliu logo. 1 - Desistir da viagem. Alegou: O fato de eu viajar por uma semana, mostra que não há gravidade. 2 - Não entrar com processo contra Joesley, argumentaram que poderia atingi-lo. Recusou com veemência, alterando a voz: Tenho que processá-lo. Senão vai parecer que estou fugindo, com medo. Pediram para ouvir juristas, concordou apenas com um, mesmo assim ficou reticente.
Capa da época, inesquecível.
A primeira que chegou ás suas mãos, totalmente rasgada, e com um comentário em voz alta: Como um homem com o meu passado, comportamento, dignidade e espírito público, pode ser chamado de líder de quadrilha criminosa?.
Pessoalmente ficou indignado, com a constatação de Joesley: Quem não está preso, está no Planalto. Como os que estão citados por Joesley, estavam ali, apontou: São vocês. Noutra conversa mais tarde, estranhou o fato de Eliseu e Jucá não terem sido citados. O repórter também estranhou. Não pode ser esquecimento.
Exclusividade total.
O roteiro da entrevista e do depoimento.
O material é tão vasto, impossível analisar e comentar tudo num dia. Como ficará no centro dos acontecimentos por muito tempo, a melhor solução que encontrei, foi dividir, dar prioridade ao que ninguém sabe. Para Joesley a conjugação entre a entrevista e o depoimento.
(Também não posso abandonar Aécio Neves, parte importante de tudo isso. E cujo pedido de prisão começa ser julgado amanhã, já começou perdendo ontem ).
Joesley continua a ser altamente vulnerável e criminoso do ponto de vista moral, (Temer não é nem um pouco melhor), mas planejou, premeditou e executou tudo, com total eficiência. Conquistou e mantém as manchetes. Temer encurralado e quase encarcerado.
Decidiu tudo em Nova Iorque. Tem 80 por cento dos negócios lá, mas queria resolver sua situação no Brasil. Como tem um acordo de delação de não ser preso, resolver voltar, contar tudo, nenhum problema de dinheiro, só destruir Temer, contar todo o relacionamento entre eles. Isso tem mais de 1 mês. 
Acertou o depoimento, já estava com a entrevista ditada e gravada para 2 jornalistas americanos, queria preservar o silencio. Como sabia que o depoimento seria longo, esperava que levasse o dia todo, veio com duas gravações. (Antecipando: o depoimento levou 5 horas e 40 minutos, a entrevista 43 minutos, 10 vezes menos, imaginem o que tem ainda para ser divulgado). Procurou a Veja, era ideia fixa, não chegaram a acordo.
Imediatamente fez contatos com a Época, através do editor-chefe, Diego Escosteguy. Este aceitou imediatamente, viu o potencial da entrevista, magnífica, mas longe de ser furo. Foi gravada na casa de Joesley, a edição é primorosa, seguindo as exigências do autor: com perguntas e respostas. O editor-entrevistador ficou empolgado, confundiu o dia da entrevista, falou que foi na quinta, e sim 48 horas antes, na terça. Por exigência da rodagem.
Assim mesmo atrasou a distribuição. Só na manhã de sábado chegou nas bancas de SP. Nas bancas do Rio a partir das 4 da tarde. Por excesso de arrogância, a sujíssima Veja jogou fora uma grande reportagem.
Aécio começa a ser julgado amanhã.
Não há possibilidade de adiamento, o relator não atendeu o pedido da defesa. Duas derrotas, ontem. Marco Aurélio, também não concordou que o julgamento seja no plenário em vez de na Turma. Aécio perderá por 3 a 2, aí poderá recorrer para o plenário. Provavelmente conseguirá, tem uma leve e fugaz esperança de levar o placar para 5 a 5.
Se o julgamento ocorresse na Segunda Turma, fortes possibilidades dele vencer por 3 a 2. Assim, com essa avaliação, os 5 a 5 que falei. Aí chega a vez da presidente votar. É o décimo primeiro a se manifestar, decidirá o julgamento, votando contra ou a favor.
Aí acontecerá o mesmo que aconteceu no TSE: jornais e televisões, desinformadamente, começarão a falar em voto de desempate ou voto de minerva. Isso não existe em tribunais formados por número ímpares de membros. Alguns Ministros presentes, já viveram a experiência, 3 vezes, do Supremo funcionar com 10 ministros. O presidente então, teria que votar pela segunda vez como manda o regimento interno.
Se o julgamento for para o plenário, e ocorrer o empate, então o julgamento será decidido pelo Ministro Carmen Lucia, que votará como bem entender. O que não é uma expectativa ou uma possibilidade nada agradável para Aécio Neves. (Helio Fernandes) 

Meu amor bandido.
Era um país inteiro reverenciando um açougueiro cheio de dinheiro. Distribuía carne enlatada, carne empacotada, carne iluminada por uma moça linda que trocou um Jornal Nacional pela Friboi. E ele se tornou o aidodói do empresariado. Todos queriam ser o boiadeiro de Goiás. E os políticos encheram-no de dinheiro. Dinheiro dos bancos públicos, dinheiro dos bilhões de impostos que sonegava, dinheiro dos bancos que comprava, dinheiro das negociatas que promovia dentro e fora do país. Até a Procuradoria Geral da República, que devia vigiá-lo, caiu-lhe nos encantos. Abençoou uma delação premiada que premiava seus crimes. O São Francisco de cabelos brancos assinou embaixo de seus crimes. O sereno ministro do Supremo também endossou suas negociatas. E a poderosa e monopolista televisão logo virou aliada de seus piores pecados. Até que um dia o pais acorda e descobre o óbvio: de quem ele estava roubando para distribuir tanto? Onde ficava o cofre que ele assaltou? Ora, ora, era tudo dinheiro público. Tudo dinheiro do país. Tudo dinheiro do povo. Caíra a máscara do mais esperto e audacioso bandido nacional. E ele fugiu em avião de luxo com proteção da justiça. Mas era pouco para a sua audácia. Convocou uma espalhafatosa entrevista e saiu denunciando, um a um, seus parceiros, os sócios de suas falcatruas. Agora a nação está de olho aberto para ver se os poderes podem, se a justiça é justa, se o bandido vai devolver o dinheiro roubado e parar na cadeia.
A corrupção sistemática nunca foi tão radiografada, demonstrando que está enraizada e penetrando como doença grave nas vísceras da nação, levando a força tarefa da Operação Lava Jato a ser referência na tentativa de regeneração nacional. Focada inicialmente no assalto oficial à Petrobrás, teve desdobramentos comprovando a aliança pública e privada. Os corruptores privados e os corruptos estatais capturaram o Estado brasileiro. A res publica foi transformada em verdadeira cosa nostra. Apoderaram-se do Estado em proveito próprio.
Não é sem propósito que a ampla aliança dos corruptos e corruptores tente, com manobras indecorosas, combater e tentar anular as punições decorrentes das investigações.
O polêmico perdão a crimes capazes de render dezenas de anos de cadeia está indignando a sociedade brasileira e alimentando esperança entre os malandros de colarinho branco que vem se movimentando em tentativa de desgaste e desmoralização das investigações. Articulam no legislativo, no executivo e até em áreas judiciárias manobras desesperadas objetivando enfraquecer e até anular as já proferidas e as futuras punições. A PGR e o STF, deram aos corruptos brasileiros um falacioso argumento. Um combustível tóxico para os conspiradores contra o Estado de Direito.
Consciências eram compradas com a mesma naturalidade de se estar adquirindo um rebanho bovino. O delator obteria no acordo de leniência vantagens e benefícios nunca vistos. No próprio Ministério Público vozes críticas condenando os privilégios excessivos, se fizeram ouvir. Dois procuradores da República, candidatos à chefia da PGR, não se omitiram: Eitel Santiago, entende que o Ministério Público se precipitou e o acordo não merece os benefícios que tiveram e a ex-vice-procuradora-geral, Sandra Cureau, foi direta: Se alguém faz uma delação premiada, não é para que não se sujeite a nenhum tipo de punição. (Sebastião Nery) 
Todos os dias deveríamos ler um bom poema, ouvir uma linda canção, contemplar um belo quadro e dizer algumas palavras bonitas. (Johann W. Von Goethe, 1749/1832)

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