22 de mai de 2017

Cantemos "começar de novo..."

 photo armaao_zpslk7bapip.jpgNão renuncio; se quiserem, me derrubem, afirma Michel Temer. À Folha, presidente diz ter sido ingênuo ao conversar com Joesley, dono da JBS. 
• Temer tem desafios em série para dar sobrevida a governo. Presidente tenta manter apoio de partidos e aprovar seus projetos no Congresso. 
• STF decidirá 4ª feira sobre suspensão de inquérito de Temer; áudios foram para perícia. 
• OAB apresentará pedido de impeachment de Temer no começo da semana. Conselho Federal da OAB se reuniu no sábado e decidiu apoiar o impeachment de Temer por 25 votos a 1. 
• Retaliação? Temer reduz verba da PF e gera suspeita de interferência na Lava Jato. Quando foi deflagrada a operação Lava Jato, em 2014, a equipe da Polícia Federal que atuava em Curitiba contava com nove delegados federais, que faziam parte de um efetivo de quase 60 policiais. Hoje, apenas quatro delegados seguem atuando nos casos, responsáveis por cerca de 180 inquéritos em andamento. A redução não ocorreu somente no quadro da força-tarefa no Paraná, Brasília e Rio de Janeiro também sentiram. O motivo foi a redução de verbas da PF, em consequência do corte geral dos gastos da União. De acordo com informações do blog de Fausto Macedo, no Estadão, a previsão do Orçamento da União de 2017 para o Ministério da Justiça é de R$ 13 bilhões, sendo R$ 6 bilhões para a Polícia Federal - R$ 4,7 bilhões destinados ao pessoal e R$ 1 bilhão ao custeio. O corte de 44% é o mais expressivo, desde que a força-tarefa teve início. 
• Protestos petistas fracassam de novo. A baixa adesão aos protestos deste domingo frustrou os organizadores, segundo o Estadão. Na capital paulista, eles culparam a chuva. Mas o fato é que os movimentos de esquerda não conseguem mais mobilizar as massas. Pudera: se o Congresso não tem legitimidade para escolher presidente, por que teria para mudar a Constituição antecipando eleições? Mesmo insatisfeito com Michel Temer, o povo prefere ficar em casa, aguardando Lula protagonizar a cena das Diretas Já para a cadeia. 
• Crise política que atingiu Temer ameaça paralisar trabalhos no Congresso. 
• Defesa recorre ao STF para que Aécio volte ao cargo de senador. 
• Escritório de Sepúlveda Pertence abandona defesa de Joesley. 
• Rio anuncia novo bloqueio nas contas do estado por parte da União. 
• Associação critica falta de perícia prévia em áudio entregue por Joesley. 
• JBS contribuiu para a eleição de 16 dos 27 governadores. 
• João Doria diz que cracolândia acabou, mas tráfico fica. Área é alvo de megaoperação policial, mas usuários e traficantes se espalham. 
• Choque político compromete reformas. Mudanças nas leis trabalhistas e da Previdência podem não ocorrer; efeitos sobre economia virão após 3º tri. 
• Microempresas de favelas serão formalizadas. Estimativa é que pequenos negócios em comunidades movimentem R$ 80 bi. 
• Tony Ramos está triste e melancólico com as revelações da JBS e não será mais garoto-propaganda. 
• Contas na Suíça registram 9 mil pagamentos para políticos, diz delação da JBS. 
• Faustão é patrocinado pelo Banco Original do grupo de Joesley Batista. Apresentador passou parte do programa deste domingo dando lição de moral, falando da vergonha da corrupção e cobrando um Brasil melhor, mas esqueceu que aceita dinheiro de um dos maiores corruptos da nação. 
• Crivella e aumento do IPTU. Sem maioria na Câmara para aprovar aumento. 

Temer põe em dúvida atuação de Edson Fachin.
Michel Temer cogita pedir a anulação de todo o processo em que é investigado no Supremo Tribunal Federal por suspeita de corrupção, obstrução de justiça e formação de organização criminosa. Alega que o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, não teria legitimidade para atuar no caso, pois a empresa JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, é investigada não no escândalo da Petrobras, mas em outras cinco operações: Sépsis, Greenfield, Cui Bono, Carne Fraca e a Bullish.
Alertado pelo criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira, cujo escritório assumiu sua defesa, Temer disse a aliados, neste domingo, que Fachin não seria o juiz natural do caso que resultou das delações de executivos da JBS. O relator, disse o presidente a ministros e congressistas, deveria ter sido escolhido por sorteio. Algo que os advogados suspeitam que não foi feito. Para tirar a prova dos nove, a defesa do presidente pede ao Supremo que esclareça como foi feita a distribuição do processo sobre a JBS.
Na tarde de sábado, o escritório de Antonio Mariz já havia protocolado no Supremo um pedido de suspensão do inquérito contra o presidente. Questiona-se na petição a validade da gravação feita por Joesley Batista, o sócio da JBS, da conversa que manteve com Temer em 7 de março, no Palácio do Jaburu. No mesmo dia, Fachin determinou que o áudio seja periciado pela Polícia Federal. E transferiu para o plenário do Supremo a decisão sobre suspender ou não a investigação contra Temer. O julgamento está marcado para quarta-feira.
O novo questionamento da defesa de Temer, condicionado à confirmação da ausência de sorteio na distribuição do processo da JBS, será mais amplo. Em vez da suspensão, cogita-se pleitear a anulação de todos os atos praticados por Fachin em relação a Temer. Nessa hipótese, iriam para a lata do lixo, por extensão, os outros despachos de Fachin -da homologação das delações até as 41 batidas de busca e apreensão e as 8 prisões preventivas decretadas pelo relator da Lava Jato com base na colaboração judicial da JBS.
No limite, subiriam no telhado também os despachos de Fachin que afastaram do exercício regular dos respectivos mandatos o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado Ricardo Rocha Loures (PMDB-PR). A pretensão de Temer e seus advogados é a de promover uma reviravolta no caso. O presidente teria, então, munição para sustentar a tese segundo a qual está sendo vítima de uma grande armação. E o debate sobre o mérito do diálogo antirrepublicano que teve com Joesley Batista ficaria em segundo plano. (Josias de Souza) 

A Constituição, acima dos dignos e dos indignos.
Se o Diabo veste Prada, as esquerdas vestem Armani, consomem caviar, têm penthouses na Flórida e triplexes no Guarujá. Curiosamente, porém, lhes são atribuídas importantes virtudes na relação com os ocupantes dos mais miseráveis porões da vida social. É um fenômeno real: não é o pobre que precisa da esquerda; é a estratégia e o projeto político da esquerda que precisam do pobre na sua pobreza. Duvida? Vá a Cuba e à Venezuela e depois nos conte. A aparente empatia entre a esquerda e a pobreza não se compara à que une seus mais poderosos representantes aos donativos, mesadas e jatinhos disponibilizados pelo capitalismo de compadrio, construído com dinheiro do condomínio Brasil, ou seja, com o dinheiro de nossos impostos. Enquanto faz juras de amor aos pobres, pisca o olho e vai para a cama com os mais inescrupulosos bilionários.
A conversa entre Michel Temer e Joesley Batista faz lembrar muito, mas muito mesmo, certas gravações colhidas em grampos com pessoal do PCC. Ouvindo a confusa loquacidade do empresário, construindo frases de um modo meio cifrado, a gente fica à espera do momento em que vai chamar Temer de mano. E este se comporta como tal, embora alguém do PCC tivesse, ligeirinho, percebido a armação e dado uma curva no escandaloso encontro.
O presidente caiu como um pato em pleno voo e a crise política instalou-se no mais inoportuno dos momentos, quando o país começava a se aprumar para uma gradual emersão desde as profundezas da pior crise de nossa história econômica. Quem perde com essa nova enxurrada de lama? Há quem, feliz da vida, diga que perde a base do governo, que perdem os golpistas. Eu vi essa expressão nos rostos de diversos parlamentares quando a notícia da gravação chegou ao Congresso Nacional. De fato, embora quase todos os que observei tivessem contas a acertar com o mesmo STF, a nova situação os excitou positivamente. Enfim, uma notícia boa! - pareciam dizer.
Boa? Eis onde quero chegar. Nas horas subsequentes, ocorreram manifestações. Pontos de concentração, em várias capitais do país, pintaram-se de vermelho. Era marcante o tom político, partidário e militante que caracterizava quem a elas afluiu. A atitude, as bandeiras, as faixas e cartazes funcionavam como carteiras de identidade do público presente. O povo, aquele que vive e move-se por vida própria, na feliz definição de Pio XII, estava em casa, chocado, desolado, porque inteligentemente presumiu as penosas consequências daquelas revelações. O povo sabe que fora, acima e além das mesquinharias políticas, é ele quem perde. Ele perde sempre que o espírito público é comprado e o interesse nacional, vendido.
É hora de prestar atenção a quem tenha atitude responsável, esteja pensando no Brasil, na imagem do país, nas necessárias reformas, na retomada do crescimento em favor dos desempregados, dos endividados, dos jovens da geração nem-nem. É uma boa oportunidade, também, para monitorar e, em 2018, varrer da cena políticos corruptos, demagogos, populistas, oportunistas. E como os temos!
Nesta quadra amargamente pedagógica da vida nacional resta-nos a Constituição. Silenciosa, ela se ergue acima dos dignos e dos indignos. Há que segui-la, sem casuísmos, para a necessária substituição do presidente, forçada ou voluntária, repudiando quem queira aprofundar a crise e convulsionar ou parar o país. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor)

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