10 de abr de 2017

Pulando carniça na política.

 photo aposentar_zpsoxjhsagm.jpg • Caixa abre mais cedo para saques do FGTS. As agências terão duas horas a mais de atendimento nesta segunda, terça e quarta-feira, de 10 a 12 de abril. 
• Alta do salário mínimo faz subir projeção oficial de gasto do INSS. Contas da reforma da Previdência consideram ganhos para o piso salarial. 
• O povo do Rio não engoliu as solturas! Conselheiros do TCE-RJ recebiam propina para ignorar irregularidades. TCE do Rio recebia propina para aprovar contas de municípios. Em colaboração premiada, conselheiro da Corte cita Duque de Caxias, Niterói e Macaé. 
• Hoje é o Dia da Vitória. Marcelo Odebrecht, às duas da tarde, vai depor pela primeira vez como delator da Lava Jato. O passado, o presente e o futuro do Brasil. Os próximos dias serão decisivos para o futuro do Brasil. 
• O Enem fica mais caro este ano. Para se inscrever, o candidato terá que pagar R$ 82. A nova taxa está no edital do exame, publicado nesta segunda-feira (10) no Diário Oficial da União. No ano passado, a taxa era de R$ 68. 
• Estão bagunçando o coreto do povo. E não é para melhorar e sim atropelar o eleitor. TSE analisa criação de mais 56 partidos, inclusive remakes de Arena e Prona. País tem hoje 35 legendas. Partidos apelam a dinheiro público para pagar multas do TSE. Com débitos que podem chegar a R$ 35,6 mi por mau uso do Fundo Partidário, siglas alegam não ter verba. 
• Crédito com mais risco cresce na carteira do BNDES. Para o banco, deterioração da qualidade das operações em um cenário de recessão é movimento previsível
• Uber regulado. Não se pode é privar a população de um benefício tecnológico para preservar a reserva de mercado de uma categoria. 
• A História. Temer desfigurou a Previdência em 1996, escreve FHC. Em livro de diários, ex-presidente se queixa do então deputado como relator. 
• Ocultam nome do beneficiário final. Empresas ligadas a paraísos fiscais têm mais de R$ 8 bi em imóveis em SP. 
• Renan congelou investigações contra senadores, em sua presidência. Conselho de ética e corregedoria praticamente não funcionam. 
• Cunha ameaça explodir mundo empresarial. De acordo com a Folha de S.Paulo, Eduardo Cunha disse ter chegado ao seu limite na prisão e afirmou que pensa em fazer uma delação premiada que pode afetar gigantes do setor de carne. Seus advogados, porém, continuam negando que ele tenha disposição em fazê-lo. 
• O juiz federal Marcos Josegrei, responsável pela Operação Carne Fraca, manteve, neste sábado (8), a prisão preventiva do médico veterinário Flavio Evers Cassou, da Seara, pertencente à JBS. O funcionário que foi tratado pela Polícia Federal (PF) como executivo da JBS é investigado por entregar dinheiro aos fiscais do Ministério da Agricultura Daniel Gonçalves Filho e Maria do Rocio, apontados como líderes da organização criminosa que se instalou na pasta para defender os interesses de empresários do setor agropecuário em troca de propinas.
• Enquanto isso no mundo dos assinantes... Procura-se, de Ana Cláudia Guimarães em Ancelmo Gois: A 7ª Vara Empresarial do Rio marcou audiência especial urgente hoje devido à desistência da empresa BDO Consultoria, indicada pela Anatel para a função de administrador judicial da recuperação judicial do Grupo Oi. A empresa havia sido indicada para substituir a Pricewaterhouse Coopers no dia 31 de março. 
• MP pede que acusados da CBDA devolvam R$ 160 mi. Somente o ex-presidente Coaracy Nunes e mais três pagariam R$ 123 mi. 
• Sérgio Moro deixou uma mensagem de otimismo para os brasileiros que se sentem constrangidos com a ORCRIM. Ele lembrou um discurso de Theodore Roosevelt: A exposição e punição da corrupção pública é uma honra e não uma vergonha. Resumindo: os únicos que devem se preocupar são os criminosos. 
A grande revolução é acabar com o desperdício de dinheiro público - Entrevista com Diego Amorim. O governo Dilma estimava que o IBGE gastaria 1,6 bilhão de reais para realizar o Censo Agropecuário. Paulo Rabello de Castro, nomeado presidente do órgão por Michel Temer, promete entregar o mesmo trabalho gastando menos da metade: 700 milhões de reais. O Brasil pode melhorar fazendo mais com menos. O Brasil precisa se repaginar, se redescobrir, diz Castro, em entrevista exclusiva a O Antagonista. Ele afirma que o impacto do desperdício de recursos públicos sobre o orçamento é ainda mais severo do que o provocado pela corrupção. A grande revolução é acabar com o desperdício de dinheiro público, diz.
• O presidente Donald Trump não pode usar seu helicóptero pessoal para se locomover enquanto estiver no cargo. Mas isso não o impediu de deixar o helicóptero estacionado no gramado de seu resort em Mar-a-Lago, durante o final de semana. O helicóptero, da marca Trump, ficou em exibição no novo heliponto de sábado até domingo, até decolar sem seu dono, segundo o Palm Beach Daily News. Enquanto estão no cargo, presidentes americanos só podem voar no Air Force One, um avião Boeing 747 modificado para o uso do presidente, ou no Marine One, o helicóptero exclusivo da presidência. Trata-se do padrão exigido pelo Serviço Secreto há décadas. Segundo o serviço secreto informou à agência AP, Trump não voa em seu helicóptero desde a posse. 
• Polícia acha explosivo perto do metrô em Oslo; adolescente é preso. A polícia norueguesa detonou o que chamou de objeto semelhante a uma bomba na região de Gronland, local onde há vários bares e restaurantes em Oslo. Um garoto russo de 17 anos foi preso. 
• Explosões em igrejas deixam dezenas de mortos no Egito. Pelo menos 36 mortos e 113 e feridos até agora feridas após explosões atingirem duas igrejas cristãs no norte. Estado Islâmico assume autoria de atentados contra igrejas coptas no Egito que decreta estado de emergência por três meses. 
• EUA culpam Rússia por ataque químico da semana passada, na Síria. Após críticas sobre Síria, EUA enviam porta-aviões para península norte-coreana. Neste sábado, o governo da Coreia do Norte emitiu uma nota condenando a retaliação norte-americana a Bashar al-Assad; frota de ataque marítimo está posicionada para demonstrar a força do governo Trump frente a Kim Jong-um. 
• Justiça do Peru determina prisão de governador por suposta propina da Odebrecht. Félix Moreno é acusado de ter favorecido empresa na construção de rodovia; além disso, também responde por lavagem de dinheiro e tráfico de influência. 
• Passaporte brasileiro vira rota de fuga para sírios. Descendentes restabelecem conexão perdida com migração no século 19. 
• Conflito na Síria gera cacofonia em gabinete de Trump. Analistas levantam dúvidas sobre os rumos da política externa dos EUA.
 
Bonapartismo: elite quer um novo Collor anti-Lula. Mas serve Lula.
Acharam a formulação muito estranha? Pois é. Eis o estágio miserável a que chegou a política brasileira, com a militância dos xucros de todas as colorações.
Prestem atenção a esta provocação. Depois me estendo um pouco: a maioria do empresariado brasileiro quer, em 2018, um Fernando Collor que possa vencer Lula, mas o trocariam, de bom grado, pelo próprio… Lula. Ou alguém com a sua bênção.
Ficou escandalizado? Não fique. Já chego lá. Antes, algumas considerações.
Povo de direita
Há coisas realmente curiosas em curso. Em sua coluna na Folha desta segunda, bem escrita como de hábito, o esquerdista Celso Rocha de Barros aborda uma pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo, que é ligada ao PT. O título é uma maravilha: Na periferia de São Paulo, ninguém sonha em morar na Venezuela.
Reproduzo um trecho da coluna de Barros, que faz uma síntese do levantamento: Os resultados da pesquisa, amplamente divulgados na imprensa, mostraram um morador de periferia que valoriza o empreendedorismo e a iniciativa pessoal, que apoia programas sociais, mas espera, sobretudo, que políticas públicas lhes abram possibilidades que eles mesmo explorem como acharem melhor.
Tratei desse assunto neste blog no dia 26 de dezembro de 2012, com um acento que o meu colega esquerdista da Folha certamente não aprovaria. O título: Pesquisa Datafolha evidencia outra vez: o brasileiro é conservador. Ou: Eleitores em busca de um partido.
Tratava, então, de uma pesquisa publicada pelo instituto. As questões estavam mais relacionadas a comportamento, mas reproduzem um universo mental. Para a surpresa de muitos - Jair Bolsonaro deve ter ficado alarmado -, informava-se que 69% achavam que a homossexualidade deve ser aceita por toda a sociedade, contra 25% que disseram o contrário. Nada menos de 83% defendiam a proibição do uso de drogas, contra apenas 15% que se colocavam do outro lado.
Escrevi, então, o seguinte sobre a fraqueza da direita política brasileira: No mundo inteiro, partidos políticos buscam eleitores. No país da jabuticaba, da pororoca e da Polícia Federal que faz greve quando trabalha (a tal operação padrão), dá-se o contrário: os eleitores estão em busca de um partido. Como ele não existe, os coitados vão se virando com o que há por aí… Uma nova pesquisa Datafolha prova pela enésima vez: a maioria do povo brasileiro, salvo numa questão ou outra, é conservadora. Nos países democráticos, civilizados, onde a palavra direita não virou palavrão - e por que viraria quando nos lembramos de líderes como Churchill, Adenauer ou De Gaulle? -, essa gente seria considerada… de direita. Por aqui, tratam-se os números quase com certo pesar, como se o povo ainda estivesse tocado por uma espécie de má consciência.
Vozes dissonantes
Barros usa os dados da pesquisa para puxar a orelha dos seus amigos de esquerda, que pregam, por exemplo, que o PT radicalize, ora, ora, à esquerda, certo? Como ele não é burro nem nada, sabe que o PT que venceu as disputas de 2002, 2006 e 2010 - em 2014, menos - fez uma campanha com acento muito mais à direita do que à esquerda. Os xucros nunca se deram conta disso. Nessas disputas, quem falava em ascensão social, aumento do consumo e valorização da propriedade era o… PT!!!
Dilma levou tudo à ruína - e Lula já havia feito a escolha errada no segundo mandato - quando radicalizou as feitiçarias econômicas que ignoravam a matemática e a aritmética. É uma tara dos tolos o desafio aos números. Ora, uma esquerda que radicalizasse o discurso partiria do erro, para ficar no simbolismo, de que o pobre prefere integrar uma milícia chavista em Caracas a subir na vida.
Bem, tudo vai depender de Lula. É demagogo o bastante para atacar a reforma da Previdência, mas é inteligente o bastante para impedir que seu partido vire refém dos malucos. Lula, anotem aí, mais uma vez, candidato ou não, vai fazer um discurso com acento conservador, de direita… Mas com acento conservador para os… pobres.
Barros é bem mais manso do que eu, parece… Mas estou certo de que ele reconhece a existência, segundo o seu ponto de vista, de uma esquerda xucra.
Direita xucra
E eu reconheço, também dissentindo de alguns pares do lado de cá, a direita xucra como a expressão da estupidez e do divórcio com o povo. Querem ver? Em 2012 - duvido que tenha mudado tanto assim -, 67% se diziam contrários à posse de armas porque ameaça a vida de outras pessoas; 30% afirmavam ser um direito do cidadão para se defender. Parte da direita brasileira, como se sabe, deu agora para pedir a revisão do Estatuto do Desarmamento. Pfui… Tédio profundo.
Não só: a permanente gritaria promovida pela direita raivosa contra a política e até contra as instituições conseguiu, como resta evidente, devolver a esquerda ao jogo eleitoral. Se esta seguir o caminho que vislumbra Barros, será competitiva, com chances reais de vitória. Se optar pela radicalização, a chance de se estabacar é grande.
Como é imensa a possibilidade de a direita se estatelar se não conseguir deixar claro para os brasileiros como é que pretende melhorar efetivamente a sua vida. Não me refiro a promessinhas ad hoc, não. Mas a um conjunto de valores que acenem para um futuro. Por enquanto, ouço apenas estridência e alarido das vozes mais salientes, boa parte delas mais dedicada a detonar as instituições do que a construí-las e a responder ao fascismo de esquerda com fascismo de direita.
Os xucros apenas tiraram o sarro do comportamento, digamos, buliçoso de Dilma em Harvard. Os espertos não fizeram por menos, mas perceberam que havia um esboço, ainda que à moda Dilma, de futuro.
De volta ao começo
E a minha frase? Pois é… Conversando aqui e ali, vai lá uma síntese que pode estarrecer. A exemplo de 1989, não são poucas os que anseiam por um novo Collor. Nem precisamos saber direito o que pensa e o que quer. Basta que se apresente como potencialmente vitorioso e que saiba quebrar a espinha do PT, de Lula, das esquerdas, dessa gente
Acontece que todos esses vetustos senhores foram parceiros, amigos de fé, irmãos, camaradas de… Lula! Perguntem a boa parte do capital no Brasil se não gostaria de uma nova era de bonança à moda Lula. Ninguém como ele entendeu tão bem certos conservadores no Brasil. Podem ser calados com empréstimos do BNDES, com subsídios, com conversa ao pé do ouvido, com reserva de mercado…
Então ficam assim: ou um anti-Lula, que garanta tudo aquilo que Lula garantiria, com mais fineza e sem tanto apelo à pobrada. Ou o próprio Lula… Pode até vir a tal pobrada junto, desde que não os deixem ao relento. E isso Lula não fez nem faria.
Encerro
A conclusão é uma só. Setores importantes da elite brasileira, quase a sua totalidade, continuam a ter uma mentalidade bonapartista e essencialmente antidemocrática. Acredita mesmo que só o demiurgo pode dar um jeito nisso que está aí.
Ora, o único papel decente para um liberal, nesse quadro, é lutar para criar instituições que possam corrigir e conter os vícios dos políticos. Em vez disso, investe-se na procura de alguém que tenha condições de submeter as instituições a seus vícios.
É bonapartista, sim, mas daquele tipo mais à-toa - do Bonaparte que era apenas…sobrinho do tio!
PS: Ah, não custa lembrar! Tentar criar um anti-Lula só reforça as características demiúrgicas de… Lula! É uma tolice. Anotem aí. (Reinaldo Azevedo) 
 
Delator da Lava Jato é suspeito de burlar acordo.
A Lava Jato ainda não terminou e já convive com uma segunda geração de fraudes. Apuram-se agora suspeitas de logro à Justiça na execução de acordo firmado com um delator que admitiu o pagamento de propinas em troca de contratos na Petrobras. Chama-se Eduardo Hermelino Leite. Ex-vice-presidente da Camargo Corrêa, ele foi condenado a cumprir 16 anos anos e 4 meses de cadeia. Graças ao acordo de colaboração judicial, está em casa. Deveria prestar 5 horas semanais de serviços comunitários numa entidade assistencial para cegos. Reportagem exibida na noite deste domingo no programa Fantástico, da TV Globo, informou que o delator não deu as caras na entidade.
Preso em 2014, Eduardo Leite revelou à força tarefa da Lava Jato que a Camargo Corrêa pagou R$ 110 milhões em propinas na Petrobras entre 2007 (governo Lula) e 2012 (gestão Dilma). O ex-executivo da empreiteira confirmou as cifras em depoimento ao juiz Sérgio Moro. Parte da propina (R$ 63 milhões) foi desembolsada em troca de contratos na diretoria de Serviços da estatal. Outra parte (R$ 47 milhões) azeitou negócios na diretoria de Abastecimento. Moro condenou-o por corrupção ativa (5 anos e 4 meses), organização criminosa (3 anos e 6 meses) e lavagem de dinheiro (7 anos e seis meses). A pena incluiu também o pagamento de multa de R$ 5 milhões.
Convertido em colaborador da Justiça, Eduardo Leite passou apenas quatro meses na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Foi brindado com a prisão domiciliar, em São Paulo. Um ano depois, progrediu para o regime semiaberto. O acordo impôs ao delator um conjunto de obrigações: usar tornozeleira eletrônica, ficar em casa nos dias de semana entre 21h e 7h, não sair de casa nos finais de semana e dedicar cinco horas semanais à prestação de serviços comunitários.
Em 5 de agosto do ano passado, o delator Eduardo Leite foi encaminhado pela Justiça Federal a uma entidade chamada Laramara. Fica na Zona Oeste de São Paulo. Dedica-se a dar assistência a pessoas com deficiência visual. Duas funcionárias da entidade informaram nunca ter visto o ex-vice-presidente da Camargo Corrêa. Procurada, a Laramara manifestou-se por meio do seu advogado, Cid Vieira de Souza Filho. Ele declarou-se surpreso com a informação de que o delator da Lava Jato havia sido escalado para prestar serviços na entidade.
Não era do conhecimento da diretoria que Eduardo Leite trabalhasse na Laramara, afirmou Cid Vieira. A direção da Laramara não tinha conhecimento da prestação de serviço -não só do Eduardo Leite, como de qualquer outro apenado encaminhado pela Justiça Federal. Curiosamente, o nome da Laramara consta de relação publicada no Diário de Justiça em 11 de março de 2015. A lista anota as empresas e entidades credenciadas a receber condenados a prestar serviços à comunidade.
Cid Vieira, o advogado da Laramara, disse ter encaminhado o caso ao Ministério Público, para apurar em que condições, eventualmente, teria sido celebrado esse convênio, que era de total desconhecimento da diretoria. Ele acrescentou: As únicas pessoas que poderiam assinar pela Laramara não assinaram e não tinham conhecimento. A anomalia foi comunicada também à Justiça Federal.
A despeito da manifestação do advogado, o convênio existe. Foi assinado por um funcionário da Laramara: Cristiano Gomes da Silva. Esse mesmo funcionário abonou ficha de frequência com o nome do delator Eduardo Leite. A ficha traz a assinatura do ex-executivo da Camargo Corrêa. A caligrafia combina com a da rubrica que consta do acordo de delação. O advogado da Laramara sustenta que Cristiano Gomes não estava autorizado a firmar compromissos em nome da entidade.
Ele não tinha poder para representar a Laramara em qualquer convênio… Foi sumariamente demitido. A Laramara é vítima, é uma instituição de credibilidade. Só faz o bem para as pessoas. Procurado em Guarulhos, na grande São Paulo, onde mora, o demitido Cristiano Gomes não estava em casa. Uma irmã disse desconhecer a encrenca. A única coisa que eu sei é que ele está doente, declarou. A gente está acompanhando ele no hospital.
O delator Eduardo Leite balbuciou quatro escassas palavras ao ser indagado sobre o fato de a Laramara negar a existência de acordo com a Justiça. Eu desconheço essa informação, disse ele, protegido atrás de um equipamento do tipo porteiro eletrônico. O repórter perguntou se ao ex-executivo da Camargo Corrêa se ele estava mesmo prestando serviços à entidade que se dedica aos cegos. O delator aconselhou-o a procurar seu advogado. Mas defensor de Eduardo Leite respondeu que só irá se manifestar se for questionado pela Justiça.
Em nota, o juiz Alessandro Diaferia, titular da 1ª Vara Federal Criminal de Execuções Penais de São Paulo, declarou que a escolha de entidades que recebem condenados à prestação de serviços obedece a um rigoroso procedimento. No caso da Laramara, houve visita técnica em 2014. Dois servidores da Justiça Federal foram recebidos por Cristiano Gomes da Silva. O agora demitido identificou-se como gestor de projetos e parcerias, escreveu o juiz.
O magistrado anotou que, nesses mais de dois anos de parceria com a Laramara, cerca de 20 prestadores de serviços comunitários foram encaminhados à entidade. No caso de Eduardo Leite, as folhas de frequência são verificadas mensalmente. A última ficha de comparecimento, aquela abonada pelo funcionário demitido, está datada de 30 de março de 2017.
De resto, o juiz Alessandro Diaferia informou que a Justiça Federal promoverá a revisão de todos os convênios firmados com entidades como a Laramara. Se for apurado eventual descumprimento das obrigações, o apenado está sujeito à perda dos benefícios recebidos.
Procurado uma vez mais, o advogado da Laramara reafirmou que a entidade desconhece o convênio com a Justiça. Pior: abriu investigação interna para apurar outros seis casos de condenados que estariam prestando serviços irregularmente à entidade.
Existe uma relação nos levantamentos preliminares que estão sendo efetuados, que nós já conseguimos detectar, disse o doutor Cid Vieira. Estamos encaminhando não só ao Ministério Público, como à Justiça Federal de São Paulo. O doutor não soube dizer se há outros delatores da Lava Jato em meio aos hipotéticos prestadores de serviço. (Josias de Souza) 
 
Temer cada vez mais sozinho.
Talvez nem o presidente Michel Temer consiga lembrar-se do nome de todos os seus ministros, quanto mais das promessas que cada um elencou ao empossar-se. Há ministros daqueles que a gente confunde a origem e os objetivos, além dos nomes. Desfez-se, se algum dia foi constituída, a equipe que deveria agir em uníssono. Jamais se reuniram, sequer para oferecer ao chefe uma solidariedade fugidia. A maioria poderia nem existir, até mesmo aqueles com gabinete no palácio do Planalto.
Essa decepção contagia o presidente, enfraquece o Congresso e deixa os partidos sem rumo. Por isso voltou a circular a necessidade de ampla reforma ministerial, se possível coincidindo com a divulgação sempre adiada da lista da Odebrecht, no Supremo Tribunal Federal. Seria hora de Temer livrar-se de uns tantos ministros envolvidos nas denúncias e delações, sem alternativas a não ser escapar de supostas acusações.
Para começar, o ideal seria esquecer os partidos com direito a capitanias hereditárias.
O diabo é encontrar um fio condutor para dar unidade a uma nova equipe. Eficiência poderia ser um bom começo, com pouca ou nenhuma interferência das bancadas diversas. Por que dar representação ao PMDB do Senado, por exemplo, ou aos tucanos de Aécio, Geraldo ou Serra?
A nova roupagem ministerial precisaria basear-se na capacidade de cada um dos escolhidos, acima e além dos interesses de grupos ou patotas partidárias.
Terá Michel Temer condições e independência para promover mutação desse quilate? Concordariam os partidos em abrir mão de seus feudos desordenados?
A conclusão é uma só: o presidente governa cada vez mais sozinho, imaginando compor grupos carentes de capacidade e unidade. Breve 2018 estará chegando, com um fator ainda mais perigoso, a desagregação. (Carlos Chagas) 
O poder só é limpo quando se traduz em serviço. (Francisco de Juanes)

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