5 de fev de 2017

Insegurança, até quando.

• Queda da inflação esquenta o debate sobre eficácia dos juros altos no Brasil. 
• Coisas para legado, delegado ou...? Após quatro meses, Parque Olímpico no Rio tem sinais de abandono. Área do parque foi aberta para lazer em janeiro, mas espaço sofre com falta de cuidado. Telas de artista está rasgada, fiação exposta e calçadas quebradas estão entre os problemas encontrados. 
Lula não tem limites em sua capacidade de ser indecoroso. Conseguiu ultrapassar mais uma vez esse limite ao profanar a própria viuvez e ousar atribuí-la a terceiros. Se alguém pode ser responsabilizado pelo infortúnio de dona Marisa, é quem a envolveu nesse mar de delitos, e que não soube (ou não quis) poupar a própria família. Ao tentar politizar - e terceirizar - um drama que ele e somente ele produziu, expõe-se ao vexame público. Fez com a família o que fez com a pátria, semeando desordem e infelicidade. E agora quer acusar a justiça, na tentativa de inverter os papéis. O réu é ele, não a justiça. Lula, se não consegue respeitar o Brasil, respeite ao menos sua família! (Ronaldo Caiado) 
• Peninha! Cabral chegou a declarar que empobreceu antes de esquema no governo. 
• Andrade Gutierrez também tinha setor só para propinas, diz delação. Segundo depoimentos à PF, dinheiro passava por firmas de fachada de doleiro. 
• MP pede fim de sigilo de preço na Petrobras. Recomendação quer publicidade para demonstrativos de valores. 
• Enriquecimento na política marcou trajetória de Cabral. Ex-governador do Rio teria patrimônio de R$ 250 milhões no exterior. 

• OMS alerta para risco de febre amarela chegar a países vizinhos do Brasil. 
• Tribunal rejeita recurso de Trump e decreto sobre imigração continua suspenso. Republicano bloqueou a entrada de imigrantes de sete países nos EUA; juiz suspendeu decreto; Trump entrou com recurso, mas foi derrotado de novo. 
• Trump diz que trabalhará com Ucrânia e Rússia para restaurar paz. Declaração frustra esperanças do governo ucraniano de que novo presidente dos EUA mantivesse apoio ao país contra investidas da Rússia. 
• Brasil amarela e não reage a novas regras de Trump para visto. 
• Cresce número de crianças brasileiras barradas nos EUA. Crise no Brasil faz fluxo se intensificar; 66 crianças são recolhidas por patrulha. 
• Marine Le Pen lança candidatura à presidência da França. 
• Irã desafia EUA e realiza novo teste miliar com mísseis. Anúncio ocorre um dia após governo Trump impor novas sanções a Teerã. 
• Imigração gera controvérsia na Argentina. Favela argentina se divide sobre novas regras de entrada de estrangeiros. 
• Turquia prende mais de 400 suspeitos de pertencer ao EI. 

Lula discursa em velório como viúvo de comício.
A morte é um evento caprichoso e unívoco. Não segue regras. E não se presta a interpretações. A morte simplesmente mata. É sua função. E ela a exerce quando e da maneira que bem entende. A vingança mais eficaz contra a compulsoriedade da morte é o protesto do silêncio. E a melhor homenagem aos mortos é não os esquecer.
De resto, reza a praxe que, na vigília aos mortos, os vivos tenham sempre no bolso uma oração ou meia dúzia de parágrafos sobre sentimentos como amor e saudade. Mas os tempos estão mudados. No velório de Marisa Letícia, Lula tinha à mão um comício. Esguichou lágrimas de Lava Jato:
Marisa morreu triste porque a canalhice, a leviandade e a maldade que fizeram com ela…, declarou Lula. Acho que ainda vou viver muito, porque quero provar para os facínoras… Que eles tenham um dia a humildade de pedir desculpas a essa mulher. Esse homem que está enterrando sua mulher não tem medo de ser preso.
Considerando-se sua origem e trajetória, Marisa foi uma mulher notável. Na passagem por Brasília, deixou como legado a mais fabulosa marca que uma primeira-dama pode proporcionar: a invisibilidade. Por sorte, Lula ainda vai viver muito. Entre um e outro discurso contra os facínoras, há de encontrar tempo para explicar por que permitiu que sua mulher virasse matéria-prima para inquérito.
Numa das encrencas que lhe renderam indiciamento, Lula é investigado por ocupar uma cobertura vizinha à que mora, em São Bernardo. Para os investigadores da Lava Jato, o imóvel foi comprado com dinheiro de corrupção. A defesa de Lula alega que a cobertura foi alugada. O contrato de locação traz a assinatura de Marisa.
Um dia Lula talvez tenha a humildade de pedir desculpas a essa mulher por ter permitido que a assinatura dela fosse empurrada para dentro de papéis tóxicos. Nesse dia, o morubixaba do PT perceberá que o papel de viúvo de comício não combina com a imagem de marido zeloso. Marisa Letícia não merecia que, no seu velório, a virtude fosse transformada apenas num trissílabo como, digamos, eleitoral. (Josias de Souza) 

O guarda da esquina.
Costa e Silva era o presidente da República quando reuniu o Conselho de Segurança Nacional, a 13 de dezembro de 1968. As instituições estavam em frangalhos, com os estudantes na rua gritando abaixo a ditadura e os generais reunidos no palácio Laranjeiras exigindo do chefe do governo a decretação de mais um ato institucional. Queriam a ditadura escancarada, uns, e a democracia, outros.
Pressionado, o marechal deu a palavra, primeiro, ao vice-presidente da República, Pedro Aleixo. Ele era contra o novo ato, a favor da adoção do estado de sítio, remédio constitucional para o regime não romper as frágeis estruturas constitucionais. Apesar de sua argumentação libertária, foi interrompido pelo ministro da Justiça, Gama e Silva, que o interpelou:
Dr. Pedro, o senhor dúvida das mãos honradas do presidente Costa e Silva, que será o único juiz da aplicação do ato?
Diante da grosseria, o velho professor de democracia respondeu:
Das mãos honradas do presidente Costa e Silva, jamais! Desconfio é do guarda da esquina!
Referia-se à evidência de que quando a ditadura se instaura, desaparecendo as garantias constitucionais, prevalecem o arbítrio e a truculência, pois todo mundo se acha com autoridade para impor sua vontade.
Continuou Pedro Aleixo sua pregação inócua, pois todos os ministros e generais, que se pronunciaram depois, manifestaram-se favoráveis ao ato. Ao encerrar a reunião, o presidente tentou a derradeira opção. Disse que pela importância dos argumentos de seu vice-presidente, pediria para repeti-los. Como Pedro Aleixo estava resfriado e afônico, um ajudante de ordens foi encarregado de voltar a fita do gravador que registrava as intervenções. Poucos prestaram atenção, já haviam decidido antes pela volta à exceção. Costa e Silva não teve como impedir, pouco depois, a decretação do AI-5, que assinou. O clima era de insubordinação. Se resistisse, poderia ter sido deposto.
Esse episódio se conta para a comprovação das lições do vice-presidente. Estabeleceu-se o caos nas instituições e menos um ano depois o presidente foi acometido por um derrame cerebral. Impedido de assumir, Pedro Aleixo foi preso e os generais custaram a se entender, indicando ao final de amplas tertúlias, o mais obscuro deles, Garrastazu Médici. Costa e Silva morreu, Pedro Aleixo tentou, sem conseguir, formar um novo partido político. Só em 2016 o Congresso reconheceu seu direito de ter assumido a presidência da República. O guarda da esquina prevaleceu. (Carlos Chagas) 
A humanidade inteira é dividida em quatro classes de pessoas: aqueles que são imutáveis, aqueles que não são imutáveis, aqueles que são capazes de mudar e aqueles que mudam. (Benjamin Franklin)

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