17 de jan de 2017

O mundo não se entende.

 photo espanto_zpsxmhchnua.jpg • Estados pressionam Temer por papel da Força Nacional. Governadores pedem que tropas federais atuem no interior de presídios. 
• Alvo do PCC, Sindicato do Crime do RN domina 28 das 32 cadeias do Estado. Massacre de Alcaçuz pode levar facção, aliada do CV, a desencadear um revide nas prisões com afiliados; Presídio em Manaus tenta retomar normalidade. Unidade foi palco da maior chacina em presídios desde o Carandiru. 
• Temer estabelece prazo de um ano para construção de 5 presídios federais. Reduzindo superlotação acaba a crise, acredita Michel Temer. 
• Força-tarefa está preparada para delações no núcleo político após Odebrecht. Lava Jato se prepara para delações de assessores de políticos. 
• Contra o tráfico, Brasil está enviando adidos de inteligência para países. Gabinete de Segurança Institucional (GSI) defende ministro da Justiça e o plano de segurança nacional. 
• Aeronáutica pretende privatizar controle do tráfego aéreo no País. Por meio de PPP avaliada em R$ 3,4 bi, governo quer repassar à iniciativa privada gestão de rede. 
• Desde o ano passado, 62 municípios decretaram calamidade financeira. Sem recursos para pagar dívidas, prefeitos usam medida como instrumento de pressão por socorro. Prefeitos usam medida, que protege das punições da LRF, como instrumento para conseguir ajuda financeira. 
• Governo descarta negociar idade em reforma da Previdência. Alguns pontos, porém, devem mudar, como os anos de contribuição para atingir 100% do benefício. 
• Presidente articula aproximação com Cármen Lúcia. Temer se reúne com Carlos Ayres Britto, que foi colega dela no STF. 
• Reajuste de benefícios do INSS vai custar R$ 27 bilhões aos cofres públicos. 
• Odebrecht vai provocar delações no núcleo político. Lava Jato deve registrar um aumento de procura por assessores e ex-funcionários de políticos delatados. 
• Alckmin quer que prévias do PSDB sejam realizadas antes do limite de troca partidária. Governador deseja que definição de presidenciável tucano ocorra até início do ano que vem. 
• Presidente do PT pede apoio para lançar Lula candidato em abril. Para Rui Falcão, com manifestações de militantes, candidatura de ex-presidente pode ser lançada. 
• Rolls-Royce fecha acordo de leniência com Brasil, EUA e Inglaterra. Empresa, que foi citada no Brasil na Operação Lava Jato, vai pagar um total de R$ 2,6 bilhões; Rolls-Royce admite ter pago propina e devolverá R$ 83 mi. Empresa do Reino Unido era acusada de subornar ex-gerente da Petrobras. 
• Odebrecht recorrerá, e Maracanã continua abandonado. Empreiteira não quer reassumir a gestão do estádio; reforma custou R$ 1,2 bi. 
• Correios abrem PDV e esperam adesão de 8,2 mil empregados. Estatal prevê economizar anualmente entre R$ 700 milhões e R$ 1 bilhão; prazo vai até 17 de fevereiro.
• Brexit: Theresa May anuncia que Reino Unido deixará mercado único da EU.
• FMI prevê expansão de apenas 0,2% no PIB do Brasil neste ano. O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a rebaixar a projeção de crescimento para o Brasil e agora espera expansão de apenas 0,2% este ano, de acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira. 
• Democratas vão boicotar a posse de Donald Trump. Movimento apoia deputado que disse não reconhecer legitimidade do governo. 
• Venezuela coloca em circulação novas notas do bolívar. Maduro diz que sabotagem impediu chegada de novas cédulas.
 photo 0_zpsv8fc3hfg.jpgBrinquedinho explosivo.
Sabe esse carrinho amarelo, tão bonitinho e com ar tão inofensivo? Pois é. Com cinco dedos de comprimento, esse é o modelo de celular que as facções criminosas vêm espalhando para seus líderes nos presídios. É com ele que os líderes comandam o tráfico, dão golpes, espalham o terror. De inocente, não tem nada! 

Temer quer submeter facções a cerco financeiro.
Michel Temer decidiu promover uma reviravolta na forma como vinha lidando com a crise no sistema penitenciário. Concluiu que é melhor assumir a direção do que ser atropelado como um transeunte descuidado. Sem desconsiderar o papel central que a Constituição atribui aos Estados em matéria de segurança pública, o presidente resolveu dividir o protagonismo com os governadores. Deseja que a União coordene um cerco às finanças das principais facções criminosas do país.
Como primeiro passo, Temer convocou para esta terça-feira uma reunião com representantes dos órgãos que integram o Sistema Brasileiro de Inteligência. Entre eles o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Secretaria Nacional de Segurança Pública, a diretoria de Inteligência da Polícia Federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), além dos centros de inteligência do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
A ideia de Temer é mobilizar todo o sistema de inteligência para esquadrinhar as atividades, por assim dizer, empresariais das facções criminosas. Também nesta terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes se reunirá com secretários estaduais para discutir a implementação do Plano Nacional de Segurança. Elaborado em cima do joelho, o plano prevê, por exemplo, a criação de 27 centros de inteligência -um em cada Estado e no Distrito Federal. Brasília opera para que esses centros comecem a funcionar harmoniosa e rapidamente.
Alexandre Moraes corre, de resto, para cumprir uma outra determinação de Temer. O presidente encomendou ao ministro a constituição de um grupo de trabalho sobre segurança pública. Coordenado pela pasta da Justiça, esse grupo teria funcionamento permanente. E se dedicaria à formulação de estratégias para desligar os presídios da tomada de alta voltagem em que se encontram plugados desde a chegada das Caravelas.
Nesta quarta-feira, o próprio Temer abrirá uma rodada de conversas com governadores, no Planalto. Deseja a adesão de todos ao seu Plano Nacional Segurança. Dirá que o crime, por organizado, não pode ter como contendor um Estado desconjuntado. Espera que a unidade traga a eficiência. A súbita hiperatividade submete Temer a riscos. Se o vaivém não trouxer resultados, o presidente pagará um preço político. Mas a crise atingiu um estágio tal que a inação deixou de ser uma opção para o presidente. (Josias de Souza) 

A espetacular ruptura entre Janot e Aragão.
Ex-ministro relata diálogos com Janot: Você acha que Lula é um santo?
Eugênio Aragão, titular da Justiça sob Dilma, relata discussão e rompimento com o procurador-geral.
O que você deve esperar de um homem a quem você manda calar a boca?
Tudo - exceto que cale a boca.
É o que se viu, mais uma vez, no episódio que opôs Rodrigo Janot e Eugênio Aragão.
O caso está relatado no Estadão de onteme numa excelente reportagem de Luiz Maklouf.
A rigor, Janot não mandou Aragão calar a boca. Disse, num e-mail, que colocasse a língua no palato.
Que diabo é isso? - se perguntou Aragão, segundo o relato de Maklouf.
Língua no palato?
Bem, que podia ser senão um cala boca? Tente falar com a língua no palato.
Eram velhos amigos. Poucas coisas são mais melancólicas que a ruptura de antigas amizades.
Mas esta teve um lado cômico, também. Aragão foi ao escritório de Janot pedir satisfação, ou coisa parecida.
Você veio aqui me chamar de traíra? - perguntou Janot, depois de submeter o ex-camarada a uma espera de quarenta minutos.
De traíra não, devolveu Aragão. De desleal. Se alguém souber a diferença entre ser traíra e ser desleal favor me avisar, por favor.
Aragão, conta Maklouf, soubera que vazamentos da Lava Jato tinham partido da PGR de Janot.
A conversa se incendiou quando o nome de Lula veio à baila. Janot, sempre de acordo com o artigo de Maklouf, disse que Lula é um bandido como todos os outros.
Ficou claro, aí, que Janot jamais perdoou Lula por tê-lo classificado como ingrato na conversa com Dilma gravada e vazada por Moro, numa das últimas etapas do golpe.
Ao levar a história a um jornalista do Estadão, Aragão mostrou o quanto está indignado com o comportamento de Janot.
Você tem que estar com muita raiva de alguém para fazer o que Aragão fez. Ele não tomou nenhum cuidado para que o leitor não soubesse qual era a fonte da bomba.
Ele queria que as pessoas soubessem que a fonte era ele. Melhor: ele queria que Janot soubesse que o vazamento partira dele.
Vazamento se paga com vazamento: eis um exemplo acabado de vendetta.
O objetivo de Aragão foi plenamente alcançado. O homem que aparece na reportagem é um desequilibrado, um desvairado, inconsequente o bastante para não apenas chamar Lula de bandido - mas para mandar Aragão para a puta que o pariu.
Compostura e equilíbrio é o mínimo que se espera de um procurador geral da República. Janot demonstrou despreparo mental para o cargo que exerce, ainda mais num momento tão dramático.
Fora tudo isso, cometeu o pecado de julgar e condenar Lula antes que a Justiça oficialmente se manifeste. Neste caso, faria bem em manter a língua no palato. (Paulo Nogueira) 

Um escândalo maior que o petrolão.
Assista à análise de Claudio Dantas, com informações exclusivas, das investigações do MPF e da PF em Brasília sobre um esquema de corrupção que envolve 50 grupos econômicos e mais de R$ 1 trilhão em investimentos do FGTS, fundos de pensão, previdências estaduais e empréstimos da Caixa. São três operações (Sepsis, Greenfield e Cui Bono) que O Antagonista apelidou de Lava Fundos.
Só declarando guerra a Donald Trump.
O presidente Michel Temer reúne amanhã os governadores estaduais. Prevê-se que nenhum falte, dada a miséria em se encontram seus Estados. Todos vêm atrás de dinheiro, imaginando rolar suas dívidas com a União, obter mais empréstimos e poder ao menos assegurar o pagamento do próprio funcionalismo.
Impossível que tragam sugestões capazes de ajudar o governo federal a sair do sufoco. Saber quem está pior, se os governadores ou o presidente da República, dá no mesmo. Andam todos à espera de um milagre.
Fez sucesso, muitos anos atrás, um filme intitulado de O Rato que Ruge, com o inigualável e saudoso Peter Sellers, acumulando três papéis: a rainha de um pequeno país europeu, o primeiro-ministro e um capitão da guarda. Reunidos, eles concluíram haver uma só saída para o país: declarar guerra aos Estados Unidos, iniciá-la e logo depois perder. Ou todos os países que haviam perdido guerras para os americanos, como o Japão e a Alemanha, não se encontravam no melhor dos mundos, ricos e prósperos?
Assim fizeram, embarcando seu limitado exército num cargueiro de quinta categoria, com arcos, flechas e escudos. Invadiram Nova York, cuja população nem se deu conta da invasão. Aconteceu, porém, um inusitado: os invasores entram na residência de um cientista nuclear que acabara de descobrir a fórmula de uma bomba atômica de bolso. O resto da trama fica por conta do leitor encontrar uma cópia do filme e deliciar-se com o espetáculo.
Porque se conta essa história que seria cômica se não fosse trágica? Afinal, sexta-feira assume um novo presidente dos Estados Unidos. Que tal Michel Temer e os governadores declararem guerra ao governo Donald Trump? O triste seria se nós ganhássemos... (Carlos Chagas) 
A vida só se dá a quem se deu. (Vinicius de Moraes)

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