29 de dez de 2016

Roda mundo, roda pião.

• Resultado do Enem deve ser divulgado no dia 19 de janeiro.
• Rio terá reajuste de tarifas em fevereiro: barca custará R$ 5,90 e trem, R$ 4,20.
• Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2017 é sancionada com vetos.
• Temer cancela compra milionária de comida para avião presidencial.
• Governo autoriza comércio a cobrar preço diferente de acordo com a forma de pagamento. Só desconto à vista não melhora cenário do comércio. Medida entrou em vigor ontem e especialistas já avaliam que efeito será 'marginal'.
• Setor público tem rombo recorde em novembro, de R$ 39,1 bilhões.
• Petrobrás vende ativos de petroquímica, açúcar e álcool por US$ 587 milhões Com as vendas, a estatal fecha o ano com vendas de ativos de US$ 13,6 bilhões. Tereos abocanha fatia da fabricante Guarani; Alpek ficará com a Companhia de Pernambuco.
• Após veto, Temer quer novo plano para Estados falidos. Presidente barra moratória de 36 meses e já renegocia com governadores. Com veto, Estados perdem carência, mas poderão alongar dívida por 20 anos. Benefícios estavam no Regime de Recuperação Fiscal, cujo texto foi alterado pela Câmara e será rejeitado pelo presidente Michel Temer.
• Nova empresa fica com filé dos aeroportos da Infraero. Parceria com alemã Fraport administrará operações mais rentáveis do país.
• Conta inativa do FGTS com investimento na Vale e na Petrobrás também poderá ter dinheiro sacado. O que vai determinar se há direito ao benefício é se a conta pela qual investimentos foram feitos está inativa.
• Balanço: STF prendeu só um político na Lava Jato. Apesar do STF só prender Delcídio, quem perde o mandato é preso.
• Temer libera R$ 1,2 bilhão para investimentos no sistema penitenciário do País.
• Caixa Econômica informa que vai dividir lucro do FGTS deste ano até agosto.
• Porta-vozes petistas na imprensa dizem que Lula já não resiste à ideia de presidir o PT a partir de 2017. O comandante máximo nunca resistiu a presidir a Orcrim. O comandante máximo sempre a presidiu.
• STF demora 400 dias para julgar decisões provisórias. Grande volume de casos que a corte recebe está na origem dessa lentidão; A Folha publica um dado impressionante do projeto Supremo em Números, da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas no Rio: o tempo médio de vigência de uma liminar até que ela seja julgada coletivamente no STF foi de 403 dias entre 2011 e 2015 - ou seja, pouco mais de um ano e um mês. O jornal dá um exemplo do impacto dessa demora: A liminar concedida pelo ministro Luiz Fux estendendo auxílio-moradia de quase R$ 4.400 mensais para todos os juízes federais já custou mais de R$ 1,5 bilhão em recursos públicos em dois anos de vigência. O STF é como o resto do Brasil: funciona mal e custa caro.
• DEM tenta blindar Maia por reeleição na Câmara. Partido encomenda mais dois pareceres para respaldar defesa de candidatura do atual presidente da Casa.
• A Folha de S. Paulo publicou uma entrevista com Edinho Silva, que conseguiu ser eleito prefeito de Araraquara para obter foro privilegiado, mas não dedicou uma mísera linha ao fato de ele ser investigado na Lava Jato. Na mesma edição, o colunista Matias Spektor lamenta que os jornais brasileiros estejam negligenciando o jornalismo investigativo e mete o sarrafo na internet. Este site acha que os jornais brasileiros já prestariam um enorme serviço não tratando Edinho Silva como político respeitável.
• O verdadeiro Edinho Silva foi citado por Rodrigo Janot: Em verdade, o pedido de pagamento para auxílio financeiro ao Partido dos Trabalhadores, notadamente para o custeio oficial e não oficial (caixa 2) das campanhas eleitorais, muitas vezes mediante ameaças de cessação das facilidades proporcionadas ao Núcleo Econômico pelos Núcleos Político e Administrativo (do esquema de corrupção da Petrobras), revelam-se como medida habitual institucionalizada e centralizada, em parte, na pessoa de Edison Antônio Edinho da Silva. Lembre-se: você encontrou o verdadeiro Edinho Silva na internet, para desespero de Matias Spektor.
• Para agradar à base, governo deve liberar R$ 7,3 bi. Presidente tenta criar agenda positiva após sinais de desagregação dos aliados no Congresso.
• Kyriakos Amiridis, embaixador da Grécia desapareceu no Rio há três dias, afirma polícia.
• Ontem a equipe de Eduardo Paes anunciou que deixava a prefeitura do Rio de Janeiro no azul. A equipe de Marcelo Crivella, o seu sucessor, disse que não, muito pelo contrário. Ela prevê um rombo de 4,4 bilhões nas contas municipais em 2017, por causa da queda de arrecadação e aumento de gastos com pessoal. O Antagonista aposta nos números de Crivella, inclusive porque mais com menos dá menos.
• Voto na ONU foi para manter chance de paz, afirmam EUA. Texto condenando assentamentos foi aprovado após abstenção americana; Abstenção simbólica: De modo inédito, EUA permitem resolução contra Israel na ONU, mas medida terá pouco efeito prático. 
• Rússia sela acordo com Turquia para trégua síria. Cessar-fogo abrangeria todo o país, mas divergências ameaçam pacto. 
• Estado Islâmico guarda ouro em Mossul. Milícia também forjou sua própria moeda na tentativa de recriar califado. 
• Para cada US$ 1 mi em propina, Odebrecht lucrava US$ 4 mi, diz Suíça. 
• O jornal britânico Financial Times definiu Odebrecht como máquina de propina. O maior grupo de construção da América Latina corre o risco de ficar mais conhecido por criar uma das maiores máquinas de propina da história corporativa.
• Vladimir Putin confirma acordo com Turquia e cessar-fogo na Síria começa amanhã. Segundo o presidente russo, trégua terá início à meia-noite desta sexta-feira (30); acordo envolve governo sírio, oposição armada, Moscou e Ancara. 
• Congresso da Colômbia aprova histórica lei de anistia para Farc. Lei faz parte do acordo de paz assinado entre as Farc e o governo de Juan Manuel Santos, no último mês, e atingirá 7 mil combatentes e militares. 
• Agência russa agora nega ter esquema de doping. Entidade alega que comentários feitos pela diretora-geral, Anna Antseliovich, foram distorcidos. 
• Bolívia processa chefe de controle aéreo por não cooperar com investigação. Outros 4 funcionários da aviação de Santa Cruz de la Sierra, de onde saiu o voo, foram acionados. 
• Mãe da atriz Carrie Fisher morre um dia após a filha. Debbie Reynolds, de 84 anos, atuou no musical Cantando na Chuva
• Fundo Cerberus planeja investir US$ 2 bi em plano alternativo para Oi. Gestora americana esteve em Brasília para conversar com o governo sobre proposta. 
• Presidente das Filipinas ameaça jogar corruptos de helicóptero. 
• Peru diz que Odebrecht não poderá participar de novas licitações no país. 

Vivu! Revu! Amu!
O Esperanto não trouxe a paz que seu criador, Zamenhof, esperava, mas não deixou de fazer barulho.
O inglês Cristopher Hitchens conta que entrevistou um líder do Partido da Liberdade, de extrema direita, da Áustria, e que, quando a conversa derivou para a então recém-lançada moeda comum europeia, o entrevistado pediu a opinião de Hitchens sobre aquele Esperanto monetário. Hitchens foi obrigado a concordar, a contragosto, com a sacada do fascista. O euro realmente evocava outra busca de integração transnacional, a do Esperanto, uma língua inventada que - como fatalmente aconteceria com o euro - não pegara, e acabara como apenas uma boa tentativa. O objetivo do Esperanto era o de unificar por uma linguagem em comum, a do euro a de unificar pela moeda. Nos dois casos o objetivo era acabar com conflitos e criar um sentimento compartilhado de humanidade que garantiria a paz.
Com o mercado comum europeu se desfazendo e o euro sendo questionado a torto e a direito, ou à esquerda e à direita, cabe lembrar a experiência do Esperanto - e do seu idealismo frustrado, nem que seja só para comparar fracassos. A língua franca que acabaria com a chamada danação de Babel, quando Deus reagiu à pretensão dos humanos de construir uma torre que os aproximaria do ouvido do Senhor, decretando a multiplicação das línguas (e, como efeito colateral, criando a profissão de tradutores) foi uma invenção de Ludovik Lazarus Zamenhof, um judeu polonês que teve uma fase de entusiasta do sionismo, mas depois a renunciou, passando a pregar o fim de qualquer movimento definido por etnia ou nacionalidade. Ele chamou sua nova língua de lingvo internacia mas ela se tornou conhecida como Esperanto baseada no codinome que Zamenhof adotou, Doktoro Esperanto (Doutor Esperança em Esperanto), quando publicou seu Unua Libro (primeiro livro). 
O Esperanto não trouxe a paz e a humanidade compartilhada que Zamenhof esperava, mas não deixou de fazer barulho, organizando conferências e campanhas promocionais e causando controvérsias. Pelo que eu sei, o movimento continua vivo, e atraindo adeptos. Li que numa convenção compareceram esperantistas gays, do Partido Verde, vegetarianos, pacifistas e amantes de gatos, e todos usavam camisetas com os dizeres Vivu! Revu! Amu! (Viva! Sonhe! Ame! em Esperanto).
O sonho da unidade europeia e da moeda comum talvez não siga o caminho do Esperanto para a irrelevância, ou para apenas outra invocação melancólica na frente de uma camiseta. Mas periga. (Luis Fernando Verissimo) 

Saudosismos cômicos.
Até hoje os paulistas precisam defender-se da acusação de ter sido separatista a revolução de 32. Trata-se de uma bobagem, mais do que de uma injustiça, apesar de o então presidente da República, Getúlio Vargas, haver mobilizado a imprensa amiga, amestrada e censurada para difundir a mentira. Pode ter havido energúmenos, na pauliceia desvairada, empenhados em tirar São Paulo do Brasil, mas especialmente por conta da crise econômica. O mundo havia reduzido ao máximo as importações de café e muitos fazendeiros paulistas quebraram. Mas o que São Paulo queria, mesmo, era livrar-se do jugo dos gaúchos, empenhados em estabelecer o domínio político no país.
Depois de derrotados militarmente, em especial pelos mineiros, os revolucionários cederam aos encantos do chefe do governo, ganharam um governador civil e paulista e seguiram adiante, logo depois retomando a supremacia econômica.
Por que lembrar episódio tão velho de nossa História, onde nenhuma das partes em luta saiu incólume?
Porque ameaça repetir-se como farsa uma situação que algumas vezes foi heroica. Em torno do governador Geraldo Alckmin forma-se uma facção empenhada em reviver ultrapassadas tertúlias. Almejam voltar a presidir o Brasil, esquecidos de que Michel Temer é paulista, e de que há décadas ninguém duvida do poder econômico de São Paulo. Com certa arrogância, levaram Alckmin a iniciar vilegiaturas por outros estados, distribuindo favores financeiros que o Nordeste não recusa. Em troca do apoio à candidatura do governador. No Congresso já funciona uma força-tarefa destinada a cooptar parlamentares de outras regiões.
Por coincidência, localiza-se em Minas o outro polo na disputa, com Aécio Neves. Claro que não preparam outra batalha do túnel, como em 32, mas já se estranham. Seria bom que os dois lados atentassem para o ridículo do entrevero. Só tem vaga para um candidato, no PSDB, sem esquecer que o terceiro, José Serra, também é paulista.
Em suma, melhor parar por aqui, sem abrir espaço para saudosismos que seriam ridículos, se não fossem cômicos... (Carlos Chagas) 

Crivella assustou o Rio.
Me desculpem, mais uma vez, por falar do que é desagradável. Estou fazendo a minha parte! O governo japonês deu o alerta: não aceita gastar tudo que as empreiteiras e picaretas estão pedindo para as obras das Olimpíadas de 2020. Outros países de governantes sérios têm desistido dessa competição e da Copa do Mundo.
A Grécia quebrou com a realização das Olimpíadas. O Brasil não foi diferente, pois também houve superfaturamentos, obras desnecessárias, algumas mais criminosas como a destruição e desfiguração do Maracanã. E roubo, muito roubo, conforme vem provando a Lava Jato. Para isso, construíram cinco estádios a mais, não apenas quatro, pois o Morumbi tinha sido escolhido para os jogos da Copa em São Paulo. Mas vetado pela recusa do São Paulo F.C. em aceitar as obras feitas por empresas ligadas à FIFA, de custo bem acima... Entenderam? Por insistência de Lula, fez-se o Itaqueirão, impagável pelo Corinthians.
Situação semelhante à do desnecessário Engenhão, construído por César Maia, criador também da faraônica Cidade da Música, aproveitando um simples Pan- Americano, em 2006. O Engenhão acabou cedido praticamente de graça para o clube do ex-prefeito, o Botafogo, por apenas R$ 35 mil mensais de aluguel, por 30 anos. Por tudo isso, a quebra maior foi do Estado Rio.
Ontem, o susto nas declarações do prefeito eleito Marcelo Crivella: de início, temos dinheiro apenas para a saúde. O que já é extremamente louvável, tratando-se da área de verdadeiro extermínio. Apesar de sempre transparente e correto, Crivella só não apontou o causador dos males, e não poderia, é óbvio: o prefeito Eduardo Paes, amigo de empreiteiras, concessionárias, empresários de um modo geral. Em especial, dos transportes, para quem anuncia novo aumento das passagens, com apenas três dias para completar o governo. Poderia deixar a decisão para o seu substituto, mas já sabe que será diferente.
Crivella já se mostrou disposto até a reduzir o preço das passagens do BRT, também altíssima. Pior ainda, metrô e trens, fora da competência de Crivella. O metrô, mais caro que os ônibus (diesel) e os trens, apenas dez centavos menos caro. O próprio VLT, de poucos quilômetros de percurso, e já começa com preço de ônibus urbanos e também privatizado. Um festão de sujeiras contra a sociedade. Embora nada tenha sido provado até agora, contra Paes, que está sendo investigado pela Lava Jato e o Ministério Público, a sua prática tem sido no mínimo suspeita, com obras faraônicas, inclusive. Também desnecessárias como o VLT, recusado pelas grandes cidades em todo o mundo, e o BRT, pela Avenida Brasil, onde existe, há décadas e com sucesso, a seletiva que dá velocidade e exclusividade aos ônibus.
Vale lembrar que a dupla Cabral-Pezão, também criou o novo Museu da Imagem e do Som, em Copacabana e, pasmem, na Av. Atlântica, fora do centro cultural do qual eles tanto falam, e o teleférico do Alemão. Obra que se repetiria na Rocinha, não fosse a reação dos moradores que exigiam, sim, saneamento básico. O Museu está com as obras interrompidas há um ano, a exemplo do BRT, do Paes, na Av. Brasil. E o teleférico, parado por tempo indeterminado. Tem obras também mau feitas, que até mataram, exemplo da ciclovia de São Conrado.
O resultado é o que sabemos: hospitais abandonados, restaurantes populares fechados, deixando, em especial, centenas de idosos sem café e almoço. Além de servidores, muitos praticamente sem comer, por não receberem salários, há meses, além do 13º. Entre outras ações criminosas por parte desse lixo político, que merece punição adequada, não apenas prisões. (Wilson de Carvalho)
É preferível inspirar confiança ao mundo e não instigar as paixões dele. Bem melhor é que nos reputem bom e não belo! (Thomas Mann)

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