24 de dez de 2016

O Brasil ainda é acreditado.

 photo natallula_zpsvsimtdaj.jpg • Por decisão da justiça, SuperVia tem que pagar R$ 500 mil por serviço ruim. 
• Governo discute mudança na taxa de financiamento. Debate com o BNDES passa por aproximar a TJLP dos juros de mercado ou até pelo fim do crédito subsidiado. 
• Governo do Rio prevê janeiro tenso por atraso no pagamento da Segurança. 
• Cartão de crédito tem juro recorde de 482% em novembro. Taxa do cheque especial também registrou maior patamar histórico. 
• Lava Jato abre mercado de certificação anticorrupção para empresas. Companhias buscam serviço para provar que seguem padrões éticos e podem fechar contratos com o poder público. 
• O maior traficante de influência da História. A planilha Amigo chegou à Folha de S. Paulo. Mas chegou da maneira errada. Ao contrário do que diz a reportagem, a Odebrecht não pretendia manter a influência de Lula, e sim comprar o tráfico de influência praticado por Lula. Os pagamentos eram feitos pelo departamento de propinas da empresa porque recompensavam atos criminosos do Amigo tanto no Brasil quanto no exterior. Pior ainda: a conta não era financiada pelo Setor de Operações Estruturadas - ela era financiada com dinheiro roubado da Petrobras e lavada pelo Setor de Operações Estruturadas. Lula recebeu dinheiro sujo da Odebrecht. A acusação mais grave contra ele, porém, é outra. Ele montou junto com a Odebrecht e as demais empreiteiras do cartel o maior esquema de suborno da História
• Decano, o ministro Celso de Mello, deve sofrer cirurgia e pode se aposentar do STF. Provavelmente, irá se submeter a uma cirurgia de quadril nos Estados Unidos e pode antecipar sua retirada. 
• PT lança Lula candidato à Presidência no primeiro semestre de 2017. Estratégia do partido é aproveitar baixa popularidade de Temer e reforçar a defesa jurídica do ex-presidente. 
• Sem R$ 1 mi para fiança, ex-tesoureiro do PT continua na prisão. Defesa alega que Paulo Ferreira não tem imóveis ou dinheiro para cobrir valor arbitrado por Moro. 
• Viúva da Mega-Sena deixa penitenciária de Gericinó, em Bangu. Estão em jogo R$ 120 milhões, retidos em conta, e reivindicados pela filha de Renné. 
• Uma das poucas centrais sindicais trabalhistas próximas a Michel Temer, a UGT – União Geral dos Trabalhadores - mandou avisar o presidente que elas não aceitarão qualquer reforma, que na visão deles, não agradem ou desfavoreça os trabalhadores. Antes de isso acontecer muitas manifestações devem acontecer. E prometem até invasão no congresso, antes mesmo do final do ano. 
• Receita Federal autua R$ 2 milhões o Instituto Lula por não pagar impostos. 
• 18 jovens presos em protesto anti-Temer são denunciados à Justiça por crimes. A Justiça afirmou que não havia mínima prova de que todos se conheciam. Segundo a PM, eles foram detidos porque confessaram que praticariam depredação. 
• Governo precisa repactuar relação com Congresso, diz Moreira Franco, secretário do Programa de Parcerias de Investimentos. 
• Decisões do STF poupam R$ 685 bi em 30 anos. Ações no Supremo que deram vitória à União evitaram gastos com desaposentação e refinanciamento. 
• PSDB reage a investigação pedida pelo PT. Tucanos veem litigância de má-fé em petição que quer apurar doações. 
• BNDES devolve ao Tesouro Nacional R$ 100 bilhões.

• Trump agradece a Putin oferta de reaproximação. 
• Mesma Corte vai julgar Petrobras e Odebrecht. Corte de Nova York julgará ações contra Odebrecht e Petrobras. 
• Suíça sequestra US$ 100 milhões de contas da Odebrecht. Valor que seria gasto com propina servirá para abater multa de R$ 700 mi. 
• Deutsche e Credit vão pagar US$ 15,5 bi por crise de 2008. Punição dos EUA a envolvidos em escândalo imobiliário totaliza US$ 82 bi. 
• Sete países da América Latina investigam propina da Odebrecht. Peru e Equador estão entre os que vão investigar a Odebrecht. 
• Moeda venezuelana é matéria-prima para falsificar dólar. Bolívares são preferidos por criminosos devido a baixo valor de face. 

Lula é ao mesmo tempo um ex-heroi e uma vítima da ética de mostruário que cultivou antes de chegar ao poder. 
O seu sucesso político é um trunfo do ideal da perseverança do brasileiro humilde que veio ao mundo para servir de exemplo. Sua desgraça é o surgimento de uma interrogação: exemplo de quê? Imaginando-se dono um destino de glórias, Lula tornou-se uma melancólica fatalidade. E as notas oficiais do Instituto Lula, a pretexto de rebater ataques à imagem do líder imaculado, contribui para a dessacralização do personagem, expondo-lhe os pés de barro.
A penúltima evidência de que o todo-poderoso do PT também está sujeito à condição humana foi a autuação da Receita Federal ao Instituto Lula por desvio de finalidade. Isenta de impostos, a entidade efetuou despesas fora dos padrões. Por exemplo: repassou R$ 1,3 milhão para uma empresa chamada G4 Entretenimento. Pertence a Fábio Luís, filho de Lula. E tem como sócio Fernando Bittar, dono do sítio que Lula utiliza como se fosse dele. Para o fisco, não houve prestação de serviço, mas transferência de recursos para Lula ou parentes. Cobraram-se os tributos devidos.
Em nota, o Instituto Lula disse que entregou ao fisco o papelório que comprovaria que a G4 prestou serviços em diferentes projetos. O texto dá de barato que todos os contribuintes brasileiros devem considerar natural que o Estado dê isenção tributária para que o instituto de Lula contrate a empresa que seu primogênito mantém em sociedade com o dono do sítio que a OAS e a Odebrecht reformaram para o usufruto da divindade. Ai, ai, ai.
O que mais assusta nas notas do Instituto Lula é sua banalidade. A desfaçatez, o malabarismo retórico para esconder o fiasco do ex-mocinho, nada disso surpreende a plateia, já habituada ao cinismo associado aos motivos dos poderosos. O que espanta é o desprezo à castidade presumida da alma mais honesta que o Brasil já conheceu.
Como se sabe, o mensalão não justificou o impeachment. Naquele escândalo, Lula escapou pela tangente do eu não sabia. Mas o acúmulo de reincidências -do petrolão aos confortos bancados por terceiros- é um atentado contra a paciência alheia. O problema não é a idiotice das notas do Instituto Lula. O que incomoda é a tentativa permanente de fazer a plateia de idiota. (Josias de Souza) 

Papai Noel virá de carroça.
Papai Noel, hoje, não virá de trenó, puxado por renas reluzentes e cercado por centenas de criancinhas, cada uma com seu presente. Chegará de carroça, conduzida por um burro. E sem os presentes desejados. Para Michel Temer, trará um saco vazio, com a recomendação de preenchê-lo com promessas de emprego capazes de aparecer dentro de um ano.
O Lula receberá o diploma de candidato sem seu nome inscrito no envelope. Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra vão ganhar a mesma mensagem desenhada a carvão: Insista, não desista. Ciro Gomes, o número 2022, e Ronaldo Caiado, a imagem de uma fazendinha em chamas. Para Jair Bolsonaro, um soldadinho de chumbo, Marina Silva, uma placa dizendo Menina não entra. Joaquim Barbosa, uma toga com os dizeres Tente outra vez.
Para pelo menos 200 deputados e senadores, os presentes são certificados de dispensa do exercício parlamentar, e a um número ainda desconhecido de ministros e ex-ministros, diplomas de conclusão do curso de mestrado em corrupção.
Mais triste nessa nova incursão do Papai Noel será o seu uniforme. Em vez de vermelho, preto. Quando sua carroça estiver sobrevoando a Praça dos Três Poderes, é provável que caia uma dessas tempestades de verão. Só que em vez de água, cairá do céu um líquido viscoso e mau cheiroso, responsável por matar a grama, as árvores e os jardins. No próximo Natal, quem sabe floresçam rosas. Ou cravos de defunto? (Carlos Chagas) 

E se o estado fosse um pacote de serviços?
A Assembleia Legislativa gaúcha está votando um conjunto de vinte e tantos projetos voltados para a redução do gasto público, com ênfase à supressão de diversas atividades periféricas do Estado. Assistindo aos debates pela TV, presenciei o momento em que um parlamentar petista anunciou da tribuna que o governo Sartori, com essas providências, entraria para a história como o pior da vida administrativa do Estado. Impossível, excelência! Nem Nero, nem Calígula, se governadores do Rio Grande, conseguiriam ser mais destrutivos do que Tarso Genro. Em plena crise determinada pela infeliz conjugação de quatro sucessivos mandatos petistas no governo da União, Tarso Genro seguiu a cartilha dos piores economistas do PT e meteu o pé no acelerador da despesa. Recebeu o Estado gaúcho com as contas equilibradas e entregou um orçamento deficitário em R$ 5 bilhões. Não satisfeito, ao encerrar seu mandato em 2014, legou a seus sucessores aumentos salariais de servidores para serem cumpridos ao longo de cinco exercícios vindouros.
Vejo empresas fechando as portas, empresários vendendo bens para manter ativos os negócios, jovens abandonando os estudos, brasileiros deixando o país. Só o estatal continua como se não houvesse recessão, elevando seu peso sobre a sociedade. Se o poder público no Brasil, nas suas três esferas administrativas e nas correspondentes instituições, fosse um pacote de serviços, você o compraria, leitor? Claro que não! Esse pacote, se de consumo obrigatório e fornecido por uma única instituição, a tornaria campeã de queixas e denúncias ao Procon, por péssima qualidade e preço abusivo. Ele custa a cada consumidor de 30% a 50% de seus ganhos, sendo que a maior proporção corresponde às faixas de renda mais baixas.
Pagamos tudo isso para, bem resumidamente:
• termos educação pública de péssima qualidade;
• morrermos nas filas de espera do quase perfeito SUS;
• vivermos numa selva urbana que está a exigir um par de anjos da guarda adicionais, preferivelmente brasileiros, treinados para os sobressaltos do cotidiano nacional;
• termos uma justiça lenta e uma execução criminal que não consegue prender e manter presa a bandidagem que infelicita nossa vida;
• sabermos que os processos referentes aos grandes corruptos da nação, mundialmente notórios ladrões do nosso dinheiro, estão sob proteção da última trincheira da impunidade - o moroso e rumoroso STF;
• dispormos de uma infraestrutura precária e deficitária em saneamento, energia e transportes.
Nas eleições municipais de outubro, a sociedade deu uma lição aos partidos de esquerda que na prática de gestão operam como usinas de desastres. Os eleitores desse último pleito derrubaram o até então todo-poderoso PT para a minguada 6ª posição entre os partidos nacionais. E esse resultado expressa, essencialmente, rejeição ao estatismo, ao aparelhamento partidário do Estado, à corrupção e à irresponsabilidade fiscal que o PT transformou em grife.
Pois mesmo assim, a Assembleia gaúcha vem presenciando, nestes dias, um verdadeiro carrilhão, com os deputados oposicionistas, em rodízio, reproduzindo da tribuna um discurso segundo o qual só sairemos da atual crise deixando tudo como está. No entanto, nenhuma organização que busque a própria sustentabilidade pode dar-se ao luxo, por exemplo, de manter toda uma rede de centros de custo periféricos dela dependente, na ausência dos quais a vida segue exatamente tal e qual.
Após tantos anos assistindo nada ser feito em razão de que só isso não resolve, finalmente estão sendo tomadas providências para, no tempo, em somatório de sacrifícios, com vistas ao bem comum, transformar o pacote de serviços em mercadoria comprável, por preço compatível. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor) 
A humanidade inteira é dividida em quatro classes de pessoas: aqueles que são imutáveis, aqueles que não são imutáveis, aqueles que são capazes de mudar e aqueles que mudam. (Benjamin Franklin)

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