19 de nov de 2016

Tens culpas, haverás de pagar.

 photo bomba na rede 18nov16_zpskjrg6hmz.jpeg • Com o estado de saúde bem delicado, o ministro do STF - Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki resolveu mandar o pecurista José Carlos Bumlai para casa. Ele cumprirá prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. 
• Garotinho volta para o hospital, agora particular, após decisão do TSE; Garotinho ofereceu R$ 5 mi em suborno para tentar evitar prisão, diz procuradoria; TRE-RJ pede investigação sobre denúncia de juiz a respeito de propina de Garotinho. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro quer que a denúncia sobre o oferecimento de propina de Anthony Garotinho para o juiz eleitoral Glaucenir Silva de Oliveira seja investigado com rigor. O ex-governador teria oferecido R$ 5 milhões para evitar ser preso. Para o TRE-RJ, os fatos devem ser apurados com rigor. A Justiça Eleitoral fluminense já encaminhou expediente ao Ministério Público Federal e à Superintendência da Polícia Federal para que sejam tomadas as providências necessárias. 
• Abono do PIS sairá na segunda-feira. Trabalhadores que nasceram em novembro podem sacar benefício de R$ 880 na Caixa ou em lotéricas. 
• Odebrecht finalizou acordo. O acordo da Odebrecht com o Ministério Público foi finalizado. E será assinado nos próximos dias. 
• Moro dá 20 dias para OAS dizer se contratou outros ex-presidentes, além de Lula. 
• Marcelo Calero deixa pasta da Cultura por causa de pressão política. Calero acusa Geddel de assediá-lo por obra em região tombada. Ministro expõe pressão de Geddel por obra em área tombada; Roberto Freire o substituirá. Deputado vai substituir Marcelo Calero que deixou ministério.
• Além do caixa 2, deputados querem também anistia à corrupção e lavagem de dinheiro. 
• Ministro Toffoli autoriza 12º inquérito para investigar Renan; O Brasil tem que ter cuidado para não irritar Renan Calheiros; Irritado, Renan paralisaria a votação das reformas. Renan já coleciona 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12 inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Uma dúzia de processos! A 12ª investigação acaba de ser aberta. Mas não convém falar sobre isso em voz alta. Faça como o Planalto, o Congresso e o próprio Supremo. Suprima dos seus hábitos o ponto de exclamação. Vamos lá, é pelo bem da República. É absurdo? Sim, mas o absurdo vai adquirindo uma admirável naturalidade.... (Josias de Souza) 
• Brasil mantém emergência nacional em saúde pública por causa da zika. Ministro da Saúde, Ricardo Barros afirmou nesta sexta que as consequências da malformação pelo vírus são muito graves e é preciso continuar vigilância. 
• Diz Ministério Público que todas as grandes obras do governo Cabral são suspeitas. 
• A nova fase da Operação Lava Jato deve passar investigar ex-governadores, parlamentares e até governadores, cujos nomes foram citados por executivos de construtoras em suas delações premiadas. E com estas novas etapas de investigação mostra-se que a operação tem muito fôlego e está longe de chegar ao fim como muitos especularam. 
• Ação de Lula contra Moro pode ser nova tentativa de obstrução. Lula cria caso contra o juiz Moro para depois alegar suspeição
• STF condena Luiz Estevão a pagar R$ 1,1 bilhão por desvios. Montante é relativo aos desvios na construção de Fórum em SP. 
• Sobe o porcentual de cheques devolvidos em outubro.
• Mais um hospital é destruído após ataque do regime sírio em Aleppo. Escolas também tiveram que fechar as portas. 
• Presidente da Colômbia diz que está disposto a discutir no Congresso acordo de paz com as Farc. 
• Estado Islâmico pode ter lançado arma química na Síria, diz agência da ONU. Grupo teria fabricado gás mostarda por conta própria e usado na Síria e no Iraque, de acordo com a Organização para a Proibição de Armas Químicas. 
Não casei com uma cobra: bombeiro malaio nega história que viralizou. Tabloides publicaram a notícia de que Abu Zarin Hussin havia se unido ao réptil por acreditar que o animal era a reencarnação da sua namorada
• Trump adota ideia de Hillary de banco para investir na infraestrutura. 
• Marmota aparece em imagem de Marte divulgada pela Nasa. Editor de revista sobre ufologia afirma que descoberta mostra que existe vida no planeta. 
• Homem cai em lago ácido e é dissolvido em parque dos EUA. 
• Na Nicarágua, deputado morto é o presidente do Congresso. 

Navegante da democracia.
A caravela vai partir. As velas estão pandas de sonho e aladas de esperança. Posto no alto da gávea pelo povo brasileiro, espero um dia poder anunciar: alvíssaras, meu capitão! Terra à vista! À vista a terra ansiada da liberdade!
Com essas palavras, o dr. Ulysses encerrou seu discurso de anticandidato à presidência da República, no plenário da Câmara dos Deputados. Acabara de ser indicado pelo MDB para enfrentar o tonitruante general Ernesto Geisel, imposto pelo Alto Comando das Forças Armadas para substituir o general Garrastazu Médici. Não ia adiantar nada, pois as eleições presidenciais eram indiretas, pelo Congresso, onde o candidato militar dispunha de ampla maioria, garantida pela Arena, o partido do sim, frente ao partido do sim, senhor, o MDB. 
Coube ao grupo mais aguerrido da oposição, os autênticos, lançar a proposta da anticandidatura, aproveitando a brecha da lei eleitoral que permitia aos candidatos acesso à televisão e a percorrer o país em campanha. A primeira decepção veio antes que Ulysses Guimarães começasse a discursar: as emissoras de televisão já posicionadas saíram do ar, por decisão do mais arbitrário dos presidentes da República, o general Garrastazu Médici. Depois, vieram proibições de toda ordem, até de comparecer às praças públicas, ocupadas por cães policiais.
Mesmo assim, naquela manhã, com os jornais momentaneamente sem censura, o país tomou conhecimento de uma das mais belas páginas da literatura política do país.
Ulysses Guimarães, presidente do MDB, falou durante uma hora a um auditório de início desanimado, que aos poucos recebia vergastadas de democracia, ouvindo exortações como a anistia aos presos políticos e aos exilados, eleições diretas, liberdade de imprensa, restabelecimento do habeas-corpus e devolução do poder aos civis.
Quando concluiu a oração logo intitulada do navegar é preciso, recebeu prolongados minutos de ovações e de entusiasmo. Tornou-se o timoneiro da oposição, entregando-lhe uma nova carta de marear. Enfrentou todo tipo de obstáculos até o restabelecimento da democracia.
Agora que se celebram cem anos do nascimento do maior dos seus combatentes, lembra-se que a travessia terminou onde começou: o dr. Ulisses desapareceu no mar, sem que seus despojos jamais tenham sido encontrados. Ainda navega na lembrança de todos nós. (Carlos Chagas) 

Ratazanas devem ser exterminadas.
Muitos cidadãos que bradaram contra o PT e pediram o impeachment de Dilma Rousseff relutam em voltar às ruas para evitar que o PMDB e partidos aliados melem a Lava Jato. Não porque sejam peemedebistas; não porque achem Michel Temer um ótimo presidente; não porque estejam felizes com a nossa situação econômica.
Os cidadãos relutantes têm medo de que o país não consiga superar a queda de outro presidente, se tal for o caso. Ter medo, no entanto, significa dar aval para que a Lava Jato seja ferida de morte pelas ratazanas do Congresso.
O medo dos cidadãos relutantes é alimentado por colunistas que atacam os procuradores e o juiz Sérgio Moro. Esses colunistas afirmam, sem nenhum rubor de vergonha, que a Lava Jato fere o estado de direito; esses colunistas sugerem, sem nenhuma evidência concreta, que a economia vai desmoronar de vez se as investigações avançarem sobre os atuais ocupantes do poder.
Balela. Tudo vem sendo feito dentro da lei. Quanto mais limparmos o país, mais forte será a nossa democracia; quanto mais limparmos o país, mais sólida a nossa economia se tornará.
As ratazanas estão acuadas - e, quando acuadas, guincham alto e avançam sobre quem as acua. Não tenhamos medo de terminar o serviço. Ratazanas devem ser exterminadas. Todas elas. (Mario Sabino) 

E os intervencionistas intervieram.
Enquanto escrevo estas linhas, tenho duas imagens diante dos olhos. A primeira foi tirada no dia 13 de março deste ano e mostra cem mil pessoas reunidas diante do Congresso Nacional clamando contra a corrupção e pelo impeachment de Dilma Rousseff. No mesmo dia, em todo o país, mais seis milhões participavam de atos idênticos. A superlativa manifestação, ordeira e determinada, viabilizou politicamente a cassação do mandato da presidente por crime de responsabilidade. A outra imagem, tomada dia 16 deste mês, capturou o momento em que cerca de 50 pessoas, entre pugilatos e quebradeiras, invadiam o plenário da Câmara dos Deputados. Chamavam a si mesmos de patriotas. Pediam intervenção militar.
Queriam falar com um general, mas foram se explicar ao delegado. Sérgio Moro passaria muito bem sem os vivas que a ele prestaram. Há que reconhecer-lhes a pertinácia. São poucos, mas pertinazes. Compareceram a todos os atos promovidos em favor do impeachment e contra a corrupção. Em meio às impressionantes e espontâneas marchas e concentrações, poderiam ser contados a dedo. Levavam algum cartaz e pediam intervenção militar. Em todos esses eventos realizados aqui em Porto Alegre estive no carro de som e sei a insistência com que aquela posição era publicamente rejeitada por divergir de nossa mobilização e de nossa causa. Impeachment é uma coisa. Intervenção militar, outra, bem diferente.
Em vão. No próximo ato, indefectivelmente retornavam, esparsos e tenazes. Por outro lado, tornou-se nítido, ao longo dos quase três anos em que as grandes manifestações se repetiram, que o jornalismo militante de certas redações entrava em êxtase ao destacar a presença de intervencionistas nas passeatas. Iam em busca como quem procura agulha no palheiro e se abasteciam ante algum cartaz pedindo intervenção. Serviço de bandeja à causa do governo, destacado no dia seguinte. Davam a essa peça realce que milhares de outras não mereciam. Convinha às esquerdas homogeneizar impeachment e intervenção. Assim, a atabalhoada invasão da Câmara dos Deputados foi, que eu saiba, o primeiro ato solitário promovido pelos intervencionistas. E aconteceu com a dimensão e no modo que assistimos.
O episódio coincide duplamente com as invasões de prédios escolares por adolescentes. Estes, ao se trancafiarem nos respectivos colégios, estampam faixas, nas portas e grades, afirmando um curioso princípio segundo o qual, a escola é nossa. Sustentam, com isso, que o educandário lhes pertence. Ora, uma coisa é a conduta de adolescentes manipulados, protegidos pelo ECA, invadindo uma escola. E note-se: mesmo nesse caso, para poupar a autoridade da obrigação (jamais cumprida) de retirar a gurizada pelos melhores modos possíveis, os pais deveriam ser convocados a cumprir seu dever paterno recolhendo os rebeldes ao aconchego do lar. Mas não é idêntica a situação dos universitários e dos movimentos sociais em suas invasões, nem dos intervencionistas ao entrarem atropelando tudo e todos no plenário da Câmara. Preferia não ter lido nem ouvido as afirmações de que promoveram uma ocupação e de que o parlamento é a casa do povo. Ficaram muito parecidos, em conteúdo e forma, com os militantes de esquerda. Se têm por donos e não invadiram. Ocuparam...
Por fim, poucos brasileiros, neste momento, discordarão dos intervencionistas quando falam de sua rejeição às tramoias em curso nos bastidores do Congresso. Essa deve ser uma pauta nacional, objeto de pressão popular, por todos os modos ordeiros possíveis. Foi o que abordei em recente artigo (pode ser lido aqui) no qual aponto a existência de uma Frente Parlamentar do Crime e a necessidade de que ela, antes da eleição de 2018, esteja integrada à população carcerária brasileira. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor) 
Não foi o mundo que piorou, as coberturas jornalísticas é que melhoraram muito. (G. K. Chesterton)

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