11 de nov de 2016

Procura-se manchete alegre.

• Rio precisa de pelo menos R$ 5 bi para se manter. Deputados discutem soluções para a crise fiscal no Estado e consideram até mesmo um pedido de intervenção federal; valor calculado pelo Tesouro cobriria gastos de manutenção por um ano; Novo bloqueio das contas deve afetar salário de servidor. Bloqueio de R$ 140 milhões é o 2º realizado esta semana pelo não pagamento de dívidas com União; Governo do Rio é notificado de que terá combustível cortado no dia 16. 
• Justiça determina que Vale, BHP e Samarco depositem R$1,2 bi para reparações. 
• Rentabilidade anual da poupança volta a ganhar da inflação após 21 meses. Caderneta rendeu 8,33% nos últimos 12 meses até outubro, contra uma inflação pelo IPCA de 7,87%. 
• L'Oréal ameaça deixar Rio caso não voltem os incentivos fiscais. 
• Violência policial no Brasil Em 10 anos, polícia do Rio mata quase o dobro da polícia dos Estados Unidos. 
• O Palácio do Planalto já não consegue disfarçar a preocupação com os sinais cada vez mais fortes de que o relator no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) do processo das contas da campanha presidencial de 2014, ministro Herman Benjamin, pode recomendar a cassação da chapa Dilma-Temer, sem separação de presidente e vice. Benjamin já avisou que não irá demorar muito para divulgar seu voto. 
• De olho no Judiciário, Renan instala comissão para frear supersalários. A instalação foi feita pelo presidente da Casa, Renan Calheiros, que classificou a prática de horror e acinte. O principal alvo do peemedebista, investigado na Lava Jato, são os vencimentos do Judiciário e do Ministério Público acima do limite constitucional; Cada senador custa, em média, R$176 mil por mês. Corte dos supersalários devia começar no Senado e na Câmara. 
• Teori Zavascki autorizou a abertura de inquérito para investigar o deputado Andrés Sanchez por corrupção nas obras da Arena Corinthians, o Itaquerão. Sanchez é acusado de receber 500 mil reais da Odebrecht. 
• Com a crise, quem deixar presídio usando tornozeleira terá de pagar pelo equipamento. 
• Lula diz ser vítima de pacto quase diabólico entre PF, mídia, MP e juiz. Ex-presidente, réu em três processos ligados a corrupção, partiu para o ataque contra a operação; O ato em defesa de Lula, organizado por seu assessor Gilberto Carvalho, o Seminarista das mensagens da Odebrecht, foi realizado numa conhecida casa de festas de São Paulo, a Casa de Portugal. Quem pagou o aluguel? Joaquim? Manuel? Além do evento de ontem à noite, milhares de panfletos em defesa de Lula, uma página na internet e perfis nas redes sociais foram criados para divulgar um manifesto assinado por dezenas de nomes de peso, informou o Estadão. Quem pagou essa piada? O PT? A CUT? O Instituto Lula? Os jornais já tentaram descobrir? 
• Comissão do Senado aprova relatório sobre proposta que limita gastos por 20 anos. 
• Graves irregularidades: Sob suspeita 87,7% dos projetos da Lei Rouanet. Tem de tudo entre os 30 mil projetos irregulares, até casamento. 
• Câmara conclui votação de projeto que desobriga Petrobras de explorar pré-sal. 
• Por 58 votos a 13, Senado aprova cláusula de barreira para partidos e põe fim a coligações. 
• Petrobrás tem prejuízo de R$ 16,5 bi, o terceiro maior da história da estatal. Limpeza no balanço do terceiro trimestre foi principal responsável pelo resultado; mercado esperava lucro; Indústria critica plano de incentivo ao setor de petroleiro. Proposta do governo prevê flexibilização das regras nos leilões de 2017. 
• Anatel propõe mudança que pode aumentar o custo da telefonia fixa. Ideia é excluir banda larga no cálculo de reajuste do plano básico. 
• Procuradores da Lava Jato criticam projeto que anistia o caixa dois. 
• Comissão do Senado aprova projeto que legaliza bingo, cassino e jogo do bicho. 
• Novo líder do governo, Jucá deixa relatoria do projeto de abuso de autoridade.  
• Teori autoriza abertura de outro inquérito contra Gleisi Hoffmann.
• Conselho de Ética rejeita processo contra Bolsonaro por homenagem a torturador. 
• Lula acusou Sergio Moro de ter feito um pacto diabólico para prendê-lo: Eu penso que eles cometeram um pequeno erro. É que eles mexeram com a pessoa errada. Eu não tenho nenhuma preocupação de prestar contas à Justiça brasileira. O que eu tenho preocupação é quando eu vejo um pacto quase diabólico entre a mídia, a polícia federal, o ministério público e o juiz que está apurando todo esse processo. Lula mexeu com a pessoa errada. 
• As propostas esdrúxulas incluídas no projeto de lei das Dez Medidas Contra a Corrupção, além de desvirtuar a proposta original, servem para enterrar de vez a iniciativa. É o que diz Claudio Dantas, que também comenta o convite de Renan Calheiros a Sérgio Moro para debater o abuso de autoridade
• Lula, ontem à noite, no ato promovido em sua defesa, acusou a Lava Jato de mentir para os brasileiros: Não me sinto confortável participando de um ato da minha defesa. Eu me sentiria confortável participando de um ato de acusação à Lava Jato, que está mentindo para a sociedade brasileira. Ele mente muito confortavelmente.
• Preso custa 13 vezes mais do que um estudante no Brasil, diz Cármen Lúcia. Presidente do STF disse que um preso demanda R$ 200 mil a mais do que um aluno por mês, e afirmou: alguma coisa está errada na nossa pátria amada

• Após animosidades, Obama diz que encontro com Trump foi excelente. No Salão Oval da Casa Branca, em Washington, o tom cordial marcou primeiro encontro de Obama e Trump. Transição começa com conversa de 90 minutos e promessas de ajuda mútua. 
• Incerteza sobre economia dos EUA encarece dólar. Previsão é de que republicano aumentará gastos, o que eleva inflação e juros. 
• Controle nuclear nas mãos de Trump gera apreensão. Republicano já disse não descartar uso da bomba atômica. 
• Hillary tem resultado fraco entre mulheres. Democrata ganhou 54% do eleitorado feminino; em 2012, Obama teve 55%. 
• Oposição e governo da Venezuela retomam diálogo após 10 dias de trégua.

Duas teorias da conspiração hoje disputam o coração dos idiotas.
Ah, a confortável estupidez das teorias da conspiração... Vamos ver.
Deixados por sua conta, parte considerável dos que veem passar a vida nas redes sociais (a janela das Carolinas ressentidas) já se dedica a caçar fantasmas e a encontrar chifre em cabeça de cavalo.
Quando esses mesmos crédulos são estimulados por partidos, grupelhos e pilantras disfarçados de jornalistas a enxergar maquinações perversas, bem, aí a coisa vai longe. A paranoia e a mistificação ganham o endosso de alguém supostamente mais bem informado. Com frequência, trata-se apenas de um vigarista mais bem pago do que o trouxa que cai na conversa.
E pouco importa que as coisas anunciadas nunca se cumpram ou que a verdade venha a se revelar no polo oposto. Sempre resta como saída dizer que os autores da tramoia mudaram o enredo depois que foram denunciados. Acho que já escrevi aqui uma vez: há quem aposte na existência de ETs em razão da falta de evidências. As Forças Armadas americanas e russas esconderiam tudo de nós... Um cientista rigoroso se obriga a ter dúvida. Um idiota, nunca!
Dois grupos se esgueirariam hoje nas sombras da ética e da moralidade para tramar coisas terríveis contra o Brasil e o futuro dos brasileiros. Um deles reuniria a força-tarefa da Lava Jato, a mídia golpista, setores da oposição e a direita para inviabilizar a candidatura de Lula à Presidência em 2018. Daí o trabalho contumaz de acusar o PT e seu líder maior de crimes os mais variados.
Esse eixo do mal já conseguiu a deposição de Dilma Rousseff, um golpe, e agora precisa complementar o seu trabalho impedindo a candidatura do Babalorixá de Banânia. É nessa mesma ordem de maquinações que está a decisão de, como é mesmo?, privatizar o pré-sal e criminalizar as esquerdas e os movimento sociais. Os ditos blogs sujos contam como a coisa funciona, tintim por tintim.
E haveria uma outra força poderosa atuando. Setores da imprensa (essa gente se mete em tudo!), membros do STF, o enrolado Renan Calheiros, ministros do atual governo e, quem sabe?, até o próprio Temer teriam se mancomunado para desmoralizar a força-tarefa, os procuradores, Sergio Moro e todas as virtudes do mundo.
O projeto que muda a lei que pune abuso de autoridade seria a principal arma desses outros malvados. A depender do caçador de ETs e de quem paga a sua pena, eu mesmo estaria ora num grupo, ora em outro ou em ambos.
Segundo um influente teórico da conspiração, eu teria apoiado sem críticas a Lava Jato (nem Deus eu apoio sem crítica depois de ter lido Padre Vieira...) enquanto ela tinha o PT e os petistas como alvos; só teria iniciado algumas críticas à força-tarefa quando as investigações se aproximaram do PSDB... Bem, uma simples visita ao arquivo do meu blog e desta Folha seria suficiente para desmoralizar a tese. Mas não se deve pedir aos que acreditam em teorias conspiratórias, ou a seus sacerdotes a soldo, que pesquisem um pouco, né? Algumas páginas de extrema direita e de extremo oportunismo juram ser assim.
Ah, mas por que você não responde, não entra no confronto, não vai para o bate-boca? Bem, meus caros, nunca bati palma pra maluco dançar. Não vou começar a fazê-lo agora. Não dependo da boa vontade de estranhos nem da caridade de quem me detesta.
E, bem..., pra não dizer que não falei dele, também a eleição de Donald Trump faria parte de uma grande maquinação, esta urdida pelo espírito do tempo, pelo imponderável Zeitgeist: a democracia estaria degenerando num neofascismo de alcance planetário. Nesse caso, acho, já seria mesmo uma conspiração da deplorável natureza humana... (Reinaldo Azevedo) 

Da doutrina Monroe à doutrina Trump.
O Pato Donald e o Tio Patinhas assumirão juntos a presidência dos Estados Unidos? Um estrilando e vociferando contra o mundo, outro empenhado em fazer de cada cidadão americano um bilionário associado à característica de só ganhar dinheiro. Essa união dificilmente deixará de dar errado, mas foi o resultado das eleições presidenciais nos Estados Unidos.
Indaga-se das consequências na América Latina e, em especial, no Brasil. O muro prometido na fronteira com o México não isolará apenas esse país, mas deixará em situação de crise tudo o que existir de lá até a Terra do Fogo.
Vivermos sem a presença dos Estados Unidos será impossível, ainda que a convivência com o egoísmo enunciado pelos irmãos do Norte possa resultar em nossa carta de emancipação. E na necessidade de seguirmos apoiados em nossas próprias forças.
O pior nesses novos tempos não seria a suspensão de eventuais benesses americanas em nosso favor. Na balança do deve e do haver temos recebido muito mais promessas e enganações. Só que agora, salvo engano, receberemos mais cobranças. Voltará a chantagem de que a Amazônia é o pulmão do mundo, pertence ao planeta inteiro e deve ser internacionalizada? Ou de que precisamos pagar primeiro para depois auferirmos o lucro de nossos investimentos? Criar empregos nos Estados Unidos prevalecerá sobre a importância de reduzir os doze milhões de desempregados em nosso território?
Vem por aí, pelos braços do novo presidente americano, tempos ainda mais amargos de relacionamento com Washington. Depois da Doutrina Monroe vem por aí a Doutrina Trump. Teremos que pagar também uma parte das despesas com o muro? (Carlos Chagas) 

O voto tímido mais assanhado da história da democracia.
Em um grupo de Whatsapp do qual faz parte minha esposa, composto por amigos oriundos da faculdade, tão logo Trump foi declarado o novo presidente dos Estados Unidos, foi reproduzido, no micro, o fenômeno que ocorreu no macro nestas eleições americanas - e deixou os institutos de pesquisa daquele país com cara de quem não sabe de onde veio a bordoada: três pessoas, de um total de doze, acharam positiva para os americanos (e para o resto do mundo) a derrota de Hillary, mas (e aí mora o detalhe) só tiveram coragem de manifestar tal opinião no modo privado do aplicativo de mensagens; diante dos demais membros do grupo, ficaram receosos de admitir tal posicionamento, visto que a turma que atacava Trump era muito barulhenta e costumava rotular de Bolsominion Yankee quem criticasse Hillary.
Vale dizer: a patrulha politicamente correta obrigou, lá como cá, parcela considerável dos apoiadores republicanos a guardarem sua deliberação em segredo até o dia do sufrágio. Votar em Trump, seja pelo motivo que fosse, não constava da cartilha autoritária do bonde dos oprimidos, e não poderia, pois, ser considerada uma ação válida, ainda que fosse empreendida por indivíduos munidos de argumentos bem fundamentados.
Muitos adeptos do make America great again, desta forma, preferiram não informar aos pesquisadores sua real intenção de voto, nem mesmo por telefone, tal a sensação de condenação moral que foi gerada por estes atormentadores profissionais. Deixaram para desabafar o que havia em suas mentes apenas diante da privacidade oferecida pela urna, tal qual uma pessoa religiosa procede diante do confessionário. Convencer os republicanos que era pecado votar em Trump deu nisso: surprise! E amém.
E a mesma lógica, em menor ou maior grau, aplica-se, sem dúvida, à aprovação do referendo para o Brexit e a reprovação popular ao acordo de paz com as FARC na Colômbia. Cria-se uma atmosfera em que somente uma visão é tida como apropriada e concebível, e as demais são reacionárias e fascistas, jogando, destarte, seus partidários para a penumbra, até que a cédula eleitoral jogue luz sobre a vontade destes indivíduos - e cause ataque de nervos nos jornalistas da mídia mainstream.
A discussão de diversos temas relevantes é permeada por esta mesma censura progressista, a tal ponto que, em certos casos, até mesmo propor um debate real sobre o tema é proibido. Hordas de muçulmanos sem documentos chegam incessantemente do Oriente Médio para a Europa? A única solução é escancarar as fronteiras do continente; sugerir quaisquer alternativas, como fortalecer o combate àqueles que estão obrigando estas pessoas a fugirem de seus de seus lares, soa ilegítimo para os verdadeiros detentores do monopólio das virtudes.
Como consequência natural, quando o ultraconservador Geert Wilders eleger-se primeiro-ministro na Holanda ou a extrema-direita Marine Le Pen sagrar-se presidente na França, toneladas de Rivotril serão consumidas por aqueles pegos de surpresa com tais acontecimentos - no caso, os mesmos que decidiram que ninguém poderia opinar em favor de tais fatos sem serem tachados de extremistas.
Esta é a diversidade defendida pelos progressistas: não podemos ter preconceito com visões de mundo diversas, a não ser que estejamos falando de liberais e conservadores. Neste caso, o preconceito contra o preconceito da esquerda é que será condenado veementemente. E assim eles seguem suas vidas enclausuradas dentro de suas bolhas ideológicas, e aqueles que tentarem furá-las podem virar alvo de excrementos humanos - triste e bizarra realidade. Esse pessoal sente ojeriza pelo povão e abomina as trevas do conhecimento onde ele vive, motivo pelo qual considera que pode ler meia dúzia de capítulos de Foucault e, caridosamente, determinar seu destino.
Quem sabe, quando houverem assimilado o golpe, eles entendam que o que o cidadão deseja é que o Estado seja bem gerido, para que suas vidas melhorem. Não à toa, João Dória, mesmo sem experiência alguma em administração pública, foi aclamado pelo eleitorado de São Paulo, em virtude de seu sucesso como gestor - e o mesmo raciocínio aplica-se a Trump. O que o candidato falou no vestiário não vai influenciar em seu desempenho no gabinete presidencial, e não vai provocar alta da inflação nem tampouco queda no PIB.
O João do caminhão não está interessado nos devaneios intelectuais forjados por acadêmicos iluminados pelo conforto do ar condicionado ligado no máximo, mas quer muito saber se haverá emprego, segurança e se ele vai ter dinheiro para o pagode no finde. E se ele não puder expressar seu pensamento livremente sem ser estigmatizado por predicados inomináveis, não há problema: ele vai ficar em silêncio. Mas não por muito tempo. Cedo ou tarde ele terá a chance de contar com o anonimato para materializar sua escolha sem correr risco de ouvir você é um fundamentalista de direita.
E lá está ele: o magnata nova-iorquino rumo ao cargo mais poderoso do planeta, muito graças a eleitores ao estilo mineiro, come quieto, que não precisam de alvoroço nem fazem questão de vencer discussões. Para estes, é suficiente ver a cara de choro e desalento daqueles mesmos déspotas supostamente esclarecidos e arrogantes, tão certos de suas premissas e tão confiantes na vitória. Aliás, salvo engano, uma das acusações contra o presidente Donald era justamente o ego inflado. Estranho, pois simplesmente desconsiderar a hipóteses de que dezenas de milhões de pessoas possam estar certas, em detrimento da própria convicção tacanha, é que me parece soar bastante presunçoso.
Isso, aliás, lembra o Keynesianismo: o ciclo de gastos da economia esgotou-se e atingimos a estagflação? Taca mais gasto público e endividamento neste caldo, seu ministro da fazenda. No mesmo sentido, os jornalistas atordoados neste 9/11, em vez de procurarem rever seus conceitos, chegam à brilhante conclusão de que há, de fato, muitos misóginos e racistas neste mundo, e a solução é…mais progressismo, claro!.
Está caindo de maduro algum investidor desafiar a hegemonia da TV Globo na cobertura política do Brasil. Levando em conta a excepcional audiência obtida por veículos independentes na internet (podcasts, canais no Youtube, e por aí vai), seria quase como bater em bêbado levar esse pessoal para a televisão para concorrer com os Marinho. Resta saber se o governo federal concederia licença para uma TV reaça (ou mesmo para uma rádio como a de Dennis Prager). Talvez prefiram eles continuar tomando sustos pelos pleitos eleitorais da vida. 2018 vem aí, e quer queiram ou não aqueles que pensam deter a hegemonia do pensamento nacional, resultados inesperados podem estar sendo concebidos desde já. Assim espero! (Ricardo Bordin, atua como Auditor-Fiscal do Trabalho.) 
Como são numerosas as coisas sem as quais posso passar. (Sócrates)

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