10 de nov de 2016

Os EUA e o mundo.

 photo trump_zpst4iyqzyc.jpg • Operação Dragão: PF deflagra 36ª fase da Lava Jato cumprindo mandados em três estado. São 16 mandados por 90 policiais em São Paulo, Ceará e Paraná. 
• Bondinho de Santa Teresa custará R$ 20 a partir de dezembro. 
• Estado não garante mais pagamento do funcionalismo estadual no dia 16. 
• Governo do RJ deu isenções de mais de R$ 200 milhões a joalherias. Secretaria diz que incentivo é importante para gerar empregos. 
• Mudança na leniência fere de morte a Lava Jato, diz força-tarefa. Em tom duro, os procuradores da Lava Jato afirmaram que as mudanças propostas podem ferir de morte a operação, que desvendou um bilionário esquema de corrupção na Petrobras. Repetem-se aqui as tentativas do governo anterior de desfigurar a lei anticorrupção, caracterizando-se essa manobra em intervenção na investigação da Lava Jato e em outras dela decorrentes, diz nota enviada pelo Ministério Público Federal do Paraná. Os procuradores lembraram que já estão negociando acordos de leniência com as empresas e que, se houver mudanças no meio do caminho, eles podem ser interrompidos, causando um prejuízo irreparável ao interesse público
• Temer anunciou que irá retomar 1600 obras que estão paradas pelo Brasil. A recuperação das obras terá custo de pouco mais de R$ 2 bilhões. 
• Crise no Rio faz movimento em hospitais federais crescer 14%. Alerj devolve para o governo do Rio projeto de lei que pretende cortar salário dos servidores. 
• E Temer vai trocar errado. Temer pode convidar Beltrame para a Justiça. Alexandre Moraes subiu no telhado do ministério da Justiça. 
• Em primeiro turno, senadores aprovam proposta que acaba com coligações, para deputados e vereadores, cria cláusula de barreira e pune políticos eleitos que mudarem de partido. PEC segue para votação em segundo turno. CCJ do Senado aprova relatório favorável à PEC do teto (PEC 55), CCJ aprova de goleada (19 x 7) o parecer de Eunício Oliveira. 
• Senado aprova MP que repassa custos administrativos do Fies a faculdades. 
• Conselho de Ética livra Bolsonaro de processo por quebra de decoro parlamentar. 
• Ex-secretário-geral do PT se torna réu em ação da Lava Jato. Justiça Federal do Paraná também aceitou denúncia contra o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e o empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS. 
• Nova terapia: Cientistas criam tratamento para proteger fetos da zika. Droga usada contra Alzheimer pode proteger fetos do zika. Leia 
Vamos colocar sempre os interesses da América em primeiro lugar, mas vamos lidar de maneira justa com todos. Todas as pessoas, e todas as nações. Donald Trump, no discurso de sua vitória. 
• Primeiro encontro entre Obama e Trump na Casa Branca ocorre nesta quinta-feira. Eles devem fazer pronunciamento. Michelle Obama receberá, por sua vez, a próxima primeira-dama, Melania Trump, na residência da Casa Branca. 
• Cuba anuncia exercícios militares em todo o país após a vitória de Trump nos EUA. Governo do republicano pode comprometer o processo de degelo das relações entre as duas nações, que foi iniciado durante a gestão de Obama. 

Milhares de inconformados marcham em Nova York contra Trump e contra a… democracia!
Uma coisa é não gostar do resultado; outra, distinta, é se mobilizar contra o resultado das urnas porque ele não é bom...
Pois é…
O que está menos adequado a um regime democrático? A eleição de alguém como Donald Trump, coisa que me parece, sem dúvida, detestável, ou a decisão de alguns milhares de marchar pelas ruas de Nova York e mais seis cidades para protestar contra o resultado? Notem: expressar desagrado é legítimo. Nos termos, no entanto, em que a manifestação se deu, ah, aí não!
Os que tomaram as ruas não estavam exigindo, sei lá, que Trump mudasse a agenda. O que se tinha era o questionamento do resultado. Informa a notícia que o inefável Michael Moore, cineasta, era um dos que marchavam. Disse ele: Você está numa bolha com câmara de eco adjacente, onde você e seus amigos se convencerem de que o povo não elegerá um idiota para presidente (…). A maioria não queria esse cara lá. Ele se referia ao fato de que a democrata Hillary Clinton obteve mais votos totais, mas perdeu no Colégio Eleitoral.
Pois é… Nessa hora, o que este senhor faz é desqualificar as regras do jogo porque, afinal, seu time perdeu. O sistema de eleição indireta nos EUA não foi inventado ontem.
Informa Folha: No primeiro e dificilmente último protesto contra o futuro presidente em Nova York também irromperam coros de black lives matter (vidas negras importam) e variações com latinos, muçulmanos e transexuais; one step forward to 50 years back (um passo à frente para voltar 50 anos); we want better (queremos algo melhor); Trump is a clown, bring that motherfucker down (Trump é um palhaço, derrubem esse filho da puta); e o mais sintético de todos: Fuck Trump (foda-se Trump).
Pois é… Ali estava uma miríade de minorias organizadas, com palavras de ordem na ponta da língua, dispostas a desqualificar, então, as regras segunda as quais sua candidata também concorreu. Faço aqui uma pergunta: não é precisamente a esse tipo de radicalização e de extremismo de grupelhos que está a responder o eleitorado? Ou por outra: Trump não é então, a imagem especular, e oposta, dessa esquerda intolerante? Não seria esse tipo de sectarismo a alimentar a fala do magnata, que apela diretamente ao coração e ao ódio dos ressentidos?
Detestei a vitória de Trump e já expus meus motivos. Mas é evidente que é preciso respeitar as regras do jogo, o que essa turma não está fazendo.
Trump já percebeu como toca a música. Os mercados reagiram muito mal à sua vitória. Dado o discurso de conciliação, os investidores já ficaram menos ressabiados. Sabe que será demitido se resolver pôr em prática tudo o que prometeu. E sabe que também os seus não o perdoarão por não poder fazer o que prometeu. E, nesse caso, pode ser demitido pelo eleitor.
Que tal os inconformados acatarem o arcabouço legal que regula as eleições? A fase do espetáculo já passou. (Reinaldo Azevedo) 

Entre o impossível e o previsível.
A primeira e mais importante conclusão da vitória de Donald Trump foi a falência total das prévias eleitorais nos Estados Unidos. Mais do que um clamoroso erro dos institutos de pesquisa está o vexame dado pelos comentaristas da televisão, das emissoras de rádio e dos jornais, com ênfase para os brasileiros, cópia escancarada dos americanos. No mundo inteiro foi a mesma coisa: ninguém fez a previsão correta. Ou davam a vitória indiscutível de Hillary Clinton ou, pelo menos, um resultado apertado para o partido democrata. Jamais números cravados do começo ao fim nos republicanos.
Perplexidade, incerteza, falta de visão? Despreparo ou humilhação? Tanto faz. A verdade é que uma candidata tida como vitoriosa perdeu o rumo e obrigou-se a reconhecer que Casa Branca, nunca mais.
O mundo só não acordou em crise porque não dormiu. Do Alaska à Terra do Fogo, a madrugada desse 9 de novembro terá sido de insônia ou de maciças doses de cafezinho, porque desde a abertura dos resultados da votação que todo mundo apavorou. Até aqui no Brasil, onde péssimas previsões começaram a ser feitas. Se o homem é doido ou se acertou com o sentimento do povo americano, tanto faz. Parece a mesma coisa. A diferença entre o colégio eleitoral e o voto individual foi mínima, mas não deixou dúvidas: Trump ganhou nas duas. Agora, precisa provar que prometeu o impossível ou o previsível. (Carlos Chagas) 

PT e aliados tentam transformar Lula em mártir.
Em ato programado para as 18h30 desta quinta-feira (10), em São Paulo, o Partido dos Trabalhadores e seus aliados lançarão um movimento que tem o seguinte slogan: 'Por um Brasil justo pra todos e pra Lula.'
Na explicação oficial, o evento servirá para inaugurar uma ampanha em defesa da democracia, do Estado de direito e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na prática, trata-se de uma reação antecipada à provável condenação e à eventual prisão de Lula na Operação Lava Jato. Tenta-se convertê-lo em mártir.
Participam do movimento capitaneado pelo PT legendas e entidades companheiras -PCdoB, CUT e MST, por exemplo-, além de artistas e intelectuais. Será divulgado um manifesto seguido de abaixo-assinado. Nele, a Lava Jato é apresentada como uma iniciativa deletéria.
Insinua-se no texto que, sob o pretexto de combater a corrupção, a maior e mais bem-sucedida operação contra o assalto sistêmico aos cofres do Estado promove ataques aos direitos e garantias individuais.
Depois de apontar alegados excessos e desvios da força-tarefa de Curitiba contra Lula, o documento sustenta: 'Esse conjunto de ameaças e retrocessos exige uma resposta firme por parte de todos os democratas, acima de posições partidárias.
Acrescenta: Quando um cidadão é injustiçado - seja ele um ex-presidente ou um trabalhador braçal - cada um de nós é vítima da injustiça, pois somos todos iguais perante a lei. Hoje no Brasil, defender o direito de Lula à presunção da inocência, à ampla defesa e a um juízo imparcial é defender a democracia e o Estado de direito…
Confrontado com a realidade, o manifesto de vitimização de Lula torna-se uma peça de ficção. Na vida real, a Lava Jato não ameaça nenhum trabalhador braçal. Mas já derreteu a presidência de Dilma Rousseff; prendeu empreiteiros do porte de Marcelo Odebrecht; mantém atrás das grades petistas como José Dirceu, Antonio Palocci e João Vaccari; arrastou Eduardo Cunha da presidência da Câmara para a carceragem de Curitiba; enrolou a corda no pescoço de peemedebistas como Renan Calheiros e Romero Jucá; transformou em protagonistas de inquéritos e delações tucanos com a plumagem de Aécio Neves e José Serra; subiu a rampa do Planalto e bate à porta de ministros palacianos e de Michel Temer.
Ao alcançar Lula, a faxina da Lava Jato perturba a oligarquia que cultivava a fantasia de que um dia seria possível estancar a sangria. Pela primeira vez desde as caravelas uma operação anticorrupção deixa impotentes os poderosos que se julgavam acima da lei. Faz isso com o respaldo de tribunais superiores. No caso de Lula, os procedimentos vêm sendo saneados e ratificados pelo Supremo Tribunal Federal. Ou seja, longe de estar ameaçada, a democracia brasileira revela-se vigorosa.
A campanha a ser deflagrada nesta quinta-feira prevê a organização de atos em defesa de Lula no Brasil e no exterior. Entretanto, as únicas defesas que podem ajudar o personagem são as petições que seus advogados enfiam dentro das três ações penais em que Lula figura como réu. Até aqui, essas petições têm se revelado insubsistentes. Ainda assim, Lula sustenta que não tem nada a ver com a corrupção. Quem ousaria discutir com um especialista? (Josias de Souza) 
Não existe prazer comparável ao de ficar firme sobre o vantajoso terreno da verdade. (Francis Bacon)

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