13 de nov de 2016

Desonestidade, um dom maléfico.

 photo crimes_zpsfd2kiyj4.jpg • GP do Brasil deve dar prejuízo de R$ 98 milhões. Com a saída dos principais patrocinadores, rombo nas contas e pode influenciar o futuro da corrida na categoria; Petrobras desiste da Fórmula 1 e deixa a Williams. 
• Crise financeira abala rotina da população no Rio. Com hospitais e delegacias precários, auxílio a desabrigados pode ser cortado. 
• Mulheres se queixam de assédio no Uber. Passageiras dizem que condutores as procuram por redes sociais e celular. 
• Governo federal cogita intervenção federal, no Rio, na área de segurança. 
• Sem nome de consenso, aliados brigam por Itaipu, ainda nas mãos do PT. 
• Aécio Neves articula no Senado votação de PEC sobre fim da reeleição.
• O governo já pagou R$ 598,6 milhões em diárias este ano. A bolada foi dividida por mais de 192 mil pessoas, a grande maioria de funcionários públicos, que, ao contrário dos mais de 12 milhões de desempregados, não sentem a crise econômica que assola a economia. Cerca de R$ 136 milhões (22% do total) não possui detalhamento do gasto. Tudo é mantido como sigiloso para garantir a segurança da sociedade.
• A ministra Rosa Weber do Supremo Tribunal Federal (STF) universalizou a ordem de depósito judicial de valores da Repatriação que já havia beneficiado os Estados de Piauí e Pernambuco. Com a decisão liminar, ao todo 23 Estados e o Distrito obtiveram o bloqueio dos recursos. Com isso, o STF neutraliza as vantagens de grande parte dos R$ 50,9 em impostos e multas obtidos por meio da lei que permite a legalização de depósitos que brasileiros mantinham no exterior sem informá-los à Receita Federal. O País está em crise, o governo quebrou e mão pode usar essa receita extra, por força da decisão do STF. Ontem à noite, a ministra decidiu conceder a outros entes que entraram com ação no Supremo liminares que determinam à União depositar em conta judicial um montante superior ao valor inicialmente destinado a essas unidades da Federação como cota do Fundo de Participação dos Estados (FPE) referente à arrecadação com a repatriação. 
• Valor de projetos da Petrobras cai R$ 109 bi em 3 anos. Reavaliação de investimentos ajuda a explicar prejuízos seguidos da estatal. 
• PF investiga se Odebrecht fez reforma na piscina de Lula. Obra no Alvorada teria sido troca de favores, ex-presidente não comenta. 
• Estados buscam na União saída para Previdência local. Plano quer que governo federal assuma rombo de governadores. 
• Ironias de Temer: Criticando jocosamente protestos contra medidas do governo, presidente não contribui para o debate. 
• Seca 2.0. Seca é a realidade do Nordeste, e tende a agravar-se com a mudança climática prevista pelos cientistas. 
• Defesa de Dilma tenta arrastar Temer para se livrar de processo no TSE. 
• Crise dos Estados vai opor a sociedade e as corporações. Ministro Alexandre de Moraes vê Alckmin tanto quanto Temer. 
• TSE quer criminalizar caixa 2, mas só para casos novos. Ministros da corte tendem a aceitar argumento de que lei não pode retroagir. 
• Paes analisou trocar candidato para a Prefeitura do Rio. Prefeito considerou os nomes de Washington Fajardo e Maria Silva Bastos. 
• Mulheres se queixam de assédio no Uber. Passageiras dizem que condutores as procuram por redes sociais e celular. 
• Montadoras buscam contato direto com clientes. Salão Internacional do Automóvel de São Paulo tenta alavancar vendas.
• Grupo explode todos os bancos em funcionamento de cidade no Paraná.
• Presidente eleito dá sinais de recuo em promessas de campanha. Trump sinaliza que desistiu do muro e expulsar estrangeiros. 
• Trump quer retirar de maneira rápida os EUA de acordo climático, diz fonte. Presidente eleito dos Estados Unidos chegou a chamar o aquecimento global de fraude durante a sua campanha e prometeu abandonar Acordo de Paris. 
• Fumaça de campos de petróleo atacados pelo EI barra luz solar e intoxica iraquianos. 
• Supremacistas brancos celebram eleição nos EUA. Xenófobos que apoiaram Trump esperam que eleito atenda sua plataforma. 
• Governo e oposição da Venezuela prometem conviver em paz. Nada de concreto foi decidido sobre o cronograma eleitoral, reivindicado pela oposição, que quer um referendo revogatório ou antecipar as eleições. 
• Cercado por tropas do Iraque, líder do Estado Islâmico foge de Mosul. 
• Hillary culpa diretor do FBI por derrota na eleição. Para ela, investigação a 11 dias do pleito reviveu controvérsia sobre e-mails. 
• Governo colombiano e Farc fecham novo acordo de paz. Primeira versão do documento foi rejeitada em referendo em outubro. 
• Casa de shows Bataclan reabre após um ano dos atentados em Paris. Bataclan volta a funcionar 1 ano após os atentados de Paris. 
• Tsunami atinge Nova Zelândia após série de fortes terremotos de magnitude 7,8. 
• Homem-bomba em atentado talibã mata soldados no Afeganistão. 
• Terremoto de magnitude 6,2 atinge a Argentina próximo à fronteira com o Chile. 
• Estamos esperando o que: Rumo a Holanda. Holanda enfrenta crise penitenciária: sobram celas, faltam condenados. 19 prisões foram fechadas e mais deverão ser desativadas em 2017. 

Fed vai segurar juros até entender Trump.
Pedro Galdi aposta que o Fed ficará mais cauteloso, ao contrário da maioria dos economistas.
A eleição de Donald Trump levou a maior parte dos economistas a apostar que o Fed vai acelerar as altas da taxa de juros nos EUA, para se contrapor à política fiscal expansionista do republicano.
Pedro Galdi, analista de investimentos da Upside Investor, contudo, crê no movimento contrário: o banco central americano deve aguardar os primeiros efeitos práticos das políticas implementadas pelo novo governo, para decidir se intensifica sua atuação.
Já em relação ao Brasil, a eleição de Trump e a complicação de Michel Temer na Lava Jato são fatores óbvios de pressão sobre o mercado. Mas, na prática, seus efeitos sobre as projeções de 2017 devem ser pequenas, segundo Galdi. Veja os principais trechos da conversa com O Antagonista:
O Antagonista: Trump eleito nos EUA; um cheque de R$ 1 milhão para Temer; empresas divulgando balanços. O que mais pesou nesta semana no mercado?
Pedro Galdi: Em relação a Trump, é natural que o mercado esteja nervoso. A pergunta é: até que ponto as medidas que ele anunciar vão ajudar a economia global? Além disso, não se sabe, inclusive, se Janet Yellen permanecerá à frente do Fed. Existe um desconforto muito grande entre os dois, muitas diferenças de visão, e ela pode até se desligar da instituição.
O Antagonista: Você acredita que o Fed elevará os juros mais que o previsto, diante da política expansionista de Trump?
Galdi: Não. Acredito que será o inverso. Acho que o Fed adotará uma postura mais cautelosa, enquanto espera as primeiras medidas.
O Antagonista: Quanto Temer pesou no mercado nesta semana?
Galdi: A descoberta do cheque em nome de Temer cria um risco iminente para o presidente. Não há dúvidas de que a Lava Jato vai prosseguir e pegar todos que puder. Mas acredito que ele seguirá até 2018, porque está fazendo um governo de transição e assumiu o trabalho sujo de implementar as reformas impopulares que outros não teriam coragem, devido ao desgaste político.
O Antagonista: Com tudo o que ocorreu nesta semana, alguma de suas projeções mudou?
Galdi: A principal foi o dólar. Quem esperava um câmbio de R$ 3,10 para o fim do ano já pode pensar em R$ 3,30, talvez mais. A taxa de juros também pode ser afetada, mas depende muito de como a inflação vai se comportar. O importante é que Trump ganhou e o mercado terá de lidar com isso. O mundo não vai virar ao contrário. É preciso tocar a vida. (Márcio Juliboni) 

Os canhões não falaram.
Carlos Lacerda e o presidente Carlos Luz (9º da esq.), deposto pelo movimento de 11 de novembro de 1955, refugiam-se no cruzador Tamandaré/Arquivo Google.
Sexta-feira, 11 de novembro de 1955, o Rio não dormiu. Ou dormiu pouco, porque de madrugada a cidade já estava acordada. Em todos os quartéis e repartições do Exército havia movimentação inusitada. Tanques e canhões ocupavam as principais avenidas e praças. Soldados equipados guardavam repartições federais e, de forma um tanto estranha, cercavam estabelecimentos da Marinha e da Aeronáutica.
No ministério da Guerra, as luzes estavam acesas, em especial nos andares dos gabinetes do ministro e do comandante do I Exército. Aparelhos de telegrafia e telefones não paravam de tilintar, transmitindo ordens e recebendo adesões das unidades espalhadas pelo país inteiro.
O Exército erguia-se em solidariedade ao ministro Henrique Teixeira Lott, demitido na véspera, mas horas depois outra vez instalado em seu gabinete pela totalidade dos demais generais e altos oficiais. Levantava-se o país armado para evitar o golpe engendrado pelo presidente interino da República, Carlos Luz, apoiado pela Marinha e a Aeronáutica, empenhados em não dar posse ao presidente eleito, Juscelino Kubitschek. Em nome da legalidade e para assegurar o regime democrático e a Constituição, o general Lott aceitara chefiar a rebelião. Um golpe para evitar outro golpe, ironicamente batizado de Movimento de Retorno aos Quadros Constitucionais Vigentes. A agressão à semântica tinha sido o único erro do Exército, porque como retornar ao que não era mais vigente?
Enquanto o sol nascia, o presidente derrotado e mais uns poucos ministros e conspiradores conseguiram embarcar no cruzador Tamandaré, rompendo a linha de defesa das fortalezas do Exército, na entrada da baía da Guanabara. Diz a crônica que general Lott mandara bombardear e afundar o navio rebelado. Como estávamos no Brasil, as fortalezas atiravam, o estrondo era grande, mas nenhuma bala acertou. Brasileiros matando brasileiros? De jeito nenhum.
O navio seguiu para o Sul, mas precisou voltar, pois nenhuma adesão foi conquistada. O Exército dominava o litoral e o interior. O Congresso encontrou outro presidente interino, no caso Nereu Ramos. Juscelino Kubitschek tomou posse, dias depois, mantendo o general Henrique Lott como ministro da Guerra. Estava salva a Legalidade, pelo menos até 1964. Ainda hoje ressoam os estampidos dos poderosos canhões das fortalezas. Merecem medalhas os bravos artilheiros que, de propósito, erraram o Tamandaré. Da mesma forma os marinheiros que não responderam ao fogo amigo. Felizmente, os canhões não falaram. (Carlos Chagas) 

Conspirações - Lula e Janot logo vão ressuscitar os Protocolos, o Plano Cohen e a traição de Dreyfus…
Nem existe um plano maligno para destruir Lula nem existe uma urdidura diabólica para pôr fim à Lava Jato.
Minha coluna na Folha desta sexta trata do embate entre duas teorias conspiratórias: de um lado, haveria um complô para destruir o PT e impedir a candidatura de Lula; de outro, estaria uma armação para destruir a Lava Jato. O mais curioso é que os que quereriam solapar a operação não seriam os mesmos que gostariam de proteger Lula e o PT.
O que isso significa? Que estão em curso duas mistificações, duas tolices, duas armações, duas mentiras. Nem existem os que querem destruir Lula nem existem os que querem destruir a Lava Jato. A verdade é que o chefão petista ambiciona a inimputabilidade e a impunidade, e alguns membros da Lava Jato ambicionam o poder absoluto.
Se você é absolutista de um lado ou de outro, escolha a teoria que o faz feliz. Eu, como sou um liberal, nego as duas coisas por uma simples razão: são duas mentiras.
Naquele evento de nome exótico -Por um Brasil justo para todos e para Lula-, que faz dele um verdadeiro Deus (o que está acima de todos), o chefão petista acusou a existência de um pacto diabólico para destruí-lo: juntaria imprensa, procuradores, juízes, sei lá quem. Entendi: como todo discurso que remete à conspiração, este também é redondo: Lula é Deus; logo, seu inimigo é o diabo.
Rodrigo Janot respondeu num café da manhã com jornalistas. Disse que todo mundo é livre para externar a sua opinião e que não é religioso. Resolveu, em suma, ser irônico com Lula. É possível que, de fato, a assertiva não peça muito mais do que isso.
Mas Janot também resolveu vender a sua barata teoria da conspiração: estaria em curso uma tramoia para acabar com a Lava Jato. Evidências disso? Ora, o projeto que muda a lei que pune abuso de autoridade e o relatório do deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS) sobre as medidas contra a corrupção.
Janot insistiu que um procurador ou um juiz estariam ameaçados apenas porque a sua interpretação não prevaleceu numa instância superior. Bem, como respondo a isso? Simples! Trata-se de uma mentira.
Mais uma vez, o procurador fala fora dos autos e faz política. É por isso que acho que ele deve aceitar o convite que lhe fez Renan Calheiros e debater o assunto no Congresso. Até agora, nenhum dos críticos do projeto de abuso de autoridade disse qual trecho do texto ameaçaria a Lava Jato. E sei por que não fazem isso: porque não há trecho nenhum.
O projeto pune, sim, juízes e procuradores, mas só os que faltarem com seus deveres funcionais. Há legislação parecida em todo o mundo democrático.
Quando um e outro falam, formam-se imediatamente as duas correntes: a do Lula está inteiramente certo e a do Janot está inteiramente certo. Pois eu digo que os dois estão inteiramente errados. E essa questão nada tem a ver, na essência, com a Lava Jato.
Nem Lula pode se achar inimputável, considerando conspiração a atuação da Justiça e do Ministério Público, nem os membros do MP e da Justiça podem achar que tudo aquilo que não atende a seus anseios é só uma forma de desmoralizar a Lava Jato.
Daqui a pouco vai ter gente ressuscitando Os Protocolos dos Sábios de Sião, O Plano Cohen e o Caso Dreyfus. (Reinaldo Azevedo)

Esses moços, pobres moços...
Num ambiente diferente deste em que o sistema educacional brasileiro foi embretado e assaltado, Paulo Freire não seria escolhido como patrono da Educação nacional, nem professores assumiriam como expressão de seu status profissional o título de trabalhadores em Educação. Já naufragávamos nessas águas, em 2004, quando substancioso relatório da Unesco intitulado Perfil dos professores brasileiros, constatou que 72% dos nossos trabalhadores em educação assumiam como sua principal função formar cidadãos conscientes. Apenas 9% priorizavam proporcionar conhecimentos básicos e não mais de 8% sublinhavam a importância de formar para o trabalho. Noutro item da mesma pesquisa, 64,5% dos professores tinha consciência, em grau alto e muito alto, de exercer um papel político. Infelizmente, não se requer nova investigação para saber que de lá para cá, ao longo dos últimos 12 anos, também nisso a situação só se agravou.
O Edital que em 2014 abriu o processo de inscrição e seleção de livros didáticos a serem utilizados em 2016 (PNLD 2016) determinava que as obras que tratassem das Ciências Humanas e da Natureza deveriam, entre vários outros quesitos, visar à formação de cidadãos do século 21, prontos para lutar pela construção de uma sociedade mais justa, solidária, sem preconceitos e estereótipos. Lutar tem presença obrigatória em todos os objetivos pedagógicos nacionais. Então, poderíamos andar mais por estas lutas, analisando os engajamentos dos sindicatos de professores, a exibição e a ocultação de livros didáticos no mundo acadêmico, os compadrios ideológicos na seleção para cursos de mestrado e doutorado e por aí afora. No entanto, valendo-me do sonoro verso de Lupicínio, é sobre esses moços, pobres moços que andam por aí, invadindo escolas, que desejo escrever. Eles são os alvos vulneráveis desse sistemático ataque ideológico.
A sociedade brasileira acabou de reproduzir nas urnas o que, intensamente, manifestou antes nas ruas do país. E para onde se voltam os derrotados? A quem buscam para recompor seus efetivos de pessoal e seu mercado ideológico? Insidiosamente, valem-se da crise que geraram e promovem consumo ao seu catálogo de rótulos: neoliberalismo, desmonte, sucateamento, precarização, fascismo, golpe. E, com isso, mobilizam esses moços, pobres moços, para invadirem milhares escolas.
Numa lista de 65 países, os colegiais brasileiros na faixa etária dos invasores, ou seja, 15 anos, ocupam o 55º lugar no ranking de leitura, 58º no de matemática e 59º no de ciências. Malgrado tão fraco desempenho, apesar de submetidos aos métodos pedagógicos e programas em vigor, bem como a esses professores militantes, nunca foram vistos reclamando contra isso! Em compensação, suporá o leitor, se vão mal em português, matemática e ciências, a cidadania há de estar em muito boa forma. Lamento decepcioná-lo: quando a roubalheira promovida pelos corruptos chegou ao conhecimento de todos, os atuais invasores de escolas e seus tutores, se saíam às ruas, era para uma revolta de marionetes, denunciando um suposto golpe, chamando bandidos de heróis e condenando o juiz. Cidadania? Pois sim!
Não mais do que um punhado de alunos participa das invasões. Centenas de milhares ficaram prejudicados com a postergação de suas provas para o ENEM. É a democracia de tagarelice e a cidadania chapada, em que a minoria faz o que não deve e a maioria não faz o que deve. Afinal, o PCdoB obteve, nesta última eleição, votos correspondentes a 1,1% do eleitorado brasileiro (e nunca foi maior do que isso), mas comanda e se regala na UNE desde que eu era criança. E agora tome assento, leitor: a Defensoria Pública da União acaba de editar uma cartilha intitulada Garantia de direitos em ocupações de instituições de ensino, explicitando os direitos fundamentais que são exercidos e que devem ser respeitados no contexto das atuais mobilizações: a liberdade de expressão, a liberdade de reunião e a liberdade de associação (...) e o princípio constitucional da gestão democrática do ensino público. Te mete! (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor) 
Não é preciso entrar para a história para fazer um mundo melhor. (Mahatma Gandhi)

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