15 de nov de 2016

A dureza no Rio segue com Natal e Carnaval.

 photo opega_zps122v09fj.jpg • Deveria escrever ou até uma foto sobre 15 de novembro, mas até hoje, o que vi, li ou escrevi deixou a desejar. A tal de República está longe disso e daquilo; os que comandos se lixam. Portanto, direi mais noutra encarnação. (AA)
• Não é à toa que o Rio de Janeiro está afundado em uma crise financeira das mais feias. Segundo cálculos do economista Mauro Osório da UFRJ o estado gasta mais com o legislativo, de outros estados maiores do que o Rio, como Minas Gerais e São Paulo. O governo fluminense gasta R$ 76,88 por habitante, o mineiro R$ 55,64 e o paulista R$ 29,40; Governo do Rio recorre a bancos de SP em busca de alívio para crise financeira; Caixa Econômica autoriza servidor do Rio a negociar parcelas em atraso do financiamento imobiliário. 
• União deve perder R$ 7 bi com PIB mais fraco que o esperado. Governo e analistas têm revisado para baixo as projeções para o desempenho da economia brasileira. 
• Cármen Lúcia derruba liminar que suspendia aumento da contribuição previdenciária no Rio, ganho de causa ao governador Pezão no derrubar a liminar que impedia a Assembleia Legislativa do Rio. 
• Juiz decreta prisão de suspeitos de fraude no Enem. Esquema cobrava até R$ 180 mil para aprovar candidatos; investigação aponta vazamento do gabarito. 
• ANP encontra 16 milhões de litros de combustível adulterado em tanques de Shell, Ipiranga e BR; Petrobras estima que roubo da Odebrecht chegou a R$7 bilhões. Estimativa leva em conta obras e fornecimento à Petrobras. 
• Nem a véspera de feriado com Superlua no céu fez com que os apaixonados por aviação tirassem os olhos da pista do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. O motivo foi a passagem do maior avião do mundo pelo Brasil. O Antonov-225 levou centenas de pessoas às ruas próximas às pistas na esperança de ver o colosso voador. 
• Moro se irrita e manda PF excluir citação a Toffoli de relatório: afirmação leviana
• Deputado quer proibir transmissão de julgamentos do STF pela TV. Ideia é proteger identidade de quem ainda não foi condenado. 
• Xuxa já não esconde mais seu descontentamento com a Record. Desde que estreou na emissora a apresentadora não emplaca seu programa mesmo com diversas mudanças. O que vem se comentando, é que a eterna rainha dos baixinhos estaria pensando em assinar com o SBT. 
• Critério judicial, não meu! Alberto Youssef deixa a carceragem da Polícia Federal nesta quinta. Doleiro usará tornozeleira eletrônica em prisão domiciliar. 
• Hum... Onyx tira de medidas anticorrupção crime de responsabilidade de juízes e MP; Chefes de Poderes podem ficar fora CCJ do Senado pode votar na quarta fim do foro privilegiado para crime comum. 
O navio corre o risco de naufraga, diz Rachid a auditores sobre maior crise da Receita. 
• O presidente Michel Temer afirmou que uma eventual prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode prejudicar seu governo. Eu espero que, se houver acusações contra o ex-presidente, que elas sejam processadas com naturalidade, mas a prisão de Lula eu acho que causa problemas para o país. Porque haverá movimentos sociais, e isso pode criar uma instabilidade, afirmou em entrevista nesta segunda-feira à noite ao programa Roda Viva, da TV Cultura. 
• O que lhe resta... Defesa de Lula vai a Genebra falar mal da Justiça brasileira; PF apura se Odebrecht fez favor a Lula Ex-ministro diz que piscina fazia parte de reforma do Alvorada paga por consórcio. 
• Em guerra: As organizações trabalhistas Força Sindical e UGT - União Geral dos Trabalhadores estão em pé de guerra. Tudo isso a Força Sindical incluiu em seu quadro de sindicatos afiliados três grandes corporações que pertenciam a UGT. Com os novos afiliados a Força ganhará R$ 1,3 milhão à mais. Vale lembrar que as duas organizações quase se uniram no passado. 
• Fiba aponta falta de controle total; Calote ligado à Rio-2016 influenciou suspensão do basquete do Brasil. 
• Segundo organização. Brasil despenca em ranking de velocidade da internet 4G. 
• Executivo diz que Camargo Corrêa mandou proteger Lobão na Lava Jato. 
• Temer pode provar facilmente que não atuou na campanha de 2014. Vice de Dilma não era convidado para palanques ou debates. 
• BNDES aprova financiamento de R$ 474,7 milhões para a Light. 
• Executivos da Odebrecht contaram aos procurados da Lava Jato, que santo, era o codinome de Geraldo Alckmin. E os mesmos garantiam que ele recebeu cerca de R$ 2 milhões para a campanha de 2010. Quem comemorou a suposta denúncia foi a turma do Aécio.
• Após eleição de Trump, racismo ganha força e Michelle Obama é vítima de ataque. Primeira-dama foi comparada a um macaco de saltos altos comentário foi feito por duas figuras públicas: uma delas é prefeita de uma cidade nos EUA. 
• Ações contra mudança climática não vão parar, apesar de Trump, diz secretário-geral da ONU. 
• Donald Trump será impichado, diz guru que previu vitória nas eleições. 
• A vítima de estupro coletivo que cometeu suicídio após ser humilhada no WhatsApp. Quando uma mulher sofre estupro na Índia, não é raro que a culpa recaia sobre ela; vídeo mostrando o estupro começou a circular no aplicativo. 
• Plano britânico para o Brexit? Não há, diz documento vazado. O documento, preparado por um consultor para a primeira-ministra e seu gabinete, lança uma luz caótica sobre o alto escalão britânico. 
• Egito: Supremo Tribunal anula sentença de pena de morte de Mohammed Morsi. 
• EUA: Barack Obama inicia última viagem diplomática. 
• Merkel apoia Steinmeier na sua candidatura à presidência alemã. 

Se ele pode, eu também...
Quem anda feliz é o presidente do Senado, Renan Calheiros. Principal estímulo a que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se candidate a novo período, o senador alagoano passou a exercitar a lição tão comum na política brasileira: se ele pode, eu também... 
Ambos terminam seus períodos de comando na Câmara e no Senado. Maia, numa espécie de mandato-tampão, eleito para apenas completar o mandato que foi de Eduardo Cunha. Seu limite é fevereiro, quando a lei exige a eleição de um sucessor. Renan porque estoura seu tempo no mesmo mês. Presidiu o Senado e o Congresso inúmeras vezes, agora completa o prazo fatal.
Tanto um quanto outro lamentam a hora de esvaziar as gavetas. O deputado, porque tendo preenchido um terreno minado pelas armadilhas do hoje réu preso Eduardo Cunha, trouxe tranquilidade à Câmara. Ajustou-se às necessidades do governo Temer e comporta-se como parceiro ideal do palácio do Planalto. Se continuasse pelos próximos dois anos, evitaria montes de problemas com a instável base parlamentar do presidente da República.
Quanto a Renan, os motivos são diversos. Respondendo a doze processos no Supremo Tribunal Federal, vive sob o risco de condenações e até de perda de mandato. Por isso atua perigosamente em todos os temas polêmicos de interesse do Congresso, certo de que preenchendo os espaços à vista, afastará a sombra de incursões inusitadas ao seu futuro. O problema é que completará o tempo de sair do palco, podendo ficar ao sol e ao sereno, exposto a seus adversários.
Em condições normais de temperatura e de pressão, os dois presidentes retomariam seu convívio com as casas que dirigem sem maiores problemas. Rodrigo Maia naturalmente aguardando novas oportunidades, Renan Calheiros usufruindo sua experiência. Do jeito que as coisas vão, no entanto, arriscam-se a mergulhar na incerteza. Um de volta à árida planície, outro sob o risco de mergulhar nas profundezas.
Por isso lançam-se ambos à cata de pareceres e de juristas capazes de justificar as reeleições que a lei e os regimentos internos proíbem. Contam com uma distante simpatia do presidente Michel Temer e com consideráveis bancadas de seus partidos e afins. Resta esperar como desenvolverão suas estratégias. Tempo existe. (Carlos Chagas) 

Temer soou na TV como refém da banda podre.
A Presidência da República oferece àquele que a ocupa uma tribuna vitaminada. Algo que Theodore Roosevelt chamou de bully pulpit (púlpito formidável). De um bom presidente, espera-se que aproveite o palanque privilegiado para irradiar confiança e bons exemplos. Em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, exibida na noite passada, Michel Temer fez o oposto. Soou como um refém da banda podre da política. Deixou no ar a impressão de que seu apoio à Lava Jato é lorota. Alguma coisa nas palavras Temer dizia que seu governo pode não acabar bem.
Instado a afirmar o que pensa sobre a proposta de anistiar os políticos do crime de caixa dois, Temer subiu no muro. Esta é uma decisão do Congresso. E desceu do lado errado: Eu não posso interferir nisso. Convidado a se manifestar sobre projetos que saltam das gavetas em reação à Lava Jato, como a lei sobre abuso de autoridade, prioridade do multiinvestigado Renan Calheiros, Temer disse não acreditar que propostas do gênero atrapalhem as investigações.
Temer perdeu uma oportunidade para se vacinar contra o contágio dos micróbios do petrolão. Bastaria que aproveitasse o púlpito para brindar os telespectadores com uma declaração assim: Esclareço que o presidente da República também participa do processo legislativo. A Constituição me faculta o poder do veto. Assim, aviso aos apoiadores do governo: não aprovem nada que afronte a ética ou comprometa o trabalho da Procuradoria e do Judiciário. Para que os brasileiros durmam tranquilos, informo: se aprovarem, eu vetarei.
Noutro ponto da conversa, o entrevistado foi questionado sobre a situação de Lula, réu em três ações penais. Ao discorrer sobre a hipótese de prisão do ex-presidente, Temer insinuou que o melhor seria evitar. O que espero, e acho que seria útil ao país, é que, se houver acusações contra o ex-presidente Lula, que elas sejam processadas com naturalidade. Aí você me pergunta: Se Lula for preso causa problema para o país? Acho que causa. Haverá movimentos sociais. E toda vez que você tem um movimento de contestação a uma decisão do Judiciário, pode criar uma instabilidade. Ai, ai, ai…
Sempre que uma determinada decisão judicial irrita a cúpula do crime organizado, os chefões da bandidagem ordenam, de dentro das cadeias, que seus asseclas promovam manifestações como queima de ônibus e ataques a policiais. Nem por isso o Estado tem o direito de acovardar-se. Mal comparando, o caso de Lula segue a mesma lógica. O que deve nortear a sentença é o conteúdo dos autos.
Se o pajé do PT cometeu crimes, deve ser condenado. Dependendo da dosagem da pena, sua hospedagem compulsória no xadrez estará condicionada apenas à confirmação da sentença num julgamento de segunda instância. A plateia que retardou o sono para assistir à entrevista merecia ouvir do constitucionalista Michel Temer que não há movimento social ou instabilidade política que justifique o aviltamento do princípio segundo o qual todos são iguais perante a lei.
No tempo em que era o segundo de Dilma Rousseff, Temer se queixava de ser tratado como vice decorativo. Era como se a ex-rainha do PT o considerasse como um figurante - do tipo que aparece entre os mendigos, feirantes e o enorme elenco de etcéteras mencionados no final da relação dos papeis numa peça shakespeariana. Mesmo quando foi guindado à condição de articulador político do governo, Temer não deixou de ser o etc. do enredo. Compunha o fundo contra o qual se cumpria o destina trágico da rainha.
Agora que pode exercer em sua plenitude o papel de protagonista, Temer prefere morrer atropelado como um transeunte a entrar na briga do lado certo. Os supostos protagonistas de 2018 o tratam como uma espécie de interlúdio. Sua missão seria divertir o público enquanto o elenco principal troca de roupa. Mas Temer acha que tem potencial para ser a melhor coisa do espetáculo: Qual é meu sonho? O povo olhar pra mim e dizer: Esse sujeito aí colocou o Brasil nos trilhos. Não transformou na segunda economia do mundo, mas colocou nos trilhos.
A palavra do presidente é o seu atestado. Ou a plateia confia no que Temer diz ou se desespera. A suspeita de que as boas intenções de Temer não passam de um disfarce de alguém que não tem condições de se dissociar da banda podre leva ao ceticismo terminal. No desespero, um pedaço minoritário da sociedade acreditou que o país estivesse de volta aos trilhos. Houve mesmo quem enxergasse uma luz no fim do túnel. Mas entrevistas como a da noite passada revelam que talvez seja a luz da locomotiva da Lava Jato vindo na contramão. (Josias de Souza) 
Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos. (Nelson Rodrigues)

Nenhum comentário: