24 de set de 2016

Justiça e corrupção. Espera morosa…

 photo politicos45_zpsp5wdfve0.jpg • Postos de saúde em todo país abrem neste sábado para dia D de vacinação. Serão disponibilizadas diversas vacinas como as contra tuberculose, rotavírus, sarampo, rubéola, coqueluche, caxumba, e HPV. 
• STF autoriza investigação sobre delação de Sérgio Machado. Caberá ao procurador-geral da República decidir se novas apurações serão abertas a partir de depoimentos do ex-presidente da Transpetro na Lava Jato. Teori Zavascki decide fatiar delação de Sérgio Machado. 
• Reforma no ensino médio deve também mudar vestibulares. Expectativa é de que os processos seletivos acabarão sofrendo alguma mudança; Pouco democrática, afirma Ministério Público sobre reforma do ensino médio. Procuradoria dos Direitos do Cidadão critica reformulação por meio de medida provisória; Modelo é de difícil adoção, dizem especialistas. Extensão da mudança chega a surpreender educadores; há divisão sobre eficácia da flexibilização do ensino. 
• Reforma previdenciária exige mais 10 anos de contribuição. Proposta eleva de 15 para 25 anos tempo mínimo de contribuição para Previdência, obriga trabalhador a somar 45 anos ou mais para ter pensão integral. 
• STF dá aval a apuração preliminar de citação a Temer. Relator decide fatiar delação, e Procuradoria poderá pedir inquérito. 
• Sérgio Moro manda Presidência avaliar bens apreendidos de Lula. Juiz da Lava Jato deu prazo de 45 dias, prorrogável se necessário, para o órgão. 
• Um caminhão-tanque carregado com 45 mil litros de petróleo in natura foi apreendido ontem (23) pela Polícia Rodoviária Federal em uma abordagem na Rodovia Rio-Teresópolis (BR-116), em Magé, na região metropolitana do Rio de Janeiro. O motorista foi preso, suspeito de receptação, pois a carga era furtada de dutos da Refinaria Duque de Caxias (Reduc). Policiais rodoviários federais da delegacia de Magé abordavam veículos suspeitos na altura do km 122 quando decidiram parar um caminhão-tanque com placa de Minas Gerais. O motorista, de 46 anos, apresentou aos policiais uma nota fiscal da carga transportada, mas o documento era falso. 
• Mercado de trabalho encolhe pelo 17º mês seguido. País tem 34 mil vagas fechadas em agosto, segundo Caged. 
• Petrobras busca plataformas no exterior. Presidente da estatal, Pedro Parente, cita histórico de atrasos no país. 
• Máfia da Merenda: Delação liga Renan e ex-prefeito de Maceió a esquema de corrupção na merenda. Testemunha-bomba relata acerto de propina para Cícero Almeida. 
• Supremo julga na terça-feira denúncia contra Gleisi e Paulo Bernardo. Lewandowski participará do julgamento na segunda turma do STF. 
• Os investigadores da Lava Jato têm mais um caminho a trilhar. O ex-ministro Guido Mantega fez pressão para que o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, a Previ, investisse mais de R$ 800 milhões em 2012 num empreendimento imobiliário gigantesco da Odebrecht em São Paulo. O empenho de Mantega no assunto contribuiu para que a Previ voltasse a investir em imóveis depois de um mico bilionário: colocar dinheiro no complexo turístico da Costa do Sauípe, na Bahia. (R.Época) 

• Homem atira em loja de shopping e mata 5 nos EUA. 
• Novo escolhido de Israel para o Brasil volta a desagradar. Yossi Sheli, cujo nome vazou na mídia israelense, já foi condenado por fraude.
Brasil e EUA fracassaram em abolir a escravidão. Angela Davis, ex-panteras negras, diz que é preciso impedir eleição de Trump. 
• Família divulga vídeo de homem negro morto por policiais nos Estados Unidos. Keith Scott teria problemas mentais e estaria sob efeito de medicamentos quando foi abordado e morto a tiros por oficiais na Carolina do Norte.
• Facções da oposição expulsam regime sírio de vilarejo estratégico em Hama. 
• Ataque de militantes mata 12 pessoas em cidade do Iraque, dizem fontes. 
• Exército da Síria avança sobre Aleppo em grande ofensiva contra rebeldes. Novos bombardeios em Aleppo deixam pelo menos 32 mortos. 

Homenagem aos procuradores federais da Lava Jato.
Mais importante do que conhecer é reconhecer.
Sim, os fatos narrados na longa dissertação do procurador Deltan Dallagnol são ofensivos, são impróprios, são intoleráveis por toda consciência bem formada. Sim, foram duras aquelas palavras e podemos dizer como os discípulos a Jesus: Quem as pode ouvir?. Ora, se o cidadão comum se sente assim ao ver desvelada com crueza substantiva e adjetiva a ampla organização criminosa que saqueava o país, imagino o desconforto que as denúncias causam a quem vê exibida em público a face hedionda do objeto de sua devoção.
A entrevista ainda estava em curso e já começavam os protestos. Essas coisas não são feitas assim!, clamavam uns. O Ministério Público foi longe demais!, exaltavam-se outros. A acusação deve simplesmente anunciar que encaminhou a denúncia e jamais produzir libelos públicos!, professoravam certos escolados. Mesmo entre os que concordavam com a narrativa da acusação, havia quem reprovasse a contundência do discurso.
No entanto, quanta lógica na decisão que os procuradores da operação Lava Jato tomaram! E com quanta admiração ouvi e acolhi sua iniciativa! Há mais de dois anos, pondo em risco a própria segurança, no torvelinho da maior investigação criminal da história do país, eles combatem os poderes das trevas que atuam no topo da nossa ordem política, econômica e judiciária.
Contrariam interesses hegemônicos. Seus investigados têm, ao estalo dos dedos, todo o dinheiro de que possam necessitar para quanto lhes convenha e todas as facilidades para agir fora e acima da lei. Não bastasse isso, Dallagnol e seus colegas enfrentam, também, o carisma de Lula, as milícias de João Pedro Stédile, Guilherme Boulos e Vagner Freitas, e o escudo protetor que a prerrogativa de foro proporciona aos principais indiciados da operação.
Eles ouviram centenas de testemunhas. Setenta indiciados relataram seus crimes e informaram o que sabiam. Empilharam dezenas de milhares de provas, relatórios e documentos. A repetição das fórmulas evidenciou rotinas consolidadas ao longo dos anos. Os crimes eram revelados e confessados pelos beneficiários, pelos autores e por seus operadores. Bilhões de reais estão sendo devolvidos e reavidos.
O Brasil que não é comprado com depósitos na Suíça nem com pratos rasos de lentilha, louva a ação da Lava Jato e aplaude Sérgio Moro. Mas sabemos todos e sabem ainda melhor os procuradores que, assim como na italiana operação Mãos Limpas, o Congresso Nacional pode aprovar projetos que já tramitam e tornam inócuas suas apurações e denúncias. Sabem que seus inimigos agem no entorno e no interior do STF, dentro e fora do governo. Se o leitor entendeu, há de ter visto que estão aí, devidamente alinhadas, grossas fatias do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. E se entendeu completamente reconhecerá o imenso serviço que aquela coletiva prestou à Nação, com sacrifício e risco pessoal dos procuradores federais.
Não sei o que acontecerá nos próximos dias, mas quis escrever este artigo antes de o sabermos. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor)

A batalha da comunicação.
Virou moda, quando um governo vai mal, dizer que ele está perdendo a batalha da comunicação, tornando-se essencial mudar toda a estrutura que responde pelo setor. Em muitos casos, trata-se de chantagem: bicões e até partidos instalados ao redor do presidente da República, não conseguindo verbas de publicidade como desejariam, pressionam para a troca do ministro ou secretário por outro que lhes satisfaça as ambições. A argumentação é a mesma: não temos comunicação capaz de transmitir à opinião pública os resultados de nossos esforços. Quase sempre, o governo não tem o que apresentar, sendo as primeiras vítimas os encarregados da comunicação social.
Anunciam-se mudanças no governo Temer, com a convocação de um jornalista para a comunicação social. Mais um que vai para o sacrifício, porque milagres não poderá fazer.
Houve tempo em que a função de “comunicador-chefe” era abastecer a mídia de notícias. Desde que elas existissem, é claro.
O próximo
Salvou-se Guido Mantega de ser preso, mas de Curitiba chegam rumores sobre outros ex-ministros do PT estarem na alça de mira dos procuradores. Antônio Palloci seria um deles, por conta de sua passagem na Fazenda, com o Lula, e na Casa Civil, com Dilma.
No PT, continua a disposição de expor cada vez mais o ex-presidente, fazendo-o viajar pelos estados até o dia da eleição municipal. A vilegiatura não se interromperá, ainda que venha a arrefecer. O objetivo é fazê-lo desde já o candidato do partido em 2018, coisa que levará os demais concorrentes a se movimentarem. Entendem os companheiros ser essa a melhor estratégia para neutralizar os efeitos da Operação Lava Jato, capaz de atingir outros líderes do PT, desde que blindado o ex-presidente. (Carlos Chagas) 

A intimidade com as palavras de Luis Fernando Verissimo lhe permite esvaziá-las com graça.
Verissimo tem o dom de criar frases sem que nada falte ou sobre, o que faz com que até o pouco pareça muito. Penso em Luis Fernando Verissimo (completa 80 anos no fim de setembro) como alguém que leva às últimas a recomendação de José Carlos Oliveira: Palavra é sangue. Não se derrama
A frase do falecido cronista capixaba vem a propósito do escritor, mas também do desenhista de traço despojado, e mais, do próprio Verissimo, artista capaz, como poucos, de ir ao ponto com um mínimo de meios. Para quem espera jorros verbais, entrevistá-lo é experiência angustiante - mas posso atestar: o que ele diz, de tão desossado, já é texto pronto, sem carência de lipoaspiração vocabular. 
Verissimo por certo faria este texto usando menos palavras para dizer mais e melhor. Aí está uma de suas marcas mais poderosas, explicação para a força de uma obra que, embora feita no sufoco dos prazos jornalísticos, tantas vezes é capaz de atravessar o tempo sem rugas nem sépia. A musa, disse ele, é o deadline do jornal. E o capricho tanto vale para uma historinha bem-humorada como para o comentário grave. 
Faça a prova: tente cortar, no que o Verissimo escreve ou desenha, uma só vírgula, um só traço que esteja sobrando. Ou, ao contrário, acrescentar o que lhe pareça faltante. Parada torta. A menor coisa, ali, está em condições de justificar presença, provando ser indispensável. Quanto à substância, até o pouco rende muito. Nosso maior cronista, no ramo há quase meio século, é como um cozinheiro que, dispondo apenas de água e sal, faz uma bela bacalhoada. 
Que ninguém se deixe enganar pela aparente facilidade do texto do Verissimo. Trata-se de um mestre naquilo que o poeta Hélio Pellegrino chamou de a difícil arte de escrever fácil. E, claro, não chegou a tanto sem antes dominar as virtualidades da língua. Só assim pode um autor tomar liberdades para a criação literária. 
A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda, escreveu Verissimo em O Gigolô das Palavras. Mas certamente não é coisa para amadores. Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel, compara ele. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou com a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção de lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção.
A intimidade com as palavras, por outro lado, é que permite a Verissimo - essa fábrica de fazer humor, no dizer do cartunista Jaguar, mas também reflexão - aventurar-se, por exemplo, com enorme graça, na deliciosa brincadeira de esvaziá-las do sentido original, substituindo-o por algum mais adequado. Como quem procurasse uma ostra melhor para determinada concha. Falácia, por exemplo, a seu ver leva mais jeito de flor: um canteiro de falácias.
Proponho a você entrar na brincadeira e batalhar na garimpagem de significado mais exato para o superlativo veríssimo. Que tal um substantivo que dê a ideia de craque da palavra? (Humberto Werneck) 
É fácil trocar as palavras, Difícil é interpretar os silêncios! É fácil caminhar lado a lado, Difícil é saber como se encontrar! É fácil beijar o rosto, Difícil é chegar ao coração. (Fernando Pessoa)

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