16 de ago de 2016

Do outro lado das festas...

• Michel Temer não vai à cerimônia de encerramento. Presidente em exercício não queria se expor às vésperas da votação do impeachment de Dilma Rousseff. 
• Campanha para prefeito começa hoje com novas regras. Menor espaço na TV e fim de doações devem alterar o corpo a corpo; Acaba prazo para registro de candidaturas às eleições municipais. De acordo com dados parciais do TSE, maioria dos candidatos às eleições municipais de 2016 tem ensino médio completo e está na faixa etária de 40 a 49 anos. Cerca de 69% são homens e 31% são mulheres. 
• Comissão na Câmara discute afrouxar propostas de pacote anticorrupção levadas pelo MPF. Deputados querem alterar pontos centrais, como criminalização do caixa 2 e aumento da pena de corrupção. 
• Governo quer coibir acúmulo de benefícios da Previdência. Um terço dos 7,4 milhões de aposentados também recebe pensões por morte. 
• Ministros do Supremo fazem lobby em disputa para o CNJ. Lewandowski e Gilmar Mendes buscam votos de senadores que decidirão nome. 
• Encalhe no Fies: Sobra de vagas no programa de financiamento estudantil é má notícia na atual conjuntura do país. 
• BNDES muda política e promete perfil técnico em firmas. Banco diz que irá privilegiar conselheiro independente em indicações. 
• Desistências e vendas abatem lucro de construtoras. Nenhuma das empresas listadas na Bolsa viu ganho crescer no trimestre. 
• Brasil tem 88% dos casos de chikungunya das Américas. Doença transmitida pelo aedes deve sobrecarregar serviço de saúde no país. 
• Câmara descontou R$ 1,4 milhão por faltas de deputados. Levantamento do Congresso em Foco em parceria com Agência Pública mostra que, ao todo, 288 parlamentares tiveram, juntos, 1.368 abatimentos na folha de pagamento entre fevereiro e junho. 
• Deputados estudam flexibilizar pacote anticorrupção, diz jornal. Integrantes da comissão especial destinada a analisar o pacote das 10 medidas contra a corrupção estudam criar alternativas para ações consideradas polêmicas do projeto, como a criminalização do caixa dois e o aumento da pena para crime de corrupção.

• Trump pede alianças com países rivais contra EI. Em discurso sobre política externa, republicano acusa Obama de hesitar. 
• Crise leva venezuelanos ao garimpo, e malária ressurge. Médicos registram surto de doença e veem risco para vizinhos. 

A nação sobreviverá à decadência do estado? 
Nação é um conjunto de indivíduos que normalmente falam a mesma língua, habitam o mesmo território, possuem passado, cultura e costumes comuns, assim como um mesmo objetivo e, acima de tudo, dispõem da vontade de continuar juntos. Estado existe quando uma nação se organiza politicamente, adotando instituições capazes de gerir e ordenar a nação. Governo é o grupo de cidadãos que, pela força ou pelo consenso, dirigem o estado. Pais é o território de uma nação. Pátria, apenas uma projeção sentimental do conjunto.
Os rótulos, no entanto, não são mandamentos. De vez em quando enrolam-se e se atropelam, misturando-se e confundindo quantos imaginam exprimir a sua exegese uma ciência exata.
Vale referir que de quando em quando nos deparamos com nações que falam diversas línguas e mantém costumes diferentes, como a Rússia e a China. Existem nações que habitam territórios distintos e separados, como o Paquistão e Bangladesh, ou a Inglaterra e as Ilhas Malvinas, a França e o Suriname. Notam-se até nações sem território, como os judeus durante dois mil anos, antes da criação do estado de Israel. Também surgem nações divididas em dois estados, a exemplo das Coréias do Sul e do Norte e, até pouco, o Vietnã, a República Democrática da Alemanha e a República Federal da Alemanha.
Essas simples e mal alinhadas referências nos conduzem a uma pergunta crucial: será o Brasil uma nação, ou melhor, continuará sendo?
A mesma língua caminha para tornar-se uma ficção, porque um gaúcho posto no Nordeste faz-se entender com dificuldade. Pronúncia, conceitos, cultura e costumes continuam se afastando, apesar dos esforços das novelas da Rede Globo. Claro que existe um sentimento de unidade em todo o território nacional, por ação inicial do colonizador português. No empenho de ganhar dinheiro, os lusitanos realizaram esse milagre, ao tempo em que a América Espanhola fracionou-se em diversos estados e países. O passado, assim, costuma sinalizar as fraquezas de nossa formação, do Bequimão à Confederação do Equador e aos Farrapos até a predominância econômica e política de São Paulo, sem esquecer o sacrifício e a distância do Nordeste.
Tendo em vista a calamitosa situação em que nos encontramos pela existência de dois Brasis, o formal e o real, que não adianta negar, o risco é flagrante. Já que com a evidência de a pátria só aparecer nos desfiles militares e de o governo haver perdido a confiança e o respeito, conclui-se que o estado vem sendo posto em frangalhos. E a nação, sobreviverá? (Carlos Chagas) 

80 anos da Olimpíada de Berlim: propaganda e racismo!
• A decisão de atribuir os XI Jogos a Berlim foi tomada em 1931, ainda durante a República de Weimar e antes da ascensão do Partido Nacional Socialista (nazista) ao poder. A cidade favorita era Barcelona, mas a proclamação da II República Espanhola, a 14 de abril de 1931, dias antes da votação, assustou o Comitê Olímpico Internacional (COI). 
• Berlim era uma cidade em espera há pelo menos 20 anos. Recebeu os Jogos de 1916 que foram cancelados devido à I Guerra Mundial. Penalizada pelo seu papel no conflito, a Alemanha regressou ao convívio olímpico em 1928. Atribuir os Jogos de 1936 ao país era um passo no sentido da normalização da relação dos alemães com o COI e com o mundo. 
• Mas com a consagração de Adolf Hitler como chanceler alemão, a 30 de janeiro de 1933, aos poucos, foram-se revelando indícios de que a política não estaria ausente dos Jogos. Em 1934, Bruno Malitz, porta-voz nazista, condenou o desporto moderno por estar infestado de franceses, belgas, polacos e judeus negros. A 19 de agosto desse ano, um editorial da publicação Der Volkische Beobachter defendeu que os Jogos Olímpicos deviam ser exclusivos a atletas brancos.
• Para os novos governantes, o evento - e os Jogos de inverno, em Garmisch-Partenkirchen, que antecediam os de verão - seria um gigantesco palco de propaganda do Terceiro Reich e de demonstração da superioridade dos arianos, a raça pura, através das qualidades dos seus atletas. 
• O mundo ainda não testemunhara os horrores do Holocausto nem os assaltos territoriais do poder nazista, mas as suas políticas racistas já provocavam repulsa. Introduzidas a 15 de setembro de 1935, as Leis de Nuremberg impunham a xenofobia e o antissemitismo e confirmavam o estatuto sub-humano (untermensch) dos judeus. 
• Hitler procurava dissipar as dúvidas que cresciam e dava garantias de que atletas alemães judeus seriam autorizados a competir nos Jogos de Berlim, que a política não iria interferir e que o espírito olímpico seria respeitado. O regime nazista procurava mascarar as suas reais intenções, e desmentir que as suas políticas eram discriminatórias, mandando retirar das ruas os indícios de perseguição aos judeus e convocando atletas de ascendência judaica, como a esgrimista Helene Mayer. 
• Campeã olímpica em 1928, em Los Angeles, Helene tinha ficado vivendo nos EUA. Hitler pediu-lhe pessoalmente que regressasse à Alemanha para disputar a qualificação para os Jogos. Em Berlim, a esgrimista seria segunda, atrás da húngara Ilona Elek, igualmente judia. Helene competiu com a suástica no uniforme e fez a saudação nazista quando subiu ao pódio. 
• Outros atletas alemães judeus foram excluídos com o argumento de não pertencerem a clubes desportivos oficiais, apesar de terem obtido resultados que os qualificavam. Era o caso de Gretel Bergmann, detentora do recorde nacional do salto em altura, que as autoridades nazistas apagariam dos registos. Ela foi substituída por Dora Ratjen, que ficaria em quarto lugar e que, mais tarde, se descobriria ser… um homem. 
• Apesar das dúvidas e desconfianças que cresciam, o COI decide não retirar à Alemanha a organização dos Jogos. Nos Estados Unidos, um movimento apelando ao boicote, impulsionado pelo membro do COI Ernest Lee Jahncke, tinha cada vez mais apoio entre congressistas, clérigos de todas as confissões, jornalistas, artistas e escritores. 
• Duas posições esgrimiam argumentos: uns defendiam que participar seria apoiar as posições antissemitas de Hitler; outros diziam que havia que separar esporte da política. O próprio COI era equívoco em relação à chamada questão judaica. Os EUA acabariam por decidir participar nos Jogos de Berlim, após uma votação renhida. A política e o desporto não se podem misturar. A única oportunidade de sobrevivência do movimento olímpico é manter-se alheio da política, defendia Avery Brundage. 
• O estádio foi ampliado para poder receber 110 mil espectadores e a piscina 18 mil. O sistema de transportes dos atletas era eficiente e os equipamentos de contagem de tempos e de foto-finish eram os mais sofisticados alguma vez usados. Nas principais ruas de Berlim, havia grandes bandeiras com a suástica em abundância. Tudo em grande para impressionar os visitantes e quem assistia à distância - os Jogos de Berlim seriam os primeiros a serem transmitidos pela rádio e pela televisão. A grandeza dos Jogos - o sucesso do regime e o orgulho nacional do povo - seria documentada pela cineasta Leni Riefenstahl no filme Olympia (1938). Dividido em duas partes (Festival das Nações e Festa da Beleza) -, onde não faltam multidões sorridentes a desfrutarem do espetáculo. 
• A 2 de julho, Hitler declarou abertos os XI Jogos, numa cerimônia que mais se assemelhou a uma coroação. Na tribuna, acolitado por outras figuras sinistras do regime nazista, o Führer via 100 mil alemães esticarem o braço e ouvia-os gritar o fanático Heil Hitler. Perante aquele mar de suásticas, os atletas eram supostos saudarem Hitler. 
• No medalheiro, pela primeira vez na história dos Jogos, a Alemanha tomou o primeiro lugar aos EUA, conquistando 89 medalhas (33 de ouro), contra 56 dos norte-americanos (24 ouros). Entre os medalhados norte-americanos havia dez afro americanos, que conseguiram um total de oito ouros, quatro pratas e dois bronzes. Quatro medalhas de ouro (100m, 200m, estafeta 4x100m e salto em distância) foram ganhas pelo mesmo homem: o afro americano James Cleveland Owens (a alcunha JC, usada por familiares e amigos, seria confundida na escola com Jesse), que assim deitaria por terra as teses do nacional-socialismo alemão e o mito da superioridade ariana. 
• Nascido em 1913, no Alabama, este filho de agricultores e neto de escravos, o sétimo de onze irmãos, bateria em Berlim três recordes olímpicos e dois mundiais. Uma afronta para Hitler e todo o aparelho nazista. O presidente do COI, Baillet-Latour, fez saber a Hitler que, como convidado de honra, ou recebia todos os medalhados ou não recebia nenhum. 
• Os Jogos de Berlim teriam sido os de Jesse Owens em qualquer circunstância. Mas o regresso do atleta a casa seria amargo... Hitler não me desprezou - foi Franklin Delano Roosevelt quem me desprezou. O Presidente nem sequer me enviou um telegrama, diria o afro americano. Em campanha eleitoral para as presidenciais desse ano, Roosevelt negou-se a receber o atleta com receio de perder votos nos estados segregacionistas do sul. 
• Na Alemanha, Owens tinha partilhado alojamento com atletas brancos, enquanto em muitos hotéis nos EUA havia segregação. Apesar das medalhas ganhas, o atleta continuou a ter de entrar nos ônibus pela porta de trás e, quando de uma recepção em sua honra no Hotel Waldorf-Astoria, em Nova Iorque, teve de usar o elevador de serviço. 
• Os Jogos de Berlim foram os últimos realizados em vida de Pierre de Coubertin. Morreria a 2 de setembro de 1937, em Genebra. O seu coração foi sepultado em Olímpia num jazigo especialmente construído em sua honra. Não sobreviveria, pois, para ver, pela segunda vez, os Jogos serem derrotados pela política - duas edições seriam canceladas por causa da II Guerra Mundial. (Cesar Maia) 

A repetição das mentiras...
Frase de Goebbels - De todas as frases ditas e repetidas por Joseph Goebbels, quando ministro da Propaganda do governo Hitler, a mais famosa é aquela que diz: - De tanto se repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade-.
Mil vezes - Quando perguntado sobre o número ideal de repetições para fazer com que uma mentira se transforme numa verdade, Goebbels especificou dizendo: - Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. 
Dez vezes - Passadas algumas semanas, Goebbels percebeu que com um forte controle dos meios de comunicação não seria preciso repetir uma mentira mil vezes, mas apenas dez vezes, como provavam as estatísticas e estudos a respeito. Pronto: a partir daí, mesmo sabendo que não convenceria todos, Goebbels ficou satisfeito, pois sabia que mais de 90% dos alemães acreditariam em tudo que os jornais nazistas publicavam. 
Prática Goebbeliana - Pois, passados mais de 70 anos, a prática Goebbeliana continua valendo, notadamente nos países onde os povos são menos esclarecidos. Nestes, infelizmente, qualquer mentira pronunciada ganha status de verdade absoluta por grande parte do público, que não mostra o mínimo interesse em verificar a procedência do anúncio ou informação. 
Mais: para quem já foi contaminado pelo processo da repetição das mentiras, aí não tem jeito: nem mesmo repetindo um milhão de vezes uma verdade faz com que ela seja entendida como verdade verdadeira. Pode? 
Populismo - Se por outro lado já está provado que É possível enganar muita gente por muito tempo; poucos por algum tempo; e ninguém por todo o tempo , o fato é que dependendo do tempo em que o populismo ganhou adeptos, o estrago é muito grande. 
Atrofia mental - Aí o estrago não atinge apenas a economia, que sofre demasiadamente com as mentiras aplicadas ao longo do tempo. O maior estrago se verifica de forma brutal nas mentes do povo mal educado e informado, onde as mentiras ditas e repetidas várias vezes provocam uma forte atrofia cerebral, impedindo o desenvolvimento do raciocínio lógico.
O mundo da verdade - Este foi o ponto mais crucial a ser enfrentado depois da queda do fim da segunda guerra mundial e da queda do Muro de Berlim: milhões de cérebros estavam destruídos pelo populismo, impossibilitando a visão do mundo real, sem as mentiras vendidas pelo socialismo. O mundo, portanto, da verdade. (GSPires) 

E se eu fosse um professor-doutrinador?
Já perguntamos: E se eu fosse um terrorista muçulmano? O que eu apoiaria e que poderia beneficiar meus planos de, como citado anteriormente, estremecer o Ocidente?
Agora, levando em consideração os debates em torno da questão da ideologia em sala de aula, do projeto Escola Sem Partido e da polêmica que daí suscita, perguntemos: E se eu fosse um professor-doutrinador? O que eu poderia apoiar e criticar para que eu pudesse continuar execrando os EUA enquanto pinto a lousa de vermelho e estimulo um senso crítico direcionado? Pensemos, portanto, como um professor-doutrinador.
Se eu fosse um professor-doutrinador, seria, primeiramente, contra as ideias levantadas pelo projeto Escola Sem Partido, afinal, não poderia mais dizer que Che Guevara foi um herói e louvar Fidel Castro sem sofrer nenhuma consequência.
Se eu fosse um professor-doutrinador, diria, portanto, que não há doutrinação e que nossas aulas, onde nunca se cita nenhum autor liberal ou conservador, são livres e democráticas.
Se eu fosse um professor-doutrinador, negaria a todo custo que os regimes totalitários comunistas são comunistas. Diria, assim, que deturparam Marx e que a aplicação legítima das ideias comunistas teria efeito contrário, quer dizer, o mundo, com elas, seria harmonioso e sem estas desigualdades promovidas pela ganância neoliberal.
Se eu fosse um professor-doutrinador, diria que o debate de ideias é interessante, vendo, porém, naquele aluno liberal com conhecimento de causa, alguém que ainda não compreendeu o mundo como ele deve ser e, claro, como uma ameaça àquelas mentes ainda em formação.
Se eu fosse um professor-doutrinador, sabotaria a bibliografia dizendo que não há espaço para todos os autores, todavia, preencheria esse espaço com referências bibliográficas que não fizessem nenhuma crítica séria às minhas próprias convicções.
Se eu fosse um professor-doutrinador, não faria questão de ser um militante caricato, que vestisse camisas com fotos de Leon Trotsky ou coisas do tipo, dado que, como apontava Gramsci, a melhor forma de fazer isso é sorrateiramente.
Se eu fosse um professor-doutrinador, diria que o aluno liberal ou conservador é radical.
Se eu fosse um professor-doutrinador, diria que nunca vi doutrinação.
Se eu fosse um professor-doutrinador, acusaria colunistas e formadores de opinião liberais e conservadores de distorcer os fatos em favor da classe dominante.
Se eu fosse um professor-doutrinador e fosse acusado de doutrinador, diria estar sendo perseguido pelos defensores do ensino tradicional e, portanto, acrítico.
Se eu fosse um professor-doutrinador, alegaria, com todas as minhas forças, ser contra a doutrinação em sala de aula para ter mais chance de parecer neutro, a favor da liberdade intelectual e, assim, poder doutrinar de modo ainda mais eficaz.
Finalmente, se eu fosse um professor-doutrinador, eu não seria um professor. (Thiago Kistenmacher, estudante de História na Universidade Regional de Blumenau (FURB)) 
Assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida. (Mahatma Gandhi)

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