27 de ago de 2016

A novela no Senado. Enfadonha e ...

 photo redigir_zpst16ezorb.jpg • Rio terá apoio federal para sanear contas. 
• PGR pede fim de concessões de radiodifusão a políticos. 
• Impeachment deve ser votado segunda à noite. Votação poderá ser concluída até a madrugada de 3ª, no máximo. 
• Burrice infinita, hospício, canalha, desqualificado: as pérolas do 2º dia de julgamento. Pelo segundo dia consecutivo, o Senado protagonizou nesta sexta-feira (26) uma sessão de troca de ofensas entre parlamentares; Renan diz que intercedeu por Gleisi no Supremo como representante da instituição. Comunicado do presidente do Senado diz que instituição formalizou duas reclamações no STF sobre busca e apreensão no apartamento da parlamentar e do pedido de indiciamento dela pela PF, e não para fazer favores pessoais à parlamentar; Gleisi diz que nem ela tem moral para julgar impeachment de Dilma. 
• Professor Belluzzo afirma que Dilma cometeu despedalada em 2015. Arrolado inicialmente como testemunha da defesa, Belluzzo falou como informante por solicitação do advogado de Dilma Rousseff. O professor afirma que não houve crime de responsabilidade. Foi erro de política econômica, afirmou. 
• Réus, cassados e até condenado viram juízes no impeachment de Dilma. Chamados de verdadeiros juízes pelo presidente do STF no início do julgamento, adversários e apoiadores da petista colecionam problemas no próprio Supremo. Um em cada três senadores é alvo de investigação na mais alta corte do país. 
• PF indicia Lula e Marisa em processo sobre tríplex na Lava Jato. Protocolado na Justiça Federal, documento acusa citados por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. Também foram indiciados o ex-presidente da OAS, José Adelmario Pinheiro Filho; o arquiteto Paulo Gordilho e o presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto; Defesa de Lula diz que indiciamento sobre tríplex é peça de ficção. Advogados refutam acusações e avaliam que relatório elaborado por delegado da Polícia Federal tem caráter e conotação políticos. De acordo com relatório, Lula e Marisa receberam vantagens ilícitas da construtora OAS no valor de R$ 2,4 milhões. 
• Lula orienta Dilma para depoimento na reta final do impeachment. Ex-presidente vai a Brasília e reúne petistas para fazer uma avaliação de cenário e se certificar do estado de espírito da afilhada política. Participação de Lula aumenta expectativa sobre a fala da presidente afastada, que ainda não foi ao Congresso depois de aberto o processo. 
• Lula ordenou estratégia do insulto no Senado. A estratégia do insulto foi ordenada pelo ex-presidente Lula aos senadores aliados, no julgamento de Dilma, segundo revelou a esta coluna um senador do PT. A expressão o Senado não tem moral para cassar ninguém é do próprio Lula. Ele já não pretende reverter o impeachment, mas utilizar esses insultos no documentário Golpe, no qual o PT deposita sua esperança de salvação nas próximas eleições. A informação é do colunista Cláudio Humberto. 
• Após atrito com senadora, Renan sugere inclusão do crime de ingratidão no Código Penal. Ao comentar atrito com Gleisi Hoffmann pela manhã, presidente do Senado diz que senadores do PT foram ingratos e sugeriu, ironicamente, que o delito seja tipificado na legislação; Caiado vai denunciar Gleisi Hoffmann por corrupção de testemunha. Segundo o líder do DEM, ao contratar Esther Dweck para trabalhar em seu gabinete, Gleisi aliciou a testemunha. A petista nega e diz que ausência de testemunha é prejudicial ao processo. 
• Após ser solto por equívoco de órgãos de segurança, ex-presidente do PSDB-MG Nárcio Rodrigues é internado. Ele foi solto na sexta-feira da semana passada, após ter ficado preso por quase três meses suspeito de desvio de recursos na construção de um centro de pesquisa, em Frutal (MG). 
• Vítimas de Mariana ainda aguardam indenização. 
• Governo poderá contratar sem licitação novos projetos. Mudança em MP cria modalidade de contratação para futuras concessões. 
• STJ concede soltura de irlandês preso por cambismo na Olimpíada 
• Governo desloca Força Nacional da Rio-2016 para o RS. Agentes que estavam no Rio para Paraolimpíada serão remanejados. 

• Em meio a réplicas, Itália vela quase 300 mortos em terremoto. 
• Turismo de Miami já sente impactos do vírus da zika, diz consultoria. 
• Rejeitado, Trump acena a negros para ampliar eleitorado. • Banco Mundial e fundo contra a Aids vão investir US$ 24 bilhões em saúde na África. 
• Pós-tremor desafia região afetada na Itália. Em Áquila, atingida em 2009, 8.300 vivem em acomodações temporárias. 
• Justiça suspende veto ao burquíni em cidade na França. Decisão é provisória; prefeitos dizem que vão manter a proibição. 
• Homossexualidade de brasileiras mortas em Portugal que foram jogadas dentro de poço de hotel pode ter motivado crime. 
• Síria: barris de explosivos matam 15 civis e vários ficaram feridos neste sábado após o lançamento de dois barris de explosivos pelo regime sírio sobre um bairro rebelde da cidade dividida de Aleppo (norte). 
• Turquia autoriza uso do véu islâmico por policiais. 
• Polícia de Bangladesh diz ter matado líder de ataque a restaurante em Daca.
• Está nas mãos dos colombianos decidir se acordo com as Farc é preço justo a pagar pelo fim da guerra. 

A moda pode pegar.
Foi um triste espetáculo, a transformação do Senado num hospício. Melhor, porém, que tenha sido na segunda sessão do capítulo final da batalha do impeachment, não no final. Mesmo assim, não há certeza. Pelo menos, quando Dilma Rousseff for depor, segunda-feira, o grupo das galinhas cacarejantes e do galinho maluco não encontrará pretexto para tumultuar os trabalhos. Para Gleisi, Vanessa, Fátima e Lindbergh, entre outros, o objetivo será transformar Madame em vítima, ainda que Caiado, Renan, Magno e seus pimpolhos estejam preparados para inverter a equação.
O desempenho dos senadores na manhã de ontem, porém, foi uma fraude. Demonstrou que, se algum deus da baderna viesse a suprimir o Congresso de nossas instituições, o país inteiro aplaudiria. Com as exceções de sempre, o Senado suplantou a Câmara na encenação de uma das maiores pantomimas já verificada entre nós.
Será cobrada dos que maiores vexames ofereceram no funcionamento do Legislativo a punição da perda do mandato por qualquer Conselho de Ética. Não merecem representar o eleitorado e a federação.
Salvo inusitados, a tragédia aproxima-se do final. Dilma deve ser punida por permitir a ação da quadrilha que evoluiu a favor e contra ela.
Há quem imagine a possibilidade de Michel Temer não conseguir cumprir o anseio nacional de recuperação econômica, política e social. Tem gente preparada para apresentar em poucos dias seu pedido de afastamento. A moda pode pegar.
O ministro Ricardo Lewandowski obrigou-se a usar o Poder de Polícia na direção dos trabalhos, mas ficou na promessa. Bem que poderia ter determinado à Polícia Legislativa que conduzisse uns tantos senadores às celas certamente encontradas nos porões do palácio transformado em estabelecimento imoral. (Carlos Chagas) 

Torço para que Dilma examine as causas de sua queda.
Presidenta Dilma Rousseff, lembro-me, como todos, de sua promessa de abril: Se eu perder, estou fora do baralho. A derrota, sabemos, já aconteceu; o Senado apenas a oficializará. Torço para que, fora do baralho, examine as causas de sua queda.
Não culpe os outros (golpe das elites) ou as circunstâncias (crise internacional). Investigue seus erros, sobretudo um, que interessa ao futuro da convivência democrática no Brasil. Refiro-me ao sectarismo. Mais que às pedaladas fiscais ou ao escândalo na Petrobras, sua derrota final deve-se ao sectarismo.
O sectário, no sentido que aqui interessa, é o militante convicto, intolerante, de uma doutrina faccional. No fracasso de sua política econômica encontram-se as raízes do impeachment. Não lhe faltaram alertas: diversos economistas sérios avisaram que o voluntarismo estatal conduziria à inflação, ao déficit, à dívida, à erosão da produtividade e, finalmente, à depressão.
Sua resposta sistemática, e a dos seus, foi rotulá-los como agentes de interesses antipopulares: serviçais das altas finanças ou do imperialismo. Não teria sido apropriado enxergar aqueles economistas liberais como brasileiros tão bem-intencionados quanto os economistas desenvolvimentistas que a cercavam? Mas o sectário concentra-se nos motivos supostos, não nas ideias, dos que o criticam.
O sectário acalenta certezas fulgurantes, que acabam por cegá-lo: a divergência aparece a seus olhos como traição. Daí, num passo imperceptível, ele cruza o limite que separa o debate legítimo da difamação. Campanhas eleitorais são embates amargos, mas devem curvar-se a certas regras implícitas.
Recordo-lhe a peça publicitária de sua campanha que fazia de Marina Silva uma conspiradora associada aos banqueiros numa trama destinada a roubar a comida da mesa dos pobres. O castigo veio a galope, em sua peregrinação até o Bradesco para convidar Joaquim Levy a ocupar o cargo de czar econômico do governo. Sem o estelionato eleitoral, um espetáculo lancinante de desonestidade, não haveria impeachment.
Meu partido, certo ou errado!. O sectário presta lealdade à sua seita, mesmo à custa da deslealdade com as leis e com o conjunto dos cidadãos. Sua tentativa de transferir para o STF as investigações judiciais sobre Lula, por meio da nomeação do investigado à Casa Civil, definiu seu destino. O mandato terminou ali, quando os brasileiros concluíram que, transformando o Palácio em santuário de um poderoso político às voltas com um juiz, a chefe de Estado rebaixava-se à condição de chefe de facção.
Na saga da resistência ao impeachment, difundiu-se a célebre fotografia da jovem Dilma, em novembro de 1970, perante os juízes de um tribunal militar. A estratégia de marketing, que empolgou seus fiéis, investe numa reiteração (o impeachment como reprodução da perseguição política da ditadura) e numa permanência (a Dilma do presente como extensão da Dilma do passado).
A reiteração é farsesca, pois borra a cisão entre ditadura e democracia. A permanência é verdadeira, num duplo sentido: se a coragem de antes não desapareceu, perenizou-se também a chama sectária inerente aos militantes da luta armada. No fim, a tal fotografia ilumina retrospectivamente sua presidência por um ângulo imprevisto, invisível aos olhos dos marqueteiros.
O sectário atribui significados transcendentais a seus caprichos - e, se puder, impõe obediência geral a eles. A circular que obrigava seus subordinados a usar a palavra presidenta jamais serviu à causa dos direitos das mulheres, mas criou uma fronteira de linguagem entre a militância petista e os demais cidadãos.
Nunca a tratei assim, enquanto sua assinatura tinha o peso do poder. Hoje, faço a concessão. Presidenta Dilma, fora do baralho, esqueça Getúlio Vargas e Jango: pense nos seus erros. (Demétrio Magnoli)
Se não for capaz de avaliar a potência de seus sentimentos, você não poderá definir até que ponto esses sentimentos o estão influenciando. (Claude Steiner)

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