23 de abr de 2016

Credibilidade e Governabilidade, palavras da vez...

• Hoje é o Dia da Terra, especialmente criado para refletirmos sobre os cuidados com o nosso planeta. Este dia é tão importante que foi oficialmente reconhecido pela ONU pela importância da gestão dos recursos naturais da Terra, da educação ambiental e da participação conscientes e responsável dos cidadãos. 
• No impeachment, só 34 eleitos com os próprios votos. Na votação do último domingo, 477 dos 511 deputados votantes só chegaram à Câmara graças aos votos do partido, da coligação ou de colegas mais votados. Saiba quem se elegeu por conta própria. 
• Comissão do Senado: já são 27 os votos favoráveis ao impeachment de Dilma. 
• Projeto do senador Ricardo Ferraço garante banda larga ilimitada. 
• Na ONU, Dilma não falou em golpe, mas citou retrocesso. Em cinco minutos de discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), presidente falou de questões ambientais e disse que o povo brasileiro saberá impedir qualquer retrocesso; Parlamentares repercutem fala de Dilma na ONU; Cunha critica: Algoz da presidente no processo de impeachment, Eduardo Cunha criticou o discurso, que fala em ameaça de retrocesso. Já os senadores Jorge Viana e Ronaldo Caiado aprovaram o tom; Temer: país não merece agressão à Vice-Presidência. Nos EUA para reunião da ONU, Dilma volta a falar em golpe e sugere que instituições como o Mercosul analisem a questão do impeachment. Eles temem ser chamados de golpistas porque são golpistas, fustigou a presidente. 
• Lava Jato já conta com 65 acordos de delação premiada. 
• Réu na Lava Jato, Cunha é alvo de mais seis investigações na PGR, diz Janot. Em palestra para alunos brasileiros na Universidade de Cambridge, procurador informa que dois dos seis inquéritos diferentes contra o deputado devem rapidamente virar denúncias ao STF. 
• STF ordena quebra de sigilos do presidente do DEM. Ministro Luís Roberto Barroso atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República, que acusa o senador José Agripino Maia de envolvimento em fraudes nas obras da Copa de 2014. 
• Denúncia sobre sítio pode ser primeira acusação contra Lula na Lava Jato. Segundo investigadores, entre as frentes de apuração na operação, a que envolve a propriedade é a mais robusta. 
• Lula será denunciado como mandante do petróleo. Para denunciar Lula, a Lava Jato vai se valer dos depoimentos de Delcídio Amaral. 
• Delator cita Temer, Renan, Erenice e propina para campanha de Dilma. Preso desde setembro, dono da Engevix está prestes a firmar delação premiada na Lava Jato, informa Época, e diz que repasses foram feitos à campanha de Dilma em 2014. Amigo de Temer recebeu R$ 1 milhão para manter contrato, acrescenta a revista. 
• Delcídio pede que STF suspenda processo de cassação no Senado. Advogados alegam que Conselho de Ética cerceia o direito de defesa do senador, em regime domiciliar especial após ter sido preso na Lava Jato. Objetivo é impedir depoimento. 

Os últimos instantes.
O tempo chega para todos. Só por milagre a presidente Dilma escapará da degola pelo Senado. Terá tempo de sobra para lembrar-se do que fez e do que não fez. No caso, ficou seis anos desligada da população, julgando-se acima do bem e do mal, dona de todas as verdades, prepotente e tratando até seus ministros como serviçais. Nem se fala de seu relacionamento com o Congresso, que agora recupera o tempo perdido.
Ainda que numa reviravolta inesperada Madame conseguisse escapar da condenação dos senadores, não encontraria o que fazer até 2018. Nem ânimo para dar o braço a torcer, reconhecendo haver jogado o país no abismo. Continuaria imaginando-se plenamente certa em seus desatinos econômicos, políticos e administrativos. Se alguém errou, foi o povo.
Só as dezenas de infelizes que aceitaram ser seus ministros podem dar conta de todos os episódios onde foram humilhados, ofendidos e substituídos.
Dilma colhe o que plantou, talvez pela impossibilidade de ouvir, até mesmo o Lula. Está sendo dispensada por conta de sua empáfia. Faltou-lhe humildade para imaginar o governo como um time. Mesmo o PT foi tratado a ponta-pés.
Imagina-se o que fará quando tornar-se ex-presidente, coisa que não demora. Arrependimento parece longe de seus sentimentos. Tentar retornar ao lugar que não conseguiu ocupar, pior ainda. Há quem suponha vê-la escrevendo suas memórias. Será difícil encontrar quem a ajude, pelo risco a correr: Sua Majestade não precisa da colaboração de ninguém.
O retorno de Dilma dos Estados Unidos está previsto para amanhã. Terá sido essa sua derradeira viagem ao exterior, antes de caracterizado o impeachment. De seus encontros com Barack Obama, François Hollande e outros chefes de governo sobrarão constrangidas fotografias.
Fica o exemplo para futuros presidentes, a começar por Michel Temer. Ninguém sobrevive apoiado exclusivamente em sua própria força. (Carlos Chagas) 
Por que Dilma não luta aqui no Brasil? 
Múltiplas interpretações merece o substantivo golpe, desde tanques desfilando pela rua até corretores vendendo imóveis na areia de Copacabana. Mas longe de ser golpe é assistir deputados e senadores votando em seus plenários, conforme a Constituição.
A presidente Dilma bem que poderia ter suspendido sua viagem a Nova York, ou, pelo menos, tomado a decisão de não denunciar, naquela capital, a iminência de um golpe no Brasil. No caso, seu afastamento da chefia do governo é por haver infringido a lei. Deveria estar lutando por aqui.
Nenhum jurista americano, muito menos um jogador de baseball, ousaria censurar o seu Congresso por depor um presidente que contrariasse a lei. Muito menos concordariam se o personagem desembarcasse em Brasília denunciando a falência do regime vigente lá em cima.
Madame parece a última pessoa a dispor da prerrogativa de dizer-se golpeada. Primeiro, porque viaja na plenitude de seus poderes. Em vez de queixas e reclamações, deveria estar buscando soluções jurídicas e políticas para escapar da degola. Depois, porque a previsão de seu impeachment deve-se exclusivamente a ela. Tivesse dedicado a necessária atenção ao Congresso e não enfrentaria a rejeição de deputados e senadores.
Ao longo da história
Golpes, temos assistido muitos, ao longo de nossa História. Mas a deposição de Dilma parece ímpar. Positivamente, não cometeu crime algum. Não enriqueceu, como muitos de seus ministros. Apenas descuidou-se de governar conforme as exigências da população. Perdeu a confiança, se é que algum dia dela dispôs. Agora, vai ao estrangeiro fazer-se de vítima.
Com poucos dias de mandato pela frente, deveria estar lutando por ele. O diabo é serem tantas as evidências e denúncias de corrupção em seu governo que ninguém acredita que ela ignorasse o conjunto da obra. (Carlos Chagas)
Dilma e o desserviço da imprensa internacional.
Dilma insiste. Não conta com a confiança do mercado. Não conta com o respeito da sociedade. Não conta com o apoio do parlamento.
Dilma insiste em se manter no poder porque conta com a fidelidade da militância socialista que repete sistematicamente tudo o que a marquetagem do PT manda. A crise econômica foi causada pela oposição. É golpe o processo de impeachment descrito em lei, avalizado pelo STF, apoiado pela OAB, que tramitou por meses no congresso e que foi votado por deputados eleitos democraticamente em sessão transmitida pela televisão. Nem Dilma, nem o PT, nem sua militância têm vergonha na cara. Na guerra contra a verdade, Dilma ganha nova aliada: A imprensa internacional.
Até duas semanas atrás, o governo ignorava os prognósticos pessimistas que os principais jornais do mundo vinham fazendo sobre o Brasil enquanto a militância petista acusando-os de fazer parte de uma conspiração capitalista. No entanto, a grande mídia estrangeira parece ter se dado conta de que um governo de esquerda está prestes a cair. Não pode! Precisamos fazer alguma coisa para impedir isso!, consigo ouvir. O foco e a conotação das reportagens mudaram drasticamente. Agora, só se fala na imoralidade do congresso que julga a presidente. Dilma é apresentada como vítima.
Como já escrevi noutro artigo, uma das maiores e mais cretinas falácias é a que diz que a imprensa é de direita. Aos que dizem que a grande mídia é conservadora, pergunto: Qual grande jornal apoia, em editoriais, o porte de armas e se posiciona contra a liberdade sexual, contra o aborto e a imigração? Nenhum. Aos que dizem que a imprensa é liberal, faço outra pergunta: Qual grande jornal apoia a plena liberdade econômica, a privatização dos serviços públicos, o fim dos programas de cotas, de subsídios e de bem-estar social? Nenhum.
No Brasil, a Rede Globo é o mais escrachado exemplo com seus principais programas, as novelas, defendendo todos os dias a diversidade cultural, religiosa e sexual, romantizando a pobreza e vitimizando o criminoso pobre. No telejornalismo, a maior rede de comunicação do Brasil toma extremo cuidado ao tratar de partidos, movimentos e governos comunistas. Ninguém questiona o apoio do PT e do PSOL a Cuba. Sequer referem-se ao regime dos Castros como ditadura. Ninguém questiona o PCdoB por ele apoiar o governo genocida da Coreia do Norte.
A formação dos jornalistas embasa os fatos. O perfil dos professores, as bibliografias recomendadas, o viés das disciplinas, a abordagem dos temas e os engajamentos dos centros acadêmicos não deixam dúvidas de que todo jornalista é formado, sobre tudo, para ser um militante socialista. (João Cesar de Melo)

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