2 de jan de 2016

País na pindaíba...

• Sinal de educação: Comlurb recolhe 363,5 toneladas de lixo da orla de Copacabana.
• Ao povo só resta reclamar. Providências: gavetas. 
• Educação perde R$ 10,5 bilhões: Velocidade da internet no ensino público é 3% da ideal. Governo planeja melhorar situação, que afeta trabalho dos professores. 
• Dilma sanciona Orçamento e veta reajuste no Bolsa Família. Sanção saiu em edição extra do Diário Oficial da União na última quinta-feira (31). 
• Novo acordo ortográfico é obrigatório a partir de hoje no Brasil. Saiba mais 
• Pacote de dez medidas anticorrupção proposto pelo Ministério Público deve ser enviado até o meio do ano ao Congresso, quando alcançar 1,5 milhão, o mínimo para um projeto de iniciativa popular; projetos do MP endurecem pena para alguns crimes, como o de corrupção e de enriquecimento ilícito, permite maior celeridade no processo e facilita a recuperação de recursos desviados, entre outras soluções; principal defensor da iniciativa, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, destaca com frequência que, no Brasil, o sistema é cancerígeno; em artigo publicado neste final de ano, ele destacou, a favor do pacote, que uma assinatura vale mais do que mil reclamações
• Pátria Educadora: MEC tem corte de R$ 10,5 bilhões. Valor representa 10% do orçamento; greve, trocas de ministro e pagamentos atrasados marcaram o ano. Plano de alfabetização e currículo nacional são prioridade. 
• Rolamento de pedra deixa mais de 100 famílias desabrigadas no ES. Segundo a Prefeitura de Vila Velha, ao todo, são 392 pessoas desabrigadas. Sete famílias foram para o abrigo e as outras foram para casa de parentes. 
• Lideranças das três maiores centrais sindicais do País - CUT, Força Sindical e UGT - vinculam a manutenção de apoio ao governo a mudanças na política econômica, como o fim do ajuste fiscal, cuja continuidade foi promessa do novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. 
• Brasil perde importância em balanço de multinacionais. Desvalorização do real e a retração na demanda causaram queda da relevância. 
• Em 2016, fronteiras brasileiras estarão mais abertas aos refugiados estrangeiros. 
• O controle da dívida: Projeto que fixa limites de longo prazo para dívida do governo soa etéreo. 
• Hoje afinados, Temer e Cunha exibem estilos opostos. Agora aliados, vice e deputado nunca foram próximos e já trocaram críticas. 
• PF vê rombo de R$ 5 bi em fundo de pensão dos Correios. Irregularidades teriam ocorrido sob gestão de indicados de PMDB e PT. 
• Ministros do TCU inconformados com MP que remendou a Lei Anticorrupção. 
• Crédito e preços desafiam agronegócio neste ano. Influências vêm das incertezas políticas e econômicas e também do exterior.

• Obama tenta ações para limitar venda de armas. Em reunião com secretária de Justiça, presidente analisará opções para conter violência nos EUA. 
• A natureza vem dando mostras de suas forças. Faça a sua parte. Após 2015 de clima com extremos, cientistas fazem alerta para 2016. ONGs se preparam para devastação por El Niño em 2016. Veja
• Argentina, nova direção: Ações de Macri indicam desmonte de intervencionismo dos Kirchner. 
• Peru pode se tornar próximo país a dar guinada à direita. País vai às urnas em abril para decidir quem será o sucessor de Humala. 
• Homens armados atacam base aérea da Índia. Aviões de guerra e a base, próxima ao Paquistão, não sofreram danos. 
• Arábia Saudita executa 47 acusados de terrorismo. Entre eles está clérigo xiita que contestou o regime em protestos de 2011.
• Israel ataca 4 alvos do Hamas em Gaza após lançamento de foguetes. Alvos seriam instalações militares de treinamento. 
 
A necessidade de algum alento.
Na hipótese de a comissão especial ou o plenário da Câmara rejeitarem o pedido de impeachment da presidente Dilma, é provável que Madame inaugure senão um novo governo, ao menos uma outra fase de sua administração. A necessidade, primeiro, será de reordenar os partidos capazes de integrar essa nova etapa. Mesmo reduzidos, precisam estar dispostos a aderir a um programa de ação comum destinado a enfrentar os obstáculos à retomada do crescimento econômico. Pelo jeito, é nisso que trabalha o ministro Nelson Barbosa.
A primeira iniciativa seria combater o desemprego através do incentivo às obras do PAC. Do desvio das águas do rio São Francisco, hoje quase paralisado, ao incentivo à implantação de rodovias e ferrovias, faltam recursos, mas sobra potencial. As empreiteiras andam ociosas, ainda que agora vacinadas contra a corrupção e ávidas de estímulos oficiais. Não se negariam ao recrutamento de mão de obra, porque os planos já existem. Como dinheiro para financiamento, sempre será possível encontrá-lo nos estabelecimentos oficiais de crédito e nas empresas privadas. 
 A partir de obras públicas chega-se à ampliação do mercado de trabalho e da circulação da riqueza. Quem sabe até à redução de encargos fiscais. Pelo menos à sua interrupção.
Falta vontade política ao governo, como confiança aos meios privados, mas se for verdadeira a disposição do ministro da Fazenda, quem sabe? Do que precisamos é de estímulos. Para começar, é claro, torna-se necessário afastar a sombra da crise política inserida no impeachment. Coisa que depende da iniciativa da presidente Dilma, da união dos partidos da base em torno de um programa de ação parlamentar e de um pouco de otimismo. Essas considerações, escritas no primeiro dia de um ano novo, até que poderiam trazer algum alento, depois de um ano velho pleno de horrores. Será? (Carlos Chagas) 
 
Um ano despudorado. 
O bastidor virou ribalta, os atores se despiram e o público mal conseguiu prestar atenção.
Dois mil e quinze foi o ano em que a política perdeu o pudor. As estripulias de Eduardo Cunha na Câmara propiciaram cenas das mais explícitas já protagonizadas por um chefe de Poder, mas seria injusto dizer que esse jeito de escancarar o que antes era velado seja só dele. A prática se generalizou. O bastidor virou ribalta, os atores se despiram e o público mal conseguiu prestar atenção a todas as cenas nuas e cruas da nova coreografia política.
Foram tantos escândalos seguidos e superpostos que alguns dos episódios mais chocantes do ano nem tiveram tempo de serem digeridos. A fuga a la Brancaleone combinada pelo senador Delcídio Amaral com personagens da Lava Jato é tão fantástica que extrapola. A conversação flagrada na gravação jamais emplacaria num roteiro de ficção por ser inverossímil demais.
Deputados trocando tapas ao vivo na - onde mais? - Comissão de Ética, 36 pedidos de impeachment contra a presidente da República, dezenas de parlamentares arrolados na Lista do Janot, seis inquéritos no STF contra o presidente do Senado, pedido de afastamento do presidente da Câmara, centenas de mandatos contra figurões da República, detenção de banqueiro, condenação em série de empreiteiros, pacotes de dinheiro jogados pela janela.
Corriqueiramente a política brasileira é tachada de pornográfica e qualificada como obscena. Mas a comparação não é justa com a pornografia. A representação do comportamento sexual em vídeos, textos e fotos visa excitar quem os consome. Milhões pagavam para ver o que era proibido, escondido, pecaminoso. Ao virar padrão, a indústria pornográfica entrou em crise. A overdose grátis de sexo virtual matou a excitação. O pornô brochou.
A política brasileira nem chegou a ser excitante. Foi direto do falso moralismo para o sexo explícito em escala pós-industrial. Quando tudo é escandaloso, nada mais escandaliza. Daí a multiplicação de dois tipos de comportamentos opostos, mas complementares: o descrédito e a despolitização motivados pelo nojo, e a atitude de vale-tudo encorajada pelos exemplos repetidos que vêm das lideranças políticas da Nação.
É essa combinação que transforma um tuiteiro desengajado em assediador moral, ou que faz um militante de Facebook sair do sofá para agredir um idoso na rua só por ele ser petralha ou coxinha. Enclausurados em suas bolhas cognitivas que só fazem reforçar as respectivas taras e preconceitos, criam-se maníacos que consomem política como pornografia e se aliviam publicamente em manifestações de intolerância, ódio e negação do outro.
O despudor político torna-se, assim, pai da antipolítica. Meio sem querer querendo, pois a aversão reduz a concorrência. Quem vai querer se arriscar em um ambiente desses apenas por idealismo? Cada vez menos gente. Tão menos que virou um problema para os próprios políticos profissionais.
Ao mesmo tempo em que intumesce o número de partidos, murcham as filiações partidárias. Sem novos filiados nem doações de empresas não há libido para fazer campanha eleitoral. Foi um dos motivos pelos quais, no remendo em que se transformou a reforma política, o Congresso acabou com o prazo mínimo de um ano para o novo filiado poder disputar cargo eleitoral pelo partido.
Os anos anteriores às eleições municipais registram os picos de filiações partidárias. Foi assim em 2011, 2007 e 2003. O motivo é egoísta: o futuro candidato a prefeito ou vereador filia tantos amigos, familiares e conhecidos quanto pode para garantir seu nome na urna. Isso não rolou em 2015. Daí todos os partidos compartilharem o interesse de estender o prazo de filiação e ganharem tempo para levantar seus quadros.
Se 2015 foi despudorado, 2016 pode desbundar um ciclo político-partidário inaudito desde a redemocratização. Só não há garantia de que seja melhor do que os anteriores. (José Roberto de Toledo) 
A vida nos surpreende para nos ensinar a viver. Feliz daquele que aprende e evolui. Triste daquele que se fecha e acaba por regredir.

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