19 de out de 2015

Alguém já escreveu “que país é esse?”...

• Resgate busca vítimas soterradas após explosão em São Cristóvão. Forte explosão destrói mais de 40 imóveis em São Cristóvão. Acidente aconteceu por volta das 3 horas desta segunda-feira. Suspeita-se que vazamento de gás tenha provocado a explosão. Dois restaurantes, uma pizzaria, uma farmácia e ainda 11 quitinetes foram atingidas pela explosão; bombeiros suspeitam de vazamento de gás; sete feridos foram retirados dos escombros no local, levados ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio; o prefeito Eduardo Paes foi ao local e informou que não há risco de novas explosões apesar dos focos de incêndio. 
• Varejo diminui desconto, e remédios sobem ainda neste ano. Pressão de custos e alta do dólar antecipam reajustes, que costumam se concentrar em abril. Crise chegou ao setor de medicamentos em agosto. 
• Após aumentar juros, Caixa perde mercado de crédito habitacional e concorrentes avançam. Bancos médios disputam espaço da Caixa no setor imobiliário. Consórcio cresce com restrição ao crédito nos bancos. 
• Lava Jato: Em julho, PF apreendeu documentos no apartamento funcional do Senador Fernando Collor (PTB-AL). Investigações já envolvem mais de 60 políticos. Partido Progressista (PP) lidera com 31 acusados; PT e PMDB têm 12, cada um. 
• TCU pode cobrar R$ 40 bi do governo por pedaladas. Ministro Vital do Rêgo sinalizou que pode pautar o assunto na votação do tribunal do dia 28 de outubro; como o valor pode fazer explodir o déficit primário deste ano, agravando a situação da economia, e ainda servir de base para o pedido da oposição de impeachment de Dilma Rousseff, o Planalto cogita assinar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o TCU; ou paga tudo de uma vez ou quita o passivo em parcelas o que jogaria ainda mais peso sobre 2016. (Natuza Nery, colunista) 
• Dilma diverge do PT e diz que Levy fica na Fazenda. Presidente demonstrou impaciência na entrevista em Estocolmo, na Suécia, disse que Levy fica na Fazenda e diz que CPMF é crucial para o país. Em fórum na Suécia, ela defendeu ajuste fiscal e diz que Brasil é opção segura para investir na fala para empresários em evento. 
• Mercado financeiro piora previsão de retração do PIB para 3% no ano. Para inflação, aposta é de alta de 9,75%. 
• Crítica a hipocrisia do Brasil sobre a crise: Quem ouve a lástima de um brasileiro talvez acredite se tratar de um norueguês. Parece que o sujeito viveu séculos de bonança bruscamente interrompidos por um fenômeno estranho chamado pobreza, certamente inventado por um governo de esquerda, ironiza o humorista Gregorio Duvivier. 
• Mais uma antiga, de novo: CPI da Petrobrás acaba sem pedir indiciamentos. Relator da comissão, Luiz Sérgio (PT), não vai sugerir que o MP peça investigação de alvos das apurações. 
• Planalto teme protestos contra blindagem de Dilma. O Planalto não ficou inteiramente tranquilo com a decisão do Supremo Tribunal Federal que travou o impeachment, blindando a presidente Dilma do rito fixado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. No governo há o temor de que a liminar do ministro Teori Zavascki acirre os ânimos, no Congresso, e provoque a retomada de manifestações de rua, em razão da rejeição recorde a Dilma, apurado em pesquisas. 
• A CPI do BNDES acredita que nova rodada de quebra de sigilos de empresas mostrará irregularidades em pagamentos ao marqueteiro de Dilma, João Santana. Chegamos à lavagem de dinheiro na campanha do PT, avisou Alexandre Baldy (PSDB-GO), cheio de otimismo. 

• Israel prepara lei que permite prisão de criança com 12 anos. Homem confundido com palestino agressor é morto em Israel. Violência de palestinos em Israel é alimentada pelas redes sociais. Israel instala bloqueios em Jerusalém Oriental para tentar conter ataques. 
• Guerra de versões domina escalada de violência no Oriente Médio. 
• Discurso de ódio agrava crise na Europa. Medidas como cotas para refugiados não serão suficientes; bloco precisa enfrentar xenofobia. Merkel apoia adesão da Turquia à União Europeia. 
• Procuradoria alemã vai investigar suposto caixa 2 na Copa de 2006. Revista Der Spiegel relatou na sexta-feira que o comitê para a candidatura alemã usou um fundo de 6,7 milhões de euros para comprar votos na Fifa para a candidatura alemã em 2000; Iniciamos um processo de monitoramento, disse Nadja Niesen, porta-voz do escritório da procuradoria de Frankfurt. 
• China cresce 6,9% em pior resultado desde 2009. As autoridades chinesas atribuíram este rebaixamento no crescimento às crescentes pressões de baixa que enfrenta internamente o gigante asiático e a uma recuperação da economia global mais frágil do que a esperada; no trimestre que vai de julho a setembro, a economia da China aumentou seu arrefecimento e avançou a um ritmo menor do que o esperado pelo governo, que para este ano tinha traçado como objetivo que o Produto Interno Bruto (PIB) crescesse ao redor de 7% (o número que se alcançou durante a primeira metade de 2015). 
• Air France vai demitir mil funcionários em 2016. Medida faz parte do plano de reestruturação social da companhia aérea, segundo o presidente do Conselho de Administração do grupo Air France-KLM, Alexandre de Juniac; a expectativa é de que, ao todo, nos próximos dois anos, 2,9 mil trabalhadores sejam demitidos da empresa. 
• Candidata esfaqueada é eleita prefeita de Colônia. Henriette Reker, que foi esfaqueada no pescoço enquanto fazia campanha nesse sábado, 18, foi eleita neste domingo, 18, para a Prefeitura de Colônia, a quarta maior cidade da Alemanha; apoiada pelo partido da chanceler Angela Merkel (CDU), Reker obteve mais de 52% dos votos, segundo resultados publicados após a apuração de 75% dos votos; ela foi operada e seu estado é estável; o agressor, que se disse contrário à entrada de imigrantes na Alemanha, foi acusado de tentativa de assassinato e lesões graves a outras quatro pessoas, entre acompanhantes da candidata e cidadãos que estavam no local do ataque. 

O milagre de Janot - Em entrevista absurda, Dilma trata petrolão como coisa estranha a seu governo. 
. Querem saber? Eu lamento meu gosto por política. Estou aqui a pensar se não é um vício, como o Hollywood que eu fumo - contra o bom senso, contra os meus médicos, contra a minha família… Há coisas que são verdadeiramente insuportáveis, que podem fazer mal à saúde mental. E, se querem saber, com alguma frequência, a imprensa contribui para esse fastio.
. Dilma concedeu neste domingo uma entrevista em Estocolmo, na Suécia. Num dado momento, travou-se esta conversa surrealista com jornalistas brasileiros.
Jornalista - Presidente, o caso Eduardo Cunha repercutiu no mundo inteiro, foi notícia nos jornais do mundo inteiro. Isso não causa um certo constrangimento no governo brasileiro, embora seja o Poder Legislativo?
Dilma - (pequeno riso irônico) Seria estranho se causasse. Ele não integra o meu governo. Eu lamento que seja um brasileiro, se é isso que cê tá perguntando. Eu lamento que seja com um brasileiro.
Outro jornalista - Presidente, a senhora acha que é ruim para a imagem do país?
Dilma - Olha, eu não diria… Eu acho que se distingue perfeitamente no mundo o país de qualquer um dos seus integrantes. Nenhum país pode ser julgado por isso ou por aquilo: nem o Brasil, nem a Suécia nem os EUA. E não se julga assim. Acho que isso é pergunta bastante facciosa, cê me desculpe. Eu lamento que aconteça com um brasileiro, com um cidadão brasileiro.
. Vamos botar ordem nesta bagunça moral, corrigindo perguntas e respostas.
. Em primeiro lugar, mais do que as acusações contra Cunha, o que é notícia no mundo inteiro é a roubalheira existente no Brasil. O petrolão, mais do que o caso do presidente da Câmara, varreu a imprensa internacional e expôs a lama dos governos petistas. Pergunta óbvia: caberia a Dilma fazer digressões sobre o seu adversário político, ou sua obrigação moral seria falar sobre o seu próprio governo, nesse particular?
. A propósito, me digam: o que é mais prejudicial para a imagem do Brasil? Haver um presidente da Câmara com contas na Suíça ou o país ser assaltado por uma quadrilha, com óbvias conexões com o poder político de turno? Cada um pergunte o que quiser, mas convidar Dilma a fazer considerações sobre Cunha ou é infantilismo ou é uma forma de engajamento.
. E agora vamos refletir um pouco sobre as respostas. Aquela que era a presidente do Conselho da Petrobras à época da compra da refinaria de Pasadena; aquela que comanda o setor energético brasileiro desde 2003; aquela que nomeou Nestor Cerveró para a direção financeira da BR Distribuidora depois de ele ter deixado a estatal; aquela que passou boa parte da campanha eleitoral de 2014 sem reconhecer os descalabros na empresa, é esta senhora que vem a público dizer que Cunha não pertence a seu governo?
. Esperem! Cunha não pertence a seu governo, mas Edinho Silva pertence e é seu homem forte. Ele é acusado por Ricardo Pessoa, em delação premiada, de uma doce extorsão de R$ 10 milhões - R$ 7,5 milhões dos quais foram pagos. E teriam ido para a campanha de Dilma.
. Aloizio Mercadante pertence. Ele é acusado pelo mesmo Pessoa de ter recebido R$ 250 mil em dinheiro vivo, pelo caixa dois, para a campanha eleitoral de 2010. Edison Lobão pertenceu. É um dos investigados da operação. Delcídio Amaral (PT-MS) é seu líder no Senado e é acusado por Fernando Baiano de ter levado entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão de propina na compra da refinaria de Pasadena e de ter participado de outro conluio no aluguel de navios-sonda. O mesmo Baiano diz ter reservado R$ 2 milhões para uma nora de Lula em outra operação. E Lula é hoje o coordenador político de Dilma.
. Avilta a inteligência que esta senhora trate o petrolão como se fosse uma coisa estranha a seu governo. Eis aí, meus caros! Eis o grande milagre de Rodrigo Janot: contribuiu para que Dilma fingisse que o escândalo lhe é estranho - como se ela não tivesse sido, quando menos, omissa a respeito - e deu a setores da imprensa a desculpa moral para igual fingimento.
. Incrível! Até parecia que as contas de campanha daquela que dava entrevista não estão hoje sendo investigadas pela Polícia Federal e por um processo no TSE. Ambas as ações podem resultar na cassação do seu mandato porque com poder para lhe anular a diplomação em razão do eventual uso de dinheiro sujo da Petrobras na campanha.
. Mas lá estava Dilma, concedendo uma entrevista, falando como se fosse magistrada. E a própria imprensa lhe concedeu essa licença.
. Com a devida vênia, a boa pergunta seria outra: A senhora acha que o petrolão, que vigorou nos governos do PT, inclusive no seu, é ruim para a imagem do país?.
. O que lhes parece? (Reinaldo Azevedo)
Boas intenções também ardem no inferno.  
. Em discurso tão inflamado quanto lhe permite a dificuldade de expressão, a presidente Dilma justificou as pedaladas fiscais perante uma plateia amiga. O fato aconteceu no último dia 13, em São Bernardo do Campo, durante a abertura oficial do 1º Congresso Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores. Como tem feito nos últimos meses, saiu de casa para falar em casa. É o jeito de escapar das vaias.
. Disse a presidente que as pedaladas foram usadas para pagar o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, os dois maiores programas sociais do governo. Quer dizer, ela teria agido sob o manto das mais nobres intenções. E, apesar disso, concluo eu, os nove ministros golpistas do Tribunal de Contas da União lhe rejeitaram as compassivas contas. Esse discurso da presidente escamoteou pelo menos dois fatos.
. Primeiro, além de dar sumiço no dinheiro, deu sumiço no motivo pelo qual faltou dinheiro para aqueles programas. Refiro-me às irresponsáveis injeções de esteróide anabolizante que ela aplicou, como dopping, em outras ações do governo para dar-lhes musculatura financeira, multiplicar o número de beneficiários e trombeteá-las como medalhas de ouro durante a campanha eleitoral. O leitor destas linhas haverá de lembrar que Dilma e todos os candidatos da corte governista, eleitoralmente beneficiados com tal esbanjamento, percorreram o país discursando, à exaustão, sobre a prodigalidade oficial que se expressava, entre outros, nos programas FIES, Pronatec e Minha Casa Melhor. Com isso, empilharam votos e elegeram as numerosas bancadas que agora se veem às voltas com necessárias explicações que ditas boas intenções passam a exigir.
. Segundo, escamoteou algo que é óbvio perante toda consciência bem formada: a necessária compatibilidade moral entre os meios e os fins. Se lá na ponta da decisão de sair pedalando com os recursos públicos havia um fim bom (atender dois programas sociais para os quais os recursos haviam secado) e um melhor ainda (angariar votos para a presidente e seu partido), o meio usado para isso foi ilícito e contrário à norma constitucional. A manobra tornou-se ainda mais óbvia a partir do momento em que, obtido o resultado eleitoral, a tesoura se apresentou furando os inflados programas eleitoreiros de 2014 do mesmo modo como tentam fazer com os pixulecos em 2015. (Percival Puggina, membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor)

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