4 de mai de 2015

Conviver, eis uma questão...

FHC pede à sociedade que repudie ex-presidente Lula - Num duro e agressivo artigo, ex-presidente Fernando Henrique Cardoso volta as baterias contra seu maior desafeto: o também ex-presidente Lula; segundo FHC, o propinoduto da Petrobras é menor do que o que ele chama de asnoduto na companhia, dos projetos megalômanos e malfeitos; FHC pede força máxima na Lava Jato, mas não no esquema de Furnas em seu governo, denunciado pelo doleiro Alberto Youssef, e afirma que Lula é o maior responsável; Embora os diretores da Petrobras diretamente envolvidos na roubalheira devam ser penalizados, não foram eles os responsáveis maiores. Quem enganou o Brasil foi o lulopetismo. Lula mesmo encharcou as mãos de petróleo como arauto da falsa autossuficiência. E agora, José? Não há culpabilidade política?; no fim, pede que a sociedade repudie Lula, apontado por 50% dos brasileiros como o melhor presidente de todos os tempos. 

Então o que é mostrado é ou não já dinheiro público. Presidente da comissão especial criada para analisar a reforma política, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) acredita que, se a comissão, e depois o plenário, entenderem que precisamos fazer uma evolução no sistema político e não uma revolução no sistema, a reforma sairá; em entrevisa à jornalista Tereza Cruvinel, Maia diz ter certeza que o sistema do distritão poderá conter a pulverização de partidos e afirma que da noite para o dia não será possível eliminar as doações de empresas. Na ausência de uma cultura de doações de pessoas físicas, o eleitor dirá: você vem buscar meu voto e agora vem buscar meu dinheiro também?

Análise simples, objetiva e completa da situação: O impeachment silencioso. 
. Dilma Rousseff está numa armadilha, diagnosticou FHC à Folha (26/3). Ela não tem o que fazer. O que tinha, já fez: nomeou o Levy. E isso só aumenta a armadilha, porque agora ela não pode demitir. É refém dele. O diagnóstico está certo, mas ilumina só um terço do cenário. A presidente é refém, igualmente, do PMDB (de fato, do trio Renan Calheiros/Eduardo Cunha/Michel Temer) e do lulopetismo (de fato, de Lula e dos movimentos sociais que operam ao redor dele). Numa entrevista ao Estadão, Eduardo Graeff explicou que o governo Dilma chegou ao fim. É verdade: imobilizada na armadilha triangular, sem credibilidade nem capacidade de ação política (FHC), Dilma reduziu-se a uma assombração política (Graeff). Já aconteceu um impeachment tácito, informal.
. Levy é proprietário da credibilidade econômica. O ministro funciona como uma delgada película que separa a economia de um catastrófico rebaixamento pelas agências de rating. Dilma não pode demiti-lo, pois sem a promessa do ajuste fiscal que ele personifica, o país seria tragado no vórtice da fuga de capitais. Mas, como registrou FHC, a racionalidade econômica pura esmaga tudo - ainda mais, acrescente-se, quando essa racionalidade está contaminada pelo dogma ideológico do equilíbrio fiscal a qualquer custo. O ajuste sem reformas estruturais de Levy, complemento simétrico da farra fiscal de Mantega, não serve ao país, mas conserva no Planalto a assombração de uma presidente sem poder.
. O trio peemedebista é proprietário da maioria no Congresso, que hoje se forma pela oscilação do PMDB entre o governo e a oposição. Dilma não pode confrontá-los, pois eles empunham o sabre do impeachment formal e o fazem girar, sadicamente, em torno do pescoço da presidente. O jogo da chantagem, uma norma do nosso doentio presidencialismo de coalizão, atinge níveis agônicos. Os chefões do PMDB utilizam esse poder extraordinário em nome dos seus próprios interesses, desenhando a reforma política que lhes convêm e articulando com o governo os acordos de leniência destinados a resgatar as empreiteiras do petrolão.
. Lula, com seu cortejo de movimentos sociais (CUT, a UNE, o MST), é proprietário da sustentação partidária de Dilma. O candidato declarado às eleições de 2018 pode cortar, num momento conveniente, o tubo do regulador que ainda fornece ar comprimido ao fantasma do Planalto. Os andrajos da autonomia da presidente, que atendem pelos nomes de Aloizio Mercadante, Miguel Rossetto e Pepe Vargas, já foram descartados no cesto de roupa suja. Nas ruas, dia 31, repetindo o dia 13, o exército de Lula, força mercenária em declínio, não oferecerá um contraponto impossível às manifestações anti-Dilma, mas cobrará novos gestos de submissão da companheira. Eles exigem iniciativas simbólicas (e verbas publicitárias sonantes), destinadas a compensar a militância pelas dores do apoio ao ajuste fiscal.
. No presidencialismo, o chefe de Estado não pode tudo - mas tem o poder de determinar os rumos estratégicos do governo. A legitimidade emanada do voto popular é o ativo intangível que proporciona ao presidente o poder de contrariar interesses entranhados no sistema político. FHC confrontou o conjunto da elite política ao estabelecer a Lei de Responsabilidade Fiscal. No seu primeiro mandato, Lula confrontou o PT ao conservar o tripé da estabilidade macroeconômica herdado de seu antecessor. Capturada na teia da mentira, Dilma perdeu a legitimidade concedida pelos eleitores. Sem o rito da denúncia, processo e julgamento, a presidente sofreu um impeachment silencioso.
. Assombrado pela figura errante da presidente destituída, o Planalto está entregue ao triângulo de beneficiários do impeachment silencioso, que agem em direções diferentes, sob motivações distintas. O desgoverno não pode perdurar por quatro anos. (Demetrio Magnoli, FSPaulo) 
Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros. (Confúcio)

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