25 de dez de 2014

Entre paz e guerra, enigma...

É Natal...

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Em pleno clima.

Um momento reunidos, matando saudades, mesa cheia - se possível -, uma árvore em cores, monte de presentes abertos, os olhos de crianças e mais velhos brilhavam mais que as luzinhas, gritos e alegrias de que Papai Noel havia chegado.

Olhei por segundos em cada um e revi coisas do tempo, me senti triste e feliz ao mesmo tempo. Tios viúvos, parentes que vieram de longe (só se vê isso nos enterros), poucos amigos escolhidos e imagino os vizinhos debaixo já que o apartamento é grande.

Não sei não, a sensação era vívida da falta de muita gente. Sim, o tempo levou com doenças e idades. E senti lágrimas rolarem.

Acredito que eles estão em algum lugar e compartilham com a gente estes instantes.

A música de propaganda comer, comer.... logo veio à baila e tome de garfadas, facas e ânsias de esfomeados pelo que minha mãe e irmãs se puseram a cozinhar ou comprar. E mais ao lado havia outra mesa menor com comidas. Era para empanturrar

Em seguida o vai e vem tirando pratos e comidas e os doces chegaram. Ninguém segurava a criançada e alguns maiores deram pra lá nos açúcares e coisas tais. Era agora ou nunca.

Olhava como que tivesse o tempo a minha mercê, guardava tais quais outras passadas, os fluxos da renovação familiar.

Levantei e fui até a varanda. Edifícios, buzinaços, alegrias ecoando por todos os cantos. E me dei conta que em milhares de famílias nada daquilo existia. Uns sem abrigo, sob pontes ou casebres, pessoas que vinham trazendo pratos de comidas aos carentes, visões dos países em revoltas ou guerras.... ficou triste.

Saber-se assim e eles lá. Olhei pro céu e indaguei às estrelas: Vocês veem isso também? 

O nascer, viver e morrer é claro, mas por que das diferenças?

Minha crença é não ter nenhuma. Não me interrogo e cismando me vejo pobre, abandonado e sem o que comer, sob escombros, pronto para morrer numa bomba ou coisa parecida.

Não era filme, os sinais surgiam na tela daquela tv enorme da sala com festejos/revoltas, e eu ali inerte.

Tá, é Natal, uma data sei lá, comemorar, refletir, o ajuntar de pessoas... Que bom seria num maior salão da Terra mesas fartas, sons alegres e milhares ou todos mesclados tendo a paz de que precisam.

 Não é sonho, visão, apenas um refletir. (AAndrade)

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