26 de set de 2014

Aos que pagam para ver, se preparem...

 photo _abaixariapetista.jpg No colosso ferroviário sem trilhos da Bahia, só a gastança viaja em alta velocidade.

 photo _aferrovia.jpg Em março de 2010, depois da licitação do trecho baiano da Ferrovia Oeste-Leste, o governo festejou mais uma façanha do PAC2: em pouco mais de três anos, os municípios de Ilhéus e Barreiras estariam ligados por 1.022 quilômetros. Prevista para julho de 2013, a festa de inauguração ainda não desceu do palanque - nem descerá tão cedo. Estão prontos apenas 25% da obra administrada pela estatal Valec. Faltam três quartos. Em contrapartida, a gastança esbanja agilidade. Com os R$ 600 milhões em aditivos liberados no ano passado, os custos subiram para R$ 4,9 bilhões.

Como de praxe, a escalada orçamentária foi atribuída a revisões técnicas, mudanças no trajeto e deserções dos construtores - a OAS, a Mendes Júnior e a Convap desativaram os canteiros de obras sem maiores justificativas. Previsivelmente, a Valec tenta transferir parte da culpa para o Ibama, que exigiu o cumprimento das cláusulas ambientais, e do Tribunal de Contas da União, que continua cobrando o respeito à lei e ao que se combinou originalmente, além de contestar onerosas mudanças no projeto e nos contratos.

Entre os casos encobertos por sombras figura o trecho entre Caetité e Barreiras. Até que as contas fossem aprovadas parcialmente pelo TCU, as obras ficaram paralisadas por dois anos e meio. Isso mesmo: 30 meses foram jogados no lixo. E os 438 quilômetros não se livraram das suspeitas de superfaturamento.

Esses descarrilamentos ajudam a explicar as diferenças existentes entre os dois lotes do trecho baiano. No primeiro, que vai da costa até Caetité, só foram concluídos 47% dos 537 quilômetros. No segundo, até Barreiras, a porcentagem despenca para ínfimos 3%. Classificado com o selo preocupante no balanço divulgado em fevereiro de 2014, o traçado final foi promovido inexplicavelmente à categoria atenção no balanço de junho.

Só em agosto passado chegaram os primeiros trilhos da Fiol, o que empurrou para abril de 2016 a festa de inauguração. O prazo parece excessivamente otimista, avisam os sucessivos atrasos já registrados e a difícil relação entre as empreiteiras e a Valec. Ainda assim, mesmo depois de concluída, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste terá de esperar alguns anos para que tenha alguma utilidade.

Concebida para permitir o escoamento do que é produzido no interior da Bahia, a ferrovia só fará sentido quando estiver funcionando o complexo portuário de Ilhéus, que só existe no papel. Orçadas em R$5,6 bilhões, o começo das obras foi autorizado pelo Ibama, na semana passada, após quatro anos com a licença emperrada e agora tem término previsto apenas para 2019.

Não é pouca coisa. E não é tudo. Além do superporto, o colosso sobre trilhos só estará completo depois da conexão com a Ferrovia Norte-Sul, que não chegou sequer à etapa das maquetes. Quando virão ao menos os elementares estudos de viabilidade? Ninguém sabe. Mas o balanço do PAC2 garante que o o governo acompanha tudo com muita atenção. (Pedro Costa) 

Governo tenta evitar nova crise com o PMDB - Temer e Renan divulgaram nota de repúdio à ação da PF contra Lobão Filho. Ministério da Justiça determina apuração da busca feita pela PF em avião do senador e candidato a governador do Maranhão Lobão Filho (PMDB) para conter irritação da cúpula peemedebista, manifestada pelo vice-presidente Michel Temer.

Petrobras, grandes empreiteiras e alguns fornecedores arrastados pela Operação Lava Jato, mais depoimentos de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal e, certamente, também pela delação premiada do doleiro Alberto Youssef, não estão sozinhos no olho desse furacão. O braço direito da doleira Noelma Kodama, a Japa, Luccas Pace, que sabe tanto quanto ela e que igualmente aderiu a delação premiada, apontou e forneceu provas colocando bancos, públicos e privados, como supostos coniventes das operações de cambio da organização criminosa. A quadrilha, para quem não tem idéia, movimentava, em média, US$ 300 mil por dia.

Bancários rejeitam proposta e decidem entrar em greve no dia 30. Sindicatos dizem que reajuste de 7% é insuficiente.

Reforma Política - O procurador-geral da República Rodrigo Janot avalia que a Operação Lava Jato funcionará como um marco redentor no país. Sem revelar detalhes sobre as fraudes e roubalheiras já detectadas na Petrobras, ele disse a um grupo de parlamentares que as ações penais que estão por vir terão como subproduto inexorável a reforma do sistema político-eleitoral. O Congresso será compelido a fazer por pressão o que não faz por opção. Janot prepara o relatório que enviará ao ministro Teori Zavascki, do STF, recomendando a homologação do acordo de delação premiada com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Acomodados em 68 folhas, os depoimentos do delator chegaram às mãos do procurador-geral na última segunda-feira. Quem conhece o teor diz ser devastador. Expõe as entranhas do esquema de corrupção montado na maior estatal brasileira. 

Lula ultrapassa o limite da estupidez em comício em Santo André e desenvolve a teoria de que roubar banco é uma atividade que faz sentido… 

Dá para entender por que Dilma quer dialogar com cortadores de cabeças. Pois é… Volta e meia alguém indaga se não pego excessivamente no pé do PT e dos petistas. Isso me custa, sei disto, em certos nichos, a fama de radical. Radical? Eu? Na quarta-feira à noite, com a responsabilidade de quem já foi presidente da República por oito anos e é líder inconteste do maior partido do Brasil, Lula participou de um comício em Santo André, no ABC paulista, em defesa da candidatura do petista Alexandre Padilha ao governo de São Paulo.

Num dado momento, com a irresponsabilidade que o caracteriza, o chefão do PT resolveu criticar a segurança pública no Estado, especialmente o elevado número de assaltos. E afirmou o seguinte: Eu, antigamente via: bandido roubou um banco. Eu ficava preocupado, mas falava: Pô, roubar um banqueiro… O banqueiro tem tanto que um pouquinho não faz falta. Afinal de contas, as pessoas falavam: Quem rouba mesmo é banqueiro, que ganha às custas do povo, com os juros. Eu ficava preocupado. [...] Era chato, mas era… sabe?, alguém roubando rico.

Como se nota, para Lula, sempre que um rico - ou alguém que o PT considera rico - é roubado, está-se diante de alguma forma de justiça. Para este senhor, o roubo é uma espécie de distribuição de renda. Vai ver é por isso que a Petrobras, sob a gestão do PT, é o que é. Vai ver é por isso que, sob a governança do partido, a roubalheira de dinheiro público assumiu proporções pantagruélicas. O irresponsável se esquece de que bancos pagam seguro contra roubos e, obviamente, diluem essa despesa nas taxas que cobram dos correntistas. Assim, não são os banqueiros que pagam. Mas que se note: ainda que fossem, o roubo continuaria a ser um crime. Não para esse gigante moral!

A fala, é evidente, faz parte do pacote petista de demonização dos bancos. O partido decidiu que só conseguirá mais um mandato se transformar os banqueiros nos grandes vilões do Brasil.

Em seguida, Lula lamentou que os assaltantes estivessem também roubando cidadãos comuns, os pobres. E afirmou: Essa semana, a Joana, que trabalha comigo, é irmã da Marisa [referia-se à sua própria mulher], na frente do hospital perto de casa (…), oito horas da manhã, o cara encostou um negócio nas costas dela e falou: É um assalto, eu tô armado. Continua andando normalmente, me dá o celular e me dá o seu dinheiro. A coitada teve que dar sessenta reais pro ladrão…

Esse monstro moral deixava claro, então, que feio mesmo é roubar pobre. Mas observem: em nenhum momento ele culpou ou censurou os ladrões. Longe disso! Para Lula, o culpado por haver assaltos é o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, que deve ser reeleito no primeiro turno. Padilha, o candidato do PT, está em terceiro lugar nas pesquisas. O Babalorixá de Banânia foi adiante: Se o Alckmin não tem competência pra fazer as coisas que o governador tem que fazer, nós temos que dizer pra ele: Alckmin, você já está há muito tempo aí. Saia. E deixa o jovem Padilha governar esse Estado para as coisas começarem a melhorar.

É mesmo? Eu gosto de números. Há duas bases de dados para a gente analisar a questão: o Anuário de Segurança Pública e o Mapa da Violência. Os petistas estão no poder na Bahia, em Sergipe, no Distrito Federal, no Acre e no Rio Grande do Sul. Se são tão sabidos, como diz Lula, a segurança nesses Estados deveria ser exemplar, certo? Neste momento, há 10,23 homicídios por 100 mil habitantes no Estado de São Paulo e 9,81 na capital. São os números mais baixos do país. A ONU considera que a violência deixa de ser epidêmica quando essa taxa cai abaixo de 10.

Segundo o Anuário, em 2012, houve 24,2 assassinatos por 100 mil habitantes no Acre, 40,7 na Bahia, 40 em Sergipe, 32,1 no Distrito Federal, 19,8 no Rio Grande do Sul e apenas 12,4 em São Paulo. Entenderam? A chance de alguém morrer assassinado na Bahia ou no Sergipe petistas, em comparação com São Paulo, é maior do que o triplo, é quase o triplo no Distrito Federal, é o dobro no Acre e 60% maior no Rio Grande do Sul. Vale dizer: os baianos, sergipanos, brasilienses, acrianos e gaúchos que moram em São Paulo estão mais seguros do que os que ficaram em seus respectivos Estados. E olhem que esses são números de 2012. Em 2014, caiu a taxa de homicídios em São Paulo.

Lula, no entanto, acha que os petistas podem dar aula de segurança pública. É evidente que o poderoso chefão estava apenas fazendo fuleiragem eleitoral. Mesmo assim, é preciso lamentar. Um dos mais importantes líderes políticos do país, gostemos ou não disso, afirmou, no alto de um palanque, que assaltar um banco, afinal de contas, não é coisa assim tão grave e é um ato que até faz sentido.

Dá para compreender por que Dilma Rousseff, na ONU, pregou o diálogo com terroristas que degolam, massacram e estupram e vendem mulheres. Ela vem de uma boa escola, não é mesmo? (Reinaldo Azevedo) 
Dilma exibe a face mais bárbara do lulopetismo
Alinhar-se à escória de tiranetes latino-americanos, inspiradores do petismo, é uma coisa. Defender diálogo com bárbaros assassinos, é outra. Pergunta o ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia: como dialogar com um bando de facínoras radicais?
A presidente Dilma está levando seu pendor ideológico longe demais quando se trata de fazer política externa. Simpatizar com o populismo exacerbado de Cristina, que está levando a Argentina à ruína e ao isolamento internacional, é uma coisa. Acarinhar e proteger Nicolás Maduro, que já levou a Venezuela ao infeliz título de país mais mal gerido do mundo, é também um absurdo. Mas defender os bárbaros do Estado Islâmico (EI) ou do Khorasan contra os ataques americanos já é demais. Como ela consegue fazer isso?
Falando do pódio mais prestigioso do mundo, o da ONU, Dilma condenou os ataques aéreos às instalações militares do EI, do Khorasan e da al-Qaeda afirmando que lamenta os ataques. Alegou que o Brasil sempre vai acreditar que a melhor forma é o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU, o que é verdade indiscutível. Porém, como dirá qualquer professor de direito internacional, nada disso se aplica a forças como o EI, a al-Qaeda, o Khorasan ou qualquer outro grupo não estatal que preconize a violência, a morte e a destruição dos que não lhe são afins. Pode-se ter um diálogo construtivo com uma milícia armada de um morro carioca, com a gangue Salvatrucha, na América Central, ou com a máfia siciliana?
A pergunta que não quer calar é: como dialogar com um bando de facínoras radicais, vestidos de negro e encapuzados, que postam vídeos cortando cabeças de jornalistas com um punhal e fazendo discursos ameaçadores? Os militantes islâmicos não constituem um Estado, um ator legítimo na cena internacional, são um bando de criminosos irregulares e altamente perigosos. Existe a menor chance de diálogo ou acordo com essa gente que não resulte da força? A ONU, que mal consegue se interpor entre estados em conflito, tem alguma vaguíssima possibilidade de atuar decisivamente no caso? As respostas são tão óbvias que nem requerem explicações maiores.
Os casos em que Dilma pretende encontrar paralelos são completamente diferentes. No Iraque, George Bush queria ingenuamente derrubar o presidente do país, Saddam Hussein, para implantar uma democracia. A intervenção foi um desastre, como se sabe. Na Líbia (onde não houve intervenção direta americana, e sim francesa e inglesa), a finalidade era derrubar Muamar Kadafi. O resultado foi também lamentável porque o país é hoje uma verdeira anarquia. A Faixa de Gaza, onde tampouco houve participação americana, foi um massacre, sem dúvida, mas também uma reação israelense contra uma organização terrorista, o Hamas, que ataca Israel e na prática mantém a infeliz população de Gaza refém de suas intenções belicistas e sujeita às represálias de Israel.
O fato é que a presidente do Brasil foi mais categórica na condenação às ações militares contra os facínoras islâmicos do que qualquer outro país, exceto Cuba e Venezuela. Com isto, certamente, a imagem internacional do Brasil foi afetada e as chances de entrada no Conselho de Segurança reduzidas definitivamente a zero. Ainda que a simpatia de Caracas, Havana e dos radicais islâmicos pelo Brasil tenha aumentado - uma vantagem altamente duvidosa - o tradicional capital de credibilidade, confiabilidade e equilíbrio nas ações diplomáticas de que o Brasil desfrutava e que vinham desde sendo nossa marca, desde o Barão do Rio Branco, está sendo dilapidado. A intervenção da ONU marcou mais um degrau na ideologização e na radicalização da política externa brasileira. É muito pouco provável que isto traga qualquer tipo de benefício para o Brasil, pelo contrário. (O Globo)
"Não há como se desvencilhar do nascer e do morrer, a única alternativa é desfrutar muito bem do intervalo".

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