Sutilmente,
mas já mostrando nítidos contornos de um percurso sonhado e desejado pelo atual Sistema de Poder que comanda
o País, vemos, aqui e ali, sinais cada
vez mais frequentes de que a Censura começa a dar seus primeiros passos, para se instalar novamente
por aqui.... Sem armas, sem leis, sem proibições
claras, mas com um indisfarçável apetite, são várias as “ocorrências proibitivas” que tem aparecido,
nos três Poderes da República....
Enquadramento
de nossa Educação que, a cada dia mais, proíbe os professores de tratar temas que
não são bem vistos pelos donos do Poder,
castração de formas de expressão e
de comportamentos diferenciados que não
se enquadram dentro do “padrão tradicional”, desejado pela rigidez ético/religiosa dominante, proibição,
pelo STF, de ações fiscalizadoras e denunciadoras, feitas por Órgãos Técnicos,
em relação a desvios de políticos
e autoridades, sustação, também pelo STF, de processos já em
fase adiantada de apuração e que apontam para
figurões da República....
O
propalado “combate à corrupção”, tão utilizado e tão agigantado na campanha do
atual presidente, vem sofrendo de asfixia, sem dúvida alguma, nas asas desse Inconcebível
mecanismo que se chama “Censura” !....
Nessa
linha, vejam o impensável e surpreendente episódio abaixo, envolvendo a “Revista VEJA” e seu mais icônico
colunista, JR GUZZO:
Como
todos sabem, Jr Guzzo é um dos maiores jornalistas existentes neste País, atuou
na Revista VEJA desde seu primeiro número, em 1968, portanto, há mais de 50 anos! Desde 2008, mantinha
um texto
quinzenal, abordando os mais variados
e complexos temas, de modo adequado,
apropriado, construtivo e, muitas vezes, denunciador... Pode-se, até, discordar
de algumas de suas opiniões, mas, jamais, de sua competência e de sua positiva
contribuição para o debate no País!
Pois
bem: na Edição de VEJA de 16/10/2019, seu texto sobre o atual STF, não foi publicado pela
Revista!... Nele, Jr Guzzo, entre outras coisas, nos mostrava
que “somente o calendário”, poderia salvar
e melhorar o atual STF! Isto é, o calendário,
o tempo, os anos, iriam aos poucos substituindo
esses atuais Ministros e, quem sabe, lá na frente, teríamos outro colegiado,
certamente melhor que o atual, vez que,
dificilmente, poderiam aparecer
outros Ministros, piores que os
atuais!....
A
Revista VEJA “censurou” o texto e não quis
publicá-lo, evidentemente, usando um direito seu de publicar somente aquilo que
deseja!.... Mas é um sintoma!.....
Não
existem LIBERDADE nem DEMOCRACIA,
com Censura! E nossa Liberdade e nossa Democracia estão correndo sério risco de
se apagarem, com esse
atual sinalizador de afago à Censura, que vem sendo cultivado pelo governo central e pelos
demais Poderes!
Que
Deus nos
proteja. (Márcio Dayrell Batitucci)
ooo0ooo
Comunicado do JR
GUZZO, sobre o
episódio acima:
“Caros amigos
“Caros amigos
Desde
ontem, 15/10/19, não sou mais colaborador da revista “Veja”, na qual entrei em
1968, quando da sua fundação, e onde mantinha uma coluna quinzenal desde
fevereiro de 2008. A primeira foi publicada na edição de 13/02/2008. A partir
daí a coluna não deixou de sair em nenhuma das quinzenas para as quais estava
programada.
Na
última edição, com data de 16/10/19, a revista decidiu não publicar a coluna
que eu havia escrito. O artigo era sobre o STF, e sustentava, como ponto
central, que só o calendário poderia melhorar a qualidade do tribunal - já que,
com a passagem do tempo, cada um dos 11 ministros completaria os 75 anos de
idade e teria de ir para casa. Supondo-se que será impossível nomear ministros
piores que os destinados a sair nos próximos três ou quatro anos, a coluna
chegava à conclusão que o STF tende a melhorar.
A
liberdade de imprensa tem duas mãos. Em uma delas, qualquer cidadão é livre
para escrever o que quiser. Na outra, nenhum veículo tem a obrigação de
publicar o que não quer. Ao recusar a publicação da coluna mencionada acima,
“Veja” exerceu o seu direito de não levar a público algo que não quer ver
impresso em suas páginas. A partir daí, em todo caso, o prosseguimento da
colaboração ficou inviável.
Ouvimos,
desde crianças, que não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe.
Espero que esta coluna tenha sido um bem que não durou, e não um mal que enfim
acabou.
Muito
obrigado.”
Texto vetado e
censurado pela VEJA e que motivou a saída de Guzzo do quadro de articulistas.
A fila anda... (J.R. Guzzo)
ooo0ooo
“Um
dos grandes amigos do Brasil e dos brasileiros de hoje é o calendário. Só ele,
e mais nenhum outro instrumento à disposição da República, pode resolver um
problema que jamais deveria ter se transformado em problema, pois sua função é
justamente resolver problemas – o Supremo Tribunal Federal.
O
STF deu um cavalo de pau nos seus deveres e, com isso, conseguiu promover a si
próprio à condição de calamidade pública, como essas que são trazidas por
enchentes, vendavais ou terremotos de primeira linha. Aberrações malignas da
natureza, como todo mundo sabe, podem ser resolvidas pela ação do Corpo de
Bombeiros e demais serviços de salvamento.
Mas
o STF é outro bicho. Ali a chuva não para de cair, o vento não para de soprar e
a terra não para de tremer – não enquanto os indivíduos que fabricam essas
desgraças continuarem em ação.
Eles
são os onze ministros que formam a nossa “corte suprema”, e não podem ser
demitidos nunca de seus cargos, nem que matem, fritem e comam a própria mãe no
plenário.
Só
há uma maneira da população se livrar legalmente deles: esperar que completem
75 anos de idade. Aí, em compensação, não podem ser salvos nem por seus
próprios decretos. Têm de ir embora, no ato, e não podem voltar nunca mais.
Glória
a Deus.
Demora?
Demora, sem dúvida, e muita coisa realmente ruim pode acontecer enquanto o
tempo não passa, mas há duas considerações básicas a se fazer antes de abandonar
a alma ao desespero a cada vez que se reúne a apavorante “Segunda Turma” do STF
– o símbolo, hoje, da maioria de ministros que transformou o Supremo,
possivelmente, no pior tribunal superior em funcionamento em todo o mundo
civilizado e em toda a nossa história.
A
primeira consideração é que não se pode eliminar o STF sem um golpe de Estado,
e isso não é uma opção válida dos pontos de vista político, moral ou prático. A
segunda é que o calendário não para.
Anda
na base das 24 horas a cada dia e dos 365 dias a cada ano, é verdade, mas não
há força neste mundo capaz de impedir que ele continue a andar. Levará embora
para sempre, um dia, Gilmar Mendes, Antônio Toffoli, Ricardo Lewandovski. Antes
deles, já em novembro do ano que vem e em julho de 2021, irão para casa Celso
Mello e Marco Aurélio – será a maior contribuição que terão dado ao país desde
sua entrada no serviço público, como acontecerá no caso dos colegas citados
acima. E assim, um por um, todos irão embora – os bons, os ruins e os
horríveis.
Faz
diferença, é claro. Só os dois que irão para a rua a curto prazo já ajudam a
mudar o equilíbrio aritmético entre o pouco de bom e o muitíssimo de ruim que
existe hoje no tribunal.
Como
é praticamente impossível que sejam nomeados dois ministros piores do que eles,
o resultado é uma soma no polo positivo e uma subtração no polo negativo – o
que vai acabar influindo na formação da maioria nas votações em plenário e nas
“turmas”. Com mais algum tempo, em maio de 2023, o Brasil se livra de
Lewandovski.
A
menos que o presidente da época seja Lula, ou coisa parecida, o ministro a ser
nomeado para seu lugar tende a ser o seu exato contrário – e o STF, enfim,
estará com uma cara bem diferente da que tem hoje. O fato, em suma, é que o
calendário não perdoa.
O
ministro Gilmar Mendes pode, por exemplo, proibir que o filho do presidente da
República seja investigado criminalmente, ou que provas ilegais, obtidas
através da prática de crime, sejam válidas numa corte de justiça. Mas não pode
obrigar ninguém a fazer aniversário por ele. Gilmar e os seus colegas podem
rasgar a Constituição todos os dias, mas não podem fugir da velhice.
O
Brasil que vem aí à frente, por esse único fato, será um país melhor. Se você
tem menos de 25 ou 30 anos de idade, pode ter certeza de que vai viver numa
sociedade com outro conceito do que é justiça.
Não
estará sujeito, como acontece hoje, à ditadura de um STF que inventa leis,
censura órgãos de imprensa e assina despachos em favor de seus próprios
membros. Se tiver mais do que isso, ainda pode pegar um bom período longe do
pesadelo de insegurança, desordem e injustiça que existe hoje.
Só
não há jeito, mesmo, para quem já está na sala de espera da vida, aguardando a
chamada para o último voo. Para estes, paciência. (Poderiam contar, no papel,
com o Senado - o único instrumento capaz de encurtar a espera, já que só ele
tem o poder de decretar o impeachment de ministros do STF. Mas isso não vai acontecer nunca; o Senado
brasileiro é algo geneticamente programado para fazer o mal).
Para
a maioria, a vitória virá com a passagem do tempo."

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