21 de jun. de 2019

Estranhos editoriais do Estadão.


É interessante observar o rumo que, de uns meses para cá, tomaram os editoriais do jornal O Estado de São Paulo. Ao mesmo tempo em que pedem moderação, diplomacia, capacidade de articulação política e transigência, como atributos de que o país e o governo estariam carentes, os editoriais do Estadão espancam o governo e desqualificam seus adeptos, acirrando, assim, os antagonismos que incluem entre os males do país.


Na edição do dia 28 de maio, depois de uma olhada superficial sobre as grandes manifestações do dia 26, o jornal adverte:

“Nunca é demais lembrar que a reforma da Previdência, malgrado sua urgência, deve ser apenas o início de um amplo processo de mudanças com vista a ensejar uma retomada do crescimento que, finalmente, comece a tirar o Brasil da sua persistente mediocridade. Nada disso será alcançado sem contrariar as corporações que capturaram o Estado para a satisfação de seus interesses, e para isso será preciso arregimentar democraticamente as forças dispostas à articulação de um consenso mínimo.”

O redator talvez julgue haver, em parto sem dor, dado à luz uma ideia original, o caminho da roça para tirar o país da crise – “um amplo processo de mudanças com vistas a ensejar uma retomada do crescimento”. Ao ler isso fiquei com vontade de recortar e mandar para o ministro Paulo Guedes, sublinhando a advertência sobre a necessidade de “contrariar as corporações que capturaram o Estado”. Grande sacada!

O problema é que enquanto tenta ensinar o padre a rezar missa, o jornal faz o que condena. Desacredita sistematicamente o Presidente, ora com platitudes, ora com grosserias. Silencia sobre seus méritos e tenta blindar o Congresso com um isolamento acústico aonde não chegue a voz das ruas. Cobra todas as responsabilidades e contas do governo e confere ao Legislativo (aí incluída a desacreditada elite do Centrão) um direito a decidir sem pressão que jamais foi objeto de tão insistente defesa nas páginas do jornal.

Na perspectiva do Estadão, tudo se passa como se “o amplo processo de mudanças“ a que se refere, estivesse sendo objeto de debate num país distante, e seus editorialistas, em vez de emitir opinião, se sentissem obrigados a omiti-la em nome do respeito às imaculadas motivações dos congressistas. Essa atitude impediu o jornal de perceber dois fatos significativos: 1) foi a reação popular que travou, no Parlamento, a recriação de pelo menos dois ministérios; 2) a mesma pressão, porém, não bastou para manter o COAF na órbita do Ministério da Justiça, em votação festejada no plenário como se fosse indulto de Natal. Deliberação legítima? Sim, mas convenhamos...

Em relação a seus deveres como importante jornal do país, o Estadão comete o mesmo erro que, equivocadamente, atribui ao governo: põe lenha no fogo e deixa as batatas assarem até a casa queimar. As multidões que foram às ruas em todo o Brasil no dia 26 entenderam melhor a situação. Apoiaram as reformas, deram suporte ao Presidente, louvaram Sérgio Moro e Paulo Guedes. Frustraram os que previam fracasso e decepcionaram os que imaginavam uma antidemocrática Tomada da Bastilha brasiliense. Foram muito mais proativas, enfim. Ajudaria bem o Brasil se o Estadão escrutinasse as condutas dos dois lados da praça e desse uma olhada nos inimigos das reformas e suas motivações. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor)
 


Só porque você dança bem, não significa que vai ser convidado para o baile.
Você é competente naquilo que faz, mas por alguma razão outras pessoas
são escolhidas em seu lugar?
Talvez seu problema seja o de estar confundindo ficção com realidade.
Na ficção que nos contaram, o importante eram as coisas, estratégias, sistemas, produtos, planilhas,  crenças.
Na realidade, o importante são as pessoas. Não existe nada sem pessoas.
Tudo o que você faz, começa e termina em pessoas. Se você tivesse que passar o resto da sua vida com todas as riquezas do universo... Sozinho em uma ilha deserta, de que valeria qualquer sucesso? Você - e eu
precisamos compartilhar o tempo, a vida e as experiências com outras pessoas.
Você pode ser genial, mas as pessoas gostam de trabalhar com você? (eu não perguntei se elas gostam de passear com você. isso é fácil. perguntei se elas gostam de trabalhar com você).
Seus chefes, subordinados e colegas confiam em você como profissional e gostam de trabalhar com você?
Se apenas uma dessas perguntas tiver como resposta "não", você ficará abaixo de onde pode chegar.
Agora, deixe-me esclarecer um ponto. Isso não significa que você deva ser "amigo" de todos, ou um bajulador. Seja você mesmo. Sempre. Dá menos trabalho! Faça o que tem que ser feito. Mas, se você não é parte da solução na empresa, na família, no romance, no clube ou na sociedade, então você é parte do problema. E se este é seu caso, cuidado: problemas não são convidados para subir na empresa. Problemas não são bem-vindos no casamento.
Problemas não são eleitos. Problemas são e-v-i-t-a-d-o-s, mesmo que inconscientemente, seja a solução, concentrando-se nas pessoas. O que elas realmente buscam? Do que precisam? O que querem? Você deve buscar a competência técnica, claro. Mas não precisa ser perfeito como um robô, porque somente pessoas avançam. Robôs a gente constrói, ou desliga. E o único modo de pessoas avançarem com lastro duradouro é quando são apoiadas por outras pessoas. Você é apoiado por outras pessoas? Em outras palavras, depois da sua competência técnica, seus relacionamentos são a fonte mais importante para o seu futuro, em todos os níveis. Seja na carreira, na família ou na sociedade. Por isso, lembre-se do que disse Michael Leboeuf: "só porque você dança bem, não significa que vai ser convidado para o baile".
E o baile da vida é bem curto. Curto demais. Não espere a última música para entender isso. Tudo começa, e termina, nas pessoas. (Artigo: Michel Lebouf, PhD. - Adaptação: Cleverson Rizinesk)

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