Em 1830, Simón Bolívar, não o
inventado por Hugo Chávez, mas o verdadeiro, chegou a certas conclusões entre
elas as seguintes:
1. América Latina é para nós
ingovernável.
2. A única coisa a fazer na
América Latina é emigrar.
3. Se acontecesse que uma parte
do mundo voltasse ao caos primitivo, isso seria a última metamorfose da América
Latina.
Olhando nossa situação a
impressão é a de que o Brasil vai se inserindo no pensamento de Bolívar.
Vejamos porquê.
Nas eleições passadas quase 58
milhões de brasileiros escolheram um presidente como se fosse uma esperança em
dias melhores, quando estaríamos livres dos males causados pelos governos
petistas, especialmente, a corrupção, a recessão, a violência, a impunidade.
Os que votaram em Bolsonaro foram
chamados de extrema direita, fascistas, nazistas, conservadores. Naturalmente,
tais “xingamentos” não passavam de um falso palavreado para abater o
adversário.
Antes da posse Bolsonaro começou
a ser cobrado de modo nunca antes havido com relação a outros presidentes.
Havia uma obsessão com relação a reforma da Previdência prometida por Lula,
Dilma, Fernando Henrique e nunca realizada.
Logo que foi empossado o governo,
através do ministro da Economia Paulo Guedes, apresentou ao Congresso um
projeto de reforma da Previdência. Quanto ao notável juiz e agora ministro da
Justiça, Sérgio Moro, ofereceu aos brasileiros um excelente projeto anticrime.
Infelizmente, no Congresso duas
frentes capitaneadas pelo presidente da Câmara têm freado os importantes
projetos. São elas a frente de derrotados dos partidos de esquerda e a frente
dos inconformados com a perda do “toma lá dá cá. Afinal, o Congresso sempre foi
um balcão de negócios, tendo chegando ao auge quando o então presidente, Lula
da Silva, comprou deputados configurando-se assim o escândalo do mensalão
arquitetado pelo então poderoso José Dirceu.
Levando-se em consideração as
exceções que sempre existem, os parlamentares tradicionalmente se dedicam a
projetos pessoais ou medíocres e não aos que beneficiam o Brasil. E ao perceber
que a tradição deixou de existir deram o troco no Executivo. Vejamos dois
exemplos da revanche conforme mostrado pelo O Estado de S. Paulo (30/03/2019);
"Orçamento impositivo –
Proposta aprovada na Câmara engessa parte maior do Orçamento e torna
obrigatório o pagamento de despesas atualmente passíveis de adiamento.
Medidas provisórias – Pela
proposta. medidas perdem a validade mais rápido e o prazo para a Câmara e o
Senado votarem separadamente é maior – hoje há um prazo único de 120 dias”.
Lembro ainda, que recentemente
sete ministros do presidente foram convidados pelo Congresso para apresentar
seus planos. O que se viu foi um espetáculo de linchamento verbal calcado no
mesmo ódio existente nos linchamentos físicos. Inclusive, não faltou a habitual
falta de compostura da senadora Kátia Abreu.
O Legislativo compõe com o
Judiciário e o Executivo a tríade fundamental da democracia e, em sã
consciência ninguém está querendo o desaparecimento dos Poderes. O clamor
popular quando se volta contra o Congresso quer apenas que os parlamentares
legislem para Bem Comum, fim último da política; assumam um comportamento de
acordo com a responsabilidade de terem sido escolhidos como tomadores de
decisões e deem o exemplo de competência e honestidade. Lamentavelmente, o
Congresso está bem longe disso e no momento se compraz em conduz o país para a
ingovernabilidade.
O STF também concentra a
descrença e a revolta popular com relação às atitudes e comportamentos,
principalmente de certos componentes da mais alta corte da Justiça. Como disse
um dos ministros do Supremo, Luís Roberto Barroso: “O STF pode perder sua
legitimidade e provocar uma crise institucional se não corresponder aos anseios
da sociedade”. Claramente isso já está acontecendo.
Quanto a imprensa deve ser livre,
como é usual nas democracias, para expor opiniões contrárias ou favoráveis
relativas a sociedade, a política e a economia. Entretanto, o que se nota é uma
oposição sem tréguas ao presidente da República. Possivelmente, se ele espirrar
será duramente criticado.
Lula se queixava diuturnamente e
sem razão da mídia e tudo bem. Bolsonaro está sendo desconstruído. Paira no ar
a palavra impeachment. Corre boatos que em abril o STF livrará Lula da cadeia.
Ligando uma coisa com outra a perspectiva não é nada boa.
Por tudo isso a ingovernabilidade
avança e diante de tal situação muitos brasileiros já emigraram. A continuar
desse jeito, se uma parte do mundo voltar ao caos primitivo, isso será a última
metamorfose do Brasil. Os venezuelanos que o digam. (Maria Lucia Victor Barbosa
é socióloga)
Nenhum comentário:
Postar um comentário