24 de out. de 2009

Governão

Politicamente mais alfabetizados do que nós, os americanos costumam manter uma saudável polêmica (com alguns episódios mais desagradáveis, aqui e ali) entre os que são a favor do Big Business e os que preferem o Big Government. Considero ambas as expressões intraduzíveis em nosso idioma - sobretudo por razões culturais. Nos Estados Unidos, de modo geral, o governo ocupa-se em governar e o setor de negócios em negociar - ou mais estritamente cuida das atividades de produzir e vender bens e serviços.

É claro que a sociedade ideal seria aquela em que os negociantes - empresários, capitalistas, etc. - produzissem e vendessem bens de boa qualidade, por preços acessíveis à toda a população, que lhes permitisse um lucro decente para continuar a funcionar e a crescer. E o governo governasse sabiamente, coletando impostos, administrando justiça, cuidando da infraestrutura e proporcionando serviços essenciais aos cidadãos.

O que acontece quando um dos players dessa equação virtuosa decide trapacear? Do lado dos empresários, é simples: cedem à tentação de ganhar o máximo investindo o mínimo. A representação matemática dessa atitude é absurda, pois significaria investir nada e ganhar tudo. Mas há várias estações ao longo do caminho, em que se pode ganhar muitíssimo arriscando pouquinho - como comprovou a crise calhorda que acometeu o mundo no ano passado. E quase todas elas são desonestas e/ou criminosas.

No governo, dou a palavra ao genial Benjamin Franklin - na citação acima; ou, nas palavras mais caipiras do nosso inconformado Monteiro Lobato: todos querem mamar nas tetas da vaca-governo. E sabemos que é possível roubar verdadeiras cordilheiras de dinheiro do Estado, quando se está mancomunado com os poderosos certos nas posições certas.

Mas essa historinha tão clara e simples, quase esquemática, que aqui descrevo, não está na cabeça da maioria das pessoas, no Brasil, como está na dos americanos. Lá, quase todos sabem que, se votarem nos republicanos, os impostos vão diminuir e os negócios vão prosperar; e, se nos democratas, o governo vai querer se meter e regular mais as coisas.

Aqui, é uma zorra. Nenhum partido político representa os empresários nem a "direita". Aliás, direita é uma coisa que desapareceu para sempre do pedaço, enterrada com o regime militar. As prévias sobre as eleições para presidente de 2010 só incluem candidatos de esquerda (todos eles, por exemplo, foram perseguidos políticos pelo movimento de 64).

Os meios de comunicação poderiam ajudar, já que quase todos pertencem à facção business - ou empresa privada. Mas, como não são os donos que pesquisam, selecionam e produzem as matérias que são apresentadas ao público, os que o fazem tendem a ter uma noção meio mágica de como as coisas acontecem, baseados em idéias do século 19 que por aqui germinaram e se tornaram muito populares nas academias e nos botequins das grandes cidades na segunda metade do século passado - geralmente denominadas de marxistas. Santa confusão. (J. Roberto Whitaker Penteado)
"Até pessoas honestas são capazes de roubar o governo". (Benjamin Franklin)

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