Há alguns dias vi em um noticiário de televisão uma matéria em que se mencionava o fato do Presidente Lula, ter determinado o corte de ponto aos servidores públicos federais em greve há alguns dias. Nesse mesmo dia em uma outra matéria a notícia de que o Presidente havia sancionado um aumento de salário de até 140% aos servidores federais que ocupam “cargos de confiança”.
Tudo poderia ser tratado como uma coisa normal, afinal ao Presidente da República cabe corrigir essas “distorções salariais”. Mas isso tudo me fez lembrar de algumas coisas e minha mente se voltou para o final dos anos 70 e início dos anos 80, quando um barbudinho aloprado, com o nome de Luís Inácio da Silva, o “Lula” (assim mesmo a incorporação se deu depois). O País ainda estava sob a égide militar, então presidente “que achava o cheiro de cavalo, melhor do que o cheiro de gente” era O General João Batista de Oliveira Figueiredo. Do outro lado do mundo, um outro baixinho aloprado, Lech Walesa, começava sua insurreição nos estaleiros de Gdansk, na Polônia, que da mesma maneira do colega brasileiro, enfrentou um regime “linha-dura”, o de cá pela nada socialista intenção de melhores salários, e o de lá contra a ferrenha ditadura, cuja sombra partia de Moscou.
O nosso baixinho, que de ideologia naquela época não sabia nada, se é que o ficou sabendo depois, e o baixinho de lá, que se não sabia o que era uma ideologia, aprendeu a lutar contra uma, foram presos, censurados e finalmente se tornaram presidentes. A luta de ambos foi ferrenha, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, saiu o Partido dos Trabalhadores e na Polônia Lech Walesa, foi o articulador do Sindicato Solidariedade, e a exemplo do polonês, Lula também chegou a presidência.
Tudo poderia ser tratado como uma coisa normal, afinal ao Presidente da República cabe corrigir essas “distorções salariais”. Mas isso tudo me fez lembrar de algumas coisas e minha mente se voltou para o final dos anos 70 e início dos anos 80, quando um barbudinho aloprado, com o nome de Luís Inácio da Silva, o “Lula” (assim mesmo a incorporação se deu depois). O País ainda estava sob a égide militar, então presidente “que achava o cheiro de cavalo, melhor do que o cheiro de gente” era O General João Batista de Oliveira Figueiredo. Do outro lado do mundo, um outro baixinho aloprado, Lech Walesa, começava sua insurreição nos estaleiros de Gdansk, na Polônia, que da mesma maneira do colega brasileiro, enfrentou um regime “linha-dura”, o de cá pela nada socialista intenção de melhores salários, e o de lá contra a ferrenha ditadura, cuja sombra partia de Moscou.
O nosso baixinho, que de ideologia naquela época não sabia nada, se é que o ficou sabendo depois, e o baixinho de lá, que se não sabia o que era uma ideologia, aprendeu a lutar contra uma, foram presos, censurados e finalmente se tornaram presidentes. A luta de ambos foi ferrenha, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, saiu o Partido dos Trabalhadores e na Polônia Lech Walesa, foi o articulador do Sindicato Solidariedade, e a exemplo do polonês, Lula também chegou a presidência.
Não quero aqui determinar casuísmos entre ambos, principalmente ideológicos, sem meias palavras, ambos foram dois marcos na história de seus países, no Brasil, o regime dos quartéis caiu por terra em 1985, e na Polônia o comunismo ruiu em 1989. Tanto Lula, quanto Walesa, eram operários com uma capacidade de mobilização fantasmagórica, a história do Brasil, jamais vai esquecer as greves comandadas por Lula e a Polônia sempre vai ver na figura de Walesa o homem que enfrentou Moscou e que enfrentou o socialismo.
Lula, e o Sindicado dos metalúrgicos do ABC, foram o bote no qual se encaixaram “toda a gente que partiu”, com a aprovação da lei de anistia em 1979, e o Presidente Luis Inácio Lula da Silva (agora o Lula é nome) deve ter se esquecido, dos motivos e os porquês que o levaram a presidência do Partido dos Trabalhadores, mesmo porque ele entrou na história por melhores salários e não para dirigir um partido, mas a história não só o colocou na direção de um partido, como na Presidência da República.
Teria Lula chegado aonde chegou se ao invés de uma missão (a de conseguir melhores salários para os seus sindicalizados), tivesse optado por discutir a teoria dos novos rumos da esquerda mundial. Aqui falo como admirador de Lula e membro do partido dos trabalhadores, o que garante a isenção necessária para colocar os meus 10 dedos na cara de Lula e dizer “Quem é você, para cortar ponto de servidores federais?”, servidores públicos não têm outro instrumento que não seja a greve, e o grande câncer do serviço público continua sendo os malditos “cargos de confiança” de parias que entraram no serviço público pela janela, mas que merecem ter seus vencimentos reajustados em 140%.
Nunca tive a ilusão de que Lula se transformasse num teórico, afinal a esquerda que ele tanto defendeu, ele mal sabe o que é, talvez mal soubesse o que se passava no Brasil na década de 70, e nunca me enganei a sua reduzida aptidão com a informação.
Mas um homem, pode se esquecer de tudo, de seu nome, como é o caso de Luís Inácio da Silva, pode se esquecer do fedor ocre de uma cela, pode até se esquecer do ofício de torneiro mecânico, mas não pode se esquecer por quais razões “a vida” o colocou onde ele está hoje.
As conquistas de Lula metalúrgico, foram tão importantes que nenhuma montadora mais se instala no ABC, mas em contrapartida, ele ousou enfrentar os tanques, e isso fez dele o Presidente da República, mas nem os militares ousaram em cortar os pontos dos grevistas faltosos. Lula sim.
“Maldito aquele que se esquece de onde saiu”.
“Maldito aquele que se esquece de onde saiu”.
(Sérgio Ildefonso)
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