

Será que alguém têm explicação ao que se viu ontem no Pacaembu?
Discussões, discordâncias, disputas entre as torcidas, sempre existiram, mas em nível respeitoso, só vi em pequeno, e bota tempo nisso.
Sou do tempo anterior ao Maracanã, onde pais, mães, parentes e amigos nos levavam aos estádios aqui no Rio, distantes ou não, e ficava-se deslumbrado com a tela maravilhosa do campo e arquibancadas, olhando o mistério daquele teatro, o nervosismo comedido de torcedores, homens, mulheres e crianças,
vibrando e chorando na parcimônia, e na saída, a alegria de uns e a tristeza de outros.
vibrando e chorando na parcimônia, e na saída, a alegria de uns e a tristeza de outros.
Lembro-me bem quando existia na tv programa onde José Maria Scassa, Nelson Rodrigues e tantos outros inesquecíveis, não esqueciam o respeito devido.
Jamais os vi sairem do comportamento afável, que agradava e ensinava aos espectadores com seus raciocínios e poéticas manobras como adeptos da mesma lisura e beleza dos artistas nos campos.
Eram outros tempos em que existia palavra respeito educacional de família e social.
Hoje, para qualquer coisa que se olhe, tememos uma possível violência.
Os espetáculos perderam seus valores, pois se tornaram puramente comerciais, num exemplo vivo que qualquer perna-de-pau (aos montes por aí) entra pro clube, beija o escudeto, e tempos depois, repete o gesto em outras paragens.
O mercantilismo acabou com os clubes, onde marqueteiros, empresários, avivam muito mais o dinheiro e a glória, do que o simbolismo de pertencer a um clube.
É vergonhosa a comparação entre o futebol covarde de hoje com os vibrantes, valentes e grandiosos dos tempos de Zizinho, Danilo, Ipojucã, Diamante Negro, Ademir e tantos outros que nossas mentes não olvidam, pelos seus exemplos, dentro e fora de campo.
Nos dias atuais vale a propaganda e o dito Gerson: quanto é que levo nisso?
A organização dos seres humanos perdeu muito na sua vocação de disputar em concenso, a harmonia e o direito alheio.
Transformou-se muito dos esportes em ativadores de guerras, disputas encarniçadas, a pandemia da violência, onde quer que se esteja, hordas indo e vindo pelas ruas e retornos dos estádios, mesclando com afazeres do trabalho.
Me volto à organização das formigas e abelhas, seus comportamentos e as lutas que travam para manter seus núcleos.
Quem é mais sensível, compreensivo e dito superior?
O triste espetáculo do Pacaembu é mais uma nota que mancha o "importante é competir" e "Mem sana in corpore sano".
Colegas de profissão não mais se respeitam, torcidas usam quaisquer meios no "destroçar inimigos", não importando conseqüências e nem mesmo o respeito a patrimônios e à própria polícia.
Voltamos à arena em Roma!
Com quantos converso, ouço "nunca mais voltarei ao estádio e até pela tv enoja!". O que o que existe são apenas "peladas", o já ganhou, a insistência visível da plebe ignara.
E me recordo alguém numa final de campeonato recente, jogando algo sobre uma atleta do vôlei, uma nossa campeã mundial, uma mulher, uma covardia e falta de coerência e decência.
Não sei a quantas andam os senhores homens da polícia com suas técnicas, os legisladores que nada fazem, a justiça que não se pronuncia sobre as federações, para por fim a tanta barbaridade.
Como integrar famílias numa sociedade em que partes podres são toleradas, e a cada dia, mesmo que tivéssemos uma justiça rápida, a criação de presídios seria numerosa para o mal que se expande.
Viva os animais com seus instintos, pois fatos desse quilate, descontrole das massas, exige pra ontem, muros que se ergam para tapar vergonhas que campeiam pelo mundo.
(Armando Andrade@)
Um comentário:
Por essa e por outras que algumas coisas já perderam e muito a graça para mim...
Um beijo..
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