Coronel da ESG critica baboseiras de golpista e se confraterniza com ex-cassados
O Bar Aparelho, é onde se reunem jornalistas e ligados ao Sindicato dos Jornalistas (RJ)
O que era para ser um duelo entre o militar cassado Ivan Proença, professor de Cultura Popular Brasileira na Faculdade Hélio Alonso, e o coronel Nelsimar Moura Vandelli, dirigente da Escola Superior de Guerra (ESG), virou uma confraternização de pontos de vista comuns, em uma demonstração inequívoca de que a democracia política brasileira avança firme na superação de seus traumas. O coronel foi convidado para debater o atual papel do Exército na sociedade brasileira com o sociólogo Michel Misse, coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da UFRJ. Ambos condenaram a idéia de as Forças Armadas atuarem no combate ao tráfico e à violência nas cidades brasileiras, assim como a maioria do público, onde estava Proença.
Os jornalistas Arthur Cantalice e Mário Augusto Jacobskind, notórios nacionalistas, antiimperialistas e críticos do regime militar, também aplaudiram a postura do coronel Vandelli, que coordena o Centro de Atividades Externas da ESG.
A postura nacionalista do público e do coronel deu o tom do debate. Vandelli elogiou o novo ministro da Defesa, Waldir Pires, outro perseguido e exilado pela ditadura de 64, e classificou como "velhas baboseiras" o discurso anticomunista ainda presente em publicações de alguns círculos militares. Enalteceu o regime comunista chinês pela resistência que oferece ao capital especulativo e pelas exigências que impõe aos investimentos de multinacionais americanas. Fez também uma revisão histórica ao discordar do termo "revolução" para definir o movimento militar que rasgou a Constituição e arrancou o presidente João Goulart do poder em 1964. "Uma revolução acontece quando se muda o sistema econômico e um golpe só muda os donos do poder", declarou o coronel da ESG.
O militar evitou fazer comentários sobre as posturas do comandante do Exército, general Francisco Albuquerque — o da carteirada no avião da TAM — que na Ordem do Dia de 31 de março ressuscitou fantasmas ao enaltecer o golpe de 64. Mas o público dedicou adjetivos pouco edificantes ao general.
O sociólogo Michel Misse vê na recente ação militar para recuperar as armas roubadas por traficantes de uma unidade militar no Rio o objetivo de criar constrangimentos para o tráfico. Ele levantou a hipótese de o Exército ter aproveitado a ocasião para um exercício militar urbano e considerou equivocado o termo “busca e apreensão” utilizado pelos militares.
"Um mandado de busca e apreensão pressupõe um endereço específico, não se pode fazer busca e apreensão em uma cidade inteira." Misse afirmou que as polícias têm condições de ocupar qualquer morro do Rio e rejeitou as comparações entre as favelas do Rio de Janeiro e as partes do território colombiano ocupadas pela guerrilha. Para ele, não é a configuração de "território ocupado" pelo tráfico que impede a ação da polícia nos morros, mas sim a corrupção.
O coronel da ESG usou a expressão "orgulho ferido" para justificar a movimentação das tropas no Rio e disse que, se fosse uma operação de guerra para valer, o correto seria o desembarque dos soldados na parte superior dos morros para não ficarem expostos, na base das favelas, à mira dos traficantes. O debate foi precedido pela exibição de imagens exclusivas da ocupação militar do Morro da Providência, feitas pela TVE, nas quais é visível o sentimento de insegurança dos soldados.
Vandelli manifestou a preocupação com a possibilidade de o contato do Exército com o tráfico, na hipótese de um confronto permanente, resultar em corrupção. Ele classificou o Exército como uma instituição popular, que cumpre uma importante função social por dar uma vida digna aos soldados oriundos das classes pobres durante o período de recrutamento, mas ressaltou as péssimas condições de vida desses jovens como um terreno fértil para a cooptação pelo crime em caso de convivência em uma situação de confronto, como acontece hoje com as polícias estaduais. O coronel também deixou claro que as Forças Armadas não têm verbas ou condições operacionais para impedir o tráfico nas fronteiras, portos e aeroportos brasileiros. Em mais um ponto de concordância entre o representante da ESG e os cassados e perseguidos pelo regime militar que compareceram ao Bar Aparelho, ficou nítida a situação de vulnerabilidade da soberania nacional em função do orçamento insuficiente da Defesa nacional.
O coronel Vandelli aproveitou para divulgar o I Ciclo de Extensão "Amazônia", que será realizado de 17 a 20 deste mês, no auditório Professor Oliveira Júnior, da Escola Superior de Guerra, na Urca.
Mais informações através do telefone (21) 3223-9828 ou do e-mail caext@esg.br.
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O Bar Aparelho abrirá as portas no próximo dia 17, como sempre uma segunda-feira, para uma projeção de slides e exposição de fotografias. Em breve divulgaremos os nomes dos expositores. No dia 24, o Aparelho será invadido pelos estudantes, com um debate sobre
mercado de trabalho que está sendo organizado pelos diretórios e centros acadêmicos. Não perca!!! O Sindicato está de portas abertas para que você venha debater os desafios de nossa categoria e da sociedade brasileira. Apareça.
O Bar Aparelho, é onde se reunem jornalistas e ligados ao Sindicato dos Jornalistas (RJ)
O que era para ser um duelo entre o militar cassado Ivan Proença, professor de Cultura Popular Brasileira na Faculdade Hélio Alonso, e o coronel Nelsimar Moura Vandelli, dirigente da Escola Superior de Guerra (ESG), virou uma confraternização de pontos de vista comuns, em uma demonstração inequívoca de que a democracia política brasileira avança firme na superação de seus traumas. O coronel foi convidado para debater o atual papel do Exército na sociedade brasileira com o sociólogo Michel Misse, coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da UFRJ. Ambos condenaram a idéia de as Forças Armadas atuarem no combate ao tráfico e à violência nas cidades brasileiras, assim como a maioria do público, onde estava Proença.
Os jornalistas Arthur Cantalice e Mário Augusto Jacobskind, notórios nacionalistas, antiimperialistas e críticos do regime militar, também aplaudiram a postura do coronel Vandelli, que coordena o Centro de Atividades Externas da ESG.
A postura nacionalista do público e do coronel deu o tom do debate. Vandelli elogiou o novo ministro da Defesa, Waldir Pires, outro perseguido e exilado pela ditadura de 64, e classificou como "velhas baboseiras" o discurso anticomunista ainda presente em publicações de alguns círculos militares. Enalteceu o regime comunista chinês pela resistência que oferece ao capital especulativo e pelas exigências que impõe aos investimentos de multinacionais americanas. Fez também uma revisão histórica ao discordar do termo "revolução" para definir o movimento militar que rasgou a Constituição e arrancou o presidente João Goulart do poder em 1964. "Uma revolução acontece quando se muda o sistema econômico e um golpe só muda os donos do poder", declarou o coronel da ESG.
O militar evitou fazer comentários sobre as posturas do comandante do Exército, general Francisco Albuquerque — o da carteirada no avião da TAM — que na Ordem do Dia de 31 de março ressuscitou fantasmas ao enaltecer o golpe de 64. Mas o público dedicou adjetivos pouco edificantes ao general.
O sociólogo Michel Misse vê na recente ação militar para recuperar as armas roubadas por traficantes de uma unidade militar no Rio o objetivo de criar constrangimentos para o tráfico. Ele levantou a hipótese de o Exército ter aproveitado a ocasião para um exercício militar urbano e considerou equivocado o termo “busca e apreensão” utilizado pelos militares.
"Um mandado de busca e apreensão pressupõe um endereço específico, não se pode fazer busca e apreensão em uma cidade inteira." Misse afirmou que as polícias têm condições de ocupar qualquer morro do Rio e rejeitou as comparações entre as favelas do Rio de Janeiro e as partes do território colombiano ocupadas pela guerrilha. Para ele, não é a configuração de "território ocupado" pelo tráfico que impede a ação da polícia nos morros, mas sim a corrupção.
O coronel da ESG usou a expressão "orgulho ferido" para justificar a movimentação das tropas no Rio e disse que, se fosse uma operação de guerra para valer, o correto seria o desembarque dos soldados na parte superior dos morros para não ficarem expostos, na base das favelas, à mira dos traficantes. O debate foi precedido pela exibição de imagens exclusivas da ocupação militar do Morro da Providência, feitas pela TVE, nas quais é visível o sentimento de insegurança dos soldados.
Vandelli manifestou a preocupação com a possibilidade de o contato do Exército com o tráfico, na hipótese de um confronto permanente, resultar em corrupção. Ele classificou o Exército como uma instituição popular, que cumpre uma importante função social por dar uma vida digna aos soldados oriundos das classes pobres durante o período de recrutamento, mas ressaltou as péssimas condições de vida desses jovens como um terreno fértil para a cooptação pelo crime em caso de convivência em uma situação de confronto, como acontece hoje com as polícias estaduais. O coronel também deixou claro que as Forças Armadas não têm verbas ou condições operacionais para impedir o tráfico nas fronteiras, portos e aeroportos brasileiros. Em mais um ponto de concordância entre o representante da ESG e os cassados e perseguidos pelo regime militar que compareceram ao Bar Aparelho, ficou nítida a situação de vulnerabilidade da soberania nacional em função do orçamento insuficiente da Defesa nacional.
O coronel Vandelli aproveitou para divulgar o I Ciclo de Extensão "Amazônia", que será realizado de 17 a 20 deste mês, no auditório Professor Oliveira Júnior, da Escola Superior de Guerra, na Urca.
Mais informações através do telefone (21) 3223-9828 ou do e-mail caext@esg.br.
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O Bar Aparelho abrirá as portas no próximo dia 17, como sempre uma segunda-feira, para uma projeção de slides e exposição de fotografias. Em breve divulgaremos os nomes dos expositores. No dia 24, o Aparelho será invadido pelos estudantes, com um debate sobre
mercado de trabalho que está sendo organizado pelos diretórios e centros acadêmicos. Não perca!!! O Sindicato está de portas abertas para que você venha debater os desafios de nossa categoria e da sociedade brasileira. Apareça.
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