Comerciantes de madeira roubam a vida da Amazônia

Assim que a estação seca chega, comerciantes de lenha
entram em ação. Dia após dia, de junho em diante, seus
caminhões vazios partem bem cedo desta povoação ao longo
da estrada Transamazônica, para voltarem só no meio da
tarde, acabrunhados dos troncos de ipê, jatobá e cedro,
todos recentemente cortados.

Não interessa que o governo brasileiro tenha suspendido no
ano passado as autorizações obrigatórias para se cortar
árvores nesta parte da floresta, tornando a colheita de
madeira ilegal para todos, menos para alguns comerciantes.
Tampouco importa que a maior parte da madeira tropical
valiosa esteja sendo lançada por terra, com serras elétricas
e tratores em territórios públicos, pelo menos em teoria, fora
do limite até mesmo aos poucos comerciantes de madeira
que ainda possuem as licenças.

“Isso vai noite adentro, com o tráfico tão intenso em
algumas dessas noites, com 30 ou 40 caminhões rangendo o
mesmo tempo, que as pessoas não conseguem nem dormir”,
disse Milton Fernandes Coutinho, presidente da associação
local de agricultores, que representa os camponeses que
vivem ao longo das estradas usadas pelos comerciantes. “Já
fizemos muitas queixas ao governo, mas ninguém faz nada
para detê-los”.

As estatísticas do governo brasileiro sugerem que o
desprezo alastrado à lei também ocorre em outras partes da
Amazônia. Apesar das regras mais rigorosas, pelo menos no
papel, e de o governo prometer ser mais linha-dura com
estes saqueadores, carregamentos de madeira da região
rugem como nunca.

De acordo com os dados do governo, as exportações de
madeira brasileira vindas da Amazônia aumentaram quase
50% do valor em 2004 em relação ao ano passado, ficando
pouco abaixo da casa do R$1 bi. No primeiro semestre deste
ano, quando a estação chuvosa normalmente diminui a
velocidade das atividades, as exportações aumentam 20%
sobre o valor. No total, cerca de 40% da madeira cortada na
Amazônia é levada para o exterior atualmente.

Defensores dos camponeses, inclusive sindicatos trabalhistas
e oficiais da igreja católica, reagem pontuando a tradicional
relutância da agência do meio-ambiente e florestal do
governo federal, conhecida como Ibama, em agir contra os
comerciantes de madeira e proprietário de serralharias. A
agência constantemente possui pouco pessoal e dinheiro,
seus funcionários são muitas vezes ameaçados e o exército,
bem como a polícia, não parecem querer dar proteção aos
inspetores em missões oficiais.

Com grande parte das alas oriental e meridional da
Amazônia já devastadas, o principal alvo dos comerciantes e
serralheiros nesses dias tem sido a chamada Terra do Meio,
entre os rios Xingu e Iriri.

Na verdade, a região norte daqui, entre a Transamazônica e
o Rio Amazonas, é tão diligente que a população local
começou a chamá-la de Iraque. “Porque os comerciantes de
madeira estão explodindo a vida daqui”, explicou Coutinho.
(Larry Rohter)
entram em ação. Dia após dia, de junho em diante, seus
caminhões vazios partem bem cedo desta povoação ao longo
da estrada Transamazônica, para voltarem só no meio da
tarde, acabrunhados dos troncos de ipê, jatobá e cedro,
todos recentemente cortados.
Não interessa que o governo brasileiro tenha suspendido no
ano passado as autorizações obrigatórias para se cortar
árvores nesta parte da floresta, tornando a colheita de
madeira ilegal para todos, menos para alguns comerciantes.
Tampouco importa que a maior parte da madeira tropical
valiosa esteja sendo lançada por terra, com serras elétricas
e tratores em territórios públicos, pelo menos em teoria, fora
do limite até mesmo aos poucos comerciantes de madeira
que ainda possuem as licenças.
“Isso vai noite adentro, com o tráfico tão intenso em
algumas dessas noites, com 30 ou 40 caminhões rangendo o
mesmo tempo, que as pessoas não conseguem nem dormir”,
disse Milton Fernandes Coutinho, presidente da associação
local de agricultores, que representa os camponeses que
vivem ao longo das estradas usadas pelos comerciantes. “Já
fizemos muitas queixas ao governo, mas ninguém faz nada
para detê-los”.
As estatísticas do governo brasileiro sugerem que o
desprezo alastrado à lei também ocorre em outras partes da
Amazônia. Apesar das regras mais rigorosas, pelo menos no
papel, e de o governo prometer ser mais linha-dura com
estes saqueadores, carregamentos de madeira da região
rugem como nunca.
De acordo com os dados do governo, as exportações de
madeira brasileira vindas da Amazônia aumentaram quase
50% do valor em 2004 em relação ao ano passado, ficando
pouco abaixo da casa do R$1 bi. No primeiro semestre deste
ano, quando a estação chuvosa normalmente diminui a
velocidade das atividades, as exportações aumentam 20%
sobre o valor. No total, cerca de 40% da madeira cortada na
Amazônia é levada para o exterior atualmente.
Defensores dos camponeses, inclusive sindicatos trabalhistas
e oficiais da igreja católica, reagem pontuando a tradicional
relutância da agência do meio-ambiente e florestal do
governo federal, conhecida como Ibama, em agir contra os
comerciantes de madeira e proprietário de serralharias. A
agência constantemente possui pouco pessoal e dinheiro,
seus funcionários são muitas vezes ameaçados e o exército,
bem como a polícia, não parecem querer dar proteção aos
inspetores em missões oficiais.
Com grande parte das alas oriental e meridional da
Amazônia já devastadas, o principal alvo dos comerciantes e
serralheiros nesses dias tem sido a chamada Terra do Meio,
entre os rios Xingu e Iriri.
Na verdade, a região norte daqui, entre a Transamazônica e
o Rio Amazonas, é tão diligente que a população local
começou a chamá-la de Iraque. “Porque os comerciantes de
madeira estão explodindo a vida daqui”, explicou Coutinho.
(Larry Rohter)
SERÁ QUE O BRASIL É TERRA DE NINGUÉM?
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