27 de set. de 2005

Menos uma força na Alegria

Foi-se o homem a quem tantos deverão
momentos excelentes de risos
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Morreu na madrugada desta terça-feira em São Paulo aos 76 anos, onde estava internado no Hospital São Luiz, no Bairro do Morumbi, desde o dia 08 de setembro, com uma infecção generalizada decorrente de uma infecção pulmonar.
Desde que foi internado, o estado de saúde o humorista era grave, mas nos últimos dias os médicos informaram que Golias havia apresentado uma discreta melhora. Mesmo assim, ele respirava com a ajuda de aparelhos e estava sendo submetido a sessões de hemodiálise.
Também ele era portador de câncer. A família ainda não deu detalhes do velório e o enterro do ator.
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Nascido em São Carlos, interior paulista, em 4 de maio de 1929, Golias foi alfaiate, funileiro e participou do grupo de acrobacias aquáticas Aqualoucos. Atuou em programas de calouros no rádio, conheceu Manoel de Nóbrega em 1940, despontando na TV Record em 1956, na antiga "Praça da Alegria", fazendo o personagem Pacífico e seu bordão
"Ô, Cride, fala pra mãe...".
Durante os anos 60, Golias imortalizou o personagem Bronco, no programa "Família Trapo", na TV Record. Carlos Alberto de Nóbrega, filho do Manoel, deu continuidade ao Praça é Nossa, no SBT.
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Em maio do ano passado, Golias se submeteu a uma cirurgia no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para a retirada de coágulo no cérebro, após sofrer uma queda. Antes de ser internado, o humorista atuava na série "Meu Cunhado", ao lado de Moacyr Franco, e no programa "A Praça é Nossa", ambos do SBT.
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Mas foi no clássico Família Trapo que Golias eternizou sua melhor performance, a do Bronco, personagem nascido Carlos Bronco Dinossauro, e que Silvio Santos mandou ressuscitar no seriado Meu Cunhado, exibido até pouco tempo atrás pelo SBT.
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Foi Golias quem deu a Silvio Santos o apelido de “Peru”. É que Senor Abravanel, um pouco pela timidez, um pouco pela hipersensibilidade à luz, corava diante das colegas de trabalho que o acompanhavam em suas caravanas. Manoel de Nóbrega criou daí a “caravana do Seu Peru” - anos depois, o apelido seria anulado pelo título de Homem do Baú.
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Em abril de 2004, estreou na rede de Silvio Santos o programa Meu Cunhado, protagonizado por ele, ao lado de Moacyr Franco, e que vinha sendo gravado havia mais de um ano. Na época da estréia, Golias sofreu uma cirurgia para a implantação de um marca-passo no coração, no Hospital Sírio-Libanês. Em maio, voltou a ser internado, em razão de um coágulo no cérebro. E, desde então, seu estado de saúde vinha se apresentado delicado.
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O programa, que estreou com 52 episódios já gravados, foi um dos últimos títulos a render mais de 20 pontos de média no ibope ao SBT. Meu Cunhado foi uma encomenda do dono do SBT a Moacyr Franco, baseado em um seriado argentino. Com um detalhe: na versão original, o cunhado do título era um sujeito de 22 anos. E Silvio Santos passou a bola a Moacyr apenas com essa ressalva: o cunhado, aqui, teria de ser o Golias. Tudo em torno de Golias. Assim tinha de ser, assim foi.
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Família Trapo - Na Família Trapo, com Zeloni, Renata Fronzi e Jô Soares, nos anos 1960, já era assim. Título dos tempos áureos da Record, a sitcom é referência na história da TV brasileira e serviu de fonte para várias comédias de situação que vieram nas décadas seguintes, incluindo o Sai de Baixo, produzido durante cinco anos pela Globo - só para citar um exemplo mais recente.

No cinema fez dez filmes - poucos, considerando o tempo e o potencial de carreira: Golias Contra o Homem das Bolinhas (1969), Agnaldo, Perigo à Vista (1968), Marido Barra Limpa (1967), O Homem Que Roubou a Copa do Mundo (1963), Os Cosmonautas (1962), O Dono da Bola (1961), Os Três Cangaceiros (1961), Tudo Legal (Bronco) (1960), Vou Te Contá (1958), Um Marido Barra Limpa (1957).
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Hábitos solitários - De hábitos solitários, Golias tinha como endereço uma das ruas mais requisitadas de móveis de São Paulo, a Gabriel Monteiro da Silva, mas, ironicamente, não prezava a mobília sob seu teto. Os poucos amigos que o visitavam achavam graça na ausência de cadeiras, sofá ou estantes no recinto.
Na profissão, o fôlego era mesmo de iniciante.
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Em 2003, quando acompanhou as gravações de uma segunda versão cômica para o clássico Romeu e Julieta, com Hebe Camargo e Golias, a repórter Niza Souza, do Estado, constatou que Golias não era, nos bastidores, o palhaço inconseqüente que exibia diante das
câmeras. Perfeccionista, preocupava-se com cada detalhe, perguntando a todo instante se a cena gravada havia ficado boa, e interferindo no roteiro, sutilmente, se preciso fosse para melhorar o resultado.
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Max Nunes, o famoso redator de humor que há anos acompanha Jô Soares, já disse que se há um personagem que ele gostaria de ter criado este é Bartolomeu Guimarães, “aquele velhinho que Ronald Golias fazia”. Mas Nunes, em entrevista a Leila Reis há dois anos, já dizia também que esse tipo de humor, o humor de personagens, vai acabar. “A TV não se interessa mais pelo humor, só se interessa por esses programas americanos”, lamentou Nunes. É um humor em extinção. Agora, com um Golias a menos na tela - e vê-se aí que não procede aquele negócio de que ninguém é insubstituível -, definitivamente em extinção.

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"Golias é um grande amigo, que vai fazer muita falta para mim e para minha família. Ele começou a carreira com meu pai e está comigo na Praça há 17 anos", relembrou o apresentador, sempre se referindo a Ronald Golias no presente. Segundo Carlos Alberto de Nóbrega, Golias viu seus filhos crescerem. "Ele acompanhou de perto minha carreira. Sinto demais essa perda, assim como todos os brasileiros. Golias é e sempre será um ídolo de todas as gerações", afirmou.
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Obrigado por tudo amigo!

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